Conspiração Divina - Versão I
8 Explicações.
Notas iniciais
Dedico ele para a minha irmã, Luilene, que me azucrinou a tarde toda para eu postá-lo logo hahah *O*
E também para a Natháli, pela recomendação linda ♥ amei princesa *-*
Nos vemos nas notas finais, boa leitura ;)
Depois que Evan me deixou completamente sozinha no campo, eu não fazia ideia do que fazer a seguir. Parte de mim queria ficar naquele campo, aonde acabara de acontecer o melhor beijo da minha vida, mas a outra parte me puxava de volta à realidade e me fazia lembrar que eu teria que voltar ao prédio do colégio e explicar para Daniel, que provavelmente já tinha notado meu sumiço, o motivo da minha demora.
Enquanto caminhava de volta para a porta, repassei minha resposta mentalmente. Diria para ele que fui chamada na direção para acertar os últimos detalhes, mas que agora estava tudo certo. Coisa que ele provavelmente não engoliria, mas que me daria mais tempo para pensar.
Era inverno em Rockford, e o sol que cobria a cidade não era quente o bastante para afastar os arrepios que eu sentia embaixo de minha blusa de lã. Eu sabia que não era o frio que estava me fazendo ficar arrepiada, mas esse era o único motivo que eu poderia pensar para me confortar. Só de pensar que o motivo era Evan, um arrepio corria em minha espinha. Era errado. Estava tudo errado.
Eu sabia que estava cometendo um erro à partir do segundo em que comecei a pensar nele e sabia que era um erro maior ainda ir para qualquer lugar com ele. Eu pensava em Amber, pensava no que ela faria e o que ela acharia daquilo tudo. É claro que ela não me perdoaria, mesmo estando morta, aquilo era um desrespeito à memória dela.
Afastei meus pensamentos e abri à porta, passando por ela em seguida. O corredor estava vazio, à segunda aula provavelmente já devia ter começado e eu não poderia correr o risco de ser vista fora da sala de aula. Então me lembrei, que algumas salas, não teriam aula e que possivelmente os alunos estariam no pátio, e foi para lá que eu me dirigi.
Uma má ideia, eu sei e descobri isso da pior forma, quando senti a mão de Daniel em meu ombro.
Eu estava muito enrascada!
- Onde você estava? Porque não está na aula?
Daniel despejou suas perguntas para cima de mim, assim que me virei para encará-lo. Engoli em seco, repassei minha resposta programada em minha cabeça e sorri nervosa antes de responder.
- Fui até a diretoria. — Pausei. — Acertar umas coisas. Então a segunda aula começou e a secretária me disse para esperar pelo intervalo aqui, no pátio. — Mais um sorriso.
Daniel olhou profundamente em meus olhos, e respirou fundo antes de responder.
- Acabo de perceber que você e Amber são iguais. — Engoli seco, esperando por sua próxima frase, que veio em seguida. — Não sabem mentir.
- Eu estava na diretoria, Daniel! — Me exaltei, tentando me esforçar para manter à calma e não xingá-lo por estar se metendo tanto na minha vida. — Quer ir até lá perguntar?
Não, não, não.
- Não vai ser necessário. — Respondeu. Suspirei aliviada. Cedo demais. — Steve disse que viu você saindo com Evan.
- Steve - Comecei friamente. — Deve estar vendo coisas.
- Ele sabe o que viu, Melanie! — Suas mãos se fecharam em punho. — Ele viu você e Evan, conversando como melhores amigos no campo.
Meu corpo se enrijeceu, eu sabia o que viria à seguir. Se Steve nos viu no campo, ele também viu...
- Ele viu quando Evan te agarrou!
- Evan não me agarrou! — Defendi. Minha voz saiu o mais alto que eu planejava, então dei um jeito de abaixar o tom sem sair da defensiva. — Ele não me agarrou. — Pensei que Daniel tinha se contentado com a minha resposta, mas seus olhos azuis ainda estavam grudados nos meus. Ele queria mais. Ele sabia que tinha mais. — Ele em beijou. — Murmurei, virando meu rosto para a direção oposta à que Daniel estava, meu rosto ardendo de vergonha, aquilo não estava nos meus planos.
Quando voltei meu rosto para Daniel, ele não estava mais lá. Procurei por ele com meus olhos, virando meu corpo por 360 graus, quando finalmente o encontrei subindo as escadas, andando em passos largos e rápidos, para dentro da escola.
Eu não estava gostando disso. Não estava gostando nada disso.
Corri em sua direção, mas mesmo andando, ele tinha uma ligeira vantagem sobre mim. Apressei meu passo quando ele virou o corredor à alguns metros à minha frente. Eu não sabia para onde ele estava indo, não me lembrava muito sobre os caminhos dessa escola. Só pude notar para onde estávamos indo, quando virei o corredor à esquerda e vi a porta da saída de emergência.
Apesar do nome aquela porta não servia para nada, era antiga e mais ninguém à utilizava, ela dava para os fundos antigos da escola, que agora eram usados pelos burladores de aulas e para os drogados, para fugir da vista dos supervisores. Evan provavelmente estaria lá, esperando pelo intervalo.
Evan...
Meu coração falhou uma batida e minhas mãos suaram frio, agora eu sabia para onde estávamos indo. Daniel iria buscar explicações sobre o ocorrido com Evan. E com buscar explicações eu queria dizer de uma forma nada educada e agradável.
Abri a porta de emergência e dei de cara com as costas de Daniel, á sua frente Evan fumava um cigarro, encostado em um cano de ferro que servia de apoio para deficientes. Seus olhos me notaram antes mesmo que Daniel o fizesse. Pelo visto, Daniel ainda não tinha começado a falar nada, o clima estava muito calmo, se ele tivesse dito algo, eles provavelmente estariam se esmurrando pelos cantos.
A expressão de Evan demostrava que ele sabia o motivo de Daniel estar ali, mas parecia não ligar. Estava mais passivo do que nunca. Tragando seu cigarro e soltando a fumaça devagar, enquanto esperava o que meu primo tinha à dizer. Daniel, que ainda não tinha me notado atrás dele, começou a falar. Sua voz alta e grave, ele estava prestes a explodir.
- O que você fez com a Melanie?
Evan deu de ombros, ignorando a raiva na voz de Daniel. Sua voz saiu completamente irônica, mas ainda assim com o mesmo efeito que me causava.
- Nada que ela não quisesse.
- Eu avisei para ficar longe dela!
- Eu fique. — Murmurou, jogando o cigarro no chão e pisando sobre ele com sua bota de couro em seguida. — Ela quem veio me procurar. — Seus olhos subiram até os meus e ele fez um movimento com a cabeça, indicando para Daniel que eu estava logo atrás dele.
Daniel se virou, metade de seu corpo direcionado à mim e a outra metade à Evan.
- Você foi atrás dele? — Pude sentir um leve toque de nojo em sua voz.
Assenti, ignorando esse sentimento, e completei.
- Queria me desculpar.
- Pelo quê? — Daniel gritou, jogando os braços para o alto. — Ele quem tinha que se desculpar pelo que causou à nossa família! — Apontou o dedo indicador para Evan, que permanecia calmo, encostado casualmente como se nada estivesse acontecendo, e em seguida se virou novamente para mim.
- Pare de gritar, tudo bem? — Elevei minha voz. — Fui injusta com Evan, e o procurei para me desculpar. Apenas isso.
- E não podia fazer isso quando eu estivesse por perto? Ou suas amigas? Tinha que ir para um campo vazio com ele?
- Você não me deixaria falar com ele. — Comecei. — E eu não tenho amigas. — Suspirei, tentando me aproximar, dando um passo para a frente à fim de tocar sua mão. Daniel recuou, puxando sua mão para perto do corpo. — Foi só isso, eu me desculpei, apenas isso.
- Além de ele tê-la beijado, não é?
Seu corpo se virou para Evan, que ficou ereto, como se esperasse pelo soco que veio à seguir. Ele não revidou, pelo contrário, pude ver um sorriso, coberto de sangue, surgir em seus lábios. Daniel o levantou pelo colarinho, antes que eu tivesse chance de falar algo.
- Pode me socar. — Murmurou Evan, sua voz falhava em alguns tons. — Mas isso não vai fazer de você mais macho.
Mais um soco, seguido de uma ameaça.
- Eu acho que você se esqueceu da última vez, não é? Mas eu não me canso, posso te arrebentar diversas vezes que ainda estarei pronto para outra.
Ignorei o duplo sentido de suas palavras, quando Daniel levantou o braço, o posicionando, pronto para outro soco. Deixei que minha boca se abrisse e as palavras simplesmente jorrassem dela.
- Eu quis o beijar. — Sussurrei.
Daniel abaixou seu punho lentamente, seu rosto se virou para mim, enquanto sua outra mão se matinha firme prendendo Evan à parede. Seus olhos me encaram confusos, esperando por alguma mentira em minha voz. Mas não havia.
- Eu quis o beijar. — Repeti. — Eu deixei ele me beijar, Evan não me forçou à nada. — Minha voz saiu emotiva, eu estava sentindo aquele leve formigamento no estomago, que foi nomeado de paixão, há tão pouco tempo. Mas dentro de mim, bem no fundo, parecia uma eternidade. Senti meus olhos arderem e encarei os olhos escuros de Evan antes de completar. — E o beijaria de novo.
Eu não estava raciocinando direito, aonde estava minha razão naquele momento? Eu estava apaixonada por um cara que eu mal conhecia, um cara que eu tinha visto pouco mais que duas vezes e que ainda por cima era acusado de assassinar minha irmã? Mas eu estava. Estava apaixonada, como se todo aquele amor existisse há décadas, adormecido dentro de mim. Como se fosse um amor de outras vidas, e que agora eu estava sentindo novamente.
Era irracional e até confuso, não fazia o mínimo sentido, mas eu estava completamente apaixonada. Não conseguia negar mais. Nem para mim e nem para os outros. Não importa se me julgassem por isso, não importa se isso fosse errado.
Afinal, tudo na minha vida foi errado, apesar de ter parecido certo. Talvez, só talvez, dessa vez o errado fosse o verdadeiro certo.
Notas finais
Alguns segredos ainda, mas vão se revelando aos poucos! Atenção nos detalhes hein! Eles são essenciais ;)
Bom é só! Me digam o que acharam ;D
Beeeijos ;*
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