Consequências

27 A verdade dói mais que a mentira


Notas iniciais
Oi gente, saudades? Desculpa a demora e de estar postando de 2 em 2 semanas, mas prometo que não vou parar de postar, então tenham paciência. 죄송합니다!

Kim Tan viu a cena de longe, estranhou Taila e Choi Young Do estarem brigando de repente e um cara estar jogado no chão. Resolveu largar seus amigos e Chan Eun Sang que se distraiu brincando com Lee Bo Na, e conferir o que estava acontecendo.

—Young Do será que você pode parar de agir assim?! — Gritou Taila, tentando o afastar de Jay.

Kim Tan acelerou o passo quando reconheceu o cara que Choi Young Do estava prestes a brigar. Ele se aproximou dele e lhe ofereceu a sua mão para se levantar. Assim que se levantou, os dois se abraçaram amigavelmente como faziam enquanto estavam nos Estados Unidos.

—Jay o que você está fazendo aqui? — Perguntou em inglês.

—Vim passar umas férias na terra da Taila. E você se dizia meu amigo e nunca mais falou comigo.

—Me desculpe cara, é que eu passei por tanta coisa.

—Você se casou?

—Não — ele sorriu ao se lembrar que agora ele estava ao lado de Chan Eun Sang. E percebeu que depois de um ano, Jay estava conversando calmamente e parecia muito mais sério do que quando eram próximos.

—Quem é ele Taila?! — Perguntou Choi Young Do, ainda nervoso de ciúmes.

—Ele é um amigo meu e do Kim Tan dos Estados Unidos.

—Está bem! — Conformou-se, mas olhando ainda furioso para ela, disse com um tom ríspido. — Mas escuta uma coisa aqui Taila Monteiro, pare de ficar abraçando outros homens dessa forma. Não me importo se você é brasileira e estarmos no Brasil. Se não for seu pai ou seu irmão, não quero que você abrace outros homens, ou então não poderemos mais ser namorados.

Ele se virou e caminhou com uma postura ereta, aquilo demonstrava que ele não queria ver Taila por um tempo. Ela respirou fundo, por mais que se sentisse culpada, sabia que Choi Young Do não podia impedi-la de abraçar o seu amigo. Mas por mais que quisesse confrontá-lo, sabia que ele estava sério e não queria perdê-lo. Confirmou para si mesma que nunca havia sentido por ninguém, o que ela sentia por Choi Young Do.

—Não se preocupe baixinha — disse Jay, apoiando o seu braço na cabeça de Taila. — O Kim Tan já me traduziu a discussão, eu não imaginava que você ia namorar com um coreano que não fosse o Kim Tan. Eu realmente shippava vocês dois.

—Que isso Jay — ela retirou a mão dele de sua cabeça — o Kim Tan e eu não temos nada a ver mais.

—Mas você veio somente para se divertir? — Perguntou Kim Tan interessado.

—Claro — disse ele, de repente sorriu como antes e disse animado — já viu um lugar que tem mulheres mais bonitas que o Brasil?

—Eu imaginava que você não viria apenas pelas ondas — disse Kim Tan, gargalhando.

—Eu concordo, as brasileiras são as mais bonitas do mundo — disse ela, dando um tapinha de leve no ombro de Jay.

Kim Tan apenas sorriu, sentiu como se estivesse voltando no tempo. Estando os três em uma praia, conversando descontraidamente. Taila respirou fundo e disse após conversarem um pouco sobre garotas, praia e brevemente sobre o motivo que levou Jay a cortar seus longos cabelos loiros.

—Vejo vocês mais tarde, tenho que ir conversar com um namorado rabugento.

—Está bem! — Disse Jay com um sorriso radiante.

Assim que ela chegou a barraquinha de água de coco, percebeu que Choi Young Do estava tendo problemas para se comunicar com o vendedor. Ela sorriu e parou para assistir um pouco da cena, ficou escorada na parede de braços cruzados, rindo. O vendedor e ele estavam ficando nervosos por não se entenderem. Ficou entretida, pois a mímica que ele fazia era inteligível para qualquer pessoa. Resolveu depois de um tempo ajudá-lo, se aproximando e traduzindo tudo imediatamente.

—Por que você está aqui traduzindo isso? Eu estava me comunicando muito bem aqui.

—Percebi — disse com ironia recebendo a água de coco. — Eu não acredito que você vai agir como um crianção só porque eu dei um abraço no meu amigo. Ah, Choi Young Do! — Gritou desanimada. — Você vai mesmo agir assim?

Ele continuou bebendo a sua água de coco, observando a praia e as pessoas que passavam. Quando duas garotas por volta de uns quinze anos passaram ao lado dele, e os olhos dele começaram a acompanhá-las. Taila se levantou e arqueou seu corpo sobre a mesa e segurou o rosto dele com as duas mãos, fazendo-o fixar seu olhar nela.

—Pare de olhar para outras mulheres. Eu sou a sua namorada aqui, ouviu?

O tom dela era ríspido, bastante parecido com o que ele havia falado com ela há pouco. Ele apenas assentiu, obediente. E eles sorriram um para o outro.

No dia seguinte, Taila resolveu ficar no hotel enquanto o grupo saiu para visitar o Maracanã. Seu pai estava na área de lazer do hotel, estava com seu notebook sobre a mesa e falando ao telefone. Estava administrando as suas empresas, sua empresa base ficava no Brasil, então aquela viagem lhe veio a calhar.

Taila se sentou ao lado do pai e pediu para que lhe trouxessem uma Coca-Cola gelada. Roberto desligou seu telefone e começou a digitar em seu computador. Sentiu uma pontada forte em sua cabeça, quase se estivessem enfiando uma agulha em sua cabeça, mas disfarçou para que Taila não percebesse.

—Pai por que você não me contou? Por que você esperou que eu descobrisse? — Ela disse em português.

—Descobrisse o quê? — Ele nem sequer estava prestando atenção no que ela estava falando.

—Que você está doente.

—Eu já esperava que você fosse descobrir, você adora mexer nas minhas coisas, desde pequena — ele não estava sequer prestando a atenção no que ela estava falando. — Mas o que isso importa agora?

—Como assim o que isso importa? Pai, se você não fizer tratamento você pode morrer.

Ele gargalhou, mesmo que parecesse estar mais triste do que feliz.

—Eu vou morrer de qualquer jeito Taila — falou em um tom grave, largando o computador e olhando para ela. — Minha doença não tem cura, mas é melhor eu morrer fazendo o meu trabalho e cuidando de você, do que ficar lutando deitado em uma cama de hospital.

—Mas pai, nós podemos pagar um tratamento caríssimo.

—Eu sei, mas eu não tenho mais tempo. Eu fui descobrir essa maldita doença em estado avançado. Apenas quero que você se divirta ao lado de quem você gosta e passe no último teste. Eu preciso saber que você está completamente pronta para cuidar de si mesma. E no futuro, da nossa empresa. Não seja fraca como você já foi, eu não suportaria ver você acordando em um hospital novamente.

—Então é por isso que você sempre me treinou? Por isso era frio comigo?

—Claro, quando passei a ser frio com você?

—Quando eu conheci o Kim Tan.

—E o que aconteceu?

—O Kim Tan me machucou, muito.

—E o que vai acontecer comigo?

—Você vai... — ela engasgou por um instante.

—Sim, eu vou morrer. Pelo menos você não vai sofrer tanto. E não vai deixar que as pessoas te machuquem. Minha intenção não foi fazer você sentir medo de mim, mas isso me ajudou a te ajudar a ser mais independente. E você quer mesmo saber porque eu pedi para que você não morasse comigo?

—Quero, sempre quis.

—Porque eu me lembrava da nossa família. E o que a sua mãe fez... ela me roubou e ainda me trocou por outro homem.

—Como? Mas pai, isso não pode ser possível.

—Por que você acha que eu te trouxe para morar comigo? — Aquele assunto o machucava muito, mas ele sentiu que devia dizer. — Você sempre soube que o seu irmão...

—Minha irmã!

—Que aquela coisa! Nunca foi meu filho de verdade, mas eu sempre o criei como meu filho. Eu nunca imaginei que sua mãe ia retirar quase metade da poupança da empresa e transferir para ela viver com um amante.

—A minha mãe nunca faria isso.

—Mas ela fez. Você sabe como eu a amava? As pessoas não amam pessoas ricas, elas amam o nosso dinheiro. Por que não vai falar com ela enquanto você está aqui? — Está aqui — ele pegou um papel e anotou algo. — Esse é o endereço de onde ela mora. Vá e comprove, e pare de agir como se eu fosse o cara mal da história.

—Eu vou, mas antes posso fazer uma última pergunta?

—Faça.

—Por que você sempre faz testes perigosos? Por que você sempre me coloca em perigo?

—Taila, você já parou para analisar todos os fatos? — Ele estava sério. Ela estava se sentindo encurralada, não sabia no que mais acreditar. — Você já percebeu que você não passou literalmente em nenhum teste e ainda você mesma se colocou em perigo? E você acha mesmo que eu fiquei de braços cruzados assistindo a minha filha correndo risco de vida? Eu já fui esse tipo de pai?

—Eu não sei nem sequer o que pensar mais de você.

—Pergunte ao Kim Tan, ele sabe há muito tempo de tudo.

—Como? Eu nunca disse nada a ele.

—Eu disse — ele confirmou calmo. Taila sentiu sua respiração se alterar. — Tanto que ele ficou te procurando depois de você ir embora, mas eu tive que dar um jeito nele. Fora que ele foi quem ele quem me ajudou a te salvar.

—Você está inventando histórias! — Ela gritou seus olhos estavam cheios de lágrimas. Bateu a mão sobre a mesa e continuou. — Você sempre está agindo dessa forma. Por que você não age como você agia quando eu era criança? Por que você tinha que mudar tanto? Você está morrendo... — ela pegou o notebook de cima da mesa — e a única coisa que você pensa é trabalhar! — Ela o lançou para dentro da piscina. Roberto ficou espantado e gritou:

—Você ficou maluca! Os meus relatórios estão todos ali dentro!

Ela não se contentou, tentou pegar o celular dele para lançá-lo também à piscina. Mas seu pai a segurou e após ouvir os gritos da namorada, Choi Young Do correu para ampará-la. Tentou segurá-la para que ela parasse de gritar, mas ela saiu correndo, tudo o que ela queria era tirar tudo o que seu pai havia lhe dito a limpo. Não conseguia sequer pensar, quando chegou ao andar debaixo, foi até os seus antigos seguranças e exigiu que eles a levassem até o endereço que seu pai havia lhe dado.

Começou a chorar intensamente, não podia acreditar que aquela viagem ao Brasil havia se tornado a pior ideia que já haviam lhe proposto. Ela repetia para si mesma que tudo o que Roberto falou, não passava de mentiras dele. Quando o carro parou, em frente a uma casa enorme, ela se espantou. Estava com medo do que ele dizia pudesse ser verdade.

Bateu à porta, o segurança a acompanhou. Como era filha de Roberto, era a única aluna que tinha permissão de se dispersar do grupo. Um homem atendeu, ela sabia que só podia ser um segurança, e perguntou pelo nome de sua mãe. O segurança lhe deu permissão após ela se identificar e confirmar com alguém da casa.

Quando o portão se abriu, ela caminhou em direção à casa. Ali mesmo na porta, ela pode ver a sua irmã, que era um garoto transgênero, que se considerava uma garota. Ela tinha um cabelo grande e negro, liso, que alcançava na cintura. Seus olhos eram azuis como o céu e sua pele era bastante clara, tão clara quanto a pele de Choi Young Do. Assim que a viu ela gritou ao sair correndo:

—Marcela! — Pulou em seus braços abraçando-a com força.

—Tailinha — ela disse com a voz abafada pelo abraço. — Deixa eu olhar para você — ela a soltou ainda segurando em suas mãos, avaliando todo os seu corpo e rosto. — Você realmente está linda. Você cresceu muito.

—Você também, parece que foi ontem que eu te vi se vestindo pela primeira vez como garota.

—Parece, não parece — ela disse tocando seu cabelo enorme. — Pena que o papai Roberto, ou melhor dizendo o senhor Roberto não gostou muito da ideia.

Taila apenas sorriu estava nervosa com o que ia encontrar pela frente, mas embora seu pai dissesse que ela havia lhe roubado, ela sabia que sendo casados, ela possuía direito a metade do dinheiro dele. Mas também sabia que seu pai nunca perdoaria uma traição.

—Venha! — Disse Marcela a arrastando para dentro. — Mae? — Ela chamou, nem sequer havia gritado ou algo do tipo.

Assim que uma mulher, vestida elegantemente, morena, dos cabelos ondulados como os de Taila e olhos fortemente castanhos apareceu, ela se espantou. Aquela era a mãe que ela não via há nove anos.

—Taila? — Ela correu em direção a menina, completamente emocionada. Taila estava ainda mais vermelha, não havia parado de chorar desde que havia saído de casa. Sua mãe a abraçou, um abraço apertado e confortável que ela não sentia há muito tempo.

—Filha! Como você está meu amor?

—Estou bem — ela disse rapidamente. Havia aprendido com seu pai.

—Eu mal posso acreditar que você voltou para nos visitar...

—Eu disse que ela viria — disse Marcela, com uma expressão animada. — Embora muito ligada ao senhor Roberto, a Taila ainda pertence a essa família.

—Eu não vim para ficar — disse ainda engasgando com as suas lágrimas.

—Como? — Perguntou sua mãe séria. — Seu pai disse que se você um dia viesse aqui, ele nunca a aceitaria de volta.

—Isso não importa mais. Agora eu moro na Coreia do Sul e o papai... ele logo não vai mais agir dessa forma...

—Vaso ruim não quebra filha.

—Mãe, a senhora não o traiu, não é mesmo? A nossa família não acabou e chegou a esse ponto por causa da senhora, não é mesmo?

—Foi isso que ele te contou? — Ela ficou séria.

—Foi.

—Ele está mentindo...

—Mãe! — Gritou Marcela indignada. — Ela não é mais criança, diga logo a verdade para ela!

—Por que eu diria, o Roberto já enfiou um monte de mentiras na cabeça dela.

—Taila, o seu pai está certo — disse Marcela, deixando a sua mãe furiosa. — Foi exatamente o que aconteceu. Mas não fique triste, ela traiu o meu pai com o seu.

—Marcelo! Vá para o seu quarto agora!

—Eu vou — disse ela, tocando no rosto de Taila, suavemente. — Eu vou porque eu sei que a senhora vai contar a verdade para ela e não quero ficar aqui ouvindo as suas mentiras. Somente diga a verdade logo.

—Taila, filha! — Ela passou a mão no rosto da filha, desesperada. Taila ficou incomodada com aquele toque.

—Mãe só me diga a verdade, prometo que não vou te odiar.

—Mas e o seu pai...?

—Esqueça dele por um instante. A senhora realmente traiu o papai e fez com que ele ficasse assim?

A mãe dela respirou fundo e disse:

—Eu nunca pensei que o Roberto me daria uma filha tão linda como você. Você e a Marcela são tudo para mim. Mas é verdade, eu sempre fui ambiciosa — ela segurou na mão de Taila e começou a refletir — e seu pai, Roberto Monteiro. Eu nunca o segui ou o forcei a gostar de mim, na verdade, meu primeiro marido, o pai da Marcela sempre havia sido tudo para mim. E eu nunca amei ninguém como amei aquele homem, nem mesmo o seu pai — aquilo doeu em Taila, ela sabia como era amar alguém que não a ama e mesmo assim brinca com seus sentimentos. — Mas o seu pai era rico e eu precisava cuidar da Marcela. Foi então que depois de nos envolvermos, eu me divorciei do pai da Marcela e me casei com o Roberto. Ele sempre foi um homem apaixonado e fazia tudo por mim, mas era um homem cansativo e grudento. Ele ainda não era dono da empresa, pois seu avô ainda estava vivo, e quando o seu avô mandou que ele me deixasse, ele prometeu abandonar tudo por mim. Mas se fosse para ele ficar pobre, eu preferiria deixá-lo. Foi então eu descobri que estava grávida e ameacei o seu avô. Ele quase me expulsou do país, mas resolveu me aceitar porque queria um neto saudável. Depois eu conheci outro rapaz e finalmente pude... Taila, eu não sei se devo contar.

—Continue — seu coração estava doendo, mas ela nunca havia antes, entendido seu pai tão bem.

—Está bem, depois de nove anos você me aparece me cobrando isso... Taila, eu não me sentia como uma mulher para o seu pai, eu nunca quis ficar com ele — Taila sentiu-se traída também e aquilo doeu. — Eu realmente não queria te contar isso, mas a verdade é que eu queria uma vida nova ao lado de outro homem e me divorciar do seu pai, iria me trazer muito dinheiro, e foi o que fiz. Mas me arrependi no dia em que ele me tirou você.

—Não se preocupe mãe.

—Se ele não tivesse me levado a força, após saber disso eu iria com as minhas próprias pernas.

Notas finais
Bom gente, não esqueçam de deixar um comentário, vejo vocês logo! Beijos 안녕!