Conto dos Diferentes
1 Ana
A garota se sentou calmamente na cadeira e depois da permissão dada, começou a falar um pouco envergonhada:
— Bem, eu era muito pequena quando meu poder apareceu pela primeira vez. Foi minha irmã mais velha e minha tia que perceberam ele antes mesmo de mim. Mais pra frente, minha irmã veio me contar que em uma noite, quando eu tinha cinco anos, após o enterro de um parente nosso que eu não tive muito contato, quando a gente morava lá no interior, eu estava no quarto falando sozinha. Quando minha irmã veio me ver pra saber o porquê eu estava falando sozinha ela viu que tinha mais alguém no quarto comigo. Primeiro ela se assustou e gritou, o que deixou todo mundo lá de casa assustado né. Aí ela já foi logo pra cima dessa pessoa pra saber quem era e tirar do meu quarto. Aí quando a mão da minha irmã atravessou o corpo da pessoa e a mesma se virou para ver quem era aquela que mexia com ela a minha irmã gritou de novo e saiu correndo do meu quarto.
A moça começou a gargalhar, porém não foi alto e ela ainda manteve a mão na boca, tentando esconder seu riso. Depois, disso ela voltou a falar:
— Depois da gritaria e a correria da minha irmã, minha tia foi me ver lá no quarto e quando ela viu o mesmo que minha a irmã, ela teve uma reação bem diferente. Minha tia sorriu pra mim, se aproximando tanto de mim quanto daquela pessoa no meu quarto e nós três ficamos conversando até que minha tia disse que estava na hora de eu ir dormir. Eu me despedi da pessoa e fui dormir. No dia seguinte aquela pessoa não estava mais no meu quarto e não a encontrei em outro lugar da casa, só minhas irmãs e minha tia que me pegou no colo pra conversar comigo. Ela disse que eu era uma Diferente e que tinha o mesmo poder da minha mãe que era de ver, falar e chamar pelas pessoas mortas e que aquela pessoa ontem no meu quarto era o nosso parente que havia falecido, onde tínhamos ido no enterro. Minha irmã mais velha disse que naquele momento ela já estava mais calma e até sorriu pra mim depois da explicação da minha tia pra mostrar que estava tudo bem enquanto minha outra irmã pequena parecia não estar entendendo nada. Um ano depois eu já conseguia chamar por mais e outros fantasmas, mas minha irmã mais velha não gostava daquilo. Minha mãe então disse que eu iria estudar em uma escola nova e num dia me levou até um local bem deserto, que não tinha ninguém lá. De repente apareceu um ônibus do nada. Minha mãe disse que era ele que me levaria até a tal escola. Eu me despedi dela e subi nele.
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