Consequências
2 Um pouquinho do passado
Notas iniciais
"Eu estava sentada conversando com meu mais novo amigo, Lian. Ele havia acabado de chegar na cidade, veio morar com seus avós após o assassinato misterioso de seus pais. Apesar do drama que ele tinha passado Lian parecia bem feliz, já tinha se recuperado um pouco, acho.
Resolvemos ir caminhar um pouco, conversávamos sem parar não reparando em nada que estava a nossa volta. De repente o ar muda, nós dois ficamos arrepiados. Escureceu muito rápido, estávamos numa rua deserta. Olhei para ele com medo.
–Também sentiu? — ele assentiu — O que será que é?
–Não sei...
Uma criatura surgiu diante de nós, era bem alta, não parecia humana. Tinha garras muito afiadas que poderiam fazer cortes muito semelhantes ao de uma faca. Fiquei sem ar, meu coração estava disparado, o medo tomava conta de mim. Comecei a tremer, segurei forte na mão de Lian e percebi que ele também tremia. Nem eu nem ele não mexíamos nenhum músculo. Até que a criatura se moveu e o atacou.
Eu olhava horrorizada, sem forças, sem poder fazer nada. O sangue de Lian respingava em meu vestido azul. A criatura não parecia ter nenhum interesse em mim, só queria mutilar meu amigo. Lágrimas escorriam do meu rosto... Eu não tinha como ajuda-lo..."
Acordei assustada, não era a primeira vez que essa lembrança me vinha em forma de pesadelo. Estava novamente aos prantos. Queria voltar no tempo e impedir tudo isso, queria Lian aqui, vivo...
–Luci? — Ouvi meu pai chamar — Esta tudo bem?
Ele abre a porta do meu quarto e me vê chorando, de novo.
–Ah querida, aquele pesadelo, não é? — Assenti, ainda aos soluços.
Ele me abraçou e disse algumas palavras reconfortantes, que tudo era passado, eu tinha que tentar esquecer. Mas era impossível. Assim que ele saiu chequei meu celular, tinha duas mensagens.
"Lucinda, meu amor... O dia está bonito, que tal darmos um passeio no parque?"
A primeira era de Daniel, meu namorado. Respondi:
"Claro, por que não? Afinal, é sábado."
Confesso que fui um pouco fria, mas não estava me sentindo muito bem mesmo. A segunda era de Callie, minha melhor amiga.
"Bom dia Luci! Por que faltou sexta? Não me deu notícias, fiquei preocupada."
Respondi:
"Foi só uma gripe. Agora estou melhor. Bom dia!"
Depois de responder as mensagens fui tomar um banho. Lavei meus longos cabelos. Me enxuguei e enrolei-me na toalha. Escolhi uma roupa simples, camiseta branca com uns babados na manga, uma calça jeans clara e uma sapatilha bege.
Desci as escadas e tomei um café reforçado. Sentei no sofá e fiquei assistindo aos desenhos, aguardando a resposta de Daniel. Meu celular vibrou, peguei-o e era a mensagem que eu aguardava.
"Passo aí às duas. O que aconteceu? Tá meio estranha..."
Respondi:
"O de sempre, conversamos melhor no parque. Estou te esperando."
Como prometido ele chegou às duas e nós fomos ao parque. Estávamos caminhando, conversando sobre o dia-a-dia, nada de mais.
-Está melhor do resfriado?
-Sim, só estou com a garganta um pouco inflamada ainda, mas até segunda estou novinha em folha!
-Que bom...
Ele estava em mais um daqueles dias. Chamo de "daqueles dias" os dias em que ele fica estranho, pensativo, grosso, estressado sem motivo. Neste ele estava pensativo.
-O que foi? No que esta pensando?
-N-Nada... Nada não...
Revirei os olhos, impaciente.
-Você teve aquele pesadelo de novo? — ele me perguntou, parecendo distante.
-Sim... eu vejo o que realmente aconteceu, não o que acham que aconteceu. Eu não matei Lian!
-Acredito em você... Não conseguiria nem se tentasse. É muito bondosa.
Não entendi se ele quis me elogiar ou me criticar, mas fiquei quieta.
-Assistir filmes hoje a noite, na minha casa? — Ele deu ideia de um progama legal a dois.
-Huum, eu prometi à Callie que iria fazer alguma coisa com ela hoje a noite... Podíamos chamar ela e mais alguém, né?
-Ah, ok... Tudo bem. — Ele não parecia muito contente, mas não podia fazer nada.
Sei que não estamos parecendo namorados, mas é que ele estava "naqueles dias" e isso prejudicava nosso dia.
Acabamos por fim assistindo filmes (que eu não lembro o nome) na casa dele mesmo. Eu, Daniel, Callie, Ariane e Roland. Dormi por lá também, no quarto de hospedes, é claro.
Fale com o autor