Já faz três meses desde que entrei para o Colégio Cross, não posso reclamar, pois levo uma vida boa lá. Acho que era inevitável, mas fiz de tudo para não me apaixonar pelo Zero até que me dei conta que isso aconteceu desde que nos conhecemos.

Ficávamos juntos apenas nos momentos de aula ou quando não tínhamos nada pra fazer. Embora ele gostasse de ficar sozinho nunca se retirou quando eu chegava perto, e isso me deixa feliz. Tento me controlar e deixá-lo sozinho às vezes, pois eu também sou assim. Não tenho certeza se ele me considera uma amiga, pelo menos somos colegas de turma e isso ninguém pode mudar. Gosto de sua companhia e respeito quando vejo que ele quer ficar sozinho, meso ficando preocupada às vezes.

Estava passando pelos corredores já vazios, pois as aulas haviam terminado, quando ouvi uma conversa entre o diretor e Yagari sensei.

_Você pretende mesmo deixá-lo na Day Classe?

_Sim, ele não possui mais o risco de decair para um Level E, e, além disso, Zero é um Vampire Hunter.

_Mas ele é um vampiro agora por mais que eu odeie dizer isso, não corremos algum risco?

_Tenho certeza que não, pois mesmo quando ainda existia o risco de decair para um Level E, ele lutou com todas as forças.

_Tem razão, afinal ele é um Hunter assim como nós.

_Sim.

Eu não conseguia acreditar, Zero era um vampiro? Como? Até então não acreditava nessas coisas. Fiquei confusa, pois não haveria motivos para o diretor e o sensei estarem mentindo, ainda mais um assunto sério desses. Agora eu começava a entender o porquê da Day Classe e da Night Classe, todos de lá eram vampiros?

O que o Zero não deve ter passado? Isso passava pela minha mente a todo instante. Seria esse o motivo de tanta melancolia em seu olhar?

A única coisa que eu sabia era que precisava vê-lo.

Fui até seu quarto, mas ele não estava então fui para onde ele costumava ir quando queria estar só. Desculparia-me depois, mas meu lado egoísta falou mais alto, eu realmente precisava vê-lo.

Lá estava ele, do mesmo jeito que as outras vezes com o olhar distante e mais pensativo que o normal.

_Zero. Chamei calmamente.

Ele olhou para mim e depois disse:

_Asuka, o que faz aqui?

_É que eu precisava da sua companhia por uns instantes.

_Aconteceu alguma coisa? Você está estranha.

_Não foi nada, nada que precise se preocupar.

Ele ficou em silêncio olhando nos meus olhos. Senti que estava enrubescendo, mas não consegui desviar o olhar. Não podia acreditar que ele era um vampiro, pois era tão gentil, tão humano, era difícil acreditar. Não que eu não acreditasse que eles existiam, pois essa era a única explicação para o comportamento de muitos alunos da Night Classe, o problema era que Zero era diferente deles.

_Zero...

_O que?

_Posso te fazer uma pergunta?

_Fala.

_Por que o seu tratamento é diferente dos outros aqui?

_Diferente?

_É...

_Bom eu fui criado pelo diretor, embora isso não seja coisa para ficar exatamente feliz.

_Por quê? Ele por acaso te trata mal, isso não parece ser a personalidade dele.

_Não é isso. Ele me trata bem sim.

_Tudo bem se não quiser falar.

_É que é uma história longa.

_Tudo bem, pois não gosto de histórias assim.

Acho que eu não estava conseguindo esconder minha surpresa e curiosidade, ele continuava me olhando como se quisesse tirar algo de mim.

_Por que está me olhando assim Zero?

_Você não vai me dizer o que está acontecendo, você parece que precisa falar com alguém, eu posso ser essa pessoa. Se quiser, claro.

_É que algo está me incomodando.

_Isso deu pra perceber.

_Descobri uma coisa e queria confirmar se é mesmo verdade. Mas não tenho coragem suficiente para isso.

_Precisa confiar em si mesma.

_Se fosse apenas isso...

_Eu posso ajudá-la de alguma forma?

Eu me levantei e dei as costas:

_Não, deixa pra lá.

Eu não poderia o fazer revelar algo tão pessoal para alguém que conhecia há poucos meses.

_Asuka...

Horas mais tarde entediada e confusa decidi passear pelo colégio. Ele ainda estava lá no mesmo lugar, mas algo não estava normal, podia ouvir gemidos de onde ele estava me aproximei e fiquei observando.

Ele estava com ambas às mãos no pescoço, e sentia se incomodado com algo. Poderia ser mesmo verdade? Tudo indicava que sim. Até que ele disse:

_Quem está ai?

_Zero... Eu...

_Vá para o seu quarto.

_O que está acontecendo com você?

_Já disse para ir.

_Não. Na verdade eu já sei.

Ele me olhou assustado, suas orbes estavam vermelhas e aquilo foi o suficiente para minha confirmação. Sentei-me ao lado dele, acariciei seu rosto e puxei-o para mais perto colocando sua boca próxima a meu pescoço.

_Não hesite, faça o que você quer.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem por favor! Até o próximo capítulo!^^