Contando as estrelas

1 Prólogo - Um novo rumo


Notas iniciais
Primeira fic, espero que gostem...

Um dia frio. Nublado. As nuvens carregavam tristeza e o ar era pesado. Quase como respirar barro.

Em alguma casa germinada que estava prestes a expirar a data do aluguel, uma jovem se olhava no espelho. O rosto inundado de lágrimas. pensamentos que gritavam. Depreciação. Choro.

Um dia frio, uma garota. Seu nome: Anne Lótus. Sua vida pacata. Sem emoção, sempre o mesmo cotidiano.

Anne olhava seu corpo com desprezo, chorava. Via cada maldita curva de seu corpo e se lembrava do motivo de estar aos prantos. "Seu maldito namorado terminou com você. Nem pra segurar um maldito homem você presta. E o que vai ser agora? Olha aquela barriga murcha! Maldita barriga, maldito namorado. Você não o amava mesmo. Sempre soube disso e ele só ficava contigo pelos teus seios. Malditos seios. Maldita eu."

Entre pensamentos assim, Anne resolveu parar de chorar, até porque não tinha razão chorar por quem ela não amava. Ela chorava por ela estar assim. "Sempre a fracassada. Olhe essas olheiras de cansaço! Poderia estar trabalhando em um maldito escritório que pagasse pelo menos três terços a mais desse restaurante cafona e brega que só velho frequenta". Anne estava decepcionada com seu presente e sabia que o futuro não podia continuar assim.

"Você precisa de um café." pensou e então, depois de tomar banho e pôr uma calça jeans e uma blusa quadriculada vermelha, preparou um café e bebeu toda xícara.

"A validade do aluguel expira semana que vem." Anne não estava preocupada com o aluguel, exatamente. Ela estava preocupada com o seguinte: "se eu ficar mais um mês, já era, eu me acomodo. Não. Esse mês não. Preciso sair daqui, curtir a vida. Tenho vinte e quatro anos e se eu não for agora, não irei nunca mais."

A jovem, se lembrou então de uma velha caminhonete que ganhou de seu pai quatro anos atrás. Ela era vermelha e estava suja. Não funcionava direito e então tomou uma decisão. Caminhou até a garagem e procurou suas velhas amadas ferramentas aposentadas há tempo e pegou-as. Deitou-se debaixo do carro e começou.

Três horas depois, com a roupa imunda e com duas garrafas de café vazia, a caminhonete estava pronta. Ali mesmo, tirou a blusa quadriculada e de sutiã, calça e botas, correu até seu armário e procurou suas malas. pegou uma vermelha desbotada e grande, uma verde fluorescente média e uma pequena dos Simpsons. Tirou as roupas do guarda-roupa e separou as que ainda usava. Duas horas após, as malas estavam prontas e presas no carro. Nesse momento, Anne olhou para barriga murcha no espelho e lembrou do tempo que malhava. "Só falta uma coisa", pensou e pôs uma roupa própria para a acadêmia.


No outro dia.

Anne acordou disposta e sorridente. Assim que saltou da cama, às seis e meia, olhou para a janela entreaberta e sorriu ao ver o céu claro e o ar ameno. Correu para tomar banho e viu suas antigas linhas durinhas na barriga. Tomou um banho longo e demorado. Lavou o cabelo e quando saiu do banho, pôs sua calça jeans escura nova e um casaco quadriculado preto de tecido mole sobre uma blusa básica e lisa branca. Fez uma maquiagem simples com um batom vermelho e pensou "há tanto tempo eu não fica bonita assim" e sorriu. Foi quando ouviu a campainha tocar e correu pra atender, no caminho, deu um suspiro pesado e abriu a porta. Seu sorriso era encantador quando abriu-a.

—Bom dia, Stª Lót... Uau!— Disse Jimmy, o proprietário do imóvel que Anne alugava, quando parou de olhar para as cartas que estavam em suas mãos e levantou o olhar para ela.— Está encantadora, Lótus!

—Bom dia Jimmy!— Disse Anne, aos risos.
—Poxa, só de pensar que essa bela moça não vai estar mais aqui me dá um aperto no coração... Ainda não compreendi o motivo de você abandonar essa casa. E o pior: Antes do tempo do aluguel expirar, além de ser as sete da manhã.— Anne sorria e balançava a cabeça em sinal positivo— Já sabe para onde vai?
—Ah, eu descobri que a estrada é meu lugar...—Anne respondeu e olhou para trás, como uma despedida.—Então, eu preciso mesmo ir agora.—Tirou do bolso a chave e entregou à Jimmy.—Adeus.
—Adeus...

Os dois caminharam em silêncio até a garagem e Anne entrou no carro. Olhou as malas presas na parte de trás e sorriu para Jimmy que estava no portão, esperando ela sair. Anne ligou o carro e sem mais despedidas dirigiu até o Coffe&Stuarts e pensou se aquele nome poderia ser mais ridículo.

Algum tempo depois...

—Sim, eu estou pedindo demissão. E.... Ah, me dê um café, por favor.

Anne bebeu seu café enquanto observava a cara de revolta de seu antigo chefe. Observou que entrava uma mulher vendendo artigos de papelaria na loja.

—Ei, quanto custa este diário?— A moça respondeu e então Anne tirou da carteira o quanto a moça havia dito.

Sentada ali, ela escreveu:

Quando as coisas não fizerem mais sentido e nada mais prender você, não tenha medo de trocar o roteiro. Você só descobre novos caminhos quando muda a direção.

Terminando de escrever, ela levantou como quem diz "Ei, eu venci na vida" e dentro de sua caminhonete velha e agora limpa, dirigiu sem direção.