Conte a todos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
28 de outubro — 5:32 PM
Apesar de serem cinco e meia da tarde, o céu já estava escurecido, delatando o final da tarde. Para a cidadezinha interiorana de South Park, dias curtos no outono já eram algo habitual, sinalizando a proximidade do inverno e trazendo de presente uma temperatura negativa digna de congelar os ossos.
Mesmo sentindo frio, Craig Tucker, com seus quatorze anos, ignorava a brisa fria e dava seus corajosos passos pela calçada naquele fim de tarde, tendo planos bem definidos para como gastar as últimas horas de sua sexta-feira. Sua caminhada foi interrompida apenas pelo celular vibrando, indicando o recebimento de uma nova mensagem.
Tirou o aparelho com a mão esquerda do bolso, mordendo a ponta dos dedos da luva direita para arrancá-la, conseguindo assim destravar o aparelho e verificar qual foi a última mensagem. Bastou ver o nome do namorado na tela de notificações para começar a mexer no aparelho com maior atenção, se fosse qualquer outro provavelmente esperaria ir para um local quente antes de retornar, mas com Tweek não sentia prazer algum em deixá-lo esperar. Talvez a ansiedade dele fosse contagiosa, porque sabia que não sossegaria até ler o conteúdo de suas mensagens e respondê-lo.
"Craig, a previsão do tempo disse que existe 62% de chance de nevar essa noite. A sensação térmica será de -11 º. E se nevar? E se ficarmos presos? Você já pensou nisso, Craig? Podemos morrer congelados!"
Junto da mensagem havia o link do site metereológico, tirando um sorriso dos lábios do moreno. Tweek estava pesquisando sobre detalhes do encontro? Não imaginava que ele estivesse com tanta expectativa assim, mas quem poderia culpá-lo? O próprio Craig ficou remoendo essa ideia, questionando-se se convidá-lo para ir ao cinema tinha sido ou não uma boa ideia, ainda mais considerando a importância da data. Talvez um jantar romântico fosse mais apropriado? Só que não queria arrastá-lo pra um programa de velho, além de serem jovens pra tentarem alguma merda fora da cidade.
"Enquanto eu estiver com você, meu coração estará sempre quente, vida"
Respondeu-o, mordendo os próprios lábios, desgostoso, assim que releu a própria mensagem, revirando os olhos. Mas que merda tinha sido essa? Era tão gay. Já podia ouvir as pessoas gritando na rua seu nome, dizendo o quão gay era.
Desejar beijar um garoto era um inferno, essa história de "yaoi" havia virado a sua vida de cabeça para baixo. Sempre que andava na rua sentia o julgamento dos outros, sendo atormentado por sussurros silenciosos sempre que cruzava com alguém em cada esquina, repetidamente escutando "lá vai o gay do Craig Tucker.. Qual será o perfume que ele está usando hoje? Lavanda? Isso é tãããoo gay".
— Isso mesmo! Eu sou um viadinho!! — Declarou alto pra um grupo de garotas que seguiam para o lado oposto, assustando-as com suas palavras.
— Que porra foi isso..? — Questionou uma das garotas, acelerando o passo.
— Que otário. — Comentou outra, acompanhando as amigas enquanto olhava bem pro garoto Tucker. — Mas até que é gato — acrescentou, gerando risada das demais.
Craig deixou um suspiro escapar, vendo que talvez estivesse um tanto psicótico com isso. Não era como se o mundo estivesse o olhando e julgando por ser homossexual, na real coisas assim só aconteciam entre as garotas asiáticas — e não todas, claro, apenas as japonesas. Porém, mesmo depois de quatro anos assumidamente gay, ainda sentia o peso de todas as expectativas de South Park em sua relação, como se ser gay fosse uma marca tatuada no meio da própria testa. E o pior de tudo, era o único que ainda se martirizava com isso, sendo o pior tipo de gay, um gay homofóbico.
Como se a situação já não fosse alarmante o bastante, Craig tinha plena noção de que odiar homossexuais não o faria menos homossexual. Tweek era a prova viva de que toda essa viadagem corria nas veias do moreno, atiçando cada um dos folículos bichonas que existiam em seu corpo.
Encarou o celular um pouco mais, aumentando a foto do namorado na lista de contatos para ver bem a imagem do garoto de cabelos loiros, sempre descabelado e com o olhar disperso. Não havia nenhuma característica super chamativa no outro rapaz, mas bastava olhar um pouquinho para aquele retrato pra já sentir um calorzinho incômodo em sua pelve.
— Merda.. — Falou baixinho para si mesmo, sentindo o coração bater um pouco mais rápido. Era mesmo uma putinha gay.
Guardou o aparelho, recolocando as luvas e voltando a andar. Tinha marcado de buscar o Tweek às seis e não podia atrasar, sabe-se lá o que ele ficaria pensando caso chegasse atrasado. Talvez o seu loirinho surtasse, inventando em sua mente que teria perdido o interesse no encontro ou que queria diminuir o tempo que estavam juntos.
Droga, estava realmente sendo contaminado por toda essa esquisitice do Tweek, agora ficava também inventando razões pra achar que o namorado ficaria paranóico. A quem queria enganar, Craig Tucker? A probabilidade do Tweek estar distraído com o trabalho e nem ver a hora passar era bem maior do que a dele sentir a sua falta.
Ainda assim, acelerou os passos, só se satisfazendo quando alcançou a cafeteria dos Tweaks, empurrando a porta envidraçada e entrando no local, chegando com oito minutos de antecedência. O cheiro forte de café com creme tomou suas narinas, junto com o som baixo dos clientes conversando, distraindo-o momentaneamente.
— Bem vindo — disse a atendente, sorrindo com o som da sineta na porta.
— Olá, Senhora Tweak, o Tweek está pronto? — Perguntou o garoto, puxando um pouco o cachecol que usava para distanciá-lo de sua garganta. Ali dentro estava insuportavelmente quente quando comparado ao lado de fora.
— Vou avisá-lo que você está aqui — a mulher falou, seguindo pra dentro.
Os olhares dos clientes logo se voltaram ao Craig, já sussurrando sobre ele ser o namorado do filho dos donos do estabelecimento. Não que essa fosse uma grande descoberta, já tinha a porra de uma foto dos dois grudada no quadro de cortiça, junto das fotografias com as opções de muffins que vendiam naquela espelunca.
"Bom para os negócios", dizia sempre o pai do Tweek. Bom o caralho, isso só não era pior que os desenhos dos dois que o seu próprio pai distribuiu na sala de casa. A porra daquele velho parecia querer humilhá-lo, exibindo pra Deus e o mundo o orgulho que tinha do seu primogênito bichana.
As fofocas dos consumidores ali foram a gota d'água, acabando com a pouca paciência que o rapaz tinha naquele entardecer. Ergueu o dedo do meio para umas tiazonas que lhe encaravam, seguindo para perto da entrada de funcionários para pegar um dos casacos pendurados ali. Quanto antes saíssem daquele buraco, melhor.
— Craig! Estamos atrasados, Craig! — Veio a voz de Tweek lá de dentro, empurrando a porta com brusquidão e atingindo Craig em cheio, deixando-o atrás da porta.
Sequer notou o que fez, permitindo que os olhos azuis vasculharem por um momento a cafeteria antes de seguir apressado em direção a porta, supondo que o outro o abandonara. Ele foi embora? Desistiu de esperar? Havia demorado demais? Devia ter se aprontado antes, tê-lo aguardado do lado de fora.
Ser ignorado e ter uma porta o atingindo era tudo o que Craig precisava pra fechar o seu dia, respirando pacientemente ao sair de trás dessa, vendo o Tweek seguir eufórico para a saída. E lá ia o cérebro de algodão doce, sempre com a cabeça nas nuvens.
— Hey, hey, calma ae, docinho.. — Craig apressou-se, segurando o namorado pelo braço antes que ele abandonasse a loja.
Nem estava reclamando de terem batido a porta sua cara, a dor causada por essa era só um dos vários desastres que precisava encarar de frente todos os dias. A surpresa dos olhos do loiro não o impressionou também, surpreendente teria se esse avoado tivesse o notado depois de acertá-lo.
— Você não vai querer sair assim, está congelando lá fora — avisou-o, mostrando já estar com o casaco dele em mãos.
— Você está aqui, Craig! Por que não disse que estava aqui? Eu achei que tivesse ido embora — esticou os braços enquanto falava, deixando o moreno ajudá-lo a vestir-se, dando atenção a sua mãe, que sorria apaixonada para a cena de amor jovial. — Mãe, se eu não voltar antes das dez, você deve ligar pra polícia. Ou pro resgate. Ou para os dois! Se as linhas telefonicas não funcionarem, é porque foram cortadas. GAH! — Contorceu-se enquanto falava, já imaginando o pior. — Esconda-se! Está acontecendo, não me espere se o telefone não funcionar.
— Voltamos até às onze — respondeu Craig, fechando o ziper do casaco do outro. Já tinham quatorze anos, ninguém morreria se ficassem uma hora a mais fora.
— Espere — pediu Tweek, afastando-se um pouco do Craig para pegar uma bolsa marrom, colocando-a em volta do ombro antes de aproximar-se mais uma vez, aceitando a mão que lhe foi oferecida e segurando-a para partirem dali juntos, andando de mãos dadas com o outro rapaz.
Bastou saírem um passo para fora para sentirem o vento frio. O moreno até pensou em oferecer uma das suas luvas para que o namorado colocasse na mão livre, mas logo viu-o escondê-la dentro do bolso do casaco. A tentativa de andar calmamente ao lado do outro também não deu muito certo quando o louro passou a puxá-lo para que caminhassem mais rápido.
— Ei, amor.. Não precisa correr, temos tempo.
— Não temos tempo, Craig. A próxima sessão começa às seis e vinte — como o Craig podia ficar tão calmo? Ele que escolheu irem ao cinema, devia ter pensado nessas coisas, se planejado mais.
— Se perdermos essa sessão, tem outra às seis e quarenta — não era como se mudasse muita coisa.
— Não, Craig. A das seis e quarenta estará lotada, todo mundo que sai do trabalho às seis vai querer estar na das seis e quarenta. E como vamos sentar juntos? Você pensou nisso? GAH! — Retraiu-se, apertando a mão do outro sem notar, sentindo-se ansioso só com a simples ideia de tudo sair errado. — Se sentarmos juntos muito na frente as pessoas vão reclamar, vão dizer pra você, "você é alto demais, sente lá no fundo", mas se sentarmos no fundo e tiver alguém muito alto na minha frente, Craig? É sexta-feira a noite, não podemos pagar para ver um filme sexta-feira a noite e não assistir a droga do filme! Isso tudo porque você cresceu dezesseis centímetros a mais que eu nos últimos anos, Craig. Como podemos sentar juntos desse jeito? Você já pensou nisso? Era para ser.. GAH! ERA PARA SER ESPECIAL! — Gritou a última parte, levando a mão livre aos cabelos, puxando-os em uma tentativa frustrada de acalmar-se.
Não conseguia fazer isso, era pressão demais. Comemorar o aniversário de quatro anos de namoro? Não, não daria certo. Por que ele teve de cair em uma sexta-feira? Garotos de quatorze anos não tinham grana pra ficar gastando no cinema em uma sexta-feira, teria sido tudo diferente em uma segunda ou quarta. E ainda, para piorar todo o quadro, tinha a previsão do tempo. E se começasse a nevar? E se nevasse tanto que ficassem presos em algum lugar? Gah! Contorcia-se só em cogitar.
As linhas de pensamento do Tweek tornavam tudo pior, não importava para onde olhasse, só via um futuro fracassado para os dois. Como aguentaram quatro anos juntos? E se estragasse tudo agora? E se Craig decidisse que não queria mais ficar consigo? Um encontro desastroso poderia comprometer a relação.
Os surtos do menor foram amenizados enquanto tentava puxar seus fios de cabelo, sentindo o companheiro interceder, segurando-lhe a outra mão e afastando-a lentamente das madeixas cor palha. Os olhos verdes encararam calmamente o outro, tentando transferir um pouco do seu auto-controle para ele. Era cedo demais para ele começar com seus chiliques.
— Está tudo bem, amor. É a noite de comemorarmos estar juntos, só por estarmos juntos essa noite me faz feliz — declarou, sentindo toda aquela onda de purpurina correr em suas veias. Tweek tinha esse feitiço incrível em despertar seu lado mais gay.
Não entendia como conseguia ser tão homo, em sua mente parecia absolutamente errado ver dois caras agarrados, porém, assim que olhava pro outro, não tinha dúvidas quanto a própria sexualidade. Era como uma onda de atração crescente, um magnetismo que não podia explicar. Não era o moleque mais delicado de South Park, mas olhar pra esse loirinho doido o fazia querer ser.
As mãos nervosas do rapaz pararam de resistir, ofegando rapidamente até sentir o perfume suave vindo do maior, permitindo um sorriso sutil ser desenhado em seus lábios. Lavanda? Craig estava bem cheiroso. E a camisa por debaixo do casaco azul? Parecia nova, não se surpreenderia se achasse a etiqueta na parte interna dela, menos ainda se descobrisse que ele pagou o valor integral dela. Ele estava se empenhando, não? Sentia-se feliz em ver que o moreno estava levando isso a sério.
— Eu só estou com medo que dê tudo errado.. Não quero que seja como a última vez — admitiu suas inseguranças, encostando a testa no ombro do maior.
Não bastava que o Craig fosse o garoto mais bonito da escola, nem mesmo o mais alto e mais maduro, junto dele corria uma corrente de caos interminável e não queria ser um dos responsáveis por esse caos. Sempre que pareciam planejar demais alguma coisa, era como se uma onda de negativismo desandasse com tudo.
— Nada será pior que o meu aniversário, vida — tentou acalmá-o.
Afinal, o que podia ser pior do que ter levado uma bolada na cara por culpa do gordão do Eric Cartman? Ou do cuzão do Stain tendo esbarrado na gaiola do Stripe #4, fazendo-o fugir e ser devorado pelo gato da Ruby? Não que estivesse infeliz com o Stripe #5, mas o Stripe #4 foi o seu primeiro porquinho da índia cuidado em conjunto com o namorado. Também teve o desfecho final da noite, terminando com o tapete da sua sala em chamas e com o Tweek vestindo as calças de marca do Token, enquanto esse voltava pra casa de cueca na neve. Ainda não sabia quais foram as circunstâncias do Tweek ter perdido as roupas na sua festa, mas nem ousou perguntar quais foram os planos frustrados do Clyde e do Token, evitando estressar-se com os dois.
— GAH! — Tweek retraiu-se, estremecendo um tanto enquanto piscava um dos olhos.
Merda, havia dado ideias negativas pra ele imaginar.
— Caralho, tudo vai dar errado hoje.. Já posso ver os demônios saindo de uma enorme cratera que surgirá no chão da prefeitura — disse Craig, em um tom tedioso e completamente descrente de que essas porras fossem ocorrer novamente em South Park. — Tweek, é a nossa última chance juntos, me abrace — insistiu em seu tom arrastado e nada convincente, fingindo um desespero inexistente.
E soltou as mãos do namorado, sentindo-o abraçar em resposta ao seu pedido. Sorriu, pousando uma das mãos nos cabelos dele, afagando-os lentamente para tranquilizá-lo. Pronto, o pior já havia acontecido, poderiam retomar o foco para as coisas boas, não?
— Mas que droga, você é o meu sol, Craig. Puta merda, se esse fosse o nosso último momento, você estaria arrependido por estar comigo? Onde iria querer estar agora? — Perguntou, afastando-se o suficiente para encarar as iris esmeraldas.
Às vezes sentia-se ansioso, mesmo que o outro soubesse aquietá-lo da forma certa, bastava também alguns olhares ou palavras para que ele o deixasse louco. Sentia as bochechas arderem enquanto o observava. Por Deus, namorava um cara tão charmoso. E se Craig ficasse cansado do seu jeito? Não era cego, estavam em padrões completamente diferentes e não eram os únicos garotos gays de quatorze anos na cidade, haviam opções mais interessantes agora. Aos dez anos as opções podiam ter sido mais limitadas, mas agora até as japonesas deviam achar que ele merecia algo melhor.
— Acha que eu consigo pensar em algo com você me olhando assim? — Curvou a sua testa até encostar na do mais baixo. — Você é o meu universo. Esse planeta pode arder em chamas nesse instante, a vida vai estar maravilhosa só por você existir. E me desculpe se eu sou esquecido e não sei se seus olhos são azuis ou verdes, mas eles são a coisa mais doce que eu já vi.
Tweek riu, aquele não era o trecho de uma música? Craig era tão gay, ainda mais por tentar colocar os sentimentos que tinha em palavras dessa forma. Não reclamaria se ele inventasse de lhe fazer uma serenata, sabia que ele conseguia cantar quando queria. Na verdade, até gostaria de ver isso acontecer. Sentiu-o o moreno se curvar mais em sua direção, depositando um beijo em sua bochecha, rindo mais pelo gesto carinhoso que recebeu.
— Eu meio que acho que amo você.. — Tweek declarou-se, deixando o sorriso nos lábios do seu cheiroso namorado um pouco maior. Talvez "meio que acho" não fosse muito honesto com a intensidade dos seus sentimentos, mas tinha certeza que seria compreendido.
— Vamos — chamou-o, empurrando-o de leve com o ombro enquanto davam as mãos novamente. Tweek retribuiu o gesto, esbarrando igualmente com o ombro do maior. Graig, claro, não deixou barato, dando um novo empurrão, mais forte que o primeiro. Esse fez com que Tweek trombasse em um ancião que passava, quase derrubando-o, tendo esse de se segurar na bengala pra não se arrebentar todo na calçada.
— Puta que pariu, Craig — Tweek repreendeu-o, sendo a vez de Craig em gargalhar, pouco se fodendo pro velho decrépito, nem se dando ao trabalho de pedir desculpas.
Já tinha dito, não? Não dava a mínima para o que acontecia com o mundo quando estavam juntos. Tudo poderia arder, se Tweek estivesse consigo, então a sua noite estaria maravilhosa.
Notas finais
Fiquei com a ideia dessa cena, do Craig buscando o Tweek na cafeteria, em minha cabeça por uns dois dias. Tentei escrevê-la da forma que eu imaginava, detalhando o que considerei relevante.
Provavelmente o próximo capítulo será vinculado ainda nesse, contando como foi o encontro. Planejo seguir um pouco mais a linha deles com quatorze anos, pois gosto de imaginá-los se descobrindo~ Inclusive, acredito eu, que aos quatorze anos eles ainda não se beijaram na boca, não por falta de querer, mas por falta de oportunidade.. E claro, porque quero escrever o primeiro beijo.
Tentarei deixar os capítulos o mais fechados que conseguir, pois quero que cada um relate uma experiência/situação dos dois, indo desde as declarações até a aceitação total da relação que eles vivem.
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