Construindo Pontes
4 Fatum
Notas iniciais
O destino é uma questão de escolha.
Já era chegada a hora do jantar, e eu estava bastante nervosa, mesmo já tendo feito minha escolha (ainda assim meu destino era incerto), sabia que se não controlasse minhas emoções falharia em minha missão de comunicar a todos a respeito do que decidi, pois ninguém entenderia uma série de palavras malditas e gaguejadas. Só de pensar nesta possibilidade, conseguia ficar pior, já até podia me imaginar com o rosto mais vermelho que um sharingan ou pior, desmaiando enquanto todos sorriam as minhas custas, zombando de minha fraqueza, não eu não deixaria que isto ocorresse, eu seria forte, tinha que honrar meu sobrenome, e bem, eu tentei. Chequei minha roupa pela 15ª vez, só por precaução, e abri a porta do quarto, aí me lembrei que ainda estava de pantufas, tive de entrar no quarto e calçar os saltos (assassinos de pés) que estavam ao lado da cama, saí do quarto novamente, dessa vez dando de cara com Hanabi.
Hanabi: Eu já ia bater a porta Nee-sama.
Hinata: Então pêra um pouquinho.
Voltei para dentro do quarto e fechei a porta esperando ela bater. Assim que ouço duas leves batidas na porta seguidas por uma leve risada de minha irmã eu saio.
Hinata: Quem é ? – pergunto delicadamente
Hanabi: Como és baka, Nee-sama – ela diz sorrindo- E então, ansiosa?
Hinata: Quer a verdade, ou a resposta que papai me faria responder?
Hanabi: Hmm.. acho que a verdade seria bem legal sabe?!- respondeu-me com um sorriso de canto.
Hinata: Não, nem um pouco. Porque eu estaria ansiosa para dar um pé na bunda em alguém sendo que eu levei um do Naruto, ou até mesmo aceitar me casar com alguém que não amo. – falei sem um pingo de emoção, nada apenas o puro tédio.
Hanabi: Poxa, que pena, ia ser divertido liderar o clã – comentou sorrindo, eu sabia que ela já não queria liderar o clã
Hinata: Melhor deixarmos de blá blá blá e irmos até a sala de janta, tipo.. agora! – falei para ela entender que estávamos atrasadas.
Hanabi: Hina, qual opção você escolheu?
Hinata: Você já vai saber.
Assim seguimos até a sala em silêncio, com Hanabi emburrada por querer saber antes de todos, e assim que chegamos no nosso destino ela desfez seu rosto emburrado e colocou sua máscara, aquela que eu a muito tempo não uso , aquela que te faz parecer perfeita, aos olhos dos Hyuuga, pois era uma máscara de frieza, invencibilidade, uma máscara tão perfeita que nunca abandonava seus rostos, ou talvez somente Hanabi e eu usamos máscaras, eles eram realmente assim. Todos os anciões do clã e a casa principal estavam lá, e convidados muito especiais, Uchiha Sasuke, Uzumaki Naruto (hokage) e Uzumaki Haruno Sakura. Todos olhavam de Sasuke a mim, de modo a ser desconfortável, e toda aquela atenção estava me deixando bastante desconfortável, já não sabia se iria conseguir completar a minha missão. Sasuke mantinha sua habitual postura séria, mas havia algo diferente em seu olhar que não consegui identificar o que seria aquelas emoções tão perfeitamente encobertas, ele trajava roupas sociais ocidentais e seu cabelo permanecia com os fios rebeldes arrebitados, mas parecia-me que ele nem mesmo havia tentado deixar-los uniformes, bem parecido com o Naruto. Todos no recinto, assim como Sasuke trajavam roupas sociais (alguns poucos de origem ocidental, mas a maioria de origem oriental). Hiashi — san , vulgo papai, tinha o semblante um tanto sério, o que se passava em sua mente para mim era um completo mistério, mas acho que apesar de como todo o bom Hyuuga ocultar o nervosismo ou hesitação, era um dessas emoções que ele sentia no momento. Ele não poderia se sentir indiferente a situação atual, poderia? E deu-se início ao jantar mais desconfortável de minha existência, até o momento. Quase todos na mesa debatiam assuntos de clãs ou sobre Konoha, quase todos, eu permaneci calada durante todo o jantar, criando coragem ou ao menos tentando criá-la. E eu não era a única, Sasuke — san e Hiashi — san também permaneciam calados, por motivos parecidos, creio eu. Ao fim do jantar não me restava escapatória, teria de completar a minha tarefa hoje ou então desmaiar e passar por tudo isso outra vez em outra noite, talvez até mais agonizante. E foi esse pensamento que me forneceu forças para enfrentar o que já era inevitável, assim que me levantei não necessitei de pedir a atenção de ninguém pois todos os olhares já se dirigiam a mim, e o silencio se espalhou pelo recinto esperando que eu o quebrasse com minhas frases, ainda que inaudíveis ou então entrecortadas, mas depois de levantar tive que começar meu discurso.
— Olá, sinto muito mas não poderei ser tão direta ao ponto como gostaria, pois terei de explicar o porque de minha escolha.
Todos permaneciam calados, mas algum assentiram diante de minhas poucas palavras, que saíram de meus lábios perfeitamente, em alto e bom som, mas sem gritar, com pausas perfeitas, e sem gaguejar em nenhum momento.
— Sasuke-san é uma pessoa peculiar, viveu anos de dor e amargura em sua vida e conhece o sofrimento mais do que qualquer um creio que seria um ótimo líder para o seu clã sem precisar de meu apoio. Ele ainda criança perdeu todo o seu clã, para o bem de Konoha, e mesmo assim nos protege, nos ajudou quando estávamos em guerra, mesmo que antes ele quisesse a vingança contra nossa vila. Matou o seu irmão pois foi essa a sua ordem antes de partir do clã e então se tornar um Nukenin e membro da Akatsuki. Ele caiu nas mais profundas trevas para fazer de Sasuke o que ele é hoje, um dos heróis de Konoha.Toda a história dele é repleta de tragédias, mas estas tragédias fizeram dele um homem forte, que luta pelos seus ideais, e protege aqueles que ama com a sua própria vida se necessário. Eu sou apenas a platéia que observa atentamente os meus companheiros realizarem seus sonhos como ninjas e vejo que com o passar dos anos meu único sonho assim era mostrar para meu clã que não era fraca, que poderia muito bem liderar o clã apesar de nunca ter desejado liderar clã algum. Era apenas orgulho, pouco mas ainda sim era orgulho. Eu vi meu primo morrer em minha frente por culpa de minha fraqueza, por isso passei a treinar o triplo do que antes treinava e sei que hoje posso lutar pelos meus ideais sem que ninguém se sacrifique por mim, então hoje, eu Hyuuga Hinata pelo bem da minha vila, aceito casar-me com Uchiha Sasuke. Visando a criação de um novo kekenguencai, mais forte e poderoso para a proteção de Konohagakure.
Ao fim de meu discurso, todos me aplaudiram. Sasuke que antes possuía um brilho no olhos ônix e um sorriso de canto enquanto falava de sua história, em meu ponto de referência, ao fim de minhas palavras ambos , o brilho no olhar e o sorriso, se foram. Já tinha acabado por hoje e não tinha necessidade de permanecer no lugar, então me retirei. Mas no meio do caminho até meus aposentos, fui interrompido por Meu pai, acompanhado por Sasuke-san. Eu até falaria algo se ele não se apressasse em começar o que me parecia que ia ser um longo discurso.
Hiashi: Hinata, a partir de hoje já és noiva de Uchiha Sasuke, e sei que quando mais novos mesmo sendo da mesma turma na academia nunca tiveram nenhum contato, nem mesmo poucas palavras trocadas, por este motivo decidi que passaram um tempo juntos no Clã Uchiha para se conhecerem melhor. Não desejo que você seja infeliz, é melhor casar com um amigo a um desconhecido como foi com sua mãe. Hinata?
Hinata: Sim?
Hiashi: Você está de acordo?
Hinata: Tenho alguma escolha?
Hiashi: Creio que não minha filha.
Hinata: Então já tens a vossa resposta.
Hiashi: Hinata, não pense que estou indiferente ao seu casamento, sinceramente queria que você decidisse ser líder do Clã Hyuuga. Mas os membros do conselho exigiram que te casasse com o Uchiha mas eu lutei por te dar uma escolha. E como você escolheu se casar mesmo que o conselho em peso seja contra darei a vocês dois tempo para se conhecerem, e ainda que vocês não se gostem , sei que encontraram um jeito de conviverem.
Eu já estava com lágrimas escorrendo pela minha face, descontroladamente. Não consegui falar nada ou emitir qualquer som, então fiz o que a anos não fazia: abracei o meu pai. Quem estava ali não era simplesmente Hyuuga Hiashi, o líder do temido clã Hyuuga, quem estava ali era o meu pai, aquele que cuidava de mim como podia.
Ainda que todas as circunstâncias apontassem o contrário, eu seria feliz, ou ao menos tentaria ser. Não foi meu pai ou o concelho mas sim eu que escolhi este caminho, e agora teria de aprender a trilhá-lo .
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