Consequências

24 O consolo do amor


Notas iniciais
Oi gente, saudades da fanfic? Capitulo novinho e quentinho para vocês, desculpa a demora para postar hoje, mas a minha internet ficou caindo toda hora então...

Faziam vinte minutos que ela estava chorando nos braços de Park Soo Yong. A roupa dele já estava encharcada, ela retirou lentamente a sua cabeça do peito dele e limpou suas lágrimas com as duas mãos. Seu rosto estava completamente vermelho e a maquiagem que estava usando começou a escorrer em seu rosto.

—Você é filha do Roberto Monteiro e não usa maquiagem a prova d’água — dizia ele, fingindo estar bravo. Com seus dois polegares passou-os embaixo dos olhos dela, retirando todo o delineador que estava escorrendo.

—O... que você... está fazendo aqui?

—Como assim o que eu estou fazendo aqui? — Ele não conseguiu pensar em uma resposta de imediato. Puxou-a de volta para os seus braços, ela não conseguiu recusar, estava frágil demais. Pousou seu queixo novamente sobre a cabeça dela e disse calmamente.

—Eu olhei na sua agenda, me desculpe, eu realmente queria saber onde era essa casa do Choi Young Do.

—Como você sabia que eu estava morando com ele?

—Porque ele contou para todo mundo — ela o soltou, assustada, com os olhos arregalados, em seguida perguntou:

—Ele realmente fez isso?

—Claro que não — ele sorriu, puxou-a novamente para os seus braços. — Mas a escola está suspeitando disso, já que o Kim Tan alarmou que você estava morando na casa de um estranho e agora vocês vão e voltam do colégio juntos todos os dias.

—Ah, então deixe que digam o que quiserem.

—O que aconteceu com você? O Choi Young Do fez alguma coisa? Eu vou lá acabar com ele! — Ele avançou em direção à porta, ela o segurou pelo braço antes que ele atravessasse a porta.

—Espera! Essa não é a casa do Choi Young Do. Essa é a casa do meu pai.

—Que? — Ele coçou a sua cabeça, estava sem graça por sua reação repentina. — Ah, mas o que pode ter acontecido para você ficar dessa forma?

—Como é a sensação... — aproximou-se dele, queria olhar no fundo de seus olhos — de estar morrendo?

—Mas que pergunta é essa? — Ele coçou a cabeça novamente, incomodado. Aquela pergunta era complicada demais para ser respondida daquela forma. Mas por alguns instantes pensamentos estranhos começaram a surgir em sua mente e ele se voltou para ela com os olhos arregalados. Estava assustado. Segurou firme nos braços dela e a sacudiu enquanto perguntava desesperado: — O que foi? Aconteceu alguma coisa com você? Você está saudável, não está? Me diga que você está bem!

—Estou — ela retirou as mãos dele de seu corpo, o toque firme dele estava apertando seus braços, que estavam doendo —, é só que eu queria poder entender uma pessoa.

—A sensação de estar morrendo? — Ele colocou as mãos nos bolsos, pensativo. Aquilo agora era apenas uma lembrança ruim e não mais uma realidade em sua vida. — É uma sensação de desespero, te sufoca por dentro. É como se pela primeira vez a vida que você havia levado não fosse nada, você não amou o suficiente, não saiu o suficiente, trabalhou demais. É como se você não tivesse tido tempo de fazer nada do que você queria...

—Então era assim que você se sentia? — Ele assentiu, tocando seu peito, ali estava doendo. No mesmo lugar em que a cirurgia havia sido feita. — Nossa, eu nunca imaginei que seria um sentimento assim.

—Você não está pensando em se matar, não é?

—Claro que não — respondeu um pouco irritada. As lágrimas haviam cessado, mas ela ainda estava com o rosto vermelho. — Eu estava apenas... é que alguém que eu gosto muito está doente e eu não sei como ajudar essa pessoa.

—Dinheiro, se você tem dinheiro não há doença que aguente.

—Eu até pensaria por isso, mas se o caso dele parece ser tão grave, talvez o dinheiro não seja a resposta.

À noite, Roberto chamou Taila para que eles pudessem jantar juntos. Ele não estava conseguindo comer direito, mas fez questão de observá-la comer. Ao invés de questioná-lo por seu comportamento estranho, ela apenas agiu como uma filha atenciosa. Como havia sido no passado, antes de seus pais se separarem.

Após o jantar, ele foi dormir, estava fraco e queria apenas se deitar na cama e descansar. Taila esperou que ficasse de madrugada, para sair do seu quarto e voltar ao escritório do pai. Vasculhou as estantes de livros, a mesa dele, e tudo parecia normal. As passagens que haviam chegado ainda estavam lacradas no envelope, ela nem sequer pode ver para onde elas a levariam.

Começou a vasculhar as gavetas da mesa e, com um golpe de sorte encontrou um envelope enorme. Eram exames, ela pode notar o nome do hospital escrito em inglês logo embaixo.

—O Park Soo Yong tem razão — cochichou para si mesma — tudo pode ser curado pelo dinheiro — abriu o envelope e começou a ler. Não conseguia entender nada dos exames, então foi direto ao resultado final. — O paciente Roberto Monteiro está com oligodendroglioma anaplásico de grau dois em estado avançado.

Jogou os papéis no chão, ela não fazia ideia do que aquilo podia ser. Foi direto para o computador pesquisar. Abriu a tela do google e pesquisou sobre aquele nome no exame. Quando começou a ler o que era aquilo. As lágrimas escorreram em seus olhos sem medo, era um tumor maligno que não podia ser tratado com a cirurgia, pois iria se alastrar por outras partes do cérebro ou até mesmo do corpo. O tratamento seria a quimioterapia, que seria por meio de remédios e a radioterapia, por meio de radiação.

—Não pode ser — deitou a sua cabeça no encosto da cadeira macia. Respirou fundo, seu peito doía — eu não acredito que ele não me contou. Será que ele está fazendo esses testes por causa disso? Por isso o último teste deve ser feito agora? — Começou a bater a cabeça na cadeira acolchoada, gritando baixinho para não ser ouvida. — Ele pode ser o que for, mas eu não posso deixá-lo agora, ele não pode me deixar. O que eu posso fazer?

Sua única saída era consultar um médico para saber melhor sobre aquele tumor, mas ela não queria contar ao seu pai que sabia, pois provavelmente ele iria desconversar e expulsá-la da casa dele, como ele sempre fazia. Preferiu buscar uma nova ideia para convencê-lo a se tratar e poder ficar melhor.

No dia seguinte, foi a última prova. Ela estava mais distraída que o costume, não havia dormido à noite e sabia que uma prova de ciências biológicas não iria a ajudar a ficar mais acordada, mas iria apenas fazê-la se lembrar de que seu pai estava com um tumor maligno e ela não sabia como podia ajudá-lo. Assim que a prova terminou, ela estava aliviada, não sabia se sua nota seria boa ou não, mas sabia que havia feito o seu melhor, mesmo em meio aos seus problemas.

Foi para o refeitório, aquelas mesas eram ótimas para apoiar a cabeça e ficar apenas deitada. Alguém sentou ao seu lado esquerdo, ela não viu quem era, porque sua cabeça estava virada para o lado direito.

—É assim que você fica após terminar as provas? Eu sinceramente esperava mais de você.

Ela virou sua cabeça para fitá-lo, aquela voz era irreconhecível.

—Eu realmente queria estar animada, mas não dá.

—E por que você está assim?

—Porque eu descobri uma coisa horrível, eu descobri que meu pai está com uma doença terminal e está se recusando a fazer o tratamento.

Choi Young Do arregalou seus olhos, ele sabia bem como era descobrir que seu pai está doente. Curvou em direção a ela e tocou com uma de suas mãos no cabelo dela, fazendo-lhe um carinho de leve.

—Por que você não me contou isso antes?

—Porque eu descobri isso ontem e o Park Soo Yong me consolou...

—Como? — Perguntou enciumado, cerrando os dentes, retirando a sua mão imediatamente. — Você e o Park Soo Yong? Ele te consolou? Você é a namorada dele agora?

—Eu acharia isso bonitinho se eu estivesse de bom-humor.

—Bonitinho? Você fez isso de propósito? — Ele ficou irritado, principalmente por saber que Park Soo Yong agora estava passando mais tempo com ela do que ele, que era seu namorado.

—Claro que não.

—Taila! — Park Soo Yong se sentou ao seu lado direito. — Daqui a alguns minutos o nosso professor orientador vai dizer para onde vai ser a nossa viagem.

—Provavelmente nós vamos fazer um acampamento como no ano passado — começou Choi Young Do, encarando-o. Praticamente o ordenando com o olhar para que ele saísse dali. — Se não tem mais nada a dizer por que não vai embora?

—Por que eu iria? — Ele o encarou de volta. Taila já sabia o que viria pela frente. — Eu ainda sou amigo dela — ele segurou em uma de suas mãos, fazendo Choi Young Do arregalar seus olhos de ciúmes.

—Mas eu sou o namorado dela — ele segurou firme no braço esquerdo dela. Taila ficou séria, não estava nada animada para ver uma cena de ciúmes de ambos. Puxou seus braços de volta e depois segurou nas mãos deles, colocou-as uma sobre a outra em cima da mesa e disse:

—Eu não estou com clima para vocês dois, eu vou para a minha sala agora.

Ela se levantou da cadeira, parecia estar doente, pela sua expressão corporal. Os dois a acompanharam com o olhar até ela cruzar a saída. Os olhares deles se cruzaram e eles se estranharam, notaram que suas mãos estavam juntas, arrancaram uma de cima da outra e pigarrearam tentando disfarçar. Choi Young Do se levantou imediatamente indo atrás dela.

Assim que a encontrou no corredor, que já estava quase vazio. Kim Tan e Chan Eun Sang estavam passando. Ele a segurou pelo braço e a empurrou contra o armário, abaixando a sua cabeça para olhar para ela e impedindo a sua saída com um de seus braços.

—O que você está fazendo? — Perguntou desanimada com o olhar no chão.

Ele tocou suavemente em seu rosto erguendo-o em direção ao seu, ele queria olhar em seus olhos.

—Sempre que você precisar de alguém para te consolar, não procure outros caras. Procure somente a mim.

Ela sorriu, pela primeira vez desde que havia descoberto sobre a doença de seu pai.

—Obrigada, Young Do — ela entrelaçou seus braços em volta do pescoço dele e aproximou seu rosto do dele tocando seus lábios, com um beijo quente e suave. Kim Tan e Chan Eun Sang arregalaram seus olhos ao ver aquela cena. Kim Tan estava muito mais surpreso que Chan Eun Sang, que no fundo estava feliz, pois agora não precisava mais se preocupar com o amor de Taila por seu namorado.

A diretora estava andando pelos corredores ao lado dos professores orientadores, que estavam indo para as suas salas. Os dois queriam avisá-los que a diretora estava vindo, mas eles também ganhariam uma bronca se os vissem de fora da sala. Ao invés de fugir, Kim Tan correu na direção deles e puxou Taila e a segurou para que ela não caísse. Ela e Choi Young Do ficaram confusos, mas não tiveram tempo para receber explicações.

—O que vocês quatro ainda estão fazendo fora de suas salas? — Perguntou a diretora, com um olhar furioso.

—Nós já estamos voltando — Kim Tan se curvou para a diretora e puxou Choi Young Do e Chan Eun Sang, soltando Taila que quase caiu no chão por estar apoiada nele.

Ela sorriu sem graça, pois havia sido largada para trás. Se curvou para eles e se preparou para voltar para a sala.

—Senhorita Monteiro — chamou a diretora com seu tom firme — venha à minha sala por um instante. Os senhores — disse para os professores ao seu lado, sem mover o seu olhar de Taila — podem ir para as suas salas avisar os alunos sobre o destino da viagem. Provavelmente haverá uma euforia muito grande, então mantenham o controle de suas salas.

—Sim senhora — os professores se curvaram e saíram imediatamente. A diretora seguiu em frente e Taila a seguiu.

Assim que entraram na sala, a diretora foi logo se sentar em sua cadeira, ofereceu com a mão, a cadeira em frente à sua mesa para Taila.

—A senhora queria falar comigo.

—Na verdade, acho que você já deve saber o destino da viagem, então eu gostaria de fazer um pedido.

—Eu não sei o destino da viagem ainda, os professores não disseram nada...

—O seu pai não disse nada a você? Pensei que ele diria já que a ideia foi toda dele. Mas se ele não disse, eu lhe direi. Seu pai nos deu a ideia de fazer a viagem escolar para fora do país. Eu aceitei apenas porque ele está patrocinando o colégio...

—Ele está o quê?

—Você e seu pai não parecem se comunicar muito, mas enfim, nós faremos uma viagem ao Brasil, o destino é o Rio de Janeiro, os pais decidiram a cidade enquanto o seu pai decidiu o país. E o meu pedido é que como você é brasileira, você poderia ser monitora da sua turma. O senhor Roberto irá também na viagem e será um monitor também.

—Ele será o quê? — Ela começou a rir, indignada do tamanho absurdo.

—Eu também tive essa mesma reação, mas você sabe como o seu pai é.

—É eu sei. Eu aceito ser monitora, mas eu quero ser monitora da turma do terceiro ano.

—Algum motivo?

—Claro, eu quero passar mais tempo com o meu namorado.

—O senhor Choi Young Do, não é mesmo? — Concluiu ela, organizando os papéis para oficializar a monitoria de Taila.

—Como a senhora sabe? — Perguntou confusa.

—Eu vi a cena no corredor — ela carimbou um papel enquanto falava — eu sei que você é brasileira e no seu país isso é bastante comum nos colégios, principalmente levando em conta a idade de vocês, mas aqui beijos no corredor do colégio não são cenas bem vistas, então conto com a senhorita para que isso não aconteça novamente.

—Me desculpe — ela se curvou.

—Não é preciso.

Ela sorriu animada.

—Não vejo a hora de viajar para o Brasil.

Notas finais
Bom, espero que vocês tenham gostado, não esqueçam de comentar o capitulo sobre o que você acharam, e vamos continuar a nossa longa história