Conto 31

1 1ª Parte - Entrada


Na sala de interrogatório havia uma mesa com duas cadeiras, uma de cada lado, e uma lâmpada pendendo no centro da mesa. Em uma das cadeiras, a que ficava de frente para o vidro duplo espelhado, estava sentada uma jovem, vinte anos aproximadamente, cabelos loiros e encaracolados que iam até o meio das costas. Ela já havia passado pelas perguntas feitas pelo delegado, agora aguardava o psiquiatra que iria dizer se ela era realmente louca ou apenas havia dissimulado todo o tempo. Era uma espera entediante, para passar o tempo ela tamborilava os dedos na mesa metálica fazendo o som ecoar por toda a sala.

Do lado de fora, dois guardas estavam a postos na porta da sala enquanto o delegado observava em silêncio através do vidro, ele podia ver a garota, aquele foi o crime mais frio que ele já havia visto nos seus quinze anos de carreira. Alguns minutos depois, outro homem juntou-se a ele, era o doutor Ritzel, psiquiatra que fora chamado para diagnosticar a acusada.

–Boa noite Dr. Ritzel, que bom que o senhor pode vir ainda hoje apesar do horário.

Doutor Ritzel tentou mostrar o que deveria de alguma forma se parecer com um sorriso agradável e cumprimentou seu amigo e cúmplice de longa data.

–É sempre um prazer poder ajudar ao senhor delegado Russell. É essa a garota de quem o senhor falou ao telefone?

Ritzel apontou a jovem com seu nariz torto, as rugas em seu rosto se aprofundaram com a careta de desprezo que ele fez. O Doutor Ritzel, apesar de todo o renome que tinha na sociedade graças a proteção de amizades nos locais certos, era um velho desprezível. Dos cerca de sessenta anos de vida pelo menos os vinte últimos ele havia passado em sua clínica tratando os doentes como cobaias para seus métodos de cura pouco convencionais. O delegado Russell deu um suspiro de desânimo, mesmo sendo um dos homens mais corruptos que se podia conhecer, no fundo ele era uma boa pessoa, pena que o dinheiro que ganhava de Ritzel o fazia tomar as decisões erradas.

–Ela mesmo doutor. Nós a encontramos escondida dentro do armário da casa da vitima. No começo imaginamos que ela escondeu-se naquele lugar para fugir do assassino, mas enquanto a trazíamos para a delegacia ela começou a dar risinhos histéricos que aos poucos se transformaram em gargalhadas que fariam até os poucos cabelos de sua cabeça se arrepiar. – com a menção a sua calvície o Doutor Ritzel pigarreou disfarçando uma cara feia, Russell fingiu não notar e continuou sua fala. – Por isso chamamos o senhor. Eu mesmo tentei conversar com ela, mas nada do que ela fala faz o menor sentido. Seu depoimento se alterna entre gargalhadas, crises de choro e piadas sarcásticas sobre o crime. Confiamos que o senhor poderá conseguir algo.

–Ela me parece bem calma agora. Vocês deram algum dos meus medicamentos para ela?

–Não foi necessário, ela por si só acabou se acalmando de uma hora para a outra e ficou em silêncio.

Sem mais demora o Doutor Ritzel entrou na sala.

Notas finais
Espero que tenham curtido =) Postarei mais um amanha mesmo =)