O segundo dia na casa dos irmãos, foi de muita ressaca e dor de cabeça. Anne acordou zonza e ainda não tinha se acostumado com o colchão macio e o quarto enorme e claro.

Se levantou as duas da tarde, com o rosto inchado e o cabelo embaraçado, sujo e sedoso. Se sentia irritada, com calor e estava toda se coçando. Sentiu o estômago revirar e logo vomitou três vezes. Foi então tomar um banho. Lavou os cabelos e deixou a água percorrer todo seu corpo. Quando saiu, pôs uma blusa colorida regata e um short jeans curto. Estava suando mesmo depois do banho. Se sentia sonolenta e sua cabeça pulsava. Pôs a mão na barriga que estava roncando. Jude, a anfitriã da casa, nesse momento batia em sua porta e abriu uma frestinha. Anne fez sinal para que ela entrasse.

Jude era uma mulher que possuía cerca de cinquenta e três anos. Seu rosto tinha marcas da idade. Algumas pareciam aspas, como as do lado da boca. Em sua testa tinham quatro linhas horizontais, uma em cima da outra. Em baixo dos olhos, começavam a se formar pequenas linhas de cansaço, que desapareciam em meio as suas olheiras, pelas quais se podiam ver que eram fieis a família Lerman há anos. Ela tinha a face amigável, doce e suave. Os olhos eram azuis como o oceano, talvez seja até possível se perder em meio a eles, que eram redondos, com uma leve puxada para o lado e achatadinhos. Seus seios eram redondos, médios e durinhos sobre o sutiã preto que usava por cima do vestido branco, com casaco vermelho escuro por cima. Sua postura era impecável e sua cintura pequena. Não havia nenhuma gordurinha indesejada em sua barriga. Seus glúteos eram pequenos e durinhos também. “ela é um senhora bem-conservada”, pensou Anne. Com um largo sorriso no rosto, Jude deu-lhe um “Bom dia” capaz de animar até um depressivo suicida. Anne sorriu e um pouco sem-graça por estar com uma roupa tão curta em meio aquele frio, devolveu-lhe o bom dia.

—Não está com frio, senhorita Anne?

—Só Anne, por favor. Estou com calor, senhora Jude. É assim mesmo que devo lhe chamar?— Anne levou a mão ao cabelo negro que agora começava a secar.

—Pode ser assim, Anne. Não me importo. Então, vim ver se está bem. Quer que eu peça para que lhe tragam seu café, ou prefere almoçar? — Perguntou Jude, compreensiva.

—Ah, os meninos vão fazer o que? Acordaram que horas?

—Hm, Ben acordou cedo, tomou café e saiu para a cidade. Não voltou até agora, mas telefonou dizendo que logo estará em casa, só pegou engarrafamento. Jack ainda dorme e acredito que daqui a pouco ele acorde.

—Ah, então vou tomar só um cafézinho e esperar Ben chegar. Juro que se eu ver comida, sou capaz de vomitar aqui mesmo. — Jude percebeu que Anne transpirava muito.

—Anne, não acho que seja muito normal transpirar em um dia frio como esse e ainda sentir calor. Quer um remédio?

—Pra ressaca, senhora Jude, por favor.— Respondeu Anne, procurando seu maço de cigarro.


As semanas seguiram normalmente. Anne já estava se acostumando com o lugar, mas estava incomodada pois não se sentia a vontade para fumar e qualquer coisa que fosse comprar, dependia do dinheiro dos irmãos, já que eles fizeram o acordo de que ela não poderia usar os cartões fraudados enquanto estivesse lá e como não tinha nenhuma outra forma de renda, isso tinha que ser feito.
Em um fim de tarde, os três estavam no mercado, fazendo compras e Jack perguntou se ela iria querer alguma coisa. “Quero três caixinhas de Malboro Light”, Anne respondeu e ele falou que ela precisava parar de fumar — pela milionésima vez — e por isso, ele não compraria. A partir daí, ela emburrou a cara, cruzou os braços e ficou quieta durante todo o caminho de volta pra casa. Os irmãos se entreolhavam no Impala 67 durante toda a volta pra casa e a moça só queria se afundar no banco. Olhava para fora da janela, na parte de trás e toda sua vida passava pela sua cabeça. Na mansão, ela entrou no seu quarto e só saiu de noitinha, faltando quinze minutos para onze e meia.


P.O.V. ANNE LÓTUS.


“Não posso mais ficar assim, dependendo deles pra tudo. Preciso fazer alguma coisa pra ganhar o meu dinheiro. Preciso voltar a fazer aquilo. Pra pelo menos comprar o que eu preciso. Eles pensam que só por que eu estou morando aqui, podem me obrigar a fazer o que eu não quero? Rá, estão muito enganados.”
Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça, então decidi o que tinha que ser feito. Tomei banho, me depilei e então, nua, sentei numa cadeira e fiz uma maquiagem pesada. Olhos recheados de rímel, rosto com base por baixo, boca vermelha, blush no rosto e delíneador. Cabelo pranchado, jogado aos ombros. Me levantei, olhando o corpo nu no espelho. Passei um pouco de base na perna e no braço que ainda estavam um pouco roxos e observei meus seios no espelho. Andei de um lado para o outro, como uma modelo desfilaria num concurso de moda e observei o movimentar do quadril enquanto andava. Estava com a barriga durinha, com meus novos quadradinhos devido a academia que tem aqui dentro da mansão dos Lerman e comecei a procurar que roupa poria. Joguei minha coleção de calcinhas inteira na cama até que achei um conjunto bem provocativo e tive que prender o cabelo para pô-lo. Observei no espelho como ele havia ficado e estava bem provocante, quase nua (Anne) Joguei um Sobretudo por cima para cobrir meu corpo até a ida. Pus um salto altíssimo, soltei o cabelo e saí do quarto. Atravessei toda a casa sem encontrar ninguém. Mas no jardim, os dois irmãos estavam lá.

—Vou visitar uma amiga — Disse, apertando o Sobretudo, para que não aparecesse meu corpo. — Volto amanhã.

—Vai visitar uma amiga a essa hora? — Perguntou Jack, levantando uma sobrancelha.

—Ah, já que vai visitar uma amiga, não se incomoda de abrir o Sobretudo — Falou Ben, com o rosto risonho.

Meu corpo estava começando a pulsar de raiva. Tive vontade de estapeá-lo. Fiquei quieta, fazendo força sobre o maxilar.

—Vamos, morena! Abra o Sobretudo. — Gritou jack. Senti meu rosto ficar vermelho de ódio e meu olho se alagou.

—Não. Me. Obrigue. — Respondi, com uma queimação sob meu peito. Estava tentando conter as lágrimas, que brigavam para sair.

Ben se levantou e me encarou, seu corpo maior que o meu. Pude perceber que Jack nos observava. Ben então pôs sua mão na minha e a puxou para baixo. Começou a desabotoar meu Sobretudo e a cada botão removido, uma lágrima caía. “Eu odeio você” eu resmungava baixo diversas vezes. Com meu corpo exposto, minhas lágrimas e os dois encarando minha nudez, Ben se manifestou.

—Você não precisa fazer isso, An. Nós amamos você. Você é nossa irmãzinha. Não faça isso.

—Eu preciso e você não vai e não pode me impedir. — Falei com todas as outras lágrimas rolando. Fechei o Sobretudo e caminhei rápido em direção a boate. Com as pernas meio bambas e com o salto atrapalhando cada passada, passei pelo portão e olhei para os irmãos sentados, se encarando. Sequei as lágrimas e dei graças a Deus pela maquiagem ser a prova d'água. Na boate, tomei dois litros de cerveja para acalmar e comecei a dançar como nunca. Passei todo meu ódio para a barra de strip e os homens estavam enlouquecidos. Eu era a estrela da noite e os cafetões estavam me leiloando para aquela noite. Quando o leilão estava chegando a setecentos, ouvi uma voz famíliar, gritando um valor, mas não percebi quem era, continuei então a dançar.


P.O.V. ANNE LÓTUS OFF

P.O.V. BEN LERMAN.

Quando cheguei numa boate, a procura de Anne, pude ver como ela dançava naquela barra. Estava como uma maníaca por sexo. Rebolava e girava para um lado e para o outro. Quebrava a cintura num movimento como cobra. Usava uma peruca loura. Pude sentir uma pitada de desapontamento e pensei “É por ela mesmo que você está apaixonado, Ben?”. Todos os homens gritavam enlouquecidos a cada peça de roupa que ela tirava e o pior: ela estava adorando. Jack me puxou pelo braço e alertou que a estavam leiloando. “Você precisa entrar nessa, Ben!” ele me disse.

(Anne)

Comecei a disputar com os outros homens para levá-la pra casa. Quando venci, tive que pagar mil e duzentos. Ela se recusava a ir, mas estava bêbada e como estava trabalhando, não tinha escolha. Ela discutiu todo o caminho pra casa e quando eu não estava mais aguentando ouvi-la reclamar, já em casa, a calei com um beijo. Ela de primeira, odiou, mas depois começou outro beijo. “Você está bêbada, não farei isso” disse, mas ela respondeu que não estava e percebi que não estava mesmo.
Ela pulou no meu colo, os beijamos loucamente e fui com ela em direção ao meu quarto. Lá, ela tirou minha blusa e o beijo só esquentava mais. Ela era delicada e fervorosa ao mesmo tempo. Tentei passar a ela todo o meu carinho.

Fizemos amor durante quase a noite toda e depois deitados lado a lado, com meu braço por cima dela, corpos nus, ela me disse essa era a primeira vez em um ano que fazia amor por que queria e não, por dinheiro. "Eu te amo" ela sussurrou em meu ouvido.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.