Contos

2 Proteção


Notas iniciais
Era para ser uma história com vários capítulos, mas nunca terminei. Uma mistura de lendas de países diversos.

Os primeiros espasmos de dor começará e ela com a katana em mãos observava seu oponente pronto para atacar, dentro daquele mar branco com labaredas de sangue que fora criada por seus golpes certeiros e rápidos. Mesmo com dor deveria, faria de tudo para defender sua cria e futuro líder da matilha.

O último agora de pé lhe observava ofegante, estava sendo difícil se livrar dele, ainda mais com todo esse peso extra que os sete meses de gestação trouxera. As dores estavam piorando e ela sabia que ele ou ela estava pronto para este mundo. Seus pés descalços na neve queimavam, não mais que seus olhos, a raiva e sede de sangue que emanava de seus poros tornará a atmosfera densa. Seus olhos antes verdes estavam se tornando como chamas e pode sentir o medo de seu inimigo florescer ao perceber com quem estava lidando.

Com certeza ele já ouviu falar da kurama de sua sede insaciável de sangue, sim, ele ouviu falar. Todos já ouviram falar, mas nunca esperavam que ela seria, uma garota de porte gentil e delicado. Kira sentiu vontade de rir, mas se conteve. Sentiu a adrenalina lhe dominar desde a barra de seu vestido outrora branco até os fios vermelhos que lhe desciam até abaixo da cintura, quando o seu raptor se moveu. Conseguiu por algum milagre ser mais rápida o acertando na perna, ele caiu rugindo de dor, não perdeu tempo e atacou novamente o degolando com um sorriso no rosto que colocava em dúvida sua sanidade.

Caiu de joelhos no manto branco que o inverno trouxera com a respiração descompassada, sentiu outras duas contrações enquanto tentava se levantar. Precisava achar abrigo o mais rápido possível não daria tempo de achar o caminho de volta à mansão e não sentirá a presença de Scott e muito menos de um de seus homens.

Pegou algumas mantas que estavam junto aos destroços da carruagem onde estivera desacordada. Andou mais alguns metros quando avistou a clareira petrificada, se esgueirou entre as duas cascatas congeladas. A pequena caverna serviria como abrigo por um tempo até que Scott conseguisse encontrá-la. Estendeu uma das mantas sobre a pedra fria abaixo de seus pés e empilhou algumas madeiras para a fogueira. Depois de acender a fogueira encostou na parede da caverna sentindo as dores cada vez mais fortes e longas em curtos espaços de tempo. A katana agora limpa repousará ao seu lado enquanto se concentrava em respirar, como queria estar em casa segurando a mão de seu marido e recebendo o auxílio de suas "irmãs", Becca e Olive as duas lobas mais chegadas a família alfa, amigas queridas de Kira e parteiras oficiais da matilha. As duas foram as primeiras a perceber o que acontecia quando ela e Scott estavam na mesma sala e o quanto ele a queria por perto e protegida, até mesmo antes deles perceberem, um sorriso brincou em seus lábios carmesim. Mas não por muito tempo, outra das dores se aproxima.

Não sabia ao certo quanto tempo estava ali, mas sabia que a noite já chegara e a lua cheia estava no céu, sua luz entrava pela fresta das torres de água congelada. As dores não passaram, na verdade pioraram sabia que seu filhote nasceria hoje e pedia aos céus que ficasse tudo bem com ele, não teve tempo de começar mais uma de suas petições, chegara a hora. Começou a fazer força sem mesmo perceber agarrando-se as pedras ao seu redor. Seus gritos foram se tornando mais agudos e a respiração mais forte. Sentiu a cabeça, ajeitando-se melhor conseguiu puxá-lo com maestria de quem fizera isso por vezes e aninha-lo em seu colo. Seu menino abriu os olhos no mesmo momento que os lobos uivaram. Eles sabiam que próximo alfa havia nascido. Ele era lindo, com os traços do pai, mas com seus olhos verdes. Aninhou Ele mais ao peito com o intuito de aquecer ambos. com os dedos trêmulos aconchegou a criança recém nascida para que desse de mamar enquanto tentava desesperadamente se conectar com Scott, temia mais por seu filho do que por si. Sabia que a guerra contra os felinos não acabaria tão cedo e o melhor lugar para estar é ao lado de seu alfa, estava fraca não conseguiria lutar e a segurança de seu filhote dependia dela. Após alguns minutos o cansaço venceu, acabou por adormecer com o menino ainda se alimentando.

Quando despertou já era possível ver os raios fracos de sol da manhã de inverno adentrarem as frestas existentes na caverna, o menino dormia tranquilamente nos braços da mãe e o sorriso involuntário de devoção ao pequeno ser era inevitável. Não soube quanto tempo passou deitada envolta em mantas tentando aquecer seu pequeno, quando ouviu passos a alguns metros fora de onde se encontrava, ficou em alerta no mesmo segundo. Acomodou o menino no chão atrás de uma pedra envolto em mantas e pegou a espada, ainda estava fraca, mas não deixaria nada ferir seu menino.