Notas iniciais
Meninas, mudança de planos hahah'
Esse é o penúltimo capítulo. Era para ser o último e depois só o epílogo, mas pensei em dividir o próximo em dois.
Espero que não se importem 3

Charlote parecia mais espantada do que eu. Seus olhos azuis se tornaram desesperados e ficaram grudados nos de Evan boa parte do tempo, como se procurasse algum sinal de quê aquilo era apenas uma brincadeira. Eu, ao contrário, não conseguia nem olhar para ele.

- Alguma pergunta Charlote? — Nunca tinha ouvido a voz de Evan tão sarcástica. Claro que era normal ele se irônico vez ou outra, mas nunca com aquela ponta de seriedade e isso me deixava sem saber o que esperar. Charlote negou com a cabeça e se levantou levemente, sem desgrudar seus olhos de nós. — Então vá, me avise quando se encontrar com Daniel.

Quando Charlote deixou a sala o silêncio deu lugar a sua presença. Eu tinha milhares de perguntas para despejar para cima de Evan, mas não tinha ideia por qual delas começar. Talvez pela "você está ficando louco, não está?", mas loucura era uma coisa comum em Evan e sua resposta provavelmente não me traria nenhum impacto. Dessa forma, optei por olhar para de rabo de olho, tentando controlar minha boca e não disser coisas idiotas.

Ele sentiu meu olhar pesando sobre si e o devolveu da mesma forma, porém, um sorriso brincava no canto de seus lábios, enfurecendo até minha parte que tentava continuar sã. Abri meus lábios e os fechei, antes de ter certeza de que deveria dizer qualquer coisa.

- Você está louco, não está? — E bingo, fiz a pergunta que eu mesma considerava a mais idiota. Entretanto, era racional, Evan me parecia mais louco do antes.

Ele riu. Uma risada leve como se estivesse realmente achando graça do que eu disse. Revirei os olhos, esperando impaciente por sua resposta.

- Não estou ficando louco. Estou sendo prático.

- Claro. — Rebati. — Me usando como isca. Se isso não é mais chamado de loucura me informe o novo nome.

- Ironia não combina com você, Mel. — Mais uma risada e então se levantando, me estendendo a mão em um convite mudo. — Não se preocupe, vai dar tudo certo.

- Me diga quais são seus planos então. — Respondi, ignorando sua mão que clamava pela minha. — Não vou me levantar até saber deles.

Evan revirou os olhos.

- Você é muito mal acostumada. — E então um suspiro. — Perguntas?

Ignorei o sarcasmo em sua voz e me preparei psicologicamente para saber a verdade.

- Por que quer encontrar Daniel?

- Pensei que isso era obvio. — Disse. Um riso ácido escapou de sua garganta, mas ele permaneceu ereto na minha frente como se aquilo jamais tivesse acontecido. — Vou matá-lo.

Tudo bem, vamos lá, mantenha a calma.

Suspirei, buscando o máximo de ar presente em meus pulmões e encarei Evan novamente.

- Matá-lo? — Ele assentiu. — E eu terei que presenciar? — E de novo. — Por quê?

- Por que ele só iria á meu encontro se souber que você estará comigo. — Explicou. — Daniel é esperto, sabe que irei levar você apenas para atraí-lo. Assim como eu sei, que ele terá uma carta na manga.

- Não gosto disso. — Murmurei. — Como saberemos o que ele planeja fazer?

- Daniel é transparente, Mel. Se Charlote manter o bico fechado, ele não saberá que estaremos lá para matá-lo.

- Estaremos? Quem?

- Você e eu.

Não pude impedir a risada que escapou de minha garganta. Realmente ele estava se superando! Murmurei algo que nem eu pude entender e me levantei da cadeira, querendo dar o fora dali o mais rápido possível.

- Você está delirando. — Sussurrei mas para mim do que para ele, enquanto atravessávamos o corredor, agora vazio, com certa pressa. — Odeio você.

- Não odeia nada, só está irritada. — Rebateu ele tentando acompanhar meus passos pesados. — Posso te fazer esquecer isso.

Ok, malicia agora. Aquele realmente era um jogo sujo. Como Evan conseguia pensar em algo mais, quando estávamos prestes a encontrar Daniel e provavelmente, nos ferrarmos?

- Vou fingir que não ouvi o que você disse. — Respondi virando meu corpo para trás e quase batendo o rosto em seu peito. Me afastei alguns passos. Ergui meus olhos antes de continuar. — Não estou com cabeça para nada, é informação demais para um dia só. Pare de olhar assim para mim!

- Olhar como? — Evan riu. Seus olhos passaram dos meus olhos para o meu corpo, queimando em cada parte e quase fazendo com que eu mandasse meu lado racional pro lixo e o empurrasse para alguma sala escura.

- Desse jeito! Como se estivesse me comendo com os olhos!

- Gostei do trocadilho. — Sua voz não perdia o tom de gracinha, ele realmente estava adorando tudo aqui. Porém, uma parte de mim me dizia que ele estava tão desesperado quando eu, sem saber realmente o que aconteceria no encontro.

Por isso, não o impedi quando ele se aproximou mais de mim, roçando seus lábios na pele de meu pescoço, mas sem colar nossos corpos. Eu estava sentindo sua falta, há tempos não nos beijávamos ou nos agarrávamos em algum canto. Por mais que eu entendesse, que tudo isso era por conta do clima tenso que nos rondava na última semana, não podia deixar de sentir falta do contato de sua pele na minha.

- Acho que esse não é o lugar certo para isso, Evan. — Sussurrei, me amaldiçoando mentalmente quando ele afastou seu rosto do meu.

- Tem razão. — Revirei os olhos o fazendo rir. — Acho que devemos fazer como antes e invadir alguma sala.

- Nunca invadimos uma sala. — Ri sendo acompanhada por ele, enquanto me puxava para um canto.

Sua voz só soou em reposta quando entramos em um cômodo escuro, que no lugar da porta tinha um tipo de cortina. Talvez já tivesse sido um lugar aonde as pessoas se trocavam antes de entrar no palco, algum tipo de camarim.

- Agora invadimos. — Sussurrou, enquanto caminhava me empurrando até a parede. — Devemos fazer isso mais vezes.

- Você é um mal elemento, sabe disso não é?

- Sou muitas coisas, Melanie.

Fechei meus olhos esperando que seus lábios encontrassem os meus, enquanto me lembrava de já tê-lo ouvido falar aquilo antes.

Quando seus lábios macios encontraram os meus todos os problemas foram embora, sem deixar nenhum vestígio como se jamais tivessem existido. Evan tinha esse efeito sobre mim, simplesmente acalmava minha mente e me fazia sentir como se estivesse em um outro universo. Suas mãos quentes entraram em contato com a base de minhas costas frias, fazendo um arrepio correr em meu corpo. Era tudo tão único que eu não sabia nem como reagir à tudo aquilo.

Agarrei meus dedos em seus cabelos o puxando para mim, usando minha outra mão para tentar memorizar cada centímetro do seu corpo. Eu estava desesperada, meu peito se apertava a cada segundo, porque eu não sabia o que esperar de Daniel. Mas o conhecia bem o suficiente para saber que ele faria de tudo para tirar Evan de mim e depois de tanto tempo, pensar naquilo tinha se tornado pior do que pensar na minha própria morte.

Afastei meus lábios dos dele brevemente e encarei seus olhos negros com a pequena ajuda da brecha de luz que entrava pela janela lateral. Meu rosto refletiu dentro daquelas grandes esferas escuras e um sorriso brotou em meus lábios.

Evan me devolveu o sorriso, com se tivesse lido a minha mente e soubesse exatamente o que eu estava pensando e sentindo. Seus lábios se aproximaram dos meus novamente e eu fechei os olhos esperando o contato. Pude sentir os olhos de Evan queimando em meu rosto e suas palavras sussurradas antes de me beijar novamente.

- Amo você, Mel. Nunca se esqueça disso.