Contos Aveludados de Barafunda
6 Vestido Manchado
No conforto de minha casa, pesquisei. Com aquela bela luz refletindo no negro teclado de meu computador eu não entendi. Repensei cada significado que encontrei, mas nada era profundo nem ao menos real.
De fato, sei que posso me passar por ser humano, mas visto uma capa invisível de hipocrisia. Todos a vestem, poucos a percebem. É tão comum andarmos vestidos que quando estamos nus, do modo como viemos à vida, nos estranhamos e nos repudiamos, mutuamente.
Aquela palavra que é um beliscão no braço. Uma dor incômoda, porém passageira. É um ódio de quem apertou a pele, mas não é tão bruto para quem a lê, pois se fosse teria revidado, porém ninguém revida um belisco.
Terrorismo. Eis aqui a bendita palavra que mata apenas com a leitura. Muitos não tem a sensibilidade de sentir o atentado que esta palavra provoca. Eu acabei de ser atingida por um metal que escapou da fuselagem de um carro que explodiu no mercado, após ter seu combustível acionado pela explosão de duas crianças.
Quem sou eu? Aquele que nunca teve a oportunidade de revidar um beliscão, não porque não queria, mas por nunca ter tido a informação de que eu poderia revidar. Enquanto você, aí, que lê essas palavras débeis de um autor defunto, sabe muito bem da capacidade que seus protestos mentais podem levar a uma revolução mundial. Apenas pare de cogitar. Coloque-se para pensar e forme um opinião mais agarrada à realidade.
Eu que já morri não preciso do protesto. Proteste pelo futuro, os mortos não necessitam de homenagem, estão mortos. Evite que a minha filha, ainda viva, não morra da mesma maneira que morri.
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