Contos

2 O amor me Matou


Eu tinha decidido que nunca mais iria voltar a falar com ele. Jurei mesmo, pra minha mãe, avó, melhor amiga e até o cachorro da vizinha. Se todos pra quem prometi que não viria aqui me vissem agora... Eu perderia totalmente minha dignidade.

Cá estou eu na porta dele novamente, querendo que ele me diga pelo menos um oi qualquer. Esse amor e falta estão me consumindo há meses, e eu preciso de pelo menos um aperto de mão dele para ser feliz de novo.

Suspiro aliviada quando ele escancara a porta, seu semblante muda e ele franze a testa, parece surpreso em me ver ali. Eu não consigo entender porque.

—O que faz aqui? — rudemente questiona.

Dou os ombros e balanço a cabeça em negação. Foi um erro vir aqui. Eu sei disso.

— Sinto sua falta. — sussurro.

Ele bufa, sua cara de descrença machuca meu coração, de uma forma que ele nunca foi machucado antes. Esse cara sempre acaba comigo e ele sente prazer em fazer isso.

— Já acabou. Há meses. Tá na hora de você me deixar em paz.

Deixa-lo em paz? Eu não tenho como fazer isso. Como uma pessoa vê sua alma gêmea saindo da sua vida e não quer impedir que isso aconteça? Sinto que as lágrimas começam a querer descer, não vou chorar mais na frente dele. Seguro tanto a vontade de chorar que meu nariz arde.

— Você sabe que nunca daríamos certo né? Era um péssimo namoro.

Outro tapa na cara, esse me derruba no chão e pisa nas minhas esperanças. Estou tentando ficar forte, mas é impossível.

— Pensei que tivesse sido especial. — cochicho.

Ele suspira e me olha com pena, parece estar tentando achar um jeito gentil de me eliminar de vez da sua vida.

—Isso não importa mais. Nunca mais apareça aqui, ok? Acabou. — ele fecha a porta na minha cara.

Humilhada, rejeitada e fracassada. Assim eu estou.

Enquanto caminho para longe dali sinto raiva.

Raiva por todo romance bonito que já li.

Raiva por ter casais que dão certo juntos.

Raiva por não ter escolhido a pessoa certa para entregar meu coração.

O amor não deveria doer tanto.

Estou tão desiludida, triste e distraída que não percebo quando atravesso a pista sem olhar para os lados. Os gritos se alastram e só sinto o impacto quando caio no chão. O aglomerado de pessoas se formam do meu lado, estão apavorados. O motorista saí e vem correndo até mim. Era ele.

— Só assim para você me deixar em paz. — sorrindo fecha meus olhos.

O amor me matou.