Contando Pesadelos
1 Vermelho cor de sangue
Notas iniciais
Ela entrou no pub como sempre fazia algumas vezes ao mês, como de habitual usava sua comprida capa de veludo vinho, se sentou ao balcão e retirou o capuz revelando um belo e jovem rosto. Tinha lábios finos e vermelhos, pele clara e longos e sedosos cabelos castanhos. Pediu um drink, deu uma volta pelo bar e sentou-se perto de um homem. Conversaram um pouco, beberam e saíram.
Eles desceram o vale, rindo bastante, até chegarem em uma caverna. Ela acendeu algumas velas de modo a tornar o local aconchegante e quente, havia uma esteira de palha com um cobertor estendida no chão e isso era tudo que estava visível. Ela despiu a capa, usava um curto vestido vermelho com sua saia franzida, o homem quase babava diante de tal beleza. Ele foi empurrado e caiu de costas na esteira. Ela se ajoelhou por cima dele, uma perna de cada lado do corpo, de forma que o imobilizava, o segurou pelos pulsos e passou a língua em seu rosto.
Liberou o pulso direito e, de um canto sombrio, pegou um machado recém amolado. Assim que o viu o homem assumiu uma expressão de susto e pavor mas, antes que pudesse gritar um dedo fino e delicado foi posto em seus lábios. Ela passou o machado rasgando as roupas dele e deixando seu peito nu, então começou a fazer-lhe pequenos cortes e arranhões a partindo das mãos. Ela apreciava o cheiro de sangue que já se propagava enquanto sorria para ele, por fim chegou perto do coração, que batia aceleradamente. Foi rápido e certeiro, um suspiro , pupilas dilatadas e um machado cravado.
Ela se levantou e retirou o machado, buscou um tipo de cuia feita de madeira e um jarro de barro. Virou o corpo de lado e posicionou a cuia de modo que o sangue escorresse para dentro dela, pegou novamente o machado se ajoelhou e fez um corte profundo na altura do estômago, com um lenço branco limpou a lamina. Cuidadosamente fez o ritual de escolher e retirar órgãos e coloca-los no jarro, quando terminou a cuia já estava cheia, pegou uma garrafa de vidro a encheu com o sangue e a fechou com uma rolha. Ela saiu da caverna e se livrou do corpo, quando voltou encheu uma taça com o líquido vermelho recém engarrafado e se banqueteou com as tripas.Era um vício desde que era uma garotinha, depois de ter experimentado uma vez não conseguiu parar.
Essa se tornou a vida dela, a conhecida "Chapeuzinho Vermelho". Ela carregava uma sensação horrível de que precisava se vingar do lobo que a atormentou profundamente em sua infância. Para preencher essa sensação ela matava homens pervertidos e em noites de lua cheia saia à floresta para caçar lobos. Ninguém nunca a acusou de alguma coisa, claro, até hoje ninguém nunca achou os corpos.
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