Consequências
9 A dor de um abraço
Ele caiu em desespero. Não pode evitar que as lágrimas começassem a escorrer e começou a sentir uma dor forte no peito, como se algo tivesse sido arrancado dali. Taila pensou em se aproximar para consolá-lo, ela não entendia o porquê, mas vê-lo daquela forma também a machucou. E quando realmente tomou coragem para dar o primeiro passo, ela percebeu o olhar de Kim Tan que conseguia repreendê-la apenas com o seu olhar. Choi Young Do segurou firme no suéter de Kim Tan e perguntou desesperado:
–Em que hospital ele está agora? Eu preciso vê-lo.
–Eu te levo lá. Não posso deixar que você vá sozinho nesse estado. Vamos!
Taila moveu-se vagarosamente com a intenção de ter coragem e abraçar Choi Young Do e acompanhá-lo até o hospital. Mas Kim Tan com o olhar novamente.
Ela estava bastante preocupada com Choi Young Do, nunca o havia visto tão desesperado. E queria a todo custo poder consolá-lo.
Choi Young Do caminhava com dificuldade, apoiava-se o tempo todo em Kim Tan. Como sempre, os dois lembravam-se que eram amigos somente nos momentos de dificuldade. Sentaram-se lado a lado no banco de trás. O motorista de Kim Tan deu partida no carro. E de repente uma parada brusca ocorreu, fazendo os dois quase baterem seus rostos nos bancos da frente. Observaram para descobrir o motivo da parada. Taila estava na frente do carro, impedindo que ele prosseguisse.
–Eu preciso ir com vocês!
–Será que ela não tem noção? Ela sempre faz isso? — murmurou Choi Young Do. Ele pensou em sair e falar com ela ou pedir para ela entrar, mas Kim Tan saiu antes do carro, seus passos eram pesados e firmes. Ele parou de frente a ela e apertou seus braços com força e tirou-a da frente do carro e mandou que o motorista seguisse viagem. Fixou seu olhar no dela e perguntou com a voz ríspida e o tom grave.
–O que você pensa que está fazendo?
–Eu quero ir com vocês.
–Você não precisa ir. O que você está fazendo aqui?
–Eu... Kim Tan eu...
–O motoqueiro desconhecido... como eu poderia ser tão idiota, claro que só podia ser ele. Então esse era o motivo da discussão com a Rachel.
–Isso não importa agora. Nós decidimos que seremos amigos agora. Isso significa que ele precisa de mim...
–Amigos? — ele começou a rir com ironia. — O que foi que eu te ensinei sobre amigos? Eu não te disse que amigos podem se tornar seus piores inimigos? Principalmente quando eles sabem demais sobre você?
–Eu nunca disse nada sobre mim para ele.
–Eu duvido. Eu não vou permitir que isso aconteça! — ele gritou.
–Kim Tan! — ela gritou, seus olhos se encheram de lágrimas. Aquela não era a primeira vez que eles haviam brigado. Ela simplesmente detestava quando ele agia daquela forma, a machucava bastante. — Como você pode dizer algo assim? O que você quer que eu faça?!
–Eu não disse que você não pode ter amigos, eu só pedi que essa pessoa não fosse o Choi Young Do...
–Por quê? Por que essa pessoa não pode ser ele? — retrucou-o gritando. — Por que você sabe que ele gosta da sua namorada? Porque vocês dois devem ter brigado bastante por causa dela? O que eu tenho a ver com isso?! — ela gritava cada vez mais alto. Ele parou para olhar para baixo por um instante. Tocou seu lábio como se tivesse se machucado, massageando-o enquanto pensava no que diria em seguida.
–Taila — disse com a voz rouca — qual foi o motivo de você ter ido embora? Por que eu sinto que você está me escondendo alguma coisa?
Ela respirou fundo. As lembranças foram inevitáveis naquele momento. Sentiu um aperto forte em seu coração. Agachou-se no chão escondendo o seu rostos nas suas pernas. Ele agachou-se em frente a ela, e olhando para o céu, ele continuou:
–Eu nunca fiquei com você, não era porque eu nunca gostei de você, mas porque eu sempre fui horrível com você. Eu sabia que não merecia os seus sentimentos, mas eu me arrependia do que eu fiz. Você foi embora no momento mais complicado para mim, no momento em que eu não sabia se gostava ou não de você.
Ela ergueu a cabeça espantada, seu rosto estava encharcado. Aquelas foram as piores palavras que ela já havia ouvido na vida. As palavras de que seu sonho poderia ter terminado por sua própria impulsividade.
–Isso é mesmo verdade? Você não está mentindo para mim?
–Eu não prometi que nunca mentiria para você? Naquela época as coisas ficaram vagas para mim. O Jay nunca me deixava em paz e sempre queria levar mulheres para a minha casa, como você sabe, eu nunca recusei. Eu estava sozinho de novo, a única pessoa que havia ficado comigo por quem eu era, e não pelo que eu tinha, também me deixou. E quando eu vi a Chan Eun Sang correndo atrás da irmã dela, eu não me lembrei de só como é ser deixado pelo seu irmão. O Won nunca tinha gostado de mim mesmo. Mas eu me lembrei que até mesmo as pessoas que mais amam a gente pode nos deixar um dia. Eu prometi para mim mesmo que nunca deixaria a Chan Eun Sang fugir de mim, ou me abandonar. E agora que você está aqui... não faça isso de novo — os olhos dele se encheram de lágrimas também. — Não vá embora de novo. Mesmo que eu não te ame como uma mulher, eu ainda amo você como uma irmã mais nova.
Ela passou seus braços em volta do pescoço dele, aproximou seu corpo o mais próximo possível do dele. Agora entendia o porquê do seu amor por ele nunca tê-la deixado. O abraço foi tão longo que os dois sentaram-se no chão, pois suas pernas começaram a doer.
Taila lembrou-se do dia em que deixou-o para trás. Ele estava em sua casa como de costume, bebendo ao lado de Jay e de mais duas mulheres que estavam preparadas para uma noite de farra com os dois. Taila entrou na casa correndo, ela não queria ir embora de jeito nenhum e estava pensando seriamente em desistir dos testes. Ela sempre havia sido frágil e teria que viajar para outros países para ter boas habilidades de luta, seu pai foi quem decidiu.
Ela lembrou-se que no dia anterior, ela havia caído do skate, ele estava tentando ensiná-la. Ela apenas arranhou os seus joelhos, mas ele fez questão de cuidar dela e dar-lhe um leve beijo suave em seus machucados com se aquilo fosse ajudar a dor parar. Ela não sabia se estava ou não entrando no coração dele, pois ele sempre havia sido gentil com ela. Mas à noite, após a festa de réveillon, à meia noite, ela sentiu algo mais forte, quando ele se aproximou dela e encostou seus lábios suaves aos dela. Ela não conseguiu mais olhar os fogos de artificio, pois seu coração já estava queimando por dentro.
Mas assim que avistou-o beijando a garota desconhecida, ela congelou. Sentiu-se traída, sem nem mesmo ter começado a namorar com ele. E quando o beijo terminou, ele avistou Taila, arrependendo-se amargamente do que havia feito. Ele havia a beijado somente após muita insistência de Jay. Kim Tan ficou paralisado, da mesma forma em que ela estava.
–Taila! — gritou Jay ao vê-la. — Você chegou na hora certa para a gente se divertir...
Ela não deu tempo para que ele terminasse a frase, saiu correndo na mesma hora. Ele largou a mulher ao seu lado e correu atrás de Taila. As escadas eram longas, mas a pressa deles era tanta que subiram mais rápido do que poderiam imaginar.
–Taila, espera!
–Esperar o quê? — ela parou de correr e virou-se para ele. Ele se aproximou e segurou em seus braços com força.
–Isso que aconteceu aqui foi um erro.
–Erro foi o que aconteceu ontem à noite — ela tentava fugir dele, mas ele era mais forte do que ela. — Você brincou com os meus sentimentos, você é mesmo um idiota. Eu pensei que você estava se tornando uma pessoa melhor, mas duvido que isso vai acontecer.
–Isso não é verdade.
–Agora eu entendo, esse é o sinal para eu te esquecer. Tudo o que nós vivemos juntos, esqueça. Porque será o que eu vou fazer. À partir de hoje, continue agindo como se nunca tivesse me conhecido...
–Me desculpe! — disse ele, fazendo-a voltar a realidade.
–Agora eu entendo — ela soltou-o e sorriu ao olhar para ele. — Aquele não era o sinal para eu te esquecer, mas esse é.
–Quê?
–Eu quero que você seja feliz com a Chan Eun Sang. Por favor, nunca magoe ela. Porque se você fizer isso, provavelmente você vai perder outra garota que te ama para o Choi Young Do — ela sabia que estava dando a entender para Kim Tan que estava gostando de Choi Young Do, mas aquela era mesmo a sua intenção.
–Você está gostando do Choi Young Do?
–Não! — ela sorriu sem graça. Ela sabia que ele pensaria que ela estaria mentindo, por isso disse a verdade a ele. E era o que ela queria, começar a gostar de Choi Young Do, mas seu sentimento por Kim Tan era muito forte para isso. — Mas eu não vou embora, não importa o que você faça ou diga. E se eu começar a gostar dele, mesmo que seja mais um amor não correspondido, eu não vou evitar nem tentar controlar qualquer sentimento.
Ele respirou fundo e tocando o ombro dela, ele sorriu e disse com um olhar calmo:
–Eu não me importo se você começar a gostar dele, quer dizer, acho que ele é um cara que merece uma garota legal como você — de repente a expressão dele mudou e ele ficou com um olhar assustador —, mas você quer morrer? Acha mesmo que eu vou deixar você morar aqui sozinha com ele? Acho bom você arranjar um hotel para ficar se não quiser vir morar na minha casa... ou melhor, eu posso pedir a Chan Eun Sang para você morar com ela.
–Não precisa, morar com qualquer um de vocês daria no mesmo para mim...
–Você acha mesmo? — cruzou os braços e sorriu indignado. — Amanhã eu venho buscar as suas coisas para te levar para a casa da Chan Eun Sang...
–Você está maluco, acha que eu quero morar com a sua namorada? — ela abaixou a cabeça e murmurou para si mesma: — Só se eu fosse uma masoquista.
–Não me provoca mocinha! Não está vendo que eu tenho o dobro da sua altura, você deveria me chamar de Oppa aqui na Coreia.
Ela revirou os olhos. Aquela era a forma de Kim Tan demonstrar seu afeto, mas ela não conseguia se conformar com aquilo.
–Você sabe que eu não gosto de honoríficos. E você nem é mais velho que eu para começar! Eu já disse que eu não vou morar com a Chan Eun Sang, eu vou morar com o Choi Young Do e ponto final. E por falar nele, eu tenho que ir vê-lo.
Taila foi para o hospital, sem a companhia de Kim Tan. Havia deixado para ir à noite para não encontrar nenhum de seus colegas lá. Ela foi conduzida ao quarto em que o pai dele estava, o quadro dele estava estável e logo acordaria do coma.
Assim que saiu do elevador, ela avistou Choi Young Do no quarto conversando com Rachel, a porta estava aberta. Nunca imaginou que os dois pudessem ser próximos. Ela parecia estar consolando-o, ao mesmo tempo em que parecia estar brava com ele. Taila preferiu manter-se longe do quarto. O horário de visitas já estava acabando, então ela preferiu apenas assistir aos dois conversando. Nem sequer conseguia ouvir o que eles diziam.
Rachel foi embora cinco minutos antes do horário de visitas acabar, Taila preferiu não entrar. Queria apenas passar mais cinco minutos somente olhando para Choi Young Do cuidar de seu pai. Ela apenas ficava olhando como ele conferia o soro e a respiração do pai, e o tempo todo conferindo os batimentos cardíacos dele.
Ela apenas sorria. Assim que os cinco minutos se passaram, ela apenas resolveu sair dali. Ela estava com medo de que eles começassem a brigar ali mesmo no hospital. Começou a caminhar e ouviu passos de pessoas vindo em sua direção, provavelmente estava tendo alguma emergência em algum lugar. De repente as mãos de uma pessoa passaram em volta de sua cintura envolvendo o seu corpo. Era um abraço forte e apertado. Ela não tinha certeza de quem era aquela pessoa, mas suas palavras foram apenas.
–Obrigado por vir.
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