Notas iniciais
Boa tarde, pessoas! Trago até vocês a atualização da fanfic, como prometido. Espero que gostem e tenham todos uma ótima leitura!

Sui estava perdida. Ela via duas garotas lutarem contra um cara de cabelos cinzentos bem em sua frente, mas não entendia o que ela estava fazendo ali. Quem eram aquelas pessoas, e por quê usavam armaduras? Por quê ela não se lembrava de nada?

Aliás, quem raios era ela, e onde estava?

Sua mente ficava mais nebulosa a cada instante.

Droga, era isso. Nebulosa!

***

Corrente Nebulosa!! (1)

— Mei, Sui está atacando! – a amazona de Lobo falou, em meio ao vento que bagunçava seus cabelos.

— Acho que talvez ela ainda possa entender o que está acontecendo... Kirsi, nós ainda temos uma chance!

— Não podemos desperdiçar esse momento, vamos lá!

Lua Nova!! (2)

Cólera do Dragão!! (3)

Ao mesmo tempo, Hector atacava, sem revelar o nome de seu golpe, soltando um leve grito de esforço. A energia vermelha em forma de serpente voltou a surgir ao seu redor, oscilando sua cauda e indo em alta velocidade na direção das amazonas.

O vento criado por Sui agora estava mais intenso por conta do movimento do ofídio. A Corrente já era Tempestade (4). A cobra tremeluzia com o vendaval, e seus olhos negros fitavam intensamente as garotas, que executavam seus ataques tentando deter o Basilisco a todo custo.

O choque foi intenso, criando uma explosão. Meiying conduziu seu ataque por dentro da boca do animal até chegar em Hector, fundida com o golpe de Kirsi, que fez com que toda aquela energia concentrada entorno deles entrasse em combustão, formando uma grande labareda de fogo.

Os três foram erguidos no ar, caindo longe. O estrago foi imenso, gerando uma espessa marca de queimado no solo, que fumegava. A amazona de Dragão sentiu seu ombro deslocar imediatamente com o impacto, o que a fez urrar de dor. Arranhões percorriam seu corpo, e uma queimadura na barriga se destacava. Aquilo provavelmente ficaria em seu corpo durante um bom tempo, mas ela não se importava.

A finlandesa teve um pouco mais de sorte, de modo que apenas havia fraturado o pulso e trincado algumas costelas – mas isso não diminuía sua dor, que era quase tão intensa quanto a da amiga. Sangue escorria de todos os seus membros, e também do rosto. Eram tantos cortes que ela certamente passaria tempo demais contando todos.

Hector pareceu não sofrer nenhum dano físico. Estava da mesma forma que antes, mas ofegava muito e mal se movia. O cabelo levemente desarrumado caía sobre seus olhos, que pesavam. Seus músculos se retesavam e formigavam, como se ele nem mesmo os sentisse.

E então, sincronizadamente, eles fecharam os olhos por alguns minutos, exaustos.

Não sabiam ao certo quanto tempo havia passado, mas conseguiram, com dificuldade, se erguerem novamente. Meiying apoiava seu braço bom no pescoço de Kirsi, e ambas tinham as pernas bambas. Hector foi ao encontro delas, caminhando como um bêbado, vacilando em alguns passos.

Se aproximou das duas com um sorriso no rosto.

— P-parabéns amazonas... Vocês passaram no teste.

Kirsi abriu a boca, mas nada disse. Quando tentou dizer algo mais, mas ficou sem fôlego. A amiga falou por ela:

— N-nós agradecemos... Você foi um oponente formidável.

A Santa tentou de novo, mas fracassou.

— O que foi Kirsi? O que está tentando dizer?

Aos poucos as palavras foram saindo, uma de cada vez.

— Onde... está... Sui?

Tanto a companheira quanto o ofídio olharam ao redor, procurando por Andrômeda, mas nada viram.

— E-essa não... S-será que...

— N-não se preocupem... – disse Hector, levemente abatido. – O sofrimento dela já passou.

Os olhos dos três se encheram d'água, mas eles não choraram.

Kirsi, um pouco melhor, disse:

— M-Mei... Acho q-que já é hora de você voltar para c-casa... N-Niyati já deve estar ficando cansada de te manter aqui...

Ela compreendeu que, além de sua preocupação, Kirsi não queria que ela a visse desaparecendo e perdendo a consciência. Ficou comovida pelo coração bondoso da amiga e concordou para amenizar seu pesar.

— Você tem razão. Já estou indo... – ela virou-se para o homem dos cabelos cinzentos. – Obrigada por tudo Hector, nunca esquecerei dessa batalha ou de você. Pude lutar a sério pela primeira vez.

— Não se restrinja tanto, você ainda tem muito o que crescer e aprender. – sua voz saiu em tom otimista. – Seu cosmo vai aumentar ainda mais, te garanto.

Ela se desvencilhou de Kirsi e a abraçou delicadamente por conta dos ferimentos, derramando algumas lágrimas.

— Foi muito bom te ver de novo... Não mencionarei nada do que vi aqui para eles, fique tranquila, mas queria que você soubesse que eu sempre vou te guardar no meu coração. Você sempre viverá, comigo e com eles.

Eles se despediram com sorrisos sinceros e corações apertados e a amazona de Dragão chamou por Niyati, da forma que haviam combinado. Kirsi fitou os olhos de Meiying, agora fechados. Ela sorriu pacientemente e desapareceu, voltando ao plano material. Queria ir com ela, queria poder voltar e dizer a todos os amigos que estava bem, mas sabia que não podia.

Pensando nisso, começou a questionar o porquê de não ter desaparecido ainda.

— Er... Hector, por quê e-eu ainda estou aqui?

Ele franziu o cenho, como se só agora notasse que algo estava errado.

— Eu... não tenho certeza.

Ela tinha escutado direito? Um Basilisco não tinha certeza sobre algo?

Ou era isso ou ela havia enlouquecido mesmo.

— Mas fique calma. – acrescentou. – Logo os outros estarão aqui e nos ajudarão com esse... hum... problema.

— S-seus companheiros virão até aqui?

— Na verdade, eu os trarei até aqui... Tenho que resolver uma coisa lá em cima rapidamente, e depois nós viremos para cá.

Mantendo seu tom sereno, mas um pouco abalada, a garota perguntou, já sabendo a resposta:

— Vocês vão se reunir com os cavaleiros de Bronze, não é mesmo?

— Não vai demorar, eu prometo. – sorriu.

— T-tudo bem. – ela aparentou estar um pouco triste, baixando o tom. – Eu não vou sair daqui mesmo...

Ele a entregou uma pastilha e pediu que mastigasse. Isso iria curá-la no mesmo instante e embora não fosse comum que ele desse isso a alguém, essa era uma ocasião especial – e claramente uma exceção.

Kirsi o fez e, com a mesma velocidade de seus ataques, ele se foi, deixando-a sozinha com seus pensamentos.

Enquanto isso, no ponto de encontro marcado pelos cavaleiros...

Todos os cavaleiros de Bronze já haviam se reunido e agora conversavam sobre as batalhas, ofegantes. Estavam tão esgotados que até ficar em pé era difícil. Se apoiavam nos ombros uns dos outros, doloridos e confusos. Meiying acabara de chegar, mas ninguém perguntou o que havia acontecido, já que a mesma viera cambaleando e não disse nada a respeito – além do mais, ela era a única a apresentar machucados físicos.

Pouco depois do assunto acabar e o silêncio se estabelecer rapidamente, três figuras apareceram ao longe. Os Santos estreitaram a vista, tentando reconhecer quem quer que fossem tais pessoas e o que estavam fazendo ali, já que o Santuário estava temporariamente fechado.

Assim que conseguiram, seus olhos se arregalaram. Quando eles se aproximaram o suficiente, todos sorriram, ainda que confusos. Os três Basiliscos estavam vivos.

— Boa tarde, cavaleiros e amazonas. – Hiero os cumprimentou.

— É bom ver vocês com vida. – disse Hedi, rindo.

— Vocês deram duro, realmente. Meu parabéns. – Hector complementou.

Linus foi a primeira a se manifestar:

— Hiero! Você está bem, graças aos deuses!

— Espere um momento. – Relinde estendeu seu braço na direção da amazona, interrompendo seu avanço. – Como vocês estão vivos?... E cade toda aquela marra de antes? Pensei que se odiassem!

Eles se entreolharam rapidamente e soltaram uma leve risada. Hedi falou primeiro, seguido de Hector e Hiero:

— Era tudo fachada.

— Nós somos imortais, lembram?

— E melhores amigos também.

Inicialmente eles não entenderam, mas os ofídios logo explicaram:

— É isso mesmo, caro Relinde. – Hedi colocou uma mão em seu ombro. – Nós realmente não somos os caras maus.

— Então tudo isso não passou de um teatro? Por quê raios vocês fingiram ter personalidades diferentes quando são tão “de boa” assim? – perguntou Athos.

— Orgulho combina com o céu. – Aour deu de ombros. – Só representei bem o meu papel.

— Ora essa, eu represento a vida fatal. Sadismo cai bem com veneno.

Em seguida eles se viraram para o outro.

— Ah... – ele pareceu envergonhado. – Eu nem mudei tanto assim, não é mesmo Meiying?

Ela concordou, sorrindo.

— É verdade. – confirmou. – Na minha luta com Hector, ele era assim mesmo.

— Parece que não tivemos a mesma sorte... – disse Jhesebel, com um leve riso.

— Qual é, nós somos imortais. Precisamos nos divertir às vezes, sabiam?

— Tudo bem, Hedi. Não foi tão ruim assim... Eu até gostei do seu jeito peçonhento. – Ulysses riu.

— É assim que se fala! Tá vendo só, Relinde? Você poderia aprender algo com seu amigo aqui.

Relinde sorriu levemente, claramente achando graça. Hedi havia sido um verdadeiro canalha até o momento, mas no fundo ele era uma boa pessoa. Aquela luta fora a mais incrível que já teve.

— Então... vocês forjaram suas mortes? – perguntou Yerik, ligando os fatos mas não acreditando.

— O quê?! – o representante do Submundo protestou, surpreso. – Vocês fizeram isso de novo?

Os dois outros viraram os rostos em direções opostas, assobiando e fingindo que não era com eles.

Três segundos depois, todos estavam rindo.

— Não tenho culpa se eu sou dramático. – o Basilisco de olhos verdes mostrou a língua, provocando.

— Assim como minha chegada, minha saída deveria ter o máximo de classe possível também.

— Acho que vocês estão andando muito com os guerreiros de Dionísio, isso sim. (5)

Mais risadas. Os cavaleiros não poderiam imaginar que aqueles caras eram tão despreocupados. Pareciam três irmãos, que tiram sarro uns dos outros mas no fundo se amam.

— Certo, certo, então deixe-me ver se entendi. – Aristides fez um gesto com a palma das mãos, empurrando o ar para frente. – Vocês apenas brincaram com a gente o tempo todo? Não chegaram nem a mostrar seu real potencial?

Os olhos de todos se voltaram para eles, aguardando a resposta.

— Não é bem assim... Nós nunca usamos todo o nosso poder, apenas testamos o de vocês.

— Que cá entre nós, estava bem além do esperado.

— Hector e Hedi tem razão. Não pensei que seria assim. Faz realmente bastante tempo desde que me diverti dessa maneira.

— É ótimo ver que vocês se deram bem. – uma voz vinda de cima deles disse.

— Vejam só quem resolveu dar as caras. – o representante do mundo humano ironizou.

— Nada pontual, como de costume. – Hector concordou.

— Bem que eu pensei ter ouvido um barulhinho irritante. – o loiro se juntou a eles.

— Anabelle! – os Santos disseram em uníssono.

— Olá! – respondeu, descendo até eles e os cumprimentando, indo na direção dos companheiros em seguida.

— Você está mais baixinha.

— Deve ter batido a cabeça no teto de novo.

— Quem manda não olhar por onde voa?

— Vocês três não me deixam em paz mesmo, não é? – questionou, sorrindo enquanto eles desarrumavam seu cabelo.

— Vocês parecem... irmãos. – comentou Soranin.

— Não somos de verdade, mas é mais ou menos isso mesmo. Lá no Santuário de Hermes nós estamos ocupados o tempo todo, mas damos muito valor às pessoas que nos cercam. Cuidamos uns dos outros sempre, não importando a patente.

— Isso é algo muito bonito. – expôs Heitor.

Eles concordaram e começaram a conversar uns com os outros, rindo e tirando uns com a cara dos outros. Era um alívio saber que tudo estava bem e ninguém aparentava aquele mal estar de antes. A atmosfera agora era de alegria e satisfação.

Algum tempo depois, Anabelle interveio:

— Gente, a conversa está ótima, de verdade, mas já está tarde. Eu preciso ir, tenho algumas entregas a fazer... Hermes quer falar com vocês depois, ok? – ela se virou para os três e foi embora em seguida, despedindo-se e alçando voo.

— Acho melhor nós irmos também. – disse Hiero. – Temos mais alguns assuntos para tratar antes de voltar para casa... Foi um prazer batalhar com vocês.

— Continuem nos surpreendendo e perseguindo seus sonhos, superando seus limites. – complementou Hedi.

— Iremos nos encontrar muito em breve, escrevam minhas palavras. – o outro finalizou.

Despediram-se, com os corações em paz, e os viram desaparecer junto a um brilho ofuscante.

Não foi um adeus triste, mas sim reconfortante. Eles agora não deviam nada a ninguém e se sentiam mais leves. Caminharam juntos de volta à Vila Rodório, para pegar seus pertences e decidir o próximo passo que dariam em seguida.

De volta ao Meikai...

A amazona de Lobo havia deitado no chão, de modo que ficasse encarando o céu sem cor. Estava muito melhor, mas de vez em quando aqueles gritos agonizantes ecoavam novamente, fazendo-a apertar os olhos. Suas mãos estavam entrelaçadas na barriga e ela estava relativamente calma – porém ansiosa pela volta de Hector.

Ela sentiu um tremor no chão e começou a se levantar devagar. O Basilisco disse:

— Desculpe por te fazer esperar tanto, mas seus amigos falam bastante.

— É, eu sei. – sorriu. – Então... onde estão eles?

— Já devem estar chegando...

Um homem com cabelos medianos e loiros e olhos azuis apareceu à esquerda de Hector. A pluma vermelha ficava no centro da cabeça, logo ele era o globo dourado, Aour.

Em seguida, uma voz familiar, vinda de trás de si, a chamou:

— Kirsi!

Virou-se imediatamente, dando de cara com um homem um pouco mais alto que o outro, com cabelos pretos, curtos e repicados. Sua pluma estava ao lado esquerdo da cabeça, e embora ele fosse Ob, ela conhecia o dono daqueles olhos verdejantes por outro nome.

— Hedi!

— Há quanto tempo. – disse, abraçando-a fortemente e esfregando sua mão na cabeça dela, dando um daqueles cascudos de irmãos. – Puxa vida, olhe só pra você! Como você cresceu!

— É, e pelo visto você não mudou nada... – riu. – Aliás, desde quando você é um dos três Basiliscos principais?

— Desde... sempre.

Ela conhecia Hedi há alguns anos. Anabelle os apresentara e eles ficaram próximos rapidamente, embora não se vissem muito. Estava prestes a peguntar o porquê de ele nunca lhe contar aquilo, mas Aour os interrompeu:

— Desculpe interromper o reencontro de vocês, mas temos uma questão séria para debater aqui.

— Ih, é mesmo... – ele se desculpou. – Foi mal, Hiero.

— Não, tudo bem. Eu sei que vocês são bem amigos, mas o tempo urge.

— Então... hã... e agora? – perguntou Hector.

— Bem, vejamos... – o loiro continuou, evidenciando sua liderança natural. – Kirsi, qual é a última coisa de que se lembra em vida?

— Hiero, não seja indiscreto!

— Não tem problema, Hedi. Bem, eu me lembro de sair da casa de Gêmeos carregada pelo Yerik... depois algumas coisas aconteceram e eu pedi que ele dissesse algumas palavras... por fim, eu fechei meus olhos e deitei em seu colo, acordando aqui em seguida... – ela se interrompeu. – Mas... vocês são Basiliscos, não são? Tem consciência de tudo, então por quê perguntar coisas que já sabem a resposta?

— É verdade... – Hector concordou. – Isso nunca aconteceu antes.

— É uma boa pergunta... – ele respondeu. – Nós somos os únicos do exército de Hermes, mas há um porém. Os ofídios e as peçonhas comuns, que são designados para outros deuses, só sabem das coisas relacionadas aos mesmos. Icarus e Kibou, por exemplo, tem o conhecimento do que diz respeito à Atena e ao meio em que ela vive. Eles podem saber o que se passa no Santuário e nas missões de seus companheiros, mas é somente isso. Não possuem informações sobre guerreiros de outros deuses além do que lhes é dito... E conosco não é diferente. Embora saibamos o que se passa em todos os exércitos e na Terra em geral, no que diz respeito aos humanos e suas vidas, quando se trata de um assunto divino ou de algo que se passa em outro plano material, apenas duas pessoas compreendem: são elas a sua amiga Anabelle, e o próprio Hermes... Embora Hector represente o Submundo, nem mesmo ele consegue entender o que se passa aqui.

— M-mas mesmo assim... o que acham que aconteceu?

Os três se entreolharam, trocando olhares nervosos. Kirsi sabia que os Basiliscos tinham a capacidade de se comunicar usando o mesmo princípio da telecinese dos cavaleiros, mas isso só funcionava com eles próprios, outras pessoas não podiam “ouvir seus pensamentos”.

Esperou um pouco, mas o debate parecia estar interessante demais para que eles dividissem isso com ela.

Nenhum deles sorriu em momento algum, apenas moviam os olhos e, vez ou outra, apertavam os lábios e faziam movimentos com as sobrancelhas.

— Er... Eu não posso ouvir vocês, sabiam?

— Perdão, mas isso é necessário... Se bem que eu acho que já descobrimos o que é...

Hiero estendeu sua mão direita para frente com a palma virada para cima e olhou para os amigos.

— Hector, Hedi. Me acompanham?

— S-sim... – o primeiro gaguejou, colocando sua mão abaixo da dele.

Ambos olharam para Ob, que estava relutante.

— E-eu... – ele fez uma considerável pausa e respirou fundo. – Eu espero que você esteja errado, Hiero.

Ele colocou sua mão entre a dos outros dois, claramente representando a Terra, que fica entre o Céu e o Submundo.

— Eu também espero... – Aour sussurrou baixinho.

Os três começaram a elevar sua energia vital, o que assustou Kirsi. Inicialmente pensou que eles iriam atacá-la, mas Hector advertiu:

— Proteja seus olhos.

Uma esfera de luz começou a surgir, ficando cada vez maior e cintilante. Ela fez o que Od pediu, colocando os braços na frente dos olhos. O brilho se espalhou rapidamente e se dissipou em seguida. Aparentemente nada havia acontecido.

Amedrontada com o silêncio e os olhares distantes, Kirsi olhou para Hedi, notando que seus punhos estavam cerrados. Ele os apertava com muita força e olhava para baixo, inconformado.

— O que... o que houve?

Novamente eles aparentaram estar conversando em sigilo. Subitamente Hedi moveu sua cabeça, erguendo-a e se virando para Hiero, assustado com alguma coisa que o mesmo dissera. A resposta foi apenas um olhar fixo. Ambos olharam para Hector e o mesmo assentiu, de olhos fechados, apertando os lábios.

— Por favor, me digam o que está acontecendo! Vocês estão me assustando...

Hiero suspirou.

— Tudo bem... Kirsi, nós já descobrimos o porquê de você não ter desaparecido. Infelizmente, não podemos dizer nada no momento, pois o que acontecerá a seguir está muito além da nossa compreensão. Em breve ele em pessoa virá até você e explicará tudo... Enquanto isso não acontece, não podemos fazer muito por você...

— Peraí... Ele quem? E do que você está falando? – sua voz soava levemente desesperada. – E-eu não estou entendendo!

— Tudo o que você precisa fazer agora é fechar os olhos. – disse Hector.

— Como assim?

— Entenda que o quanto antes você fizer isso, mais rápido terá suas respostas. – Aour a interrompeu.

— O quê?... Hedi, o que está acontecendo?

— Faça o que ele disse. – falou secamente. – É o único jeito de te ajudarmos.

— Mas...!

Ele colocou as mãos em seus ombros e olhou no fundo de seus olhos, perguntando em seguida:

— Kirsi, você confia em mim?

— S-sim, é claro.

— Então, por favor, apenas mantenha-os fechados.

— Hedi eu...

Ela o encarou de novo e viu que os olhos dele estavam brilhando, provavelmente enchendo-se de água.

— ... Tudo bem... eu vou obedecer.

Hedi a abraçou forte, como se aquilo fosse um adeus, e se afastou.

— Vai dar tudo certo, não se preocupe. – Hector sorriu para ela.

— Vamos logo com isso, Hiero...

— Certo. Chegou a hora.

Kirsi abaixou suas pálpebras, aflita, e eles fizeram o mesmo, exalando poder e concentração.

Hector foi o primeiro a abrí-los. A cor vermelha de suas íris havia dominado todo o seu globo ocular, que brilhava. Hedi foi o segundo, revelando uma ofuscante cor verde. E por último, Hiero, com os olhos totalmente azuis. Os três estalaram os dedos ao mesmo tempo e uma pequena chama branca apareceu em cada uma de suas mãos. Hiero encostou um calcanhar no outro e estendeu suas mãos para cima, dobrando os dedos como fazia para usar seus raios. Hector, que estava à sua direita, virou-se para essa direção, ficando com as costas coladas nas costelas direitas de Aour e estendendo suas mãos para frente. Hedi fez o mesmo do outro lado, porém de forma espelhada, virado para a esquerda. Juntos, eles haviam formado a representação do Caduceu de Hermes.

As chamas se ligaram por um feixe, formando um triângulo. Ele aos poucos começou a avançar na direção da amazona, diminuindo de tamanho gradativamente até que o resultado final, uma pequena faísca branca, atingisse o ponto logo acima de seu nariz, bem no meio das sombrancelhas e dos olhos. Neste momento, Kirsi não sentiu nada, mas tudo pareceu escurecer mais ainda e ela ficou mais leve.

— Por quê ela? Kirsi nunca fez mal a ninguém!

— Acalme-se, Hedi. Não chore, ela vai ficar bem.

— Como, Hector, como? Você tem ideia do que ela vai enfrentar a partir de hoje?

Ele ficou em silêncio.

— Hedi, foi inevitável. Nós não escolhemos isso, e muito menos ela... Ele saberá o que fazer. – Hiero chamou, colocando a mão em seu ombro. – Venha. Vamos pra casa...

Ele o fez, enxugando as lágrimas com as costas da mão, sem dizer uma só palavra até voltarem para os domínios de Hermes.

Notas finais
[Legenda:] (1) Corrente Nebulosa ("Nebula Stream" no original): É um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (2) Lua Nova ("New Moon" em inglês): É um golpe criado por mim. São rajadas de cosmo que movimentam os prismas disferidos pelo ar, juntando vários dos mesmos em diversos pontos diferentes e fazendo-os colidirem entre si, criando "explosões". (3) Cólera do Dragão ("Rozan Shoryu Ha" no original): é um golpe retirado do anime Saint Seiya (Clássico). (4) Tempestade Nebulosa ("Nebula Storm" no original): É um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (5) Mais para frente falaremos sobre Dionísio e seus guerreiros aqui na fanfic. Por serem personagens que nunca apareceram na obra original, suas denominações, patentes, tipos de armaduras e classificações serão inventados por mim, assim como aconteceu com os Basiliscos de Hermes. —---- Todos os confrontos enfim cessaram. Os cavaleiros de Bronze passaram no teste, mas a que custo?... Sui desapareceu, mas Kirsi continuou consciente. O que os Basiliscos descobriram a respeito disso, e por quê ambos os três ficaram chocados com a notícia?... Que rumo os Santos tomarão agora, e quais as consequências?... Não deixem de acompanhar a história para terem suas dúvidas esclarecidas! Bem galerinha, depois desse capítulo relativamente confuso e incerto, o que pensam que acontecerá? Deixem suas teorias no comentários e não esqueçam de dar aquele favorite maroto e curtir a página no face! Fiquem atentos para o próximo capítulo (que será bem grandinho e cheio de explicações), pois Atena tornará a aparecer, e uma decisão tomada por um de seus Santos poderá mudar todo o futuro do Santuário! [Por favor, se você está gostando da história, não esqueça de favoritar, comentar, deixar sua opinião, acompanhar para receber as atualizações sobre a fanfic, e recomendar, para que mais fãs de CDZ encontrem a história. Estou aguardando seu review ;)]