Contando as estrelas

3 A New Feeling.


Notas iniciais
Espero que gostem e POR FAVOR se tem alguém acompanhando, escreva nos comentários se não eu desanimo, poxa! :/

Anne viu que ao lado da cama tinha uma calça e uma blusa de seu tamanho e um chinelo no chão. Foi ler o bilhete que dizia "Querida 'Acabou-Comigo' (realmente queria saber seu nome, mas infelizmente você não me disse), gostaria de agradecer pela MARAVILHOSA noite que tivemos juntas. Você pode se banhar no cômodo dentro do quarto à esquerda e vestir isso, depois vá a cozinha (vire a esquerda, depois direita, depois siga o corredor e estará lá) que o 'café' tá na mesa. No bolso da calça tem uma gorjeta generosa. Eu estava apenas de viagem na casa de meus primos Jack e Ben Lerman, mas como pode perceber, já voltei a Austrália, meu querido país. Então é isso, paguei seu 'salário' na boate e espero não se importar com eles. Tomara que a roupa dê!"

Anne como estava escrito no bilhete, foi tomar banho e ao entrar o banheiro, percebeu como era iluminado e luxuoso. Tinha um espelho grande e delicado aos lados, prateado com toques românticos. Correu a porta que dava ao chuveiro e despida, observou o regulador de temperatura. Era largo e amplo a parte de banhar-se. Anne tomou banho e ao acabar, pegou a macia toalha que era de fibras, como informava a etiqueta. Ao terminar o banho, nua, com o cabelo enrolado na toalha, examinou o corpo no espelho. Cada curva acentuada que tinha, o pescoço, abdômen, seios, largura do quadril e foi aí que sua vista acabou. Pegou então, as roupas e vestiu-as. Seguiu, depois o caminho que o bilhete explicava e pode ouvir um falatório.

Sem hesitar, super-confiante, atravessou a imensa porta e fitou os dois sentados na mesa. Sentiu certo desconforto e pensou se eles não estariam pensando em algo parecido com "Nossa, tem uma prostituta lésbica atravessando nossa cozinha, prestes a sentar na mesa" e resolveu esquecer isso por um momento."

— Pode sentar aqui — Fala Jack, apontando para uma cadeira, em frente a eles.

Anne caminhou até a cadeira e se sentou-se.

— Então seu nome é 'Acabou-Comigo' como estava escrito na carta?— Debochou Jack, com um sorriso sarcástico no canto da boca e então Ben também soltou um risinho.

— E você acha realmente que vou falar o meu nome? — Respondeu Anne, observando as variedades de comidas que tinha naquela mesa. Tinha bolo, café, cookies, diversos sucos, achocolatado, enfim, tudo o que você imaginar e diversos tons de todas as cores.

— Quanto você quer pra falar seu nome?— Perguntou Ben, se mostrando interessadíssimo no asunto.

— Cem dólares, bebê. — respondeu Anne, desdenhando da cara de Ben e Jack, achando obviamente que eles não pagariam.
Ben mexeu a carteira no bolso e a puxou, tirou cento e vinte dólares, e estendeu a mão para Anne. Ela pegou, perplexa.

— Por cento e vinte, deixo você escolher! Qual nome você quer?

— De preferência, o verdadeiro— Se intrometeu Jack que antes observava os dois. Anne estendeu o braço e pegou uma caneca da mesa. Pegou a cafeteira e despejou o café na xícara. Pode sentir aquele maravilhoso aroma de café de boa marca e sorriu. Envergonhou-se pelo sorriso involuntário e pode sentir as bochechas corarem.

—Então, é Anne. Anne Lótus.

—Lótus? Tipo o Cassino Lótus do filme do Percy Jackson? — Debochou Jack, rindo.

(Ben durante risinho)

— Olha aqui, não basta você me dar o dedo do meio, tem que debochar do meu nome?

— Ai! —Gritou Jack, ao receber um chute de Ben por debaixo da mesa.— Vai defender a vadia agora, é?

— Jack! — Repreendeu Ben, achando a atitude do irmão desagradável — Desculpe Anne, ele costuma ser um babaca assim mesmo. Pode comer o que quiser da mesa.

Anne já acostumada com homens desse jeito, permaneceu em silêncio, bebendo seu café. Quando acabou, pegou mais uma xícara e pode perceber a todo momento sendo observada pelos dois, naquela mesa silenciosa.

— Vai fazer o que mais tarde, Anne? — Disse Jack, acabando com o silêncio.
Anne não sabia ao certo o que fazer, pensou em ir ao mercado, ao restaurante, talvez, assistir filmes pela televisão, ler algum livro, comprar cigarros, mas dormir era sua preferência...

— Por acaso você se importa com a vadia agora, é? — Respondeu ao terminar de comer uns biscoitos e beber o café.

— Ah, não leve a mal! — Disse Jack, percebendo o incômodo e a tensão que estava presente naquele cômodo.

— Preciso voltar ao trabalho, pegar meu pagamento. — Falou Anne levantando da cadeira.

— E desde quando se prostituir é trabalho? — Perguntou Jack, rindo, até que recebeu outro chute de Ben. — Ei! Dá pra parar com isso?
Os três estavam em pé, se entre-olhando, até que Anne perguntou aonde era a saída e eles a levaram até lá. Silêncio durante todo caminho até que ela resmungou um "Adeus" e eles retribuíram.

O dia de Anne foi razoável. Ela foi para o quarto que alugou num apartamento barato com o cartão que havia fraudado depois de pegar o pagamento na boate. Chegando lá, dormiu por umas três horas e as quatro da tarde, já havia fumado dezessete cigarros e bebido treze xícaras de café. As oito e meia da noite, pegou o dinheiro que a ruiva deixara pra ela como gorjeta e o pagamento e decidiu ir para um restaurante caro do shopping para aproveitar a noite. Decidiu que essa noite não trabalharia, nem na noite seguinte pois seria seu aniversário. Tomou um banho de ducha fria, pôs calça jeans, blusa branca com um casaco verde por cima, botas de couro, bolsa bege e um colar do Batman, sem maquiagem (Anne.)

Ela foi a pé, para aproveitar a solidão. Anne adorava estar sozinha, se sentia feliz e completa. Adorava o cheiro do cigarro e a sensação de tragá-lo. Adorava andar acompanhada pelas estrelas. Pela rua iluminada por elas e somente por elas. Se sentia desconfortável quando uma família passava perto dela, se sentia como uma caneta estourada, corrompida. Não sabia explicar o que era isso, mas o fato era que ela estava feliz com ela mesma. Ou pelo menos por grande parte. O que ela não sabia é que faltava algo.

No restaurante, sentada do lado de fora, no balcão que tinha música ao-vivo, depois de ter bebido duas garrafas de cerveja sozinha, Anne percebeu um homem se aproximar. Era de pele branca como algodão, cabelos louros e olhos azuis. Chegou dando pinta para ela enquanto ela acendia mais um cigarro. Conversaram por um tempo. Sentiu o cabelo voar com o vento. Uma mecha negra dele caiu sobre seu rosto e pode sentir os dedos macios dele sobre sua face, afastando o seu cabelo para trás da orelha. Ele disse que seu nome era Ed e ela fingiu que o dela era Amélia. Ele pagou três garrafas de cerveja para ela e ela já estava no papo dele, até que sentiu uma mão pesar sobre seu ombro e sorrindo, olhou para trás. Pode então ver Jack.

— Eu não sabia que prostituta se vestia tão bem assim. — Disse Jack com convicção e um olhar provocador. Anne teve a impressão que ele havia dito isso para Ed não para ela.

— Prostituta? Você não me disse isso, Amélia. — Disse Ed, já se levantando.

— Amélia?! Então parece que ela te enganou, meu caro. O seu nome é... — Interveio Jack.

— JACK! — Gritou Anne já em pé, pulsando de raiva. — Pare com isso!

— Me desculpe, mas eu não quero arriscar pegar uma doença. Tô fora! — Esbravejou Ed, já indo embora.
Anne levando o cigarro a boca, deu uma longa tragada e soltou o ar inalado ao lado.

— Satisfeito agora?! — Gritou Anne, mas sua voz se confundia com a música que tocava.

— Você está fedendo a cigarro. — Disse Jack, calmamente.

Anne se sentou, e continuou bebendo e fumando. Ignorou a presença de Jack. Cerca de meia hora depois, quando ela estava pedindo outra garrafa de cerveja, percebeu que alguem havia sentado do seu lado esquerdo. E, oh! Do lado direito também. Quem eram? Sua visão estava afetada, ela estava bêbada.

— Você está bêbada, Anne, pare de beber. Pare de fumar, já é a segunda caixinha de Marlboro que eu vejo você fumar em menos de trinta minutos.
Anne conhecia aquela voz, ela não sabia de quem era, estava bêbada, mas algo lhe dizia que poderia confiar.

— Vamos comigo, eu te levo pra sua casa.

— Eu vou de carro, me deixa. — Anne respondeu, esquecendo-se que não tinha ido de carro.

— Dirigir bêbada? Nada disso! Você vem comigo. Passa a noite lá em casa.
Anne começou a chorar sob efeito do álcool.

— Ei, o que eu fiz?! — perguntou a voz que Anne não lembrava de quem era.

— Amanhã é meu aniversário e eu não tenho ninguém para comemorar. Sou uma vadia sem amigos! — Respondeu a moça, aos prantos.

— Vamos Ben, ela tá bêbada! Deixe ela aí.

— De jeito nenhum, pode acontecer alguma coisa! — Disse o outro rapaz. "Ah, são os irmãos", se lembrou Anne.

Quando Ben conseguiu pegá-la no colo para ir em bora, Jack já havia pagado sua conta. Foi quando o garçom estendeu-lhes a bolsa dela que eles estavam esquecendo. Anne estava bêbada no colo de Ben e foi colocada na parte de trás do banco do carro deles.

— Se essa prostituta vomitar no meu Impala! — Disse Jack.

— Eu NÃO SOU PROSTITUTA, eu quero ser respeitada! Eu faço isso para não morrer de fome, seu filho da puta! — Se exaltou Anne, gaguejando um pouco e meio tonta.

— Pega leve, Jack! Não vê que ela não gosta disso?! — Defendeu-a Ben.

— Desculpe...

Na casa dos irmãos...

— Cara, ela precisa de um banho. Está fedendo a cigarro e cerveja! — Disse Jack.

— Ela não está em condições de tomar banho sozinha, vamos deitá-la e amanhã ela toma um banho. — Protestou Ben

— Ela vai passar mal com seu próprio cheiro e ainda mais, vai se sentir constrangida. — Falou Jack

—Você tem razão... E aí, o que fazemos? — Perguntou Ben, com ela ainda no colo, quase dormindo.

—Bom, dê um banho nela... Se eu for, eu vou ficar, você sabe...— Falou Jack

— Excitado?! Eu não acredito! Ela está vulnerável, Jack! — Protestou Ben.

— Ah, é que, você sabe... ela é garota de programa e pensar nisso, a faz parecer menos humana e mais usável. — Jack estava nervoso enquanto dizia e enquanto as falas saiam de sua boca, pode perceber o quanto desumanas eram.

— Não é por que eu observo estrelas que sou um astrólogo. Pare de pensar nela como uma prostituta e comece a pensar nela como uma garota que teve seu futuro corrompido, Jack. Pense nela como ser-humano e não pela "profissão" que ela exerce. Ela merece tanto respeito quanto eu e quanto você, ou você acha que gosta do que faz? Isso não é uma profissão, Jack, e eu tenho certeza que ela não gosta disso. Agora prepare a banheira para ela e procure em sua bolsa, o hotel que está hospedada para pegar alguma roupa limpa para ela usar amanhã.

(Ben enquanto falava)

Jack fez o que Ben pediu e quando deitaram-na na cama para despi-la, Jack percebeu que seu braço estava roxo e grande parte da perna também. Os irmãos se entre-olharam, fingiram que não sabiam o que significava aquilo, mas sabiam sim. Com Anne despida e zonza, puseram-na na banheira e a afogaram por cerca de quinze segundos e quando ela começou a se debater e tentar gritar, a soltaram. Ela se levantou em um pulo, ficando em sentada e agora menos bêbada. Esbravejou alguma coisa e olhou os dois. "O que houve?" perguntou e eles entregaram-na uma toalha. Já seca, enrolada na toalha e sem entender o que estava acontecendo, entregaram-na a calcinha que estava usando antes e um blusão vermelho quadriculado. Encaminharam-na a um quarto e ela foi logo deitando e dormiu.
No outro dia...

Anne acordou sem saber onde estava e com uma roupa que não recordava ter comprado, além do que o tamanho era maior que o seu. Estava com uma dor de cabeça e saiu daquele quarto para saber onde estava. Começou a andar por aquela casa imensa e depois de uns três minutos andando, se deparou com Ben.

— Parabéns, Anne! — E então aquele homem grande estava a abraçando. Pode sentir a respiração dele sobre seus cabelos negros e lisos. Passou a mão por trás dele e apertou-o também. Logo depois o abraço foi desabrochando e ela sorriu.

— Parabéns, pequena! — Disse Jack, a puxando para seu abraço. "Ele nem é tão alto assim", Anne pensou e logo estavam abraçados. Ele acariciava com o polegar suas costas doloridas sobre o tecido da blusa. — Me desculpe por algumas coisas.

— Estávamos pensando e queríamos saber se você quer passar seu aniversário aqui. — Perguntou Ben para Anne.

—Cla-cla-ro — Gaguejou Anne. mas enfim topou