Consolo de boca fechada
2 Melhor amiga desde "sempre"
Notas iniciais
Melhor amiga desde "sempre"
✖
Nunca pensei que fosse realmente acontecer. Éramos melhores amigas desde sempre. Do nada, ela simplesmente foi se afastando.
Provavelmente ela não fazia ideia de como aquilo machucava. E quando eu perguntei o que estava acontecendo, dizia que não sabia do que eu estava falando e ficava furiosa.
Deixei passar. Aos poucos, eu sentia que ela estava mais pra lá do que pra cá.
Fiz amizade com outros. Mas nada estava me deixando segura. Olhava sempre de canto. Via ela rindo, se divertindo com pessoas que eu não conhecia muito bem.
Antes, ela fazia ligações com mais de uma hora de duração para a minha casa, já que eu não possuía celular. E eu? Sempre reclamando, já que odiava falar no telefone.
Agora? Nunca mais me ligou.
Ela não imagina, mas faz muita falta, essa melhor amiga.
Até minha mãe reparou o que estava acontecendo.
“Você não conversa mais com ela, não?”
“Por que ela não liga mais?”
Realmente, eu nunca fazia ligações pra ela. Tinha motivo: Por que não falar pessoalmente?
Quando liguei, ela falou normalmente comigo. Como se fôssemos melhores amigas novamente.
Me animei.
Fui para a aula no dia seguinte toda sorridente, pensando o quanto eu estava sendo infantil.
Ela podia passar o tempo com quem quisesse, o tempo que quisesse. Nunca deixaria de ser minha melhor amiga.
Nossas brigas? Das mais infantis. Porém, quando não eram infantis, nós duas pedíamos desculpas, sem ligar para quem estava correto.
Eu corri atrás. Uma amizade que durou tanto tempo não acabaria assim.
Até os segredos mais podres eram compartilhados.
“Eu não sabia que você era uma pessoa tão ciumenta” – foi o que ela me falou com uma careta feia.
Na hora, pensei que ela brigaria comigo, xingaria... mas ela somente me deu um abraço e riu feito uma ovelha.
Até hoje, eu penso que ela fala mais com os outros do que comigo. Mas acho que é normal, já que é o jeito dela.
Eu amo a minha melhor amiga. Não a deixarei escapar tão fácil.
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