O que será, será.

É o que Rick repete mentalmente o tempo todo, esperando pelo homem mau que vem atrás de suprimentos. Não foi algo decidido por ambos, afinal Negan jamais discutiria essas coisas com um tolo; foi imposto, ditado.

Mas sua ansiedade não é por causa da malignidade do outro. Tem a ver, na verdade, com a sensação estranha que ele o faz sentir em sua barriga. A perversão tomou outro nome.

A porta se abriu em um estrondo. Lá estava ele, alto, pálido, os olhos ocre tinindo. Lucille rodava em sua mão, brilhando.

Venha, meu senhor. Sente-se à minha mesa. Rick nunca teria coragem de falar isso em alto e bom som. Deixe-se levar, meu senhor, e fique à vontade.

Negan umedece os lábios e dá um pequeno sorriso, apenas o suficiente. Coloca Lucille no chão e fecha a porta. Suas botas fazem barulho no chão de madeira, revelando seus passos pequenos e ligeiros. Senta-se na poltrona ao lado de Rick, como o personagem principal, com pinta de rei.

— Pequeno Rick... — sua voz sai preguiçosa, arrastada. — Senti sua falta.

O peito de Rick parece estremecer com as batidas de seu coração acelerado.

— Não trouxe meu pessoal hoje — ele cruza as pernas, desgostoso. — Estou sozinho.

Rick finalmente toma coragem e levanta o olhar — e na hora se arrepende. Negan o olha com algum tipo de calor estranho, uma falsa paciência.

Seu sorriso frouxo revela que na verdade aquilo tudo é uma encenação. Leva seus dedos cruzados até o queixo, apoiando os cotovelos nos braços da poltrona.

Sofreguidão. Essa é a palavra perfeita para descrever o momento.

Ele quer seu amor de fã.

Após intensos minutos de silêncio, a troca de olhares muda; agora encaram seus lábios. Sabem muito bem o que o outro pensa. Negan sente alguma coisa crescer dentro de sua calça.

Aí fora é tão frio, aqui é aconchegante.

Com um pequeno balanço com a cabeça, Rick se descontrola. Num pulo puxa o homem pela gola da camisa, desesperado para tirar aquela jaqueta de couro nojenta fora. Entre tropeços, seus lábios se encostam, sentindo o gosto de magnificência. Num segundo estão na cama, lutando contra suas botas e botões nas camisas.

Se tivessem lhes contado jamais acreditariam que era verdade; nunca, em um milhão de anos, os dois imaginaram que aquilo poderia acontecer em qualquer realidade. Mas aconteceu, está acontecendo e nenhum deles se sente mal com isso. Não há tempo para sentir qualquer coisa além de desejo.

Negan coloca o homem por baixo de seu corpo e distribui beijos em seu pescoço, jurando que consegue sentir a jugular pulsando. Suas mãos o seguram com força, os corpos arrepiados em sintonia, mexendo os quadris e a língua.

Rick prende o corpo do mais alto com as pernas, não quer deixá-lo ir a lugar nenhum. Aquele é o momento, o seu momento, o que anseia há tempos. Quando sente as mãos grandes o tocando pensa que aquele será o momento de sua morte, que atingiu o ápice de sua vida. Mas mal começou.

Pele com pele, a coisa mais pura que há entre duas pessoas.

Negan coloca sua mão no membro de Rick, fazendo um movimento de sobe e desce com uma maestria que consegue arrancar gemidos profundos do mais baixo. Mas aquele não é o seu trabalho.

— Vai — manda ele, parando subitamente. Ajeita seu corpo na cama e manda Rick para o chão. Ele apoia os dois joelhos na madeira e Negan abre as pernas.

Então Rick faz o que desejava fazer desde o primeiro momento que Negan olhou para ele sem sangue nos olhos, durante sua primeira procura por suprimentos na comunidade. Seu sorriso minúsculo fez com que Rick sentisse que precisava dele sem nem mesmo entender o motivo.

— Merda, Rick — diz Negan entre um gemido prolongado —, sua boca se encaixa tão bem no meu pau.

Rick apenas sorri tímido, os olhos azuis lacrimejando enquanto encaram o mais alto. Negan faz com que ele vá mais fundo e mais fundo, empurrando a cabeça de Rick enquanto puxa os fios claros.

Ao sentir suas pernas formigando e os batimentos cardíacos acelerados puxa Rick para cima, não quer gozar agora. Beija-o com pressa e força, seus dedos fortes deixam marcas esbranquiçadas no corpo de seu parceiro, que acabarão se tornando vermelhas e eventualmente roxas. Empurra-o na cama e o deixa de barriga pra baixo.

Negan deita seu corpo sobre o de Rick enquanto distribui beijos em pescoço, o cabelo sempre preso entre os dedos com força.

— Eu quero ouvir você gemendo pra mim — sussurra enquanto cospe em sua mão e passa em seu membro.

O penetra devagar, sentindo um prazer imenso quando Rick arfa. Ele aumenta a velocidade e o mais baixo simplesmente não consegue se controlar. Estão, felizmente, em uma casa afastada das outras, onde não costumam andar perto, ninguém ouvirá os gemidos.

Essa é a melhor sensação que os dois já sentiram em suas vidas.

Negan estapeia a bunda de Rick, deixando a pele branca extremamente vermelha e logo depois o acaricia

Alterna entre posições, uma hora está deitado sobre o homem enforcando-o com força, outra está admirando as nádegas empinadas pra ele. Negan e Rick gemem em conjunto.

— Você é uma delícia — sussurra Negan. — Te comer foi a melhor ideia que eu tive.

Para subitamente, não quer gozar tão cedo. Rick suspira impaciente.

— Me deixe ir por cima.

Negan ri baixo e se joga na cama. Rick sobe em cima dele e o encaixa dentro de si. Os dois respiram fundo. O mais baixo exercita os joelhos enquanto suas mãos estão apoiadas no peito do parceiro. Eles se encaram profundamente, os gemidos se tornando melodias que só os dois conseguem apreciar com plenitude. Negan o segura pelo quadril enquanto sente tudo.

Ele se senta na cama e os dois corpos se tocam, compartilhando pele e fluídos. Se beijam entre os gemidos profundos.

Os corpos já cheiram a suor, o quarto cheira a sexo. Negan beija o pescoço e a clavícula de Rick enquanto acaricia sua nuca.

Num movimento rápido ele coloca Rick na cama e apoia os joelhos no colchão, posicionando as pernas do mais novo em seus ombros.

Esse é o momento, alcançarão o ápice juntos.

A velocidade aumenta, os gemidos aumentam, assim como o prazer. Rick coloca a cabeça pra trás, já não consegue enxergar nada. Em uma estocada profunda os dois gozam juntos.

Seus corpos se estremecem, Negan cai sobre o tronco do mais baixo. Trocam beijos por mais alguns segundos.

Negan se tira de dentro de Rick e beija sua barriga molhada de esperma, quer sentir seu gosto. O mais baixo sorri, maravilhado com o que sente. Talvez essa tenha sido a melhor transa de sua vida.

Negan se levanta e procura sua roupa, arrumando-se com pressa. Rick faz a mesma coisa.

— Não se esqueça do combinado — diz Negan, subindo o zíper. Coloca a jaqueta e caminha até a porta. — Metade de tudo que vocês têm.

Rick o olha, sem saber exatamente o que sentir. Ele se agacha e pega Lucille no chão. Se olham mais uma vez antes que a porta seja fechada com força.

Rick sabe que não deve sentir algo além de vergonha, transou com o homem que matou seus amigos, mas não sente. Talvez isso signifique alguma coisa.

Ele se levanta e vai embora, passando pelas ruas vazias de sua comunidade. Estão todos reunidos perto do portão, olhando o pequeno rei sair. Rick entra em sua casa e se tranca em seu quarto.

Notas finais
:)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.