Notas iniciais
Gente, vou logo de aviso, adoro escrever com palavras simples, mas quando a vida me torce, me complica o caminho, acabo que, por minha pieguice*, sendo imatura e retardada. Mas de uma vez por todas, vamos ao conto que me é um soco na boca do estômago!Aproveitem e sintam o repúdio que eu sinto por esse conto.XoXo!1.Piegas (pieguice*) significa um apelo excessivo à comoção. Por vezes, se utiliza de forma depreciativa para designar alguém que dá muita importância a coisas insignificantes. 2. Ctônico*:Em mitologia, e particularmente na grega, o termo ctônico designa ou refere-se aos deuses ou espíritos do mundo subterrâneo, a exemplo de Medusa.
Quem nunca pensou no poder da palavra?
Sabe, sabe bem. Palavra é poderosa coisa que opróbrio corrói. Sabe sentir soluço seco, sabe beber água de fonte morta. Sabe.
Sabe nada. É nauseante. Olhar de cima, palavra como poder te lembra ofensa, te lembra discurso de político, te lembra gente falando erroneamente.
Não sabe de nada, ser humano. Não se coloca no lugar do opressor nem do oprimido. Acéfalos. Somos liquidificados pasteurizados da cultura de massa.
Lendo Vidas Secas eu vi a infertilidade. Aquela náusea que sente quando se lê, palavra castra. Sede. Palavra seca. Terra, poeira, pó, areia, só, receita de nó, Ló.
Ló ao menos teve mulher de sal. Mas no sertão não tem mar, não se sabe, lá, o que é salgar.
Só sede seca. Pés pulando parados. Barro? Apenas barro empedrado. Água? Só a que a chuva dá. E se não chover? Morra e o problema se esvai.
Palavra. Retomemos o cúmulo do saber sibilado. Retomemos o discurso gritado.
Fabiano não tinha palavra, muito menos consciência de si. Nem brigar por seus direito se podia ali. Fabiano, bicho, insano em seu nicho.
Ele não sabia usar o poder a seu favor, nasceu pequeno, morreu pequeno. Nasceu humano e morreu bicho.
Agora, sabemos menos que antes. Palavra só é boa a seres humanos retirantes.
Notas finais
Parabéns a você leitor que conseguiu chegar até o final!Acho que tenho esperanças de mais que alguém chegue ao final do texto e leia as notas. Só pela sinopse já deve ser um grande fator desestimulante aos leitores e mais, não deve dar a mínima vontade de ler, mas ao que leu, aguentou o fardo nauseabundo, vou lhe explicar palavras e interpretações, além dos recursos poéticos. As palavras que talvez lhe foram verdadeiras pedreiras estão aqui:*Opróbrio: Enorme vergonha; desonra que acorre de maneira pública; infâmia, injúria, afronta;*Vidas Secas: Livro de Graciliano Ramos que consegue a proeza de apresentar de maneira sintética uma visão da sociedade brasileira em seus níveis mais profundos. Há a dimensão social da exploração e da opressão política. Há a dimensão psicológica da repressão, fazendo surgir indivíduos marcados pela introspecção. E há, por fim, a dimensão natural da seca, flagelo nordestino. (Retirado de http://educacao.globo.com/);*Castra: Forma feminina de castro, que é pessoa ou animal que não tem desejos sexuais nem pode deixar descendência devido a extração dos testículos.*Ló: Personagem bíblico que teve a mulher transformada em estátua de sal. No texto bíblico, a mulher de Ló olhou para a destruição de Sodoma e Gomorra, sendo que lhe foi ordenado, por Deus que não olhassem para trás enquanto fugiam do caos. *Esvai: Extinguir ou extinguir-se; desaparecer-se, desfazer-se, desfalecer. *Fabiano: Protagonista de Vidas secas. Oprimido verbalmente por Soldado Amarelo - Antagonista - e o Dono da fazenda - Personagem secundário -, que o contratou.*Nicho: É um lugar onde a espécie vive e se reproduz.Ou seja, é como o habitat, mas tem suas diferenças. Também há outros significados, mas é este que importa.Indo para a interpretação. Espero que tenham notado as aliterações (repetição de consoantes), mas se não notaram, permitam-me explicar.Há repetição de C no título e a intensão é causar a leitura tossida das palavras, como se tivesse tuberculose, uma tosse seca, totalmente condizente com o clima seco do texto e do livro mencionado.A aliteração de S dá um som arrastado, de pés apertando areia, já a aliteração da letra P serve pra dar um som batido e socado ao texto, como pés pesados. Já o uso de B, R e A no meio das aliterações servem de apoio e variações do som da areia nos pés.
Espero que não tenham me odiado por escrever um conto tão depreciativo. Também não quis ofender a ninguém ao chamar a todos os seres humanos de "liquidificadores pasteurizados da cultura de massa".
XoXo!
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