Conto I - Unforgettable Wars

32 Conflito Interno: Melancolia e Ilusões!


Notas iniciais
Bem galera, como puderam perceber (ou não, rs) na semana passada nós não tivemos uma nova atualização. Isso aconteceu por causa de alguns compromissos, então, essa semana, teremos dois novos capítulos para compensar o atraso! Espero que gostem, já que um complementa o outro. Boa leitura! (:

Durante sua caminhada até Libra, Ulysses conseguiu alcançar Soranin e os dois decidiram ir juntos até a próxima casa. A amazona percebeu que de vez em quando ele conferia seu bolso, como se procurasse por algo, mas não comentou nada a respeito.

– Veja, os outros estão ali adiante! – ela disse enquanto apontava para frente

Mesmo confuso, Unicórnio acompanhou o dedo da Santa e viu que era mesmo verdade. Yerik estava sentado nas escadas que antecediam a porta com a mão no queixo, como se esperasse alguém que não chegaria, enquanto Heitor se prostrava em pé um pouco mais atrás, e Sui andava de um lado para o outro, fitando o chão.

– Sui!

– Irmã! Ulysses! Vocês chegaram! – ela se espantou ao ver os dois juntos

Se cumprimentaram rapidamente e começaram a conversar sobre o porquê de não terem entrado ainda. Aparentemente havia uma barreira que os impedia de avançar. Mesmo atacando-a falharam, e acabaram decidindo esperar por eles. Estavam ali há alguns minutos, mas não muitos.

– Desculpe se atrasamos vocês. – disse Ulysses

– Não foi nada. – retrucou Yerik, friamente

Heitor deu uma cotovelada discreta em seu amigo, que pareceu acordar e perceber o que tinha dito.

– M-me desculpe, não foi minha intenção ser rude, eu juro. É que eu estou meio... cansado... – ele fez uma careta enquanto esfregava o rosto

– Entendo perfeitamente.

– Então... Como vamos entrar? – perguntou Soranin

– Se três ataques não funcionaram, acho melhor atacarmos juntos. – Heitor respondeu

– Igual em Áries?

– Certamente. Todos de acordo?

– Sim.

– Por mim tudo bem... – concordou Ulysses

– Hum... Pode dar certo... – disse Sui

Cisne não respondeu.

– Yerik? – chamou

– Ah, sim, sim. Pode ser...

– Então vamos no três... Um... Dois... Três! Bombardeio de Leão Menor! (1)

Ave Fênix! (2)

Corrente de Andrômeda! (3)

Pó de Diamante! (4)

Galope do Unicórnio! (5)

Não funcionou. A barreira continuou em pé e, como se não bastasse, os ataques começaram a voltar para seus respectivos donos, igual na batalha contra Pema.

Eles se desviaram para não serem atingidos, mas Yerik permaneceu no lugar. Antes que o ataque retornasse para si, se defendeu.

Espelho de Cristal! (6)

Com a ajuda do Pó de Diamante, que havia resfriado o local, sua defesa foi perfeita, alcançando uma área muito maior e assim protegendo não só a ele, mas aos seus amigos também – além do mais, como os ataques foram repelidos de volta, se chocaram novamente contra a barreira.

– Yerik! O que está fazendo? – perguntou Heitor

– Tentando destruir essa coisa... Fique longe ou pode acabar se machucando! – disse enquanto tentava manter o espelho intacto

– Mas a defesa da casa de Libra vai fazer com que o ataque volte novamente para você! Seu espelho não vai resistir!

– Ele vai ter que resistir.

A determinação em suas palavras era inspiradora. Naquele instante ficou claro que o russo não ia desistir, mesmo se tivesse que ficar ali até que as doze horas se esgotassem.

– Você não vai ficar aí para sempre! Um dos dois vai se quebrar nesse vai-e-vem! – interveio Soranin

– Eu vou conseguir!!

Quando todos pensaram que não havia mais volta, seu cosmo explodiu, enrijecendo ainda mais o espelho. O resultado foi a quebra da proteção de ambos os lados.

Seus amigos não se feriram, apenas ele, que foi arremessado para trás, caindo de costas nos degraus.

– Yerik!! – gritou o amigo, preocupado, enquanto corria até ele – Você está bem?!

– Creio que sim... – o Santo examinou o ferimento que adquirira na luta contra Dante. Ele havia se aberto de novo, mas não o incomodava – Eu... consegui?

– É claro que sim, seu idiota! Mas você podia ter morrido!

A boca de Heitor ficou amarga e ele desejou não ter dito aquilo. Se arrependeu na mesma hora.

Notando a tristeza do amigo, tentou não parecer afetado e brincou:

– Vai ficar aí parado, olhando, ou vai me ajudar a levantar?

– Você não tem jeito... – Leão Menor estendeu-lhe a mão

Ambos riram e eles se juntaram aos outros.

– Juntos? – perguntou Sui, um pouco nervosa

– Juntos! – responderam e entraram ao mesmo tempo

Para a surpresa de todos, a casa estava vazia e silenciosa. Caminharam tranquilamente por ela até pouco antes da metade, quando se depararam com um objeto dourado.

– Aquela é...

– Sim, irmã, é a armadura de Libra!

A encararam por alguns instantes até que o traje se dividiu em partes, revelando doze armas douradas, separados por pares.

– Ah! O que está acontecendo?! – Ulysses quase caiu pra trás

Ninguém respondeu, apenas se aproximaram dos pares, que coincidentemente estavam na frente de cada um deles: Tonfas para Ulysses, Tridentes para Yerik, Barras Duplas para Heitor, Escudos para Soranin, e Barras Triplas para Sui. Apenas as Espadas ficaram sem ninguém, o que fez com que todos sentissem uma pontada na barriga. Kirsi podia estar ali... Ela devia estar.

O silêncio não durou muito, pois logo uma voz familiar ressoou:

– Santos?

– M-Meiying?! – exclamou Yerik, espantado – É você?!

– Ah, que bom, vocês conseguem me ouvir! Sou eu sim. Assim como Niyati, estou falando com vocês diretamente pelo cosmo... Estou fora das doze casas, mas ainda no Santuário. Por ordens de minha mestra, estou aqui para orientá-los.

– Nos... orientar? – perguntou Soranin

– Sim. Minha mestra é Lien de Libra, a guardiã desta casa. Infelizmente ela não pode deixar a cidade de Rozan, na China, por ordens de Atena. Então eu vim explicar a situação atual das coisas por aqui, afinal, não pensaram que iam passar batido por esta casa, acharam?

Ulysses quase respondeu, mas achou melhor ficar calado.

– Bem, continuando, mesmo em outro local ela pode controlar tudo que se passa aqui dentro, inclusive mover a armadura de Libra e criar ilusões, e esse é o ponto em questão. Como podem ver, uma arma foi designada para um de vocês cinco. Elas auxiliarão no desafio a seguir. Tudo consiste em uma ilusão individual, onde cada um presenciará um fato e verá algumas pessoas que marcaram sua vida. Vocês devem usar as armas douradas de acordo com o que lhes parecer mais correto, tomando a decisão certa. Saberão somente na hora em que tudo acontecer, não adianta pensar.

O jeito como Meiying disse "vocês cinco" fez o coração de Yerik se comprimir dentro de seu peito. Como ela poderia saber que Kirsi não estava ali? Será que todos já estavam sabendo ou alguém realmente teria de ficar para trás em alguma das outras casas?

Não, impossível. Haviam seis pares de armas e as espadas eram funcionais. Então como poderia ela simplesmente desconsiderá-las? Infelizmente ele sabia que não encontraria respostas neste momento.

– Ok, mas... e depois? – perguntou Heitor

– Ah, é verdade, quase esqueci... Assim que saírem da ilusão vão imediatamente para Escorpião. Não esperem por ninguém, e o mais importante: não olhem para trás em hipótese alguma.

– Por quê? – questionou Sui

– Se o fizerem, virarão pedra. Boa sorte.

Ela parou de falar e por longos segundos não ouviu mais nada. Havia dúvida no ar, mas ninguém se arriscava a questionar sua palavra.

– Então... É só se aproximar das armas e tocá-las? – disse Yerik enquanto ia na direção dos Tridentes

Não precisou encostar por mais de um segundo. Sentiu uma poderosa energia luminescente e fechou os olhos para proteger a vista.

***

Quando os abriu já estava em outro lugar, totalmente diferente, mas que ele conhecia como a palma de sua mão: a Sibéria, sua terra natal.

Olhou ao redor mas nada viu além das velhas e solitárias geleiras siberianas. Se lembrou da época em que vivera sozinho ali, somente com seu irmão e seu sobrinho. Achava que era melhor assim, mas quando ele morreu, seu irmão ficou arrasado e desapareceu algumas semanas depois, mudando sua opinião... Depois que conheceu seus amigos as coisas voltaram a ser como eram. Certa vez eles voltaram ali por causa de uma missão e ele conseguira ver beleza naquele lugar novamente, mas agora, mais uma vez, o lugar lhe parecia morto.

– De volta aos velhos tempos... – murmurou

Uma brisa gélida soprou, fazendo com que seus cabelos se despenteassem. Ele se virou para ver o que acontecia, mas a cena não fazia sentido. Seu sobrinho, já falecido, corria em sua direção, gritando e rindo.

– Tio! – a criança ria – Me ajude! Ele vai me pegar! – disse enquanto se escondia atrás do cavaleiro
Yerik não tinha reação. Seu sobrinho havia morrido há alguns anos. Parecia um sonho, mas ele sentiu o toque delicado do menino e percebeu que era real – ao menos para ele.

– M-Mikhail... É-é v-você?

– Psst, tio! Ele vai me encontrar!

Ele quem?

– O papai!

Sua alma gelou. Yerik não tinha notícias do irmão há quatro anos ou mais. Tentou entender a situação, mas antes que pudesse fazer algo, uma mão pousou em seu ombro.

– Irmão...

– K-Krigor?! – ele se virou e entrou em choque. Aquele cabelo preto, os olhos azuis, a pela branca como a neve, o sorriso inconfundível... Era realmente o seu irmão.

– E quem mais seria? – brincou

– Ah, papai! Você me achou! – reclamou a criança

– Oh, vejo que encontrou Mikhail... – disse enquanto pegava o menino de olhos âmbar e cabelos um pouco mais claros que os dele no colo – Obrigado por me ajudar, este danadinho vive fugindo de mim... – ele encostou seu nariz no do filho, fazendo carinho

Mikhail riu, nos braços do pai. Cisne não conseguia fazer nada, estava paralisado. Sua família estava reunida novamente. Ele vinha lutando por isso sua vida toda, e não conseguiu conter as lágrimas.

Abraçou os dois ali mesmo, se esquecendo completamente da ilusão. Queria apenas aproveitar o momento.

***

Sui não entendeu as coisas com facilidade. Num momento Yerik havia se aproximado de sua arma e no outro tudo havia desaparecido. Ela estava não estava mais nas Doze Casas, mas sim em uma das vilas do Santuário – a sua vila.

Sem rumo, andou por um tempo, até que se deparou com sua casa. Estava intacta, fato que a atormentou um pouco. Andrômeda não hesitou em correr até lá para ver com seus próprios olhos.

Olhou pela janela e viu seu amigo de infância, Feon, vasculhando as gavetas da cozinha. Aquilo foi realmente inesperado, pois Feon era japonês – assim como sua família – e ela não o via desde os seis anos de idade.

Sim piscar, o observava, curiosa. Não demorou muito até que o mesmo encontrasse o que procurava. Estava um pouco escuro, por isso ela não conseguiu enxergar o que era.

– Feon, o que você está...?

Ela não concluiu o pensamento. Subitamente um bater de portas aterrador soou dentro da casa. Uma segunda pessoa entrou, esta inteiramente vestida de preto, com uma aura negra ao seu redor. Sui o reconheceu na hora. Hades estava de volta à sua morada.

O deus se aproximou de Feon e começou a discutir com o mesmo, em um tom irado. O garoto correspondia e gesticulava, até que uma hora não aguentou mais e ergueu o objeto no ar, ameaçando jogá-lo no chão. Hades segurou firmemente o seu pulso, e foi neste momento que Sui agiu.

– Mas que diabos?! – gritou, pasma, enquanto corria na direção da porta e entrava no recinto – O que está acontecendo... aqui...? – ela se interrompeu, atônita

Os dois olharam para ela ao mesmo tempo, surpresos. Hades segurava a mão de Feon, como ela vira, mas foi o objeto em sua mão que chamou-lhe a atenção. Era uma caixa de fósforos.

– Sui, que bom que você está aqui! Esse lunático estava tentando colocar fogo em sua casa! – disse enquanto tentava afastar os fósforos do deus

– Como é? – Hades se enfureceu – Pare de mentir, garoto arrogante! Me dê isso logo e pare de brincar!

– Não! Você não vai fazer o que quer! Quem você pensa que é?!

Eles voltaram a brigar e esqueceram da garota, que não moveu um único músculo.

***

O brilho se dissipou aos poucos e Heitor retornou ao seu estado normal. Ele estranhamente estava de volta ao México – mais precisamente na frente da casa em que morava quando pequeno. Completamente perdido, bateu na porta e aguardou.

– Pois nã-... – uma garotinha de cabelos ondulados e negros abriu-a – Hermano! Você chegou!

– P-Perla?!

– Venha, entre! – ela o tomou pela mão – Eu estava te esperando. É hora do jantar, seu bobinho, eu estou com fome!

Ele não teve opção se não deixá-la o arrastar para dentro. Sua irmã estava bem ali, na sua frente, e ele não sabia o que fazer.

Hermana, eu...

– Não precisa se desculpar pelo atraso, sei como você é ocupado, mas agora faça minha comida, sim? Por favorzinho! – ela fez uma cara de cachorro abandonado e ele não resistiu, mesmo que achasse tudo aquilo bem anormal

Foram para a cozinha e ele preparou tacos, um prato tipicamente mexicano.

– Obrigada! Eu estava mesmo com muita fome... E com saudade de sua comida também! Você é o melhor!

– Perla... onde estamos?

– Em casa, ué. Onde mais poderíamos estar?

– Que dia é hoje?

– Quarta.

– Números, hermana, me dê números! Em que ano estamos? Quanto tempo fiquei fora?

Ela não respondeu.

Hermana! – ele agarrou seu braço

– P-pare! Você está me machucando e me deixando com medo!

– D-desculpe... – suspirou – Hum, onde estão papai e mamãe?

– Não quero falar sobre isso...

– Por quê?

– Eu fiz uma coisa ruim hoje, e eles brigaram comigo... Não sei se vão me perdoar...

– Então vou lá falar com eles sobre isso agora. Depois te falo o que eles disseram, ok?

– Tá bom... Eu vou ficar aqui. – disse, tristonha
Heitor sentia que algo estava fora do lugar. Nada se encaixava nessa história, mas ele precisava descobrir o que tinha de fazer antes de tentar qualquer coisa. Foi na direção da sala e deu de cara com os pais vendo TV. Estavam sentados no sofá, de costas para ele, e estranhamente o aparelho estava fora do ar.

Madre? Padre? – chamou

Sem resposta.

– Mãe? Pai? – tentou novamente

Nada ainda.

Caminhou rumo à mobília e viu uma cena aterradora. Seus pais estavam sentados no sofá, ensanguentados e sem vida.

Hermana! – gritou enquanto recuava – Temos que sair daqui agora!

– Ainda não. – ela respondeu secamente. Sua voz vinha das costas do cavaleiro

– O quê? Por quê?! Algo aconteceu com eles e não podemos nos arriscar. Não é seguro aqui! Papai e mamãe morreram, Perla!

– Eu sei que eles estão mortos. – a menina sorriu sadicamente

Heitor se virou e deu de cara com a irmã brandindo uma faca em uma das mãos. O sangue ainda escorria, tingindo o piso de vermelho.

– Fui eu quem matei eles... E você é o próximo!

Hermana! O que está fazendo?! Pare!

– Isso se chama justiça. – disse enquanto se aproximava lentamente – Você os deixou aqui sozinhos para se tornar um cavaleiro e se esqueceu deles... Por isso eles morreram!

– Você não faria isso! É minha hermana!

– Eu fui sua hermana. – corrigiu – E agora você vai se juntar a eles! – gritou e partiu pra cima de Heitor

– Não! Essa não é você! – ele pegou a Barra Dupla, que flutuava ao seu lado e interrompeu seu golpe

– É claro que sou eu.

– Eu não quero te machucar, afaste-se!

– Não! – ela o agrediu novamente

– Então você não me deixa escolha! Desculpe,hermana!

Heitor sabia que era uma ilusão, e isso foi tudo do que precisou se lembrar. Não importava o quanto a amava, ela era culpada naquela situação e ele tinha certeza do que estava fazendo. Perla havia morrido em um acidente de carro, e aquela realmente não era ela.

Calmamente pegou a Barra Dupla e a usou para atacar a própria irmã. No mesmo instante ela se desintegrou – assim como todo o cenário – e ele retornou à casa de Libra.

Heitor deveria seguir adiante sem olhar para trás, e foi o que fez. Apertou os olhos enquanto saia do local, meio magoado, meio aliviado por passar sem muito esforço.

Embora tivesse conseguido, algo o incomodava. Por quê ele estava ali? Por quê continuava subindo cada vez mais, passando casa por casa, para encontrar uma estranha e receber um prêmio que ele nem sabia o que era? Seus motivos não importavam. Aliás, eles nem existiam mais... Todos foram cruelmente tirados dele num piscar de olhos, assim como sua irmã naquele fatídico dia.

Esfregou os olhos para se certificar de que estava acordado. O sono lhe dominava aos poucos.

Olhou para o Relógio de Fogo e fez as contas. A chama de Escorpião já havia se apagado e a de Sagitário estava pela metade. Se estavam acordados desde as nove da manhã e o torneio começara as sete horas da noite, agora eram aproximadamente duas e meia da madrugada.

– Quase dezenove horas sem dormir... – bocejou

Mas, dormir pra quê? E o mais importante, como? Ele sabia que os amigos ainda não estavam seguros, mas lhe faltava motivação para continuar. Pensava seriamente em desistir, mas de alguma forma sentia que ainda não era a hora. As primeiras gotas de chuva começaram a cair e ele decidiu esperar o momento certo.

***

De volta à casa de Libra, Sui não acreditava no que via. Hades estava ali de novo, em sua casa.

Sentiu uma imensa vontade de pegar a Barra Tripla e atirar em sua direção, mas hesitou. Ela precisava ver o desenrolar de tudo aquilo antes de mais nada e quem sabe, com sorte, poderia matar aquele desgraçado. Esperou, mas a briga entre os dois continuou.

– Faça alguma coisa, garota! – disse Hades

– Vai mesmo acreditar em um deus? Eu sou o seu melhor amigo, jamais faria isso com você! Fui eu quem lhe dei este anel que carrega em seu dedo indicador, se lembra? Fizemos uma promessa!

– Andrômeda!

– Sui!

Novamente, ela não se moveu.

***

Ulysses estava meio nauseado com aquela mudança repentina de luminosidade. Demorou um pouco para sua visão voltar ao normal, mas ele não desistiu.

Ele não sabia onde estava. Ouviu uma voz familiar ecoando por algum lugar, como se o chamasse para perto, e decidiu seguí-la. A noite estava chuvosa e fria, mas ele não estava se molhando, então nem deu importância. Dobrou algumas esquinas e avistou um homem ao longe, segurando uma caixa de papelão nos braços. Ao seu lado estava uma mulher, mas o rosto de ambos não era visível.

Escondido nas sombras, observou o que eles estavam fazendo, pois o casal atraíra sua atenção por serem vagamente familiares. Eles pararam na frente de uma casa, colocaram a caixa no chão e bateram na porta. Saíram rapidamente do local, entrando em uma das vielas ali por perto.

Não demorou muito e a porta se abriu. Um homem alto de cabelos pretos saiu e notou a caixa. Se abaixou para olhar o que havia lá dentro e seus olhos, verdes como esmeraldas, se arregalaram. Ulysses sabia quem aquele cara era, mas preferiu manter distância por um tempo. O homem colocou as mãos na caixa e lá de dentro retirou um pequenino bebê, envolto em lençol cor-de-rosa.

– Onde estão seus pais, garotinha?

A criança sorriu.

– Hum, que estranho, não há ninguém aqui fora... – disse enquanto olhava ao redor e voltava para dentro de casa com a criança nos braços – Vamos entrar e esperar que eles voltem, pequenina...

Ulysses estranhou a situação, então foi checar a caixa que ele havia deixado para trás, pretendendo espiar pela janela logo após.

– Curioso... – disse, se abaixando – Há um bilhete aqui. Deixe-me ver...

Ele leu mas sua mente ficou confusa. Era uma carta dizendo para aquele homem cuidar da criança, pois os pais não estavam em condições de continuar a criá-la e coisas do tipo... Ele achara que os pais iriam voltar quando na verdade não iam... Aquilo não podia ficar assim. Ulysses precisava fazer algo... Mas ele ao mesmo tempo não queria falar com aquela pessoa, então planejou entrar de fininho na casa e deixar o bilhete ao lado do bebê.

A porta estava entreaberta e o homem na cozinha, esquentando leite para a menina. Nem iria notar sua presença... Com delicadeza fez tudo o que havia planejado, e quando já estava saindo novamente pela porta, ouviu o adulto encontrar o recado e dizer:

– Ah, pequenina... Me perdoe, mas parece que seus pais não vão voltar... Que tipo de pessoa faria algo assim? Isso é terrível... Mas bem, já que eles não tinham condições, foi melhor do que te abandonarem na rua, sem ninguém. Eu tive sorte de te encontrar... – ele fez uma pausa e sorriu – Ou será que foi você que me encontrou? Esse cara solitário aqui vai te acolher de braços abertos, fique tranquila...

Quando começou a abrir a porta, sem querer ouviu o homem se corrigir:

– O que é isso em sua mão? Oh, mil perdões, parece que cometi um terrível engano! Embora a sua coberta seja rosa, você não é uma garota, é um adorável menininho! Agora espere aqui que vou buscar uma coisinha...

Ele deixou o garoto em paz e se retirou. Seus passos ecoaram pela casa, diminuindo gradativamente. Logo ele voltou, com um travesseiro na mão.

– Finalmente poderei me livrar de você, criança maldita! – disse enquanto o colocava sobre a cabeça do garoto

Isso surpreendeu Ulysses, que não teve outra escolha senão se intrometer. Aquele menino não havia feito nada de errado e não deveria pagar por isso.

– Pare! – ele interceptou o homem

– Quem é você? O que faz na minha casa?

– Como assim? Você não sabe quem eu sou?

– Mas é claro que não! Nunca te vi antes, garoto! Agora saia da frente, preciso matar essa peste!

– Você não vai encostar um dedo nessa criança! – ele segurou seu pulso

– Tente a sorte! – o outro o empurrou, tentando alcançar o menino, que agora chorava

Magicamente as Tonfas de Libra apareceram perto de Ulysses. Ele sabia o que deveria fazer, embora não quisesse. Era o seu tutor, a criança ou ele. Agarrou as Tonfas e o acertou. O homem cambaleou e caiu para trás, desaparecendo antes de atingir o chão.

Ulysses foi até o bebê e o encarou. Ele possuía olhos vermelhos e ralos cabelos bejes. O pegou no colo, mas acabou deixando seu cobertor cair – junto com algo a mais, que fez um tilintar ao atingir o chão.

Ainda segurando o bebê, que usava apenas uma fralda, abaixou-se e retirou o cobertor do chão. Para sua surpresa, abaixo dele estava a maldita moeda, com o seu nome gravado. A criança sorriu, e então Ulysses compreendeu que aquele na verdade era ele.

Notas finais
[Legenda:] (1) Bombardeio de Leão Menor ("Lionet Bomber" no original): é um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (2) Ave Fênix ("Hoyoku Ten Sho" no original): É um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (3) Corrente de Andrômeda ("Nebula Chain" no original): É um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (4) Pó de Diamante ("Diamond Dust" no original): é um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (5) Galope do Unicórnio (“Unicorn Gallop” no original): é um golpe retirado da obra Saint Seiya (Clássico). (6) Espelho de Cristal ("Crystal Mirror" em inglês): é um golpe criado por mim. Yerik reúne os flocos de neve ao seu redor e eles se transformam em reluzentes cristais, aglomerando-se e tomando a forma de uma barreira protetora (um espelho). É capaz de refletir quase todo tipo de ataque, se assemelhando a Muralha de Cristal de Mu de Áries na obra Saint Seiya (Clássico). ----- Agora, os cavaleiros de Bronze começam a duvidar daquilo que seus olhos vêem e finalmente decidem lutar contra aqueles que um dia foram importantes em suas vidas. Heitor foi o primeiro a sair de sua ilusão, deixando seus companheiros para trás, mas ele já não sabe pelo que luta. Será que ele descobrirá a resposta? Não percam o próximo capítulo! [E, para aqueles que estão gostando do enredo, por favor, favorite, comente, acompanhe e/ou recomende. Ajude a fic a chegar até mais fãs como você (:]