Contos

1 Blurry Face


Notas iniciais
Dedico especialmente ao meu crush. :B Só para informar: estas personagens existem na real, só que mudei os nomes das personagens. Espero que goste! Meu crush ama: https://www.youtube.com/watch?v=HDI9inno86U

I'm evil to the core

(Sou mau para o núcleo)

what I shouldn't do I will

(o que eu não deveria fazer, vou fazer)

They say I'm emotional

(Dizem que sou emotivo)

what I wanna save I'll kill

(o que eu quero salvar, vou matar)

Deitado na minha cama, mergulhado nos meus pensamentos enquanto escutava a música do Twenty One Pilots. De fato, a música me fazia sentir poderoso, porém me lembrei que tive uma discussão feia com Lu. Voltei a me desanimar e, sem querer, acabei pensando no discurso dele:

“Não quero ser mais seu amigo. Meu pai disse que tu és má companhia.”

“Tu… Tu vai mesmo me deixar só porque o teu pai te disse?

“Sim.”

“Vai se ferrar! Tudo o que nós fizemos juntos até agora não te significou nada?”

“Para nada, eu tive pena de ti porque estavas sempre sozinho.”

“O quê…? Não acredito o que estás a me dizer isso tudo…”

“Pois, acredite.”

E terminou tudo ali depois de soar o apito do carro do pai do Lu, ele se retirou com expressão indiferente e nunca mais o vi desde duas semanas atrás.

Uma coisa que ainda não me toquei; eu e ele eramos muito ligados, sempre ficávamos juntos depois da aula. Sempre partilhávamos os nossos gostos musicais. O Lu era a quem escutava mais minhas músicas porque sou completamente viciado em músicas. Sempre explorava as novas músicas e guardava os mais legais. Eu mostrava-os para Lu só para provoca-lo porque gostava de vê-lo irritado e a me dizer: “Tu és mesmo prostituto musical.”. E depois me escutava junto e a curtir. Ele nunca se atreveria a me agradecer pelas músicas legais.

Como o Lu era muito orgulhoso.

Sinceramente, sinto muito falta dele. A companhia dele me aliviava tudo, as conversas dele nunca me deixavam entediado e eu estou sentindo falta de um cabrão como ele. Que droga.

Is that who I truly am?

(Isso é quem sou de verdade?)

I truly don't have a chance

(Eu realmente não tenho uma chance)

Tomorrow I'll keep a beat

(Amanhã vou manter o ritmo)

and repeat yesterday's dance

(e repetir a dança de ontem)

Será que eu sou mesmo uma má companhia para ele? Não, nunca fiz mal a ele. Sempre me disseram que eu era o cara mais legal e nunca me metia nos problemas. O pai do Lu sempre soube que eu sou atleta de competição e sabe que eu nunca me atreveria bater nem tocar num fio do seu filho.

Sinceramente… o que eu fiz para merecer isso? O que ele não gostou algo de mim? Eu já troquei as mãos com ele e sempre me dizia para sentir à vontade em casa. Uma vez, ele me perguntou que tipo de treino que eu fazia.

“São artes marciais, faço taekwondo, capoeira, muay thai, jiu jitsu, boxe, wrestling Quase faço praticamente tudo.”

“A sério?! Que incrível… queria ter te visto treinar. Gostava que meu filho fosse como você. Ele é um preguiçoso como uma mula.”

“Pai!”

“O que foi? É verdade, não fazes nada além de ouvir as músicas.”

“Que tipo de música?”

“Sei lá, não costumo ouvir músicas. Só sei alguns nomes das bandas que ele costumava colocar no youtube.”

“Pai, não!”

“Acho que eram Stromae e Twenty One Pilots. Algo assim, certo, Luiz?”

De repente, caiu a ficha e comecei a encaixar os fragmentos da memória que tive com Lu. Teve uma cena que me deixou desconfiado. Eu estava com Lu na loja de músicas e vimos uma cena que deixou Lu incomodado: a criança estava carregada pelos pais, um casal gay, e estavam à procura de um disco de jazz.

“Lu? Algum problema?”

“Hã… não. Para nada.”

“Tens certeza? Estás muito tenso.”

“Impressão sua, estou bem. Encontrei! O disco de Bella Ruse, perfeito! Vamos embora.”

“Ei, ei! Calma, está indo muito rápido! Espere por mim!”

Em seguida, apareceu outra lembrança de novo com Lu. Eu estava a treinar e o Lu estava sentado no banco a desenhar no seu estimado bloco de desenho. Quando eu terminei, troquei de lugar com meu companheiro para lutar com outro. Quando estava a prestes a chegar perto dele, ele fechou o bloco com força e me fuzilou, me deixando atónito.

“O que foi isso?”

“Nada.”

“Ah, me lembrei. Está a me desenhar porque fizemos um acordo que iriamos desenhar um do outro. Acertei?”

“Algo assim.”

“Mas não tem porque esconder, me mostre.”

“Não, quero que seja uma surpresa.”

“Mas…”

“Ou o acordo termina aqui.”

“Faça como quiser.”

Não entendo, pensei. Não entendi porque ele fez isso em me esconder e ficar bravo. Realmente era este motivo que não queria mais ser meu amigo? Sou tão irritante para ele? Fiquei cada vez mais frustrado e irritado por continuar a pensar nele. Não sei porque ele me deixa tão perturbado… A minha inconsciência continuava a explorar a cada lembrança como um louco.

Nossa, pensei. Lembrei uma coisa que ele realmente brincou comigo. Estávamos deitados sobre o relvado do jardim da escola a apanhar o sol. De repente, ele ficou sério.

“Acho que eu estou apaixonado.”

“O quê? Eita, tu? Apaixonado?”

“Infelizmente.”

“Por quem? Aquela peituda que tanto falas?”

“Por ti.”

“Hã? Hum… sério?”

“Claro que não, idiota. Além disso, ela é uma puta. É a outra pessoa.”

“Ata, pensei que era verdade por ficares sério.”

“No fim, acabei rindo né?”

Realmente ele acabou rindo depois da confissão, mas nunca tinha reparado o tom da risada dele… Quando mais repetia a lembrança, a risada parecia um tanto forçado. Também nunca tinha reparado os olhos deles ficaram brilhantes, eu perguntei-o se estava tudo bem e ele assentiu que sim e explicou-se que alguma pedrinha tinha entrado no seu olho.

Sentei-me imediatamente, percebi que o meu rosto estava contorcendo exatamente igual do Grito de Edvard Munch.

Como… como eu era tão idiota! Como é que nunca percebi uma coisa tão simples como este? Eu tenho de fazer alguma coisa!

I'm not evil to the core

(Não sou mau para o núcleo)

What I should'nt do I will fight

(O que eu não deveria fazer, vou lutar)

I know I emotional

(Eu sei, sou emotivo)

What I wanna save I will try

(O que eu quero salvar, vou tentar)

Olhei para as horas, apontava às 5 da tarde e 7 minutos indicando que a aula de apoio do Lu estava para terminar daqui 20 minutos. Me levantei da cama e sai do quarto as pressas. Ouvi o grito da minha mãe vindo da cozinha:

“Que pressa é essa, inferno?!”

“Estou com pressa, mãe! Ignore o aparelho da música no meu quarto!” E agarrei a maçaneta da porta de saída.

“Vá desligar aquela porcaria!” Retrucou em tom de raiva.

“Não há tempo! Tchau, mãe!” Sai e fechei a porta e, quando estava a prestes a afastá-la, ouvi a última resposta da velha.

“Insolente!”

Desatei a correr que nem um louco, recebi palavrões nada bonitas enquanto corria e, ao mesmo tempo, dar uns empurrões desajeitados, porém sempre os devolvi com um “desculpe” em um alto e bom som. Não sei quantos minutos passaram, me pareceu uma eternidade até achar um caminho bem conhecido que iria levar até a casa do Lu. Percorri mais alguns minutos até a casa do Lu aparecer na frente e nem tinha percebido que já estava à porta.

Sem fôlego e com mente em turbilhão, toquei a campainha e o meu coração saltou para fora quando ouvi os passos se aproximando na porta. A porta abriu-se e apareceu o homem alto com cabelos grisalhos.

“Quem é…?” Ele perguntou com ar desconfiado e, depois, soltou um “oh” e sorriu. “É você, Henrique. Ele não está aqui se queira saber.”

Não consegui evitar de mostrar a expressão de desapontamento. Eu perguntei-lhe onde poderia encontra-lo.

“Penso que ele está naquele lugar de sempre, ele levou o seu bloco de desenhos.”

Eu me iluminei de imediato e voltei a desatar a correr, virei o rosto sobre o ombro para o Carlos (ele detesta de ser chamado de senhor).

“Obrigado, Carlos! A gente se vê por aí!”

“Claro, faça o meu filho voltar a sorrir, Henrique!” Gritou Carlos, acenando de volta com um sorriso divertido.

De repente, os meus pés quase se tropeçaram sozinhos e soltei um riso desajeitado, levantei a mão de novo em um punho e ergui o polegar.

I know who I truly am

(Eu sei quem sou de verdade)

I truly do have a chance

(Eu realmente tenho uma chance)

Tomorrow I'll switch the beat

(Amanhã vou mudar o ritmo)

to avoid yesterday's dance

(para evitar a dança de amanhã)

“Luiz!” Eu gritei ao avistá-lo sentado a desenhar com costas coladas no troco da árvore.

Ele se assustou ao ouvir do meu chamado, me olhou e a sua expressão, que antes estava descontraído e concentrado, se mudou para a raiva. Me ignorou e voltou a desenhar.

Eu parei à frente dele e comecei a recuperar o fôlego. Era um parque à sua volta, na sua esquerda tinha um parque infantil onde as crianças brincavam aos gritos e as mães sentadas no banco a fofocar uma das outras; na sua direita, estavam os jovens a jogar o futebol, as jovens a jogar voleibol e muitas outras atividades. De fato, este parque era grande demais para fazer muitas atividades de uma vez. O Luiz era único a quem desenhava ali e sempre desenhava enquanto observava as pessoas a fazer suas tarefas. Ele usava várias técnicas num bloco, aguarela, giz, lápis de óleo e entre outros.

Observei que o Luiz estava a fazer aguarela, claramente ignorando a minha existência. Dobrei os joelhos até ficar na altura dele e o fitei intensivamente.

Ficamos assim por algum tempo até ele cortar o silêncio.

“Vai te embora.” Ele disse, fechando a caixinha de aguarela e guardou-a na mochila.

“Já que você terminou de fazer o desenho de aguarela, vamos conversar.”

“Esqueceu que não somos amigos?” Deixou o bloco sobre o relvado, para esperar a água de aguarela secar. “Repito, vai te embora.” Lançou-me o olhar de raiva.

Sem perceber, eu já o havia beijado nos seus lábios e notei que os seus olhos arregalaram com surpresa. Depois, o meu rosto ganhou um destemido soco dele e nem me importei. Eu merecia mesmo. Observei que o Lu estava extremamente indignado e avermelhado, talvez esteja ocupado a engasgar com suas palavras de ódio.

“Eu te amo, Lu.” Declarei com sorriso entre lábios, minha mão acariciava o machucado do meu rosto.

Lu fez um ar de confuso e me olhou como se eu fosse um bicho que veio fora da Galáxia.

“Eu te amo, Luiz.” Repeti em tom alto, olhei fixamente nos seus olhos arregalados. “Eu te amo muito, Luiz. Eu te amo muito, muito.” Voltei a repetir até ele me tapar a boca.

“Não ouse repetir! Eu vou te bater!” Ele disse, com voz bem baixo e nervoso. Falando nisso, as suas mãos tremiam. Talvez ele esteja muito envergonhado.

Peguei as suas mãos, mas ele não desistiu e usou muita força para continuar a me tapar. Como ele era muito ingénuo. Com muitos anos de prática, achava mesmo que eu não iria conseguir fazer isso?

Depois de algum tempo a tentar afastar as mãos dele da minha boca, finalmente Lu desistiu e enfiei entre os dedos, apertando. Lu ficou vermelho e abaixou a cabeça, deixando os seus cabelos caracóis lhe taparem o rosto todo.

“Que diabos…?” Ele murmurou, continuando a olhar para baixo. “Você não tinha me dito que estava afim daquela vadia com bunda grande?”

“Então estavas mesmo com ciúmes.” Não resisti em abrir o sorriso, apertei mais as mãos estreladas entre os dedos. “Você esconde muito bem os seus sentimentos, devo lhe dar parabéns.”

“Idiota.” Finalmente ele soltou um riso fraco, levantou-lhe a cabeça e me olhou sério. “Sabes que não foi nada fácil.”

“Primeiro, você me mentiu e me afastou de repente. Segundo, me deu um soco forte e ainda me diz que não foi nada fácil. Me dê algum desconto.” Rolei os olhos e suspirei, larguei as suas mãos e pretendia me levantar para descansar os músculos dos joelhos pois estavam a gritar por algum tempo.

De repente, me vi caído e deitado sobre o relvado. Fiquei surpreso que era o Lu a quem estava sentado sobre mim, notei que ele estava com olhar de dor e tristeza. E depois, me abraçou fortemente.

“Foi muito difícil tentar te esquecer. Sinceramente, fiquei muito feliz em te conhecer, mas, quando mais te conhecia, mais intenso ficava o sentimento. Eu não deixei o sentimento me dominar porque quero que sejas feliz com a mulher que amas e ter uma filha que tanto querias.” Notei que a sua voz estava um tanto nervosa no meu ouvido. “Você não sabe o quanto significava muito o seu “Eu te amo”, eu morri de felicidade por dentro, acredite.” Pausou, a sua voz estava quente e ofegante. Talvez esteja esforçando para não chorar na minha frente. “Eu acho que você está me confundido, talvez esteja chocado que eu te afastei de repente e concluiu com pressa que me ama só para me iludir e me fazer voltar para você. Eu não quero –“

“Ah, cale-se, cale-se, cale-se que você me deixa louco!” Interrompi com força, o Lu soltou-se um “ãn” confuso e coloquei a mão em sua cabeça, esfregando-lhe delicadamente. “Vou repetir de novo: Eu te amo, Luiz. Eu te amo muito, não quero mais você longe de mim. Fique ao meu lado.”

Luiz ficou um bom tempo em silêncio e eu continuava a dar-lhe cafuné, esperando pacientemente. Ele pegou a minha mão por detrás da sua cabeça e levantou-se, me olhava de forma intensa e apaixonante.

“Então não solte mais a minha mão.” Disse, por fim, com bochechas vermelhas.

“É claro que não solto mais a sua mão.” Apertei fortemente as mãos, o Luiz sorriu da minha confirmação, aproximou mais os meus lábios e parou, conseguia sentir a respiração quente sobre meus lábios.

“Por acaso, você imitou muito bem do Quico. Parabéns.”

“Eu sei o quanto tu amas o Chaves.” Falei com sorriso entre lábios e, depois, fiquei sério. “Tu me amas mais do que Chaves, né?”

Luiz se aproximou e me beijou nos lábios, os nossos dedos entrelaçaram e apertamos.

“Eu te amo mais que tudo, Henrique.”

Nós sorrimos juntos.

“Olha, mãe! Dois meninos se beijando!” Gritou uma voz feminina e infantil.

“Silêncio, menina! Não olhe!”

I'm fairly local, I've been around

(Sou completamente daqui, eu estive ao redor)

I've seen the streets, you're walking down

(Eu estive vendo nas ruas em que você andava)

I'm fairly local, good people now

(Sou completamente daqui, pessoas boas agora)

Oh oh oh oh oh oh oh

Oh oh oh oh oh oh oh

O vento intensificou, fazendo as folhas do bloco de desenhos se agitarem e uma delas acabou voando para o alto. Nenhum dos dois se notou o ocorrido, continuavam absortos com as trocas de beijos e mimos.

I'm fairly local, I've been around

(Sou completamente daqui, eu estive ao redor)

I've seen the streets, you're walking down

(Eu estive vendo nas ruas em que você andava)

I'm fairly local, good people now

(Sou completamente daqui, pessoas boas agora)

Oh oh oh oh oh oh oh

Yeaah

A folha continuava a voar para o alto, se ondulando e a rodar.

I'm fairly local, good people now

(Sou completamente daqui, pessoas boas agora)

Oh oh oh oh oh oh oh

Por fim, a folha se virou e apresentava-lhe as duas bundas e as duas mãos entrelaçadas entre os dedos.

Good people now

(Pessoas boas agora)

Oh oh oh oh oh oh oh

Neste dia memorável, o Henrique e o Luiz entrelaçaram entre os dedos pela primeira vez e nunca mais se soltaram.

Good people now

(Pessoas boas agora)

Oh oh oh oh oh oh oh

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.