Adam me levou para casa. Theo e Alicia decidiram ficar mais tempo na festa, mas eu estava cansada, já que eu havia trabalhado hoje.


- Você quer subir, beber algo? café? — Perguntei.

- Não, obrigado. Na verdade eu queria usar o banheiro, se não for nenhum incomodo.

- Ah, claro que não.


Ele estacionou e nós subimos para o meu apartamento. Não era tão espaçoso quanto o dele, mas eu gostava.


- O banheiro fica no final do corredor.


Adam foi até o banheiro enquanto eu tirava as sandálias.

Senti mãos na minha cintura, meus olhos se arregalaram.


- Adam. — Indaguei. Ele me virou e ficamos encarando um ao outro.

- Você não tem ideia do quanto eu estou lutando para ficar longe de você.

- O que? — Ele encostou a testa na minha e eu senti sua respiração próxima da minha. Nesse momento meu coração estava quase tendo um infarto, meu rosto queimava e minha respiração estava descompassada.

- Celine. — Ele sorriu. — Você é uma tremenda gostosa.


Eu não sabia o que dizer, meu cérebro entrou em curto circuito.


- Adam. — Eu disse, a voz quase falhando.


E então ele me beijou.


Foi um beijo quente, um beijo que eu nunca senti antes. Suas mãos segurando o meu rosto, como se não quisesse que eu me soltasse. Eu retribui o beijo. Suas mãos percorreram meu corpo. O ambiente parecia mais quente do que realmente estava. Mas naquele momento parecia que tudo estava pegando fogo.


E de repente ele parou. Achei que ele estava recuperando o folego, mas não, ele realmente parou.


- Desculpa, eu preciso ir.

- Adam.


E então ele se foi.


Passei a noite tentando entender o que aconteceu. Será que foi o beijo? Ele não gostou? Esperava mais? Não era isso que ele imaginava?

As duvidas repercutiram na minha mente a noite toda. Eu não era uma pessoa insegura, mas nunca havia passado por isso, de alguém me beijar e ir embora se desculpando.


Na manhã seguinte chamei a Bia para ir em uma cafeteria comigo e eu contei para ela o que aconteceu.


- Ele é mesmo um babaca.

- Pois é.

- Fiquei remoendo a noite toda tudo isso que aconteceu.

- Ele parecia ter gostado, aí do nada, ele vai embora.

- Os homens falam que nós mulheres somos difíceis, mas eu acho que eles quem deveriam vim com um manual.

- Concordo.

- Tenho que te contar algo. — Disse Bia tomando o seu cappuccino quente. — E perguntar algo que eu estou curiosíssima para saber.

- Diga.

- Estou saindo com o Wesley.

- O Wesley do TI?

- Não. Tá louca? — Ela riu. — O Wesley do financeiro, amigo do Caleb.

- Ah. Que bom amiga, ele parece ser gente boa.

- E é.

- Desde quando?

- Tem uns dias, mas só estamos saindo mesmo, nada sério.

- Eu sempre soube que ele gostava de você. Finalmente ele teve coragem para te chamar para sair.

- Eu não sabia.

- Só você. — Eu disse rindo.


Passamos o dia juntas. Aproveitamos e passeamos no shopping e compramos umas roupas.


....


Era segunda-feira, eu estava com sono e por isso passei na salinha de descanso para tomar um café e conversar um pouco até dar o horário de ir trabalhar.

Estávamos Bia, Wesley, Flavia, Caleb e eu conversando. No sofá menor estavam Bia e Wesley e no sofá de 3 lugares estava Flavia, Caleb e eu. Estávamos falando do novo filme que saiu.


Caleb passou o braço em volta do meu pescoço.


- Caleb, sai. — Retruquei.

- Não estou fazendo nada.

- Bom dia, Adam. — Disse Flavia. Olhei para o lado e ele passou pela gente.

- Bom dia, pessoal. — Sua voz seca demonstrava que ele estava de mau humor. Ele foi direto para a sala dele.

- Bora pessoal, se não, seremos todos demitidos. — Comentou Wesley se levantando.


Cada um foi para a sua mesa. Eu queria falar com o Adam sobre o que rolou na sexta-feira, mas não sei se seria o momento ideal, mas aquilo estava me remoendo.


- Licença. — Bati na porta de Adam e entrei.

- Pode falar. — Disse ele sem olhar para mim.


Me sentei na cadeira em frente a sua mesa.


- Sobre o que rolou na sexta-feira.

- Me desculpa pelo o que aconteceu na sexta. Não vai acontecer novamente e eu não quero falar sobre isso.

- É mas..

- Olha Celine, eu estou meio ocupado agora.

- Você está bravo comigo?

- Não, só preciso me concentrar no serviço, tenho algo importante para resolver.


Me levantei para ir embora.


- Ah, e como seu chefe. Eu te aconselho a não ficar se agarrando com os homens pela empresa.

- Eu não estava me agarrando com ninguém. — Me lembrei do braço do Caleb que estava em volta do meu pescoço. — Sobre o Caleb eu não estava.

- Não quero saber da sua vida pessoal. Só estou aconselhando. Teremos reuniões importantes nas próximas semanas e com o Senhor Jorge e não queremos que o assunto seja "os funcionários se pegando pela empresa".


Fiquei muito irritada com ele. Ele acha que eu sou essas mulheres que ficam se pegando com os homens pela empresa? Sai de sua sala e evitaria o máximo possível falar com ele.