Consequências
11 A proposta
Notas iniciais
Taila nunca havia passado por uma situação como aquela antes. Ela estava diante de uma situação em que ela só havia vivenciado assistindo a filmes na televisão. Embora nenhum deles fosse Kim Tan, ela sabia que ambos estavam sendo sérios naquilo que eles diziam e isso de certa forma a assustava.
Ela não teve tempo de escolher um lado, quando se deu conta, os seguranças do hospital vinham em direção a eles, e seguraram Choi Young Do, imediatamente, imobilizando-o para que ele não fugisse. As enfermeiras correram em direção ao Park Soo Yong perguntando se ele estava bem.
–Eu estou bem... — ele tossiu e colocou a mão com o punho fechado em frente a boca. — Nós só estávamos brincando. Ele ficou muito feliz por eu estar bem, por isso aconteceu essa cena...
–Nós sabemos exatamente o que aconteceu aqui! Foi uma cena de violência desse rapaz — a enfermeira fez questão de apontar para Choi Young Do.
–Vocês vão fazer o quê? Me expulsar do hospital? — enfrentou Choi Young Do, ainda sendo segurado pelos seguranças.
–O que vocês estão esperando? Tirem esse delinquente daqui!
A enfermeira gritou. Taila por fim tomou sua consciência. Até aquele momento, ela estava tentando entender a proximidade de Park Soo Yong e Choi Young Do e o motivo de Choi Young Do ter ficado tão furioso de repente. Quando retomou sua consciência, ela pulou sobre um dos seguranças tentando impedi-lo de expulsar Choi Young Do. Que tanto ele quanto Park Soo Yong se assustaram com a ação repentina dela.
O segurança conseguiu derrubá-la de cima dele, e arrastá-la com ele. Choi Young Do conseguiu se soltar do segurança e dar-lhe um soco no rosto. Os dois brigaram com os seguranças em meio aos pacientes que acabaram de passar por cirurgias e problemas graves que estavam ali para descansar. Assim que os seguranças conseguiram os domar, eles foram expulsos do hospital e jogados para o lado de fora. Choi Young Do estava furioso, ele não sabia se estava com mais raiva de Park Soo Yong ou do fato de provavelmente não poder mais ficar com seu pai. Mas a parte boa era que ele sabia que seu pai estava bem e a ruim era que logo ele voltaria para a prisão.
–Choi Young Do, me desculpe por aparecer aqui de surpresa — ela estava com o olhar baixo, de uma forma que ele nunca a havia visto antes. — Se eu não tivesse vindo provavelmente o Park Soo Yong não teria me reconhecido.
–Ah, pare de falar! — resmungou ele. Sentia-se irritado de uma forma que nunca havia se sentido antes. — Eu sabia que você viria, na verdade, eu esperava que você viesse. Mas eu não sabia se você viria depois de ver o Kim Tan. Se você ainda morar na minha casa, podemos dividir o mesmo taxi.
Ele caminhou apressadamente em direção à rua com as mãos nos bolsos. Ela sorriu, não sabia o porquê, mas quando Choi Young Do a tratava bem, ela sentia seu coração saltitar de felicidade. E uma vontade estranha de sorrir para todos que via pela frente. Caminhou em direção a ele, que já estava na calçada pedindo um taxi.
Assim que se aproximou dele, agarrou com suas duas mãos o braço dele. A outra mão dele estava na porta do carro, ele já estava pronto para entrar no taxi, quando sua atenção foi chamada. O olhar dele foi de raiva, detestava quando ela fazia aquilo em público.
–O que você quer? — puxou seu braço, mas não obteve o resultado que esperava. Ela permanecia segurando-o.
–Vamos caminhando.
–Você está maluca? Sabe o quanto a minha casa fica longe daqui?
–Precisamos conversar.
–Podemos conversar no carro...
–Não! — ela puxou-o para trás fazendo com que ele se afastasse do carro e empurrou a porta do carro com o pé direito, fazendo com que a porta se fechasse no mesmo instante. Apoiou-se na janela do passageiro e disse ao motorista: — Desculpe senhor, nós vamos andando.
Ela puxou o braço de Choi Young Do, enquanto o carro partia. Ele estava cansado, não havia dormido há noite e havia passado o dia com seu pai, tudo o que ele queria era ir dormir na sua cama aconchegante. Ele começou a caminhar, mas novamente puxou seu braço de volta e desta vez Taila não o impediu.
–O que você quer me dizer?
–Eu vim ver como você estava, você não me parece nada bem. Você e o Park Soo Yong tem um passado tão ruim assim?
–Eu praticava bullying com ele.
–O quê?
–O Kim Tan e eu sempre estávamos na sala da diretora, ele era o melhor aluno do colégio e sempre estava participando de competições com o olho roxo.
–E por que vocês faziam isso?
–Não é obvio? Ele era um bolsista, tínhamos que manter a nossa dignidade. Eu nunca gostei dele, porque ele sempre se fazia de coitadinho na frente de todos, mas por trás, ele sempre foi uma pessoa que está sempre engando os outros para conseguir o que quer. Não suporto pessoas com esse tipo de personalidade. Isso responde a sua pergunta?
–Sim — ela andava no mesmo ritmo que ele, o que não era um ritmo tão lento assim. Permanecia andando lado a lado com ele. Quando resolveu olhar para a lua, que estava cheia e brilhante. Continuou caminhando enquanto olhava para cima. — Então foi por isso que você brigou com ele há pouco? Por causa de uma coisa que aconteceu anos atrás, ou pelo fato de eu tê-lo abraçado?
Choi Young Do ficou incomodado com aquela pergunta. Percebeu naquele momento que nem ele mesmo sabia o motivo e sequer sabia o que dizer a Taila. Ele definitivamente não aceitaria que estivesse com ciúmes dela. A única pessoa que ele amava era Chan Eun Sang e ele sabia que não a havia esquecido ainda.
–Como essa lua está bonita! — mudou ela mesma de assunto quando percebeu que ele estava nervoso com algo. Ele parou para olhar também. Taila caminhou mais um pouco e acabou tropeçando em um nível mais alto da calçada. Caiu de frente e seus joelhos acabaram raspando no chão grosso e áspero da calçada.
–Você está bem? — ele se aproximou preocupado. A mão dela, que ele havia feito o curativo no corte, agora estava mais machucada ainda. Ela tratou de se levantar, mas suas pernas estavam tremendo por causa da queda repentina.
–Estou. Foi só um arranhão. Não é a primeira vez que isso me acontece.
–Então você consegue andar, não é?
–Consigo — ela começou a caminhar, mas seus passos eram lentos e suas pernas estavam bambas, como se não conseguissem se fixar direito no chão.
–Francamente, é assim que se comporta uma garota que treinou artes marciais pesadas?
–Não me faça te bater, Choi Young Do! — fechou a cara para ele, que fez o mesmo assim que ouviu essa frase.
–Está bem, se você queria andar, então me acompanhe!
Ele acelerou o passo, estava com pressa e mesmo havendo andado tanto, eles não haviam chegado nem na metade do caminho. Tentou acompanhá-lo, mas ele estava andando muito rápido. Então começou a gritá-lo, mas ele fingia não ouvir. Foi então que ela abaixou-se e pegou uma pedra, não muito grande e jogou na direção das costas dele. Ele provavelmente havia se machucado, pois gritou muito alto assim que a pedra o acertou e voltou-se nervoso para ela:
–Você tem algum problema? Você jogou uma pedra em mim!
–Você não quis parar!
Ele caminhou firme na direção, assim que se aproximou dela, segurou firme em seus braços e falou com seus olhos saltando fogo:
–Será que você pode parar de me importunar? Quando uma pessoa vira as costas para você, significa que você não é importante para ela.
–Mas você voltou, eu ainda não significo nada para você? Nem mesmo como sua escrava?
Ele não sabia o que dizer, nem mesmo ela sabia o que dizer. Eles permaneceram um longo tempo somente se encarando.
–Acho que você já pode me soltar...
Ela foi interrompida quando ele puxou-a na sua direção e abraçou-a firme. Ela se espantou, pois esperava antes receber um tapa na cara dele do que um abraço. Um abraço firme e aconchegante. Uma mão dele estava nas suas costas, perto de seus ombros e a outra encostada na sua cabeça. Aquele era um abraço doce e inocente. Não entendia o motivo, mas pela primeira vez, ela sentiu que queria sempre que se machucasse, sentir aqueles braços fortes e aquele corpo quente, encostado ao seu.
Era de manhã, o horário de sempre que os alunos do colégio Jeguk estavam chegando para mais um dia de aula. Quando um aluno entrou pelo portão andando. Ele usava o uniforme do colégio, mas as pernas da calça eram muito menores do que deveria ser para o tamanho dele e o casaco estava aberto, provavelmente, ele não iria conseguir fechar mesmo se tentasse. Seu cabelo estava bagunçado e assim que entrou no colégio foi para a sala da diretora.
Como ele estava de uniforme, ela pediu que ele entrasse e se sentasse como qualquer outro aluno.
–O que você deseja?
–Eu gostaria de saber se o colégio ou a senhora podem me dar uma bolsa de estudos para estudar aqui?
–Como? Você possui alguma recomendação, ou algum motivo para nós lhe darmos uma bolsa de estudos.
–Meu nome é Park Soo Yong, seis vezes o aluno com a maior nota do país.
Ela se assustou, pois sabia exatamente quem ele era. Vasculhou na mesa as fichas do histórico do colégio Jeguk e viu a foto dele, como o aluno número um do colégio. Naquela época Yoon Chan Young ficava sempre em segundo lugar.
–Como a senhora pode ver, é uma honra pagar para eu estudar no seu colégio.
Ela poderia até mesmo não ter gostado da atitude do rapaz, mas tudo o que ele disse era verdade. Ainda mais com o fato de ele ser um aluno de dezoito anos, já prestes a se formar. Seria ótimo para o colégio se um garoto inteligente como ele levasse no histórico o nome do colégio Jeguk.
–Pois bem, arranje um uniforme decente, você começa suas aulas amanhã.
–Está bem! Mas já que eu estou aqui, vou passear pelo colégio, eu estava com saudades desse lugar.
Ele saiu da sala da diretora e foi em direção ao corredor, onde os alunos pegavam as suas coisas antes de irem para a aula. Por onde ele passava, todos começavam a comentar sobre a roupa dele. A maioria eram alunos novos, então não chegaram a conhecê-lo.
Ele resolveu subir para o terraço, o sol brilhava com força. Estava um dia quente. Ficou observando o jardim de lá de cima. Haviam algumas pessoas passeando por lá, mas eram poucas. Os alunos daquele colégio preferiam ficar dentro da sala conversando sobre quem tinha mais dinheiro, do que sair e aproveitar a natureza.
Percebeu que havia um casal abraçado, sentado em um banco debaixo de uma árvore. Não conseguia ver direito, mas conseguiu reconhecer o rapaz. A moça, ele não conseguiu ver seu rosto. Um ódio surgiu dentro dele naquele momento, mas ao mesmo tempo ele sorriu e disse irritado:
–Então você tem uma namorada, Kim Tan! Você e o Choi Young Do podem esperar, porque eu irei me vingar de vocês dois. Farei o mesmo que vocês fizeram comigo.
Ele não sabia o que fazer, já que a última pessoa que ele queria fazer sofrer, era Taila. Sua heroína, a pessoa que lhe proporcionou uma vida mais longa e saudável.
–Você é o Park Soo Yong? — uma voz vinha da porta de entrada. Havia um homem com por volta de quarenta e poucos anos. Ele estava de terno e com as mãos nos bolsos. Se aproximou de Park Soo Yong que respondeu:
–Sou eu, quem é você?
–Meu nome é Roberto Monteiro — ele estendeu a mão para o rapaz que apertou-a firme — eu sou o pai da Taila. A garota que pagou a sua cirurgia.
–É mesmo? — ele curvou-se diante de Roberto que fez com que ele se levantasse imediatamente.
–Não precisa se curvar para mim. Eu vim aqui lhe fazer uma proposta muito interessante, que pode lhe trazer muito dinheiro e ainda posso te aprovar para ficar com a minha filha.
–É mesmo? E o que é?
–Você está afim de participar de um teste?
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