Contando Pro Papai
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Porque Sterek é vida! ♥ hahahaha
Eu nunca consegui realmente imaginar como seria quando papai soubesse de Derek e eu. Na melhor das possibilidades, na minha fértil imaginação, eu contaria tudo para o xerife, ele olharia para mim, daria dois tapinhas no meu ombro e diria: “Eu estou feliz que você esteja feliz, filho”.
Eu sabia muito bem que na realidade não seria assim. Porque não havia como ele estar feliz com o seu filho contando que estava namorando com outro cara. “É, pai, eu sou gay.” Muito menos com o fato do cara em questão ser oito anos mais velho, o que faz dele maior de idade. Sr. Stilinski com certeza repetiria a palavra “pedófilo” muitas vezes. Pior do que ser um cara maior de idade é o fato do cara em questão já ter sido acusado de assassinato, e ainda ser pessoa de interesse da polícia.
Sendo o meu pai o xerife da cidade, entende o porquê de eu não conseguir visualizar um bom final?
Não tinha como eu falar sobre o assunto com Derek também. Quer dizer, querer contar pro meu pai seria admitir que as coisas estavam sérias e que eu gostava dele de verdade. Duas coisas que eu não queria que Derek soubesse, porque por mais que fosse óbvio que nós dois gostássemos um do outro e que as coisas estavam caminhando para algum lugar, não ia ser eu quem ia dizer em voz alta.
Pedir para ele conhecer o meu pai como meu “namorado” seria pedir ele em namoro. Isso implicava que eu estava apaixonado. Nem Derek, nem eu, somos bons com relacionamentos, então imagine só...
De qualquer maneira, nada do que eu poderia ter imaginado foi pior do que a realidade. E olha que eu imaginei muita coisa ruim. Imaginei que contava para o meu pai e ele tinha um ataque do coração. Imaginei que um dos colegas dele descobria e ele ia correndo atirar em Derek (e o lobisomem filho-da-mãe em questão se curava bem na frente dele. Mas a parte dos tiros ainda é pior do que a explicação. Quer dizer, Derek terminaria comigo, não?). Imaginei que Scott abria a boca grande dele e papai nunca mais me deixava sair de casa sem supervisão.
Mas nada me preparou para aquilo.
Era uma noite de um dia qualquer da semana. Eu havia tido um teste de química, treinado lacrosse, saído com o Scott um pouco para que ele choramingasse sobre a Allison, e passado o resto do tempo no computador pesquisando coisas. Você sabia que a atual rainha da Inglaterra é a segunda “Elizabeth” que passa pelo trono?
As oito e pouca, Derek entrou no meu quarto. O de sempre: reclamar da estupidez do bando, dizer como o Scott consegue ser tão Scott etc. As coisas tinham começado a ficar interessantes quando eu fechei o notebook e andei até ele.
-Meu dia foi um porre. – digo. – Sabe o que não cairia bem? Falar sobre o Scott. Sabe o que cairia bem? Não falar, na verdade. – e eu o beijo, porque eu posso. Morra de inveja.
Derek sorri contra os meus lábios, mas começa a tirar a jaqueta e joga ela em algum canto escuro do meu quarto.
-Você? Em silêncio? Isso nunca dura muito tempo... – Derek provoca e volta a me beijar. Nossas mãos começam a agir. Uma das mãos dele está no meu cabelo, a outra levantando a blusa. Eu o empurro e tento subir a camiseta branca dele.
Agora ele está apenas com os jeans, e a minha mão está num local completamente diferente, se é que você me entende. Derek está com os olhos fechados e eu começo a beijar o pescoço dele.
-Ah, você sabe muito bem que eu sei ficar calado quando tenho a boca ocupada. – sinto meu rosto esquentando. Sou o único adolescente no mundo que não consegue falar algo sujo sem corar como uma menininha.
-O que você disse? – uma terceira voz que faz com que eu me vire e encare meu pai. Derek tem a mesma reação que eu, abrindo os olhos e encarando o rosto do xerife da cidade.
Noto o olhar do meu pai e tiro a mão de dentro das calças de Derek. Sim, meu pai presenciou minhas mãos interagindo com...
Oh, Deus. Eu vou para o inferno.
-Oi, pai! – digo. O que mais há para se dizer? – Chegou cedo do trabalho, né?
Meu pai me encara com a boca escancarada, as rugas do rosto fazendo com que ele parecesse um monstro marinho, sem falar nas veias da testa pulsando mais do que o normal. Já Derek está sem camisa com os braços cruzados analisando o material do carpete com extrema atenção. Eu fico passando a mão pelo meu cabelo, uma ora olhando para Derek e pensando em como ele deve me odiar agora, outra olhando para o meu pai e pensando em como ele deve me odiar agora.
Maravilhosamente constrangedor. Não aconselho a ninguém.
-Stiles. – meu pai estava quase suplicando. Ele coloca uma mão na arma. Oh, shit! – Você quer me explicar que porra é essa?
-Hmm... Querer, não quero não. – isso faz com que meu pai fique mais vermelho ainda. O coração dele não vai guentar. Segura. – Mas, uma vez que meu amado pai pediu com tanta educação, eu explico. Eu e Derek estávamos apenas nos divertindo. Adolescentes, você sabe como é.
O que foi uma péssima escolha de palavras, é claro. Ele tira a mão da arma e cruza os braços também.
-Não vejo nenhum adolescente nesse quarto, Stiles! – o tom é duro e ele está falando bem alto. Berrando, pra falar a verdade. – Vejo uma criança e um marmanjo que devia estar procurando alguém do seu próprio tamanho!
Várias respostas espertinhas passam pela minha cabeça, sobre como devia ser difícil achar alguém do tamanho dele, que na verdade eu era bem grande apesar de não parecer, que... Como você pode notar, nada que eu pudesse dizer a meu pai.
Derek ouvia tudo calado. Muito obrigado, aliás.
-E diversão? – meu pai continua. – É essa diversão que você tem com Scott?
-Não! Ew, que nojo, pai! – sai sem permissão. Claro. Scott tinha que deixar as coisas piores. – Scott é meu melhor amigo.
O xerife ergue as sobrancelhas lá no alto. Parece que vários dados estão sendo processados lentamente na mente dele.
-E Derek Hale é o que seu? Se me lembro bem, você disse que mal o conhecia um tempo atrás. – agora ele parece estar contando até dez. O que eu super apoio. Quero que meu pai viva mais e tenha muitas outros momentos comigo como esse.
Bom. Não como esse.
-Derek e eu estamos em um relacionamento. – eu digo pausadamente. Derek levanta os olhos para mim como se começasse a gostar do rumo das coisas. Bastardo. Ele quer me ouvir dizer, não quer? – Nós gostamos bastante um do outro e estamos namorando, pelo amor de Deus. Não é crime, é?
-Pedofilia é crime, Stiles!
Drama, drama, drama.
Eu só queria um pouco de Der, depois dormir. Sem complicações. Será que é demais pedir por um simples momento Sterek gostoso?
-Não é pedofilia, pai! Eu já tenho dezesseis e são só oito anos! A diferença de idade entre você e mamãe era de dez! – eu bufo. – E não é como se ele estivesse me obrigando a nada! E, sim, você acusou ele de assassinato, mas ele não tinha nada a ver com o crime! Se quiser levar ele pra interrogatório, pode levar! Acuse ele de qualquer coisa, ele vai continuar sendo inocente!
No sendo jurídico da palavra, é claro. Em outros, inocente passava longe. (Eu estava me divertindo bastante, falando nisso.)
-Você, — meu pai se vira para Derek – quais as suas intenções com o meu filho?
Oh, Deus. Isso fica pior.
Derek levanta o olhar até estar olhando meu pai nos olhos, algo realmente complicado de se fazer naquele momento.
-Eu realmente gosto do seu filho. – Derek diz e eu sinto uma incrível e súbita felicidade. Sim, sou gay, viva com isso. – E não quero atrapalhá-lo, feri-lo ou magoá-lo em hipótese alguma. Nós vamos ficar juntos e ver para onde as coisas vão. Então... Diria que as minhas intenções são as melhores.
Meu pai sacode a cabeça e não tenho ideia do que se passa na cabeça dele. Eu pensava em como essa súbita demonstração de sentimentos havia deixado Derek ainda mais sexy, mas tenho quase certeza que não era isso que meu pai estava pensando.
-Você pelo menos ficou com alguma garota antes? – meu pai suplica.
Obrigado, pai, por jogar na cara minha falta de experiência sexual na frente do Derek. Muito obrigado mesmo.
-Claro. O problema não são as garotas. Eu gosto de garotas. O problema é que... – e a minha voz morre.
Como dizer: o problema é que eu meio que me apaixonei por esse brutamontes aqui?
Mas eu não preciso terminar. Meu pai reconhece a expressão no meu rosto e acena, agora em aceitação.
-Vou para o meu quarto. Eu até diria para você ir embora, mas como a boca do meu filho aparentemente já esteve ocupada com algo muito pior do que piadas ruins, vou simplesmente dormir. – e ele sai.
Eu consigo respirar de fato novamente.
-Por que diabos você não avisou que ele estava chegando, cara? Você perdeu os sentidos de lobisomem ou o que? – resmungo para Derek. Ele revira os olhos, claramente não querendo me dar a resposta. Espera... – Você fez isso de propósito? Cara, você...
-Claro que não. – Derek chacoalha a cabeça e se joga na minha cama. Ele fica lá sentando, com a boca retorcida em uma carranca. – Eu só... Eu me distraí, ok?
Eu quase engasgo com o ar.
-Você se distraiu? A sua distração causou a morte do respeito do meu pai por mim! – gesticulo como um maluco.
Porque eu estou maluco mesmo, pelo amor de Deus!
-Não foi tão ruim assim, caramba! – isso me faz questionar o conceito de Derek sobre “coisas ruins”. — Você estava me tocando e me beijando e meus sentidos estavam embriagados. Eu não poderia dizer se uma manada de elefantes estava correndo para cá! – ele grita e eu sorrio.
Claro que o meu sorriso irrita Derek. Claro que eu continuo sorrindo.
-Quer dizer que eu te embriaguei? – pergunto e começo a me mover para a cama. – Posso fazer isso de novo?
Derek rola os olhos. Quase posso ouvir ele me chamando de criança mentalmente.
-Antes... Acho que você merecia um prêmio. – ele diz como quem não quer nada e a raiva parece ter desaparecido. Agora está com a expressão “estou tramando algo” – Foi bonita a forma como você enfrentou o seu pai e defendeu a sua paixão... Seu namorado devia te dar alguma coisa. De verdade.
Eu rio, porque é engraçado. E porque ele acabou de falar em namoro. Éramos, de fato, algo agora.
-Ah, é? – digo incrédulo, porque não há como entender o que se passa na mente complicada e travessa de Derek Hale. – O que meu namorado deveria me dar para recompensar meu ato de heroísmo?
-Digamos que – Derek diz e começa a descer o zíper da minha calça. – será a minha vez de ter a boca ocupada. O que você acha?
Eu sorrio. Eu coro. Eu me jogo na cama e me preparo para as duas coisas que eu queria. Dormir profundamente e um pouco de Der, em um belíssimo Sterek sex.
Não nessa ordem, é claro.
Notas finais
Por mim, bom, me diverti bastante escrevendo! hahaha
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