Notas iniciais
Capitulo novo, pois é *u*

Eu seria idiota se não dissesse o quanto estava feliz por ouvir as palavras de Evan. A segurança que ele era capaz de me passar com um simples gesto, era única. Não conseguia, simplesmente, pensar que tudo aquilo era bobagem, sua confiança me contagiava, me fazia acreditar que eu realmente estava segura quando estava á seu lado.

Seus dedos acariciaram meu rosto, e ele se ergueu um pouco para poder encostar seus lábios nos meus. A explosão de sentimentos era coisa rotineira, só de ter aquele contato com ele, eu sentia que nada poderia me alcançar, como se houvesse um circulo protetor em volta de dele.

Afastei meus lábios dos dele lentamente, sem quebrar nosso contato visual, apenas para lhe perguntar mais uma coisa. Uma coisa que pipocava em minha cabeça desde o dia em que a ouvi.

- Aquele dia, na sua casa, você me falou de uma sensação. — Murmurei, fixando meus olhos nos seus e procurando neles a coragem necessária para falar. — Aquela sensação, de que nos conhecemos há anos. — Acariciei seu rosto e me atrevi a deixar um sorriso brotar em meus lábios, numa forma boba de aliviar os ânimos. — Eu sinto isso, agora.

- Você está começando a lembrar, não está?

Ao contrário do que eu esperava, seu sorriso foi triste, como se estivesse machucado, com medo. Eu não sabia como reagir à ele, mas sabia que teria que lidar com qualquer coisa que viesse dali para frente.

- Isso não é bom?

- Claro que é, querida. — Suspirou. — Só não pensei que seria tão rápido.

- Você não me parece contente, Evan. — Balbuciei, começando a me sentir assustada com o assunto, como se alguma coisa dentro de mim se debatesse. — O que te assusta?

- Tudo. — Ele se levantou depressa, e eu repeti seu movimentando, tentando encará-lo enquanto ele se movia depressa na minha frente, inquieto. — Tudo bem, acho que está na hora.

- Na hora do quê?

Evan parou de caminhar e me segurou pelos ombros, seus olhos negros grudados nos meus eram sombrios, como sempre, mas continham um cintilar diferente que eu não sabia nomear.

- Quero que olhe nos meus olhos. — Antes que eu pudesse pensar em algo para responder, senti a escuridão contida neles, começar a me sugar, como se o que quer que fosse que existisse ali dentro fosse importante demais para que eu fugisse. — Já ouviu dizer que os olhos são o espelho da alma? Muito bem, pense no que quer saber. — Sua voz continha um leve tom de doçura, mas a seriedade ainda não a tinha deixado. — Deixe que venha, fique concentrada.

- Estou com medo...

E estava. Estava apavorada! Não sabia ao certo o que estava acontecendo, as palavras de Evan pareciam loucura, mas dentro de mim eu sabia que não eram. Sabia o que tinha que fazer.

- Não fique, Mel. — Uma de suas mãos subiu em direção a minha bochecha novamente, relaxando meus músculos aos poucos. — Será só uma lembrança, ninguém vai poder te machucar, tudo bem?

Fiz que sim com a cabeça e tentei fazer o que Evan havia dito. Me concentrei na imensidão negra que estava tão próxima de mim, e segundos depois aquela sensação aumentou. Meu corpo permanecia ali, mas minha alma parecia estar muito além daquele plano.

O campo da escola estava seco, provavelmente era outono, mas eu não sabia dizer ao certo. Era noite, uma noite quente, muitas pessoas se divertiam por ali, o som alto da música no ginásio soava pela rua toda e eu poderia jurar que qualquer um, há quilômetros, era capaz de ouvi-la.

Não pude admirar o lugar por muito tempo. Ouvi passos e em seguida vozes, de pelo menos duas pessoas. Só pude reconhecer uma delas, tinha certeza que era a voz de Amber. Por mais que soubesse que aquilo era só uma lembrança de Evan, não pude evitar o nervoso que me invadiu, e parti em direção à um carro estacionado próximo a calçada, o usando como proteção, para que apenas eu enxergasse.

Minhas mãos suavam, minha mente gritava para mim que aquele era o dia em que minha irmã fora assassinada. Alguma coisa dentro de mim sabia disso. Aquela era uma lembrança do Evan, não de outra pessoa. Então, se ele não era o assassino de Amber como tinha acesso aquelas coisas?

Não pude concluir o pensamento, um grito ecoou pelo campo, ultrapassando o som alto da música black que insistia em continuar tocando. Congelei e em seguida corri, contornei o carro e me dirigi até a árvore, fechando meus olhos quando estava chegando perto. Sabia o que ia encontrar, mas não me atrevia a olhar. Evan chegaria logo, ele quem tinha encontrado Amber, ele a tiraria dali e ai então eu poderia olhar para ela.

Esperei em silêncio, de costas para a árvore, sentindo lágrimas quentes molharem meu rosto. Estava tão arrependida de ter pensado naquilo quando Evan mandou que eu me concentrasse. Mas não pude impedir, simplesmente aconteceu. Não queria esperar mais, me concentrei espantando todos os sons e pensamentos que me alcançavam, queria voltar para casa.

E então, sem que eu se quer notasse, num piscar de olhos eu estava no teatro. Estava em prantos enquanto Evan me abraçava e sussurrava palavras doces na tentativa de me acalmar.

- Quem estava lá aquela noite, Evan?

Minha voz saiu mais rouca e chorosa do que eu imaginei que sairia, mas naquele momento eu não me importava, tinha descoberto pouca coisa e talvez, se fosse menos medrosa, se tivesse permanecido teria descoberto mais coisas e até mesmo quem a matou.

- Não sei querida, eu não sei. — Seus dedos faziam movimentos circulares em meu cabelo e o tom de sua voz era incrivelmente passivo. — Você não devia ter ido até lá, Melanie.

- Eu sei. — Choraminguei. — Não quero mais fazer isso.

Me senti uma criança que tinha se machucado em um brinquedo. Uma criança assustada, era isso o que eu me sentia. Estava fugindo agora, depois de esperar tanto tempo para obter respostas, isso era covarde da minha parte. Mas a covardia era a única coisa que me confortava agora, se eu não tinha gostado do pouco que tinha visto, provavelmente ficaria louca quando soubesse a história toda.

- Você não precisa fazer. — Concordou. — Vamos esquecer isso, tudo bem? Finja que nunca aconteceu, deixe que eu cuido desse assunto, não precisa esquentar mais a cabeça.

- Estamos falando da Amber, Evan. — Rebati. — Não posso desistir dela.

Ele suspirou, assentindo com a cabeça em silêncio.

Sabíamos que aquilo não tinha terminado. Eu sabia que tentaria novamente obter respostas, fosse da forma que fosse e talvez, da próxima vez, eu esteja mais preparada.

Notas finais
Podem me matar. Animei vocês á toa heuheueh Mas então, pensei bastante e ainda não é a hora certa. Mas logo, logo chega ;)
Aproveitando a deixa, quem vocês acham que é o assassino da Amber e porque? hm hm ;)
Fiquem bem!
Beeeijos ;*