Notas iniciais
Bom, faz tempo que eu não escrevo. Tenho que confessar que estou nervosa, e ao mesmo tempo feliz de estar embarcando nessa com meu maninho sz. Então, é. Feliz Primeiro Capítulo da Bela para vocês. Espero que gostem. :3

Ela olhou pela janela, os olhinhos tristes faiscando na luz emitida pelo Sol em sua quentura calma. As lágrimas teimavam em não cair e embaçar-lhe a visão, tornando o mundo um borrão confuso, mas que em sua confusão, fazia mais sentido que a pseudo-sanidade de alguns.

— Nana? — A menina gemeu, e a babá entrou no quarto doce num átimo. As paredes, recobertas com papéis coloridos e pinturas, tremeluziam à luz. As cortinas balançavam, e a menina desencarrapitou-se da janela, escalando impacientemente o colo da moça de cabelos presos e uniforme.

— Liz? — A moça retrucou no mesmo tom que a garota.

— Nana, por que todo mundo vai embora?

— Ué, Lizzy. Eles vão... Porque tem de ir! Por que a pergunta? — A moça sentou-se com a menina no colo. Arrumava seus cabelos loiríssimos numa complicada trança enquanto ela voltava a se queixar.

— Porque meus amigos foram todos embora. E eu não tenho com quem brincar. A Nina tá fazendo aula de natação. A Lola tá viajando com a mamãe dela. A Meg mudou pra longe ontem mesmo. E a Cris não pode brincar na rua comigo. — A menina enumerava pausadamente nos dedinhos gordinhos.

— Eu posso brincar com você se quiser, meu amor.

— Mas eu não quero. Eu quero um amigo, Nana, que nunca vá embora. E você vai, não é? Eu ouvi a mamãe dizendo que você vai embora. — A babá se calou. A trança estava terminada, então ela deitou a garotinha na cama e beijou-lhe a testa.

— Liz, por que você não dorme um pouco? Aí, quando você acordar, suas amigas vão estar aqui.

— É. Pode ser. — Ela dormiu, e assim, entregou-se aos doces sonhos de uma criança de 6 anos.

A questão é que os anos se passaram, mas a pequena — ou já nem tão pequena assim — Liz nunca encontrou alguém que estivesse sempre ali. Sempre era uma amiga que se cansava dela. Ou ela se cansava da amiga. Ou os dois juntos. Ou então, a amiga se mudava para longe, bem longe. Ou ela mesma se mudava. Ou então, o namoradinho dizia que não gostava mais dela. Ou ela dizia que não gostava mais do namoradinho.

E assim, ela chegou aos seus 12 anos. Abandonando e sendo abandonada, mas mesmo assim, acreditando naquela força rude e dolorosa, mas ao mesmo tempo tão significativamente maravilhosa que era o amor. E chegando à tenra idade das paixonites, ela se apaixonou pela primeira vez em muitas.

— Promete que nunca vai embora? — Ela perguntou, uma vez mais, ao garoto. A brisa balançou os cabelos dos dois, e ela sorriu em sua semi-timidez.

— Sim — Ele respondeu, segurando-lhe a mão, como Romeu e Julieta um dia fizeram. E nesse momento, ela sentiu que, mais uma vez, estava sendo iludida. Mas afinal, é esse o espírito do amor. É amar sem ser amado e deixar-se ser ferido, mesmo que a dor seja insuportável. Porque, durante algum tempo, a alegria do amor também é infindável em seu infinito. E a magia do amor consiste em encontrar a renovação do sentimento a partir das feridas, mesmo naquelas que teimam em não cicatrizar.

E Liz, mesmo com sua pouca idade, entendera isso. E por acreditar na magia reconciliadora e eterna do amor, ela fechou os olhos e beijou o garoto. Por saber que o amor consiste na decepção e na dor, ela deixou-se ser machucada, aquela, e tantas vezes mais.

Aliás, é esse o segredo do amor. O amor fere mais do que muitas guerras. Mas não há ser humano que consegue abster-se da mais prazerosa dor do mundo.

"O ser humano tem o condão de escolher o pior para ele"

E vos digo, senhores : É por isso que nós amamos.

Notas finais
Gostaram? Querem me matar? Autógrafos? Bombas? Reviews!