Consequências

37 Obrigado por se lembrar de mim


Notas iniciais
Oi gente, desculpa a demora para aparecer, mas finalmente cheguei!

Taila estava em seu quarto lendo um livro atentamente, quando Marcela entrou carregando consigo uma cesta de frutas. Ela colocou sobre a cama. Taila colocou o livro no criado-mudo ao lado da cama e avaliou a cesta de frutas.

—Suas frutas favoritas. Coma algumas, você vai recuperar as suas forças.

—Não estou com fome — ela respirou fundo cruzando seus braços. — Acabei de falar com o meu psicólogo. Mas eu não tive coragem de dizer a ele...

—Dizer o quê?

—Que eu estou me lembrando de algumas coisas.

—Está? — Marcela sorriu, empolgada. — E você já se lembrou de muitas coisas? Aposto que sim, acho que nem o Kim Tan estava conseguindo mais fingir que era seu namorado, principalmente agora que a namorada dele está indo embora.

Ela ficou surpresa. Não imaginava que seu amigo pudesse estar fingindo ser seu namorado por pena. Sentiu uma raiva esquentar seu coração, mas não deixou que Marcela percebesse. Resolveu fingir para conseguir mais informações:

—Claro, e eu o agradeço — engoliu com dificuldade. — Eu também me lembrei do Choi Young Do...

—Sério?! Até que enfim você se lembrou dele, acho que ele não aguentava mais ficar aqui e você o tratando dessa forma. Como você pode tratar o seu...

Choi Young Do entrou trazendo alguns livros em uma sacola. Ele entrou acanhado e Marcela sorriu empolgada para Taila, esperando que a irmã se explodisse nos braços do namorado. Ele jogou os livros sobre ela e se sentou no sofá, após pegar um cacho de uvas na cesta, e os comeu com bastante calma.

—O que você pensa que está fazendo? — Disse ríspida. Marcela estranhou a reação da irmã. — Não está vendo que eu estou doente. Eu posso me machucar se você ficar jogando coisas em mim.

—Ah, como você fala! — Resmungou ele, colocando mais uma uva na boca. — Sua língua deve estar cheia de calos.

—Como?! Ah, você tem sorte que eu estou doente. Se não eu iria te fazer se arrepender disso.

—O que você ia fazer em...?

—Eu ia te dar um golpe mortal.

—E aonde é que você aprendeu isso?

—Meu pai me...

—Gente parem de brigar! — Gritou Marcela incomodada. Virou-se para Choi Young Do e perguntou: — Será que posso falar com você um minuto?

—Claro! — Ele colocou as suas uvas em cima de uma mesinha que ficava perto da televisão e disse sério a Taila: — Não toque nas minhas uvas!

Ela sorriu indignada. Tudo o que pensava era que aquele garoto não passava de um folgado. Levantou-se de sua cama indo em direção as uvas.

—Suas uma ova, a Marcela comprou para mim.

Assim que ela se aproximou do cacho de uvas, percebeu que algo estava bem ao lado e fez um barulho. Era o celular de Choi Young Do que ele havia acabado de tirar do bolso. Mexer no celular de outras pessoas sempre foi algo que ela aboliu em toda a sua vida. Mas nunca sentiu tanta vontade na vida de mexer naquele celular. Depois de algum tempo tentando se convencer, ela colocou uma das uvas na boca e foi em frente, antes que eles voltassem.

Ligou a tela do celular e percebeu que ele não tinha senha. Deslizou seu dedo pela tela e uma foto surpreendente apareceu na sua frente. Ela estava na foto ao lado dele, na praia do Rio de Janeiro, estavam abraçados. Ela se espantou e abriu a galeria de fotos. Começou a vasculhar as fotos e em todas ela estava sorrindo e feliz. Até que algo finalmente a chamou atenção. Era um vídeo que ela havia feito quando fugiu à noite para a praia com Choi Young Do. Eles estavam falando em coreano, então ela não entendeu nada que falavam, mas ao final do vídeo, ela se aproxima de Choi Young Do e filma enquanto se beijavam.

Taila sentou-se de uma vez no sofá espantada. Aquela língua, nem aquelas lembranças conseguiam entrar novamente em sua mente. Ela não entendia o porquê. Respirou fundo, se levantou e seguiu em frente.

Há poucos instantes, Marcela havia chamado Choi Young Do para conversar. Assim que ele fechou a porta do quarto, ela começou:

—Choi Young Do, a Taila acabou de me contar algo que ela não contou ao médico.

—O que ela te contou?

—Ela está conseguindo se lembrar aos poucos — ele sorriu. — Ela me disse que havia se lembrado do Kim Tan e de você, mas ela não está agindo como se lembrasse.

—Tem certeza que ela disse isso?

—Claro que tenho.

—Eu vou falar com ela.

—Espera! — Ela o segurou por um instante. — O que você vai fazer? Lembra do que o médico disse? Se a assustarmos, ela pode inconscientemente não querer se lembrar.

—Não importa, eu vou fazer ela querer se lembrar!

Taila olhava para aquelas imagens com uma dor em seu coração. Nunca havia se visto tão feliz em toda a sua vida como naquela gravação. Tudo o que ela queria agora era poder se lembrar, mas ela só não sabia como ia fazer isso. Quando a porta se abriu, ela se atrapalhou com o celular, mas conseguiu o esconder a tempo para que ele não visse.

Choi Young Do ficou desconfiado, mas tudo o que ele tinha em mente agora, era ajudar Taila a se lembrar de todo o seu passado. Ele ainda estava estranhando o fato de ela só não se lembrar do que havia vivido na Coreia até o dia atual.

—O que está fazendo aí? — Perguntou ao entrar. — Não está mexendo nas minhas uvas, está?

—Engula as suas uvas — respondeu friamente enquanto caminhava em direção a sua cama. Choi Young Do nunca a viu falando daquele jeito com ninguém.

—Você está bem? Aconteceu algo?

—Posso te pedir um favor? — Ela estava séria. — Na verdade são dois pedidos.

—Pode fazer quantos quiser — a voz dele soou rouca.

—Fale comigo em coreano a partir de hoje — ele olhou em direção a ela, com esperanças no olhar. — Eu ainda não consigo me lembrar de você, mas eu realmente quero me lembrar. E o outro favor, é que eu gostaria que você chamasse o Kim Tan — ela tirou o celular dele de onde havia escondido — preciso falar com ele.

—Você viu alguma coisa importante aqui?

—Sim, eu vi. Eu não entendi nada do que eu mesma disse, estranho, não é? — Ela estava se fazendo forte, mesmo em meio a dificuldade de pronunciar as palavras. — Eu não me importo de não entender o que você diz, eu só quero ter minhas lembranças de volta. Isso não é justo Choi Young Do! — Ela começou a chorar, ele não conseguiu evitar, teve que ir consolá-la.

***

No jardim do hospital, Taila estava passeando um pouco. Era o seu último dia no hospital, pois em algumas horas receberia sua alta de seu médico. Kim Tan acenou de longe, estava feliz por conseguir convencer Chan Eun Sang a ficar por mais alguns dias. Assim que se aproximou de Taila, disse com um sorriso radiante:

—Sentiu minha falta? Eu estava resolvendo alguns assuntos importantes.

Ela apenas o encarou séria, fazendo o sorriso dele diminuir gradativamente.

—Aconteceu alguma coisa?

A mão de Taila se ergueu e avançou rumo a ele, deixando em seu rosto, uma marca avermelhada que queimava levemente. O rosto dele fez uma pequena curva para o lado. Ele se virou assustado, nunca imaginaria receber um tapa dela.

—Como eu pude chorar duas vezes por alguém como você?! Como você pode fazer a mesma coisa duas vezes?

—Do que você está falando?

—Por que você mentiu que eu era a sua namorada? Você não tem coração? Você não pensou que eu realmente gostasse de você?

—Eu fiz isso porque eu sabia que você ia sofrer se eu contasse a verdade. O que você queria que eu fizesse quando você me beijou daquele jeito?

—Que você fosse sincero. Eu não quero a sua pena. A única coisa que eu quero é me lembrar do Choi Young Do. Eu estava muito feliz naquele vídeo para ele ser uma pessoa ruim.

—Você nunca agiu dessa forma antes...

—Por isso você nunca teve respeito pelos meus sentimentos. Exibindo a sua namorada para mim na lanchonete do colégio... como você pode? Se não fosse o Choi Young Do eu teria chorado ali mesmo, na frente de vocês.

—Taila! — Disse ele surpreso. — Você está recuperando...

—Fica quieto que eu ainda não terminei!

O tom de voz dela era ríspido e ela estava muito nervosa. Ele sabia que merecia ouvir aquelas palavras duras. Sabia que nunca havia a tratado da maneira correta. Mas no fundo estava feliz, aquela discussão a estava fazendo se lembrar de seu passado.

—Você é muito cruel. Amiga? Acha que eu já te vi como um amigo algum dia? Acha que eu vim para a Coreia para ser sua amiga? Eu queria muito morar com você, mas quando descobri que você estava namorando aquela garota — uma lágrima escorreu pelo seu rosto — eu mudei de ideia e me lembrei imediatamente daquilo que você fez nos Estados Unidos. Eu preferia subir na moto de um estranho a ficar perto de você novamente.

—Por que você não fez isso antes? — Ele gritou ríspido. Ele sabia que Taila já havia se lembrado o suficiente para dizer também o que pensa. — Por que não me deu um tapa enquanto eu ainda estava lá nos Estados Unidos? Por que você fugiu? Se você me amasse de verdade, você teria permanecido ao meu lado...

—Para sofrer mais? Sofrer mais do que você me fez sofrer? Chorar todas as noites enquanto você estava na farra com o Jay, provavelmente era por isso.

—Se você me amasse você teria ficado ao meu lado, mesmo com os meus defeitos. Eu estava começando a gostar mesmo de você e eu te disse isso.

—Não! Você nunca gostou de mim. Não tente me enganar! Eu nunca fui o seu primeiro amor, isso foi uma mentira, não foi? Você estava apenas plantando a sementinha da esperança em mim de novo. Você queria que eu me sentisse mal por ter te abandonado enquanto eu esquecia aos poucos o que você fez.

—Acredite no que quiser! Se você sofreu tanto e ainda sofre, por que você voltou para perto de mim? Eu nunca pedi para você fazer isso. Não te pedi para ser minha amiga.

—Você é mesmo um idiota...

—Não sou um idiota. Eu fui um idiota. E se estou agindo assim agora, isso é por sua culpa. O que você faria se eu tivesse sido atropelado e te confundisse com a minha namorada? Você iria embora e me deixaria para trás?

—Não, eu não te abandonaria. Mas já que eu recuperei a minha memória, graças a você, pode seguir sua vida feliz ao lado da Chan Eun Sang e espero mesmo que ela nunca faça com você o que você fez comigo.

Ele apenas assentiu e tomou o seu caminho de volta. Ela se agachou abraçando suas pernas. Nunca imaginou que recuperaria suas memórias daquela forma. Sua cabeça estava latejando, mas seu coração estava doendo mais ainda. A sombra de alguém parou ao seu lado e uma garrafa d’água gelada encostou em sua pele.

—Sua garganta deve estar seca de tanto gritar!

Ao ouvir aquela voz, ela se levantou de uma vez e travou seus braços em volta da cintura dele que a abraçou de volta.

—Meu Young Do!

—Você finalmente se lembrou do seu verdadeiro namorado. Eu realmente estava ficando decepcionado com você — ela sorriu e disse olhando nos olhos dele.

—Eu nunca mais vou me esquecer de quão chato e lindo você é.

—Obrigado!

Ele a abraçou apertado, erguendo-a um pouco.

—Young Do onde estão os outros? O Park Soo Yong, a Yang Mi e o Myung Soo? Eu me lembro de que eles vinham frequentemente ao hospital. Eu realmente quero vê-los.

—Mais tarde — ele entrelaçou os dedos de sua mão aos dela. — Hoje você passar o dia comigo!

Notas finais
Gente, não esqueçam de deixar aquele lindo comentário de vocês e vejo vocês logo, ainda tem muita coisa para acontecer