Consolo de boca fechada
4 A mais sentimental das pessoas - Parte 2
Notas iniciais
A mais sentimental das pessoas
[continuação]
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Independente do motivo, quando vejo alguém chorar, eu fico com raiva. Raiva? Do que? Por quê? Eu não sei.
Me pergunto se alguma outra pessoa também tem uma caixinha igual a minha. Uma daquelas super empoeiradas, onde ninguém conseguirá achá-la: uma que tenha muitas tristezas e sentimentos péssimos dentro, escondida de tudo e de todos, até de mim mesma.
Não sei consolar ninguém, e muito menos a mim mesma.
Será que um simples abraço fará a pessoa se sentir melhor? Quem sabe.
São tão hipócrita ao ver pessoas sofrendo por causa de tão diversos motivos. Pode não ser importante para mim, mas para ela, seu mundo acaba de desabar.
Então, simplesmente me pergunto: por quê?
Por que não consigo mudar minhas emoções negativas perante quem chora?
Talvez meu motivo seja bem simples, talvez eu tenha inveja da pessoa. Porque ela consegue chorar, mas eu não. Eu sempre encaro quem chora com sentimentos de raiva, tensão. Mesmo que no fundo, só queria estar consolando ela, quem sabe até chorando com ela.
Odeio chorar na frente de outras pessoas, por isso guardo tudo naquela caixinha.
Quiçá, eu gostaria de ver as pessoas sem rosto ou sentimento, pequenas bonecas de porcelana sem emoção. Somente para que eu me sinta melhor de algum jeito.
Pois, se não ver ninguém chorando, não sofrerei. E muito menos sentirei raiva.
No fundo, eu sei. Sei que não sinto raiva, só compartilho da mesma dor que aquele pequeno e frágil ser humano.
Sinto raiva. Mas não dela, POR ela.
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