Contanto que você me ame
9 Adam
Ela me beijou.
Minutos atrás eu estava bebendo porque estava irritado e com ciúmes. Ciúmes do que eu não tenho, mas queria ter.
Celine estava há alguns dias sem falar comigo. Sei que eu agi como um babaca, mas eu fui tomado pelo ciúmes, ciúmes ao vê-la com o Caleb na empresa, como um casal, algo que talvez sejam mesmo.
Eu passei o final de semana pensando na sexta-feira, relembrando do beijo. Eu queria tanto voltar no tempo e viver aquilo novamente. No momento em que eu a beijei tudo parou e só havia ela e eu e eu queria ter continuado, até me lembrar que ela não estava solteira.
E aqui estamos nós novamente. Ela me beijou, em público, na frente de todos da empresa. Olhando pela visão profissional, ela beijou o próprio chefe, na frente de todos os funcionários.
Quando ela chegou hoje na festa eu não conseguia parar de olha-la, ela estava linda, esse vestido deixava ela mais linda ainda e me fazia ter vontade de arranca-lo. Se eu pudesse, eu teria feito isso.
Quando ela parou de me beijar, eu não sabia o que fazer. Todos os olhares estavam voltados para nós. Ela me abraçou e sussurrou algo em meu ouvido.
- Só segue o roteiro.
Eu não entendi direito o que ela tinha dito, só retribui o abraço. Não sabia que roteiro era esse, mas eu criaria o meu próprio roteiro.
Entrelacei meus dedos nos seus, segurei suas mãos e saímos dali de mãos dadas. Todos olhavam e cochichavam enquanto passávamos por eles.
Saímos do salão e eu procurei um lugar onde não tinha ninguém para poder falar com ela.
- Celine, o que foi isso?
- É.. Me desculpa, eu agi sem pensar.
- Por que fez isso?
- Surgiram fofocas com o meu nome, dizendo que eu estava namorando com o Caleb, eu procurei ele para conversar e ele começou a se declarar e eu disse a ele que iria desmentir essa história. Ai eu te beijei.
- Por que você me beijou com tantas pessoas na festa?
- Eu não sei. Olha Adam. Me desculpa, de verdade.
- Você não está namorando?
- Não. Essa fofoca chegou até você também?
Fiquei em silêncio. Feliz porque minha consciência estava limpa, eu não beijei uma mulher comprometida e irritado comigo mesmo pela forma como eu a tratei. E ainda mais feliz por ela estar solteira.
- Celine.. — Respirei fundo, eu precisava me desculpar com ela. — Me desculpa pela forma como eu te tratei.
- Adam. — Ela olhou firme em meus olhos. — Só porque eu te beijei não quer dizer que temos algo. Vamos só seguir nossas vidas. O que aconteceu, bem, não da para mudar. Mas podemos fingir que não aconteceu.
- Eu achei que você estava namorando, por isso eu agi daquele jeito na sexta-feira. E quando eu te vi na segunda com o Caleb..
- Você o que? Ficou com ciúmes? — Ela estava irritada e ela tinha razão, eu fui um idiota. — Adam, você me beijou e foi embora, que tipo de homem você é? — Ouvir isso doeu, mas eu fiquei quieto.
- Eu sei que eu fui um idiota. E eu quero que você me perdoe por isso.
- Eu estou cansada de homens que não sabem lidar com os seus sentimentos.
Eu de fato não sabia lidar com os meus sentimentos, é algo que eu preciso melhorar. Ela saiu andando e eu fui atrás dela.
- Eu vou para casa. — Ela disse quando viu que eu havia me aproximado dela.
- Eu te levo.
- Não precisa, obrigada.
- Eu vou te levar, não vou te deixar ir sozinha.
- Eu não estou bêbada.
- Mas eu insisto. — Eu não iria deixa-la ir embora sozinha. Eu precisava deixa-la em sua casa para não me sentir preocupado.
Depois de muito insistir eu consegui convencê-la. Durante todo o percurso ela permaneceu em silêncio e eu também, o único som que ouvíamos era do rádio que tocava alguma música aleatória.
Estacionei meu carro e percebi que ela estava dormindo. Eu não queria acorda-la, mas não podia deixa-la dormindo no banco do carro. Procurei a chave dela em uma bolsa minúscula que ela estava usando e a encontrei. Peguei-a no colo e subi com ela até o seu apartamento. Eu já havia vindo aqui uma vez, mas nunca tinha entrado em seu quarto. Consegui encontrar, coloquei-a na cama, tirei seus sapatos e a cobri.
Deitei-me do seu lado e fiz cafuné em sua cabeça. Eu não sou de demonstrar, não sou de me apegar, mas estar com ela fazia com que tudo isso mudasse, eu queria falar com ela, queria poder estar com ela, eu queria fazer planos com ela. Tanto meu corpo como minha mente sentiam atrações por ela, não era algo apenas físico, era algo mental também, é como se o destino tivesse nos trazido até aqui, porque precisamos estar juntos, porque éramos um do outro.
Em algum determinado momento eu adormeci.
- Adam? — Acordei assustado. Olhei para o lado meio perdido e vi a Celine. Ela estava ainda mais linda.
- Desculpa, eu te deixei em casa e acabei dormindo aqui.
Me levantei e percebi que já havia amanhecido, olhei no relógio de pulso e eram quase oito da manhã.
- Quer que eu prepare algo para você? — Perguntei.
- Não, obrigada. Aos sábados eu tomo café da manhã na cafeteria Moon Lovers.
- Posso te acompanhar?
- Eu vou tomar um banho, se quiser me esperar.
Fiquei no sofá de sua sala, esperando-a.
- Estou pronta. — Ela estava usando um vestido florido que batia em seu joelho. O cabelo estava preso. Eu ainda estava com a roupa da noite anterior, uma camisa social azul clara, uma calça social azul marinho e sapato social. Bem social.
Desci com ela e formos caminhando até a cafeteria.
- Bom dia, Celine! — Cumprimentou uma senhora bem sorridente.
- Bom dia, Rosa!
- Bom dia! — Ela me analisou. — É seu namorado Celi?
- Não tia.
- Tia? — Eu perguntei.
- É, minha tia por parte de pai. — Ela disse se virando para mim e logo em seguida para a tia. — Ele é meu chefe.
- Hum. E por que vocês estão se encontrando no final de semana?
- Tia, depois a gente conversa sobre isso. Eu estou com fome.
- E você, vai querer o que? — Ela disse me olhando.
- Um café preto e ciabatta de calabresa.
- Ok. Podem ficar a vontade.
Nos sentamos em uma mesa com vista para as montanhas, uma vista incrível.
- Não sabia que você morava perto de algum parente.
- Minha tia é como minha mãe, desde que o meu pai se foi ela sempre me deu apoio.
- Você nunca teve contato com a sua mãe?
- Não, eu nunca a vi e nunca precisei dela.
- Aqui está o seu café e a ciabatta. Tem açúcar e adoçante na mesa. — A tia da Celine disse me olhando. — Precisa de algo mais?
- Não, obrigado. — Eu disse.
- Ok, agora eu vou buscar o seu Celine. — Ela trouxe um café com leite para a Celine e dois croissant de frango.
- Obrigada tia.
Ela se retirou e eu bebi um pouco do meu café.
- Sabia que essa cafeteria era do meu pai e da minha tia? Eu ajudei eles a escolherem o nome. Depois que o meu pai morreu minha tia ficou cuidando da cafeteria. Eu não quis me meter, mas ajudo ela aqui.
- Você nunca pensou em empreender?
- Não sei, eu gosto do trabalho que eu faço, mas antes eu queria trabalhar com relações internacionais, agora eu não sei.
- E por que você nunca seguiu o seu sonho?
- Porque a vida nem sempre é como queremos.
- Eu acho que você deveria arriscar. — Eu disse.
- Você segue todos os seus sonhos?
Pensei na pergunta porque a resposta era não, eu não seguia os meus sonhos, mas eu não falava da minha vida pessoal com ninguém, então era difícil falar sobre isso, ainda havia uma mágoa que eu remoía dos meus pais, por terem me obrigado a fazer algo que eu não queria.
- Não, eu não sigo os meus sonhos. Sabe aqueles filhos que são marionetes dos pais? aqueles que passa nos filmes, que os pais ganham bem e obrigam os filhos a estudarem algo que eles não querem e a trabalhar em algo que eles não gostam? Então, eu fui criado dessa forma.
- Nossa, pela sua personalidade eu achei que você decidia tudo sempre.
- Agora eu tomo as minhas decisões, mas quando eu era mais novo meus pais me manipulavam. Eu fui obrigado a estudar administração, mas eu gostei da área comercial e isso os fez ficarem irritados comigo. Hoje, seu eu pudesse escolher eu faria arquitetura, pois é algo que eu sempre gostei.
- E por que não faz?
- Eu me habituei com o que faço, vivo o mesmo caso que você, eu gosto, mas não é o meu sonho. E é como você disse: A vida não é como queremos. Nesse momento por exemplo, eu queria estar beijando uma mulher incrível, linda, inteligente, alegre e que está bem na minha frente, mas ela está irritada comigo porque eu fui um babaca. — Ela ficou corada e eu sorri. — Eu quero te conhecer melhor. Você aceita sair comigo?
Soltei a pergunta no ar, sabendo que ela poderia me xingar, dizer que não, perguntar se eu estava ficando louco. Mas ela pensou na pergunta e no final ela concordou com a condição de que eu não fugiria do local, achei graça com aquilo.
Eu mal poderia esperar. Eu iria oficialmente levar a Celine para jantar.
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