Consequences
2 Fase l - Capítulo l
Notas iniciais
Caos, era o que melhor definia todo aquele quarto.
Cadernos no chão, camisas sujas jogadas em um canto no chão e uma televisão ligada que falava completamente para a parede, provavelmente ficou uma noite inteira passando o mesmo canal de desenhos; era isso o que compunha grande parte daquela bagunça, além de alguns objetos não identificáveis que estavam jogados pelo quarto. Enquanto isso, o dono de toda aquela anarquia continuava dormindo em seu sono tranquilo; mas, não por muito tempo.
— Uzumaki Boruto, é a quinta vez na semana em que eu vou te pedir, ARRUMA SEU QUARTO! — joguei uma almofada qualquer acordando-o em um pulo — Se eu tiver que voltar aqui, acredite, não vai ser com um pedido amigável!
— Qual o seu problema?! — seu olhar direcionado a mim mostrava incredulidade — Já disse que vou arrumar isso aqui, não tenho tempo para ficar me preocupando com bagunça!
— E você acha que eu tenho? — ri sarcástica — Olha o jeito com que você fala comigo, ainda sou sua mãe! — dei um tapa em sua nuca — Agora vai acordar sua irmã enquanto eu faço o café de vocês.
Antes de me retirar daquele lugar, que era para ser chamado de quarto, pude ouvi-lo resmungar algo e ir colocar seu uniforme escolar.
Quando estava para terminar as panquecas; a única especialidade que o tempo me permitia preparar, os vi chegar na cozinha e logo ganhar um abraço de Himawari.
— Bom dia mamãe! — tão calorosa como sempre ela chegou junto ao irmão; que estava com a típica cara de sono — Vai tomar café com a gente hoje?
— Me desculpe, não vou poder ficar hoje. Mesmo não sendo plantão, tenho que ajudar em algumas coisas no hospital. — beijei a testa de ambos, ouvindo o mais velho reclamar — Provavelmente, não virei para o almoço, mas sua tia vai estar aqui com vocês. Até o jantar!
Todos os dias essa era nossa rotina; Os meninos saíam cedo para a escola e eu para trabalhar. Após me formar na escola, resolvi seguir os passos de meu pai, que se aposentou médica, diferente de Hanabi, que escolheu o ramo na moda. O horário dela era bem mais flexível que o meu, então ela ficava no período da tarde com eles, por mais que houvesse protestos de Boruto.
Naruto assumiu a empresa do seu pai. E como é uma empresa de grande nome, também requer grande responsabilidade e tempo. Com isso ele raramente aparece para almoçar ou tomar café da manhã. Sempre sai cedo e volta ainda mais tarde, e muitas vezes bêbado. Sinto como se ele estivesse sobrecarregado, mas ele nunca fala sobre isso, e quando eu puxo uma conversa sobre o assunto, ele me corta e diz que precisa descansar. Com o tempo eu parei de me preocupar e de perguntar, pois eu vi que ele não estava afim de conversa comigo.
—*-
— NÃo acredito que ele esqueceu o aniversário de vocês ontem! — Ino praticamente gritava da sala dos funcionários do hospital, gerando alguns “shh” de outros médicos que trabalhavam ali.
— Ino, pare de gritar! — pedi sussurrando o mais alto que podia — Não foi nada demais, só... Sei lá, ele anda muito cansado e sobrecarregado, acontece.
— Acontece?! — demostrava estar incrédula — Hinata, eu aposto que ele lembra de cada cláusula de cada droga de contrato que ele assinou, mas não é capaz de lembrar do dia do próprio casamento?! Isso é o quê? Memória seletiva? Fala para ele dá um tempo no trabalho, isso tá afetando seu casamento.
— E o que quer que eu faça? Que brigue com ele? Você quer que eu diga oque exatamente? Naruto não está passando por um momento bom na vida dele e você sabe. Ele começou a beber depois que recebeu a notícia...você sabe do que eu estou falado – falar sobre aquilo ainda doía — Eu...eu não tenho coragem de pedir nada, Naruto mesmo depois dos acontecimentos, faz de tudo pela nossa família, trabalha dia e noite para nos dar o melhor dos confortos, ele chega em casa totalmente sobrecarregado, irritado, mal-humorado e... Eu sei que ele não esqueceu de propósito, ele provavelmente dormiu em cima da mesa do escritório, ele também pode ter ficado muito cansado e com tanta coisa para fazer acabou esquecendo — eu dizia para ela meio cabisbaixa.
— Então peça para ele dar um tempo no trabalho, pedir uma folga. Isso de ficar dia e noite no trabalho dele, está de afetando e acima de tudo, está afetando o seu casamento – disse ela.
— EU NÃo não posso pedir isso! – me alterei, mas recebi reclamações dos funcionários. Respirei fundo e continuei – Descupe, eu não deveria ter me alterado – me expliquei para Ino.
Ino olhou para mim com uma cara de consolo e falou:
— Eu sei que é difícil, mas vocês tem que dar um jeito nisso. Isso já passou dos limites – Meus olhos arderam. Falar sobre o Naruto era tão difícil. Ela pegou em minha mão e me levou para uma salinha, em seguida fechou a porta – Fala Hinata, oque realmente está acontecendo?
— Eu...eu...é tão difícil Ino. Se voc-... – Eu estava a ponto de chorar, mas continuei – Eu não sei mais oque fazer. Naruto mudou depois dos acontecimentos, ele começou a beber demais. Quantas vezes eu acordei com ele cambaleando pelo quarto depois de chegar de um bar qualquer. Ele virou um alcoólatra e eu não sei oque fazer. Eu vivo nisso faz um ano. Nossos filhos não estão cientes disso, Hima não vê o pai, muito menos Boruto. A única coisa que eles perceberam no Naruto é que ele ficou um pouco mais sério e distante. Eles não fazem ideia do que está acontecendo, eles não sabem que o pai bebê como um louco. Eu queri...eu queria saber oque fazer, mas eu não sei – Eu disse com a voz embargada. Ino me olhou tristonha e aflita.
— Eu não imaginava que as coisas estavam assim, tão...eu não sei nem oque falar, Hinata. – ela disse compreensiva.
— Ino, eu posso te contar um segredo? – perguntei, ela me olhou desconfiada mas concordou balançando a cabeça – Você me promete que não vai falar para ninguém – perguntei aflita. Ninguém podia saber daquilo. Ela concordou novamente – Isso que eu vou te falar aconteceu a duas semanas. Era já de madrugada, Boruto e Hima não estavam em casa; Deus sabe o quão eu sou grata por isso. Os dois foram passar a noite na casa do meu pai. Eu estava dormindo e acordei com o ranger da porta, vi que Naruto tinha chegado. Ele estava bêbedo e chorando. Quando eu sentei na cama e ele me viu, ele...ele veio para cima de mim – minha voz começou embargar – Eu fiquei assustada quando ele me puxou pelo braço e ficou dizendo que a culpa era minha. Ele começou me machucar, pois meu braço começou doer com o aperto. Ele estava tão alterado, tão alterado. Eu não sabia oque fazer. Ele gritava dizendo coisas sem sentido, mas...mas isso não foi o pior, ele pegou o vaso de plantas no quanto e jogou no chão, ele começou a quebrar tudo que aparecia na sua frent-.. – eu parei e continuei. Ino me olhava assustada – Ino, quando eu percebi que se eu continuasse naquele quarto ele poderia realmente me machucar, eu sai correndo do quarto e me tranquei no do Boruto. Ele continuou quebrando as coisas por um tempo, contudo depois de mais ou menos meia hora eu parei de escutar os estrondos a gritaria, quando eu sai do quarto do Boruto, eu vi ele caído do chão do quarto, provavelmente deve ter desmaiado. Ele acha que eu sou culpada pelas coisas que aconteceu. Ino, ele chegou até a me xingar – Eu disse. Ino me olhava assustada com a mão na boca e seu olhos lacrimejaram.
— Eu sinto tanto. Meu Deus! Hinata, você está passando por isso sozinha. Eu sinto tanto, mas tanto.– Ino dizia com lágrimas escorrendo em seu rosto. – Mas Hinata, oque aconteceu no outro dia?
— Quando eu vi que ele estava em um sono totalmente profundo, chamei a Hanabi e pedi para ela me ajudar a limpar quarto junto comigo. Eu arrastei o Naruto para o banheiro, para tirar os cacos de vidro e de porcelana do cão do quarto. Não tinha muitos, pois ele bateu mais nas paredes do que jogou alguma coisa nelas. Depois de tudo limpo, eu e a Hanabi demos um jeito de colocar Naruto na cama. Com tudo no lugar a Hanabi foi embora me dizendo que sentia muito. No outro dia, Naruto acordou com muita dor de cabeça perguntando oque aconteceu, ele não lembrou de nada, e eu acho muito difícil de vim lembrar. Ficou manhoso, voltou ser o meu Naruto, claro que não por muito tempo. Depois ele foi para o escritório e nem me deu um beijo de despedida. Sabe, o Naruto está cada vez mais distante de mim e eu não sei até a onde eu vou conseguir suportar. Eu vivo praticamente só. Eu não tenho mas um marido que durma comigo.
— Eu imagino que isso deve ser muito difícil Hinata. Mas o Naruto precisa de ajuda. Você precisa ficar longe dele, pois em qualquer dia ele pode chegar bêbado e alterado e fazer alguma atrocidade com você ou com o Boruto e Himawari. Isso é muito sério. Você tem que falar isso para seus pais, para nossos amigos. Naruto precisa se tratar.
— Eu sei – eu disse cabisbaixa. Falar sobre oque aconteceu me tirou um peso das costas – Mas, essa foi a única vez que isso aconteceu .
— Pode ter sido a primeira, mas provavelmente não será a última – disse ela.
Escutamos que eu estava sendo chamada para a pediátrica.
— Preciso ir – eu disse – Obrigada por me ouvir – dei um beijo em sua bochecha. Antes que ela dissesse qualquer coisa, me levantei da cadeirinha e sai de supetão.
—*-
Quando cheguei em casa, já era por volta das nove da noite. Completamente exausta, tudo o que eu queria era minha cama e um banho bem relaxante. Hanabi estava preparando o jantar enquanto as crianças assistiam algum filme na Netflix. Fui até a cozinha
— Como foi o dia? — ela me perguntou enquanto mexia nas panelas colocadas no fogão
— Exaustivo, como sempre. — suspirei e ri de mim mesma — Naruto ligou?
— Ele ligou dizendo que hoje vai ser um daqueles dias e que vai ficar na empresa até tarde da noite. — o desânimo era notável em sua voz.
— Então parece que seremos só nós. — suspirei novamente.
Continuamos a conversar sobre nosso dia, até que a comida ficasse pronta. Assim que terminamos, Hanabi chamou Boruto e Himawari para comer. O clima estava estranho naquela noite, eu não saberia dizer o porquê, mas algo não estava certo.
— Mamãe, onde está o papai? — ouvi Himawari perguntar baixinho do meu lado.
— Ah querida, ele está...
— Está na empresa assinando aquelas merdas de contratos — Boruto me interrompe.
— Boruto! — lhe lancei um olhar de reprovação.
— Mas estou mentindo?! Ele prefere aquela empresa a própria família. Isso para mim é coisa de doente. Ou se esquece que ele esqueceu o próprio aniversário de casamento? Acha que eu não te ouvi chorando e depois fingindo que nada aconteceu? — riu sarcástico — Acontece que isso é verdade e você sabe que é, mas finge que não! Se finge de cega pra não ver que ele…
— Já chega! — bato com minhas mãos na mesa e com isso Hima deu um pulinho do meu lado assustada — Desculpe querida – direcionei meu olhar ao Boruto — Boruto, eu mandei você parar. Você não acha que passou dos limites? — ri amarga — Vai para o seu quarto, agora!
— Que seja! — sobe para o quarto batente firmemente com os pés no chão.
Não tive apetite para terminar o resto do jantar. Já era 10 horas da noite e Hima já estava dormindo, Hanabi se despedia indo embora para seu apartamento em um prédio não muito longe de nossa casa. Como todo meu sono havia se esvaído, apenas tomei meu banho e fui para a sala, assistir alguma coisa.
Naruto chegou por volta da meia-noite, seu semblante parecia cansado, como se estivesse correndo uma maratona e estava um pouco pálido. Sua pressão tinha caído talvez?
— Boa noite querido!— disse indo lhe abraçar, o que demorou para ser correspondido. Algo estava estranho ali, aquilo não me cheirava bem.
— Boa noite, meu amor. — entrou e se sentou no sofá e abrindo uma pasta com mais relatórios — Me desculpe, mas tenho que terminá-los para amanhã. — disse ao me ver com semblante reprovador.
— Tudo bem. — dei de ombros — Tem comida na geladeira, fizemos um jantar hoje. Vou subir pra dormir um pouco, amanhã tenho plantão. — disse passando por ele, que murmurou uma concordância.
Mas ao passar por ele, realmente pude sentir algo errado. Sabia que aquilo não estava certo de modo algum. Eu conhecia o perfume de meu marido. Por isso não consegui segurar a pergunta.
— Naruto…que perfume é esse?
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