Constellation
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Erza reequipou-se para sua armadura habitual assim que derrotou o último vulcan. Natsu, Lucy e Happy haviam saído para uma missão juntos; após muita insistência de Juvia, Gray havia concordado em ir a uma missão com ela, mas levara Wendy junto para evitar que a maga de água o atacasse. Por fim, Erza foi a única do time Natsu que restou, então resolveu ir á uma missão solo. Derrotar uns vulcans numa floresta de uma vila que estavam assustando as pessoas. Coisa simples. Suspirou e encarou o céu noturno, pontilhado de milhares de estrelas. Apesar de fácil, a missão havia sido cansativa, afinal a vila era distante de Magnólia e agora teria que encarar mais quatro horas de viagem.
"Bom, quanto mais cedo eu for, mais cedo chegarei." E com esse pensamento, a ruiva pôs-se a caminhar para fora da floresta. Apesar de ser noite, não estava tão escuro assim, já que o brilho intenso da lua adentrava por entre as folhas das árvores e iluminava parcialmente o local. Erza andava calmamente, desviando de troncos e pedras no chão. Era possível ouvir somente o som dos grilos em sua cantoria habitual e dos pés da maga esmagando as folhagens. Porém, de repente, outro som se fez presente. CRACK. Em algum lugar bem próximo, um galho se quebrou. A ruiva pensou que poderia ser um animal qualquer, mas o som fora alto, então independente se fosse animal ou humano, era grande. E talvez perigoso.
Invocou sua espada.
— Quem está aí? — perguntou alto, a fim de descobrir quem ou o que a vigiava. Algumas árvores estavam mergulhadas nas sombras, portanto ela não via o observador. — Apareça!
Um barulho de passos surgiu á sua esquerda e ela se virou naquela direção, em posição de ataque. Da escuridão, saiu calmamente uma figura encapuzada. Pronta pra reequipar-se, Erza perguntou com uma voz imponente:
— Quem é você?
A pessoa se aproximou da luz e abaixou o capuz.
— Jellal? — ela arregalou os olhos, um tanto surpresa ao reencontrar o mago.
— Não vou te atacar. — ele diz, brincando, olhando a espada dela que ainda apontava na direção dele.
Erza abaixou-a e a fez desaparecer.
— O que faz nessa floresta?
— Ultear e Meredy vieram resolver algumas coisas nessa vila. Visitar alguém, não sei. Ouvi alguns barulhos aqui e resolvi ver o que era. — Jellal sentou-se escorado em uma árvore e fez um sinal para que ela o acompanhasse. Um pouco corada, a ruiva sentou ao lado dele.
— Provavelmente era eu. Vim fazer uma missão solo, derrotar alguns vulcans.
— Ah.
Eles mergulharam num silêncio um tanto constragedor. Não havia muito o que falar. Cada um focado em seus próprios pensamentos. Mal sabiam que um pensava no outro.
— Eu gosto daquela constelação. — o azulado quebrou o silêncio, encarando o céu.
— Hm? — perguntou Erza, despertando do transe.
— Aquela constelação. — ele apontou, mostrando-a e Erza olhou. — A Ursa Maior. É minha favorita.
— Já ouvi Lucy falar sobre ela. As estrelas são realmente muito bonitas.
Ela admirava os astros, um tanto hipnotizada. Na Torre do Paraíso, não tinha chances de vê-los, já que durante o dia era forçada a trabalhar e á noite ficava aprisionada. Ela, Jellal e mais centenas de pessoas. Virou-se para o mago e se surpreendeu ao ver que ele já a encarava. Haviam passado por tanta coisa! Haviam dividido sorrisos, lágrimas, medos e tantos, tantos sentimentos... Erza o amava! O amava e sofria muito por não poderem ficar juntos. Por quê? Por quê a vida era tão cruel? Seus olhos já estavam marejados.
Jellal parecia pensar a mesma coisa pois havia dor em seu olhar. Mas também havia carinho, ternura, amor! O mesmo olhar que ele direcionava a ela quando eram crianças. Ele segurou-lhe o queixo delicadamente e com a outra mão, enxugou as lágrimas que ameaçavam cair.
— Não chore. — susurrou — Você já derramou lágrimas o suficiente por toda sua vida. Além do mais, uma garota tão bonita não devia chorar.
Erza arregalou os olhos e antes que pudesse dizer algo, ele a beijou. A surpresa no rosto da maga de Kansou aumentou ainda mais, porém ela logo retribuiu o beijo. Era algo que desejava a muito tempo. Os lábios dele moviam-se calmamente nos seus em um beijo profundo e apaixonado. Ela segurou a nuca dele enquanto ele ainda segurava-lhe o rosto entre as mãos. O coração da ruiva batia descontroladamente quase perfurando seu peito.
O cheiro de Jellal, o calor da pele dele, a simples presença dele tão perto da sua a deixava inebriada. Como ela era apaixonada por aquele homem!
Ele conseguia tirar sua armadura invisível, quebrar sua resitência e deixá-la totalmente vulnerável, entregue a ele. Junto a Jellal, ela não era a poderosa Titânia. Era apenas Erza. Uma garota frágil, apaixonada e com o passado sofrido. Ele conseguia alcançar até o fundo de seu ser e encontrar essa garota.
Se separaram e o azulado colou sua testa na dela, a encarando intensamente.
— Eu te amo, Erza. Não importa o que aconteça ou se estaremos distantes. Eu sempre te amarei. E nada nem ninguém vai mudar isso.
Erza quase pôs-se a chorar novamente depois daquela declaração, mas se controlou. Nunca se sentira tão feliz em sua vida. Aquela frase adentrou em seu coração e jamais iria sair.
— Eu também te amo e sempre te amarei, Jellal.
Eles sorriram um para o outro, felizes de finalmente exporem seus sentimentos e de estarem juntos. Pelo menos naquele momento, sentiam-se completos.
Naquela noite, eles adormeceram ali mesmo, entre beijos e palavras de carinho. Com o amanhecer, veio a despedida.
Apesar disso, até hoje eles ainda olham para aquela constelação sorrindo e se lembram daquele momento mágico e das palavras que sempre ficariam em seus corações. E apesar de estarem agora tão distantes, eles sabiam que o amor deles permaneceria para sempre, e que o fato de se amarem já era o suficiente para fazê-los felizes.
Agora eram sábios o suficiente para entenderem isso.
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