Consequências

30 Um plano importante


Notas iniciais
Oi gente, querem me matar, não é? Chegou o novo capitulo e agora eu postarei toda semana, ou no sabado ou no domingo. Beijos

No dia seguinte, Roberto recebeu no hospital, a visita de Park Soo Yong. O garoto entrou apreensivo, não havia tido muito contato com Roberto desde que ele havia oferecido dinheiro para ele participar dos testes. Entrou no quarto, após receber autorização da enfermeira. Abriu a porta vagarosamente e caminhou com passos lentos e a cabeça abaixada em direção a Roberto.

—O senhor me chamou?

—Chamei — disse ele, sério. Estava mais preocupado com os documentos da empresa que estava assinando, do que com a presença do rapaz — então Park Soo Yong vamos trabalhar?

—O que o senhor quer dizer?

—Minha filha vai realizar o teste hoje à noite, é uma coisa simples, mas preciso de alguém que coordene tudo para mim, já que você está vendo o meu estado.

—Que tipo de testes o senhor faz?

—Nada demais, só quero testar a força da Taila após deixá-la treinando luta por tanto tempo. Mas pelo que vejo, ela me parece mais fraca do que antes.

—E para que exatamente?

—Eu tenho que dizer isso? O dinheiro já não basta?

—Claro que basta, mas há uma coisa — ele se aproximou da cama —, eu não aceitei a sua oferta só pelo dinheiro.

—Não?

—Eu aceitei porque eu quero me vingar do Choi Young Do e do Kim Tan.

—E por quê?

—Isso é assunto meu.

—Então você quer se vingar dos dois... — ele avaliou a proposta batendo o dedo indicador no queixo. — Faça como quiser, mas você não pode fazer uma coisa.

—Que coisa?

—Se você fizer algo que possa fazer a minha filha sofrer, eu vou te destruir. E a felicidade da minha filha inclui aqueles dois. Quer saber — ele se levantou da cama e tocou no ombro do rapaz, que para o incomodo de Roberto, era mais alto que ele — tive uma ideia. Faça algo com eles escondido da Taila, mas lembre-se do que eu avisei.

—Com eles? Mas os testes não são segredo?

—A Taila já deve ter contado para o namorado dela e eu já fiz o trabalho de contar para o outro. Você só precisa fazer com que eles sejam atraídos para o local do teste. Deixe que a minha filha se divirta durante o teste, eu já contratei as pessoas que vão lutar com ela, se a minha filha não passar nesse teste, eu desisto.

—Embora tudo o que o senhor fale me pareça um pouco vago, acho que posso compreender o porquê de o senhor fazer isso. Você só quer que a Taila saiba se cuidar sozinha.

—Garoto não é à toa que você é uns dos melhores alunos do colégio Jeguk, minha filha não entendeu isso até hoje.

—Mas por que o senhor trata a sua filha dessa forma? Eu pude perceber quando o senhor ia ao colégio que ela ficava totalmente desestabilizada.

—A Taila é como a mãe dela, eu nunca deixaria qualquer mal se aproximar da minha filha e eu me tornei uma pessoa dura após a minha separação e fiquei cada vez mais frio com o tempo. Acontece quando somos magoados.

—Eu consigo compreender o senhor, mas antes de ir posso lhe fazer uma última pergunta?

—Faça.

—Por que eu? O senhor poderia ter escolhido qualquer pessoa do colégio, mas o senhor me escolheu, por quê?

—Eu também não sei, meu convite foi apenas superficial no dia, mas percebo que talvez possa ter sido o destino.

—O senhor não tem cara de ser uma pessoa que acredita em destino.

—E nem você de ser santo. Vá e cuide da minha filha, eu acabo com você se algo der errado. Da mesma forma que eu acabei com o último.

Taila e Choi Young Do haviam ignorado completamente o planejamento de passeio feito pelos professores e saíram sem consultar seu professor orientador. Eles estavam indo de taxi para a casa da família de Taila. Assim que ele parou, ele ficou apreensivo. Estava a um passo de conhecer a mãe de sua namorada. Bateram à porta, a empregada nunca deveria estar em casa, pensou Taila, já que sua irmã foi quem atendeu novamente a porta.

Marcela abraçou a irmã caçula sorrindo e não conseguiu evitar a sua surpresa ao ver Choi Young Do. Ela admirou a beleza dele e expressou isso deixando o seu queixo cair. Ele ficou sem jeito com aquela reação.

—Então esse gato é o seu namorado? — Ela disse em português após cumprimentar Choi Young Do com um abraço, ele ficou sem graça, mas aceitou sabendo que era um costume comum para os brasileiros. — Então quer dizer que os semideuses estão todos na Coreia — concluiu Marcela, fazendo Taila gargalhar. Choi Young Do cochichou perguntando do que elas estavam falando.

—Para você ver, e eu ainda sou muito sortuda, depois de perder o Kim Tan, pensei que eu nunca teria um namorado tão bonito quanto ele.

—Fala como se tivesse namorado o Kim Tan — disse um pouco irritada.

—Não fica com ciúmes irmãzinha, tem muitos coreanos na Coreia. Quer que eu te apresente alguns?

—Claro, e de preferência os que gostem de meninas exóticas como eu.

—Ou que gostem de garotos...

—Taila! — Ela gritou dando-lhe um tapa no ombro.

Marcela orientou os dois a entrarem em casa. Taila entrelaçou seu braço ao dele, ele estava muito nervoso, sentiu o flash back de conhecer a mãe de Chan Eun Sang voltar a sua mente. Imaginava que a mãe de Taila não deveria ser muito diferente da mãe de Eun Sang.

A mãe de Taila desceu as escadas, vestida elegantemente e usando muitas joias. Taila lembrava-se de como sua mãe era fanática por joias, então não era estranho, para ela, ver a mãe brilhando. Ela desceu com um sorriso e bastante empolgada, abraçou a filha e cochichou no ouvido dela:

—Você está brava comigo? Você e seu pai são tão parecidos.

—Não estou não — sua mãe colocou uma mecha do cabelo de Taila atrás da orelha enquanto ela falava —, mas o mais engraçado, é que ele diz que eu me pareço com você.

—Você se parece com isso? — Esnobou Marcela, deixando sua mãe furiosa.

—Isso? Mais respeito comigo moleque?! — Ela gritou, fazendo Choi Young Do ter uma impressão completamente diferente dela mesmo não entendendo o que elas estavam falando. — Acha que só porque você se veste como uma garota eu não posso te dar um chute no meio das pernas?

Marcela ficou quieta. A mãe de Taila a deixou e contemplou a presença e aparecia de Choi Young Do.

—E quem é este belo rapaz?

—Meu namorado Choi Young Do, mas ele não fala a sua língua, ele fala só...

—Não seja por isso — a mãe de Taila, que se chamava Raquel tocou o rosto de Choi Young Do com as duas mãos e puxou o rosto do rapaz para baixo, deixando-o na altura do seu. E quando ele menos esperava, ela juntou os lábios do rapaz aos seus, fazendo todos arregalarem seus olhos. Inclusive ele, que não sabia o que fazer diante daquela situação.

—Mãe! — Taila gritou, empurrando a mãe para longe de seu namorado. — O que você está fazendo?

—Estava apenas fazendo um teste, queria saber se esse garoto é bom para você.

—Taila — chamou Choi Young Do em coreano, após ver que a namorada tinha ficado completamente furiosa com a reação de sua mãe — vamos conversar lá fora um minuto?

—Vamos — ela disse com uma expressão de obrigação.

Assim que os dois saíram, Marcela se aproximou de sua mãe e cochichou curiosa:

—Mãe o que foi isso?

—Eu sei que é namorado da minha filha, mas eu não pude resistir.

—Eu tenho certeza que ele ficou constrangido — ela cruzou os braços, quase como dando uma bronca em sua mãe. — Eu desejo a felicidade da minha irmã, mas que eu estou com inveja de você, eu estou.

Do lado de fora, eles se aproximaram do jardim. Taila estava rosnando de raiva, ela sabia que sua mãe fazia coisas sem pensar, mas aquilo ela nunca imaginou que ela faria. Choi Young Do embora surpreso, estava calmo. Tocou os braços dela para que ela parasse de se mexer.

—Está tudo bem.

—Como assim está tudo bem? O que me falta acontecer agora? O seu pai me roubar um beijo também quando eu for conhecê-lo? Que raiva!

—Não se preocupe, eu sei que é difícil resistir a minha beleza.

Ela apenas revirou seus olhos.

—Você está bem mesmo?

—Estou.

—Então por que você me chamou aqui fora?

—Porque eu estou constrangido demais para entrar lá dentro, mas de certa forma foi divertido...

—Divertido? — Ela ficou indignado e começou a lhe dar tapas, enquanto falava cerrando os dentes. — Você gostou de beijar a minha mãe?!

—Claro que não — disse ele, conseguindo segurar as mãos dela. — Mas você e ela são iguaizinhas.

—Por quê?

—Você também me roubou um beijo, não se lembra quando a gente estava doente?

Ela arregalou seus olhos, nunca imaginava que ele estivesse acordado.

—Espera! Você viu aquilo? Você deveria estar dormindo! Como você ousa saber quando eu te beijei?

—Ei! Você me beija e eu não posso saber disso?

—Claro — ela cruzou seus braços nervosa e seguiu o caminho de volta para dentro. Ele apenas a seguiu com as mãos nos bolsos, sorrindo enquanto via a namorada nervosa por motivos bobos. Ele sabia que aquilo era apenas ciúmes por gostar tanto dele.

Ela se virou de costas, fingindo estar brava. Quando de repente sentiu os braços dele se entrelaçando em volta de sua cintura, sorriu e se sentiu aconchegada quando ele pousou sua cabeça sobre o ombro dela e aproximou seu corpo do dela.

—Não se preocupe, eu não vou me importar se você fizer isso de novo.

Após Taila e Choi Young Do voltarem para o hotel à tarde, ela recebeu uma ligação de seu tio Ricardo. Ela não fazia ideia de como ele havia conseguido seu número de telefone, mas imaginava que pudesse ter sido Marcela quem lhe deu seu número.

—Tio Ricardo?... Claro que podemos nos encontrar, onde o senhor está?... Estou indo para aí.

Taila chegou a uma sorveteria ali perto, viu seu tio de longe. Ele estava dentro da sorveteria, mas ela o viu pela janela de vidro. Assim que a viu, ele a abraçou forte. Ela já imaginava a reação exagerada de Choi Young Do se visse mais algum homem a abraçando. Após abraçá-la, ele a convidou para se sentar na cadeira ao lado da dele.

—Como você cresceu! Nem parece mais aquela garotinha que corria para o colo do tio Ricardo por causa dos barulhos que vinham debaixo da cama. O Marcelo era um garoto muito atentado quando era pequeno. Nunca imaginei que o meu parceiro de futebol ia preferir passar maquiagem a sair para suar a camisa.

—É verdade — ela sorriu um pouco forçada. Estava incomodada a respeito de seu tio desde o último telefonema.

—Como está o seu pai, Taila? Estou tão preocupado. Ele me disse que não ia tratar do tumor. Se ele não tratar ele pode morrer muito rápido.

—Ele está no hospital, então eu não sei.

—Como assim você não sabe? Taila, você não está cuidando do seu pai mesmo sabendo que ele está doente?

—Eu estou tentando, eu tentei falar com ele. O senhor acha que eu não tentei.

—E você já desistiu?! — O tom dele era ríspido. Taila sentiu como se ele estivesse a culpando pelo que estava acontecendo.

—Tio, não é a minha culpa.

—Taila você e eu somos as únicas pessoas que restaram para o Roberto, as únicas pessoas que podem cuidar dele, sem nós, ele vai morrer sozinho.

—Eu ainda não entendo, por que ele nos afasta tanto?

—Porque ele gosta muito da gente. Principalmente de você. Taila — ele respirou fundo, colocando seus cotovelos sobre a mesa e entrelaçando seus dedos — eu vou te contar algo que você nunca deveria saber, ou já deve ter suspeitado. Ou simplesmente está confusa sobre tudo o que falam para você. Sobre esses tais testes que o seu pai inventou.

—O senhor sabe o real motivo de tudo isso.

Ele assentiu, passando a língua por entre os lábios.

—Eu vou te contar mais do que isso, vou te contar a história verdadeira da minha família.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado e não se esqueçam de deixar um comentário. Vejo vocês semana que vem, ou essa semana mesmo. Beijos