Constelações palpáveis
1 Único
Notas iniciais
Era encantador plantar a semente do amor pela leitura. Era a primeira vez que eu fazia aquilo, durante todos aqueles anos que morava com minha mãe sempre escutava ela ler para as crianças do orfanato em que vivi durante seis anos. Agora, dez anos depois, eu, de férias de Hogwarts, fazia a leitura.
O livro já estava gasto pelo tempo, mas ainda era mágico e continuava a ser meu preferido, mesmo já tendo quase dezessete anos. Minha mãe, a autora do livro, estava radiante me observando de canto de olho, estava ajudando na arrumação de uma nova sala de leitura. A sala de leitura que ela havia construído junto a meu pai no orfanato.
― Este livro que vou contar a história é muito importante para mim, mudou minha vida, quero que conheçam:
“Ela amava olhar as estrelas, deitava-se na grama em dias que as nuvens não encobriam o brilho delas, esticava seus dedos.
As tocava em imaginação...”
Seus olhos brilhantes e seus sorrisos, me acompanhavam enquanto eu virava as páginas da história, uma a uma. Ficavam maravilhados com as imagens que se mexiam nas gravuras, no brilho resplandecente das estrelas no céu.
“Sua mãe lhe contou que as estrelas são esferas de plasma que irradiam calor. Sabia que esfera era uma bola. Logo imaginou uma bola de fogo flutuante.
Seu pai lhe disse que as estrelas eram o desenho do brilho de seu sorriso. Ela se perguntou se dava para traçar desenhos no céu.
Descobriu as constelações, agora não queria só tocar as estrelas, mas sim constelações inteiras. Decorou o caminho de duas delas...”
Enquanto contava a história que mudou o rumo da minha vida. Lembrei de tudo o que aconteceu naqueles dez anos.
A primeira coisa que vi quando cheguei na minha casa foi o teto estrelado pintado por meu tio e padrinho Hugo. Era a constelação de onde se originou meu nome, brilhando em cima de minha cabeça, ora pontos de luz, ora virando um leão de verdade.
“A constelação escorpião lhe sorria em dias nublados, lhe mostrava caminhos novos a seguir, estava sempre lhe dando a mão.
A constelação leão se mostrou forte, poderosa, indestrutível. Sentiu que se a tivesse consigo conseguiria ser forte também...”
Minha mãe queria que eu fosse feliz e me apresentou a minha família. Meu avô Rony me fazia rir o tempo todo, vivia se gabando que tinha seu retrato nos sapos de chocolate e me perguntava como eu me sentia em ter um avô extremamente famoso. Minha avó Hermione me ensinou a ler, me apresentou a história de Peter Pan, que era seu livro preferido junto a minha mãe, e me fez entender a importância de me alimentar adequadamente seis dias por semana. Meu padrinho Hugo me mostrou tantas coisas dos trouxas, eu adorava o visitar, ver seus desenhos ganharem vida, ele me ensinou a jogar videogame e a tocar violão. Minha avó Astoria era a divertida da família de meu pai, sempre me fazia rir quando meu avô Draco dizia para não correr pela mansão para não quebrar as inúmeras relíquias que ele insistia em polir minuto a minuto. Ela tocava violino toda semana que íamos jantar lá, sua música entrava em mim, me fazia respirar, os olhos do meu avô brilhavam a admirando.
“Tentou alcança-las. Usou de uma corda para laçar. Subiu no telhado e ficou na ponta dos pés. Pegou uma escada e chegou ao último degrau. Nada que tentava tinha resultado.
Desistiu de alcança-las, era impossível. Sentou-se chateada e reparou na luz que elas irradiavam. Iluminava sua pele, a tocavam a sua maneira...”
De tempos em tempos nossa família foi crescendo, ao mesmo tempo que alguns membros não estavam mais presentes. Meu bisavô Arthur faleceu uma semana antes de minha bisavó Molly. No mesmo mês que minha irmã nasceu. Foi um momento de tristeza, ao mesmo tempo sabendo que os dois continuavam juntos onde quer que estivessem.
Lyra, minha irmã, nasceu a noite. Brilhava como seu nome. Quando minha mãe me apresentou ela, eu tinha dez anos, me disse que agora ela era uma flor em meio a três constelações.
“Já lhe pertenciam. Sem que soubesse ou se desse conta, estavam em si. Assim que a luz lhe tocou, percebeu que já estavam dentro de seu coração, intrincadas eternamente.”
No fim da leitura todos aplaudiram, indiquei com a mão a dona da história e todos correram para abraça-la. Ficaram encantados em saber que uma escritora os visitava no orfanato.
Enquanto via minha mãe dar autógrafos e receber abraços, pensava no quanto eu era sortudo, por ter uma rosa que me regava todos os dias, que me fez crescer com amor.
Acho que nunca vou poder a agradecer apropriadamente, por ter salvo minha vida com sua leitura, por não ter desistido de mim quando os empecilhos para me adotar surgiram. Por meu pai me receber por amor a minha mãe.
Se eu era uma constelação brilhante e resplandecente, minha mãe, Rose Weasley Malfoy, era minha flor que me alimentou de amor. Me fez viver em perfeita eutimia. Talvez um dia eu escrevesse a história de minha vida pra ela, lhe contasse como uma rosa, igual a várias outras rosas, reparou em uma constelação esquecida na imensidão do céu. Que com seu amor a fez brilhar e se tornar forte e poderosa. Um amor intrincado em si que se multiplicou e me fez entender o que era uma família e um lar.
Fale com o autor