Contos
2 Visita inesperada
Sol escaldante num mês de puro vento, que aquele ano não apareceu. Parecia já um aviso das mudanças climáticas que assombram o mundo.
O calor estava quase insuportável, e parecia confundir-me a cabeça, a ponto de me fazer gastar o ultimo trocado que tinha no bolso em um lanche absolutamente caro. Mas, a fome falara mais alto. Por sorte já havia passado a catraca para descer para as plataformas de ônibus, o que me impedia de acabar gastando ainda mais o que não me tinha. Olhei no relógio, quase 12:45, o que significava que meu ônibus chegaria dali à 10 minutos. Tinha tempo suficiente para terminar meu lanche e dar uma ultima olhada no celular. Respondi algumas mensagens não muito importantes. Apenas obrigação. Dediquei tempo maior a minha amiga Natália, que enchia-me de mensagens fofas, elogiando-me as fotos que eu postara a uma hora atrás. Brinquei com ela, sobre uma pequena falsidade em cima daquelas palavras, mas, eu sei que ela adora bajular-me, assim como eu faço a ela. Naquele momento bateu uma tristeza, de ter uma amiga tão perfeita e sincera a quilômetros de distancia de mim, e nunca ter podido ouvir sua voz sem ser numa versão eletrônica. Abri mais uma ou duas paginas, apenas por costume do tédio. Mas me deparei, em meu e-mail, uma mensagem, um tanto quanto inusitada, do aniversario de um amigo no Facebook. Amigo esse, que no fundo, eu sei que fora minha amiga que criara apenas para me alegrar em momentos triste, mesmo ela negando o obvio. Eu acredito, pois aquela pessoa mesmo não sendo real, faz parte inteiramente de mim. E não ligo para quem diga ao contrario. Meu ônibus então chegou, e eu mal tinha notado. Mesmo vindo vazio, a pressa das pessoas em empurrar-me nas escadas do veiculo sempre ocorre, e naquele dia não foi diferente, porém, fui mais rápida, e conseguir pegar o lado da janela, nas cadeiras altas. E por costume virei meu olhar para a plataforma do outro bairro, na esperança de avistar aquele a quem a muito tempo nutro uma espécie de amor platônico. E foi quando aconteceu. Eu realmente o avistei. Não foi preciso olhar-lhe o rosto, mas naquele momento senti que era ele. Seu modo de andar; sua blusa de frio cinza, tão conhecida por minha memória fotográfica; e aquela barba, tão perfeita. O motorista arrancou o ônibus para meu ódio, no exato momento em que “meu amor” caminhava em direção a uma pilastra, observei-o como se fosse a ultima imagem que teria dele, quando simplesmente não o encontrei mais. Não o perdi em meio a multidão, uma vez que ela não existia. Ele apenas não estava mais lá. Como se desaparecesse no ar, feito pó. Balancei a cabeça confusa, só poderia ter sido miragem ou algo assim. O rapaz que antes estava ali na minha frente, agora sumira, sem deixar rastros, e o terminal, continuava sua normalidade, como se ele nunca tivesse ali. Virei-me para frente atordoada pelo o que vira. Não poderia ser real. Então uma borboleta, tão linda e bela, de tons de azuis cintilantes passara inusitadamente pelo ônibus, numa leveza que deixava o ar a levar. Lembrei-me da mensagem em meu e-mail. Seu aniversario. Ele viera me visitar! Então tudo começou a fazer sentido. Ele sempre existiu, e eram a mesma pessoa.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor