Consequências

7 É preciso coragem para ser sincero


Taila se assustou tanto com as palavras dele, quanto com sua reação. Ele sempre havia odiado seus abraços, e ela ainda não havia esquecido o que havia acontecido mais cedo. Com muita dificuldade ela conseguiu fugir dos braços fortes dele, que pareciam ter uma necessidade de ficarem envolvidos no corpo dela. Ela ficou de pé. A expressão dele, ainda era de indiferença.

–Você está maluco? Por que você está me abraçando? Eu ainda estou brava com você.

–Brava comigo? — ele colocou o braço sobre a testa e disse erguendo as sobrancelhas, embora ela não tivesse notado bem. — Pelo quê?

–Pelo quê? Você quase brigou com o Kim Tan e ainda espalhou um monte de boatos estupidos sobre mim...

–Ah, como você é irritante. Eu só fiz isso para poder parar a sua discussão com a Rachel, vocês sabiam que as vozes de vocês são extremamente chatas.

–Choi Young Do!

–Eu não pretendia... Não era a minha intenção chegar ao que chegou, mas eu também não imaginava que o Kim Tan ia entrar na história. Isso é tudo culpa do seu amigo protetor. Pelo jeito que ele anda protetor com você, logo a Chan Eun Sang vai precisar de mim...

–Ei! — gritou ela de repente. — Você não tem orgulho não?

–Tenho. E pensando bem, tenho muito mais orgulho do que você — ele apoiou sua cabeça sobre o seu braço.

–Do que você está falando?

–Você fica agindo como amiga dele mesmo sabendo que só o enxerga como homem...

–Do que você pensa que está falando? Nem no Kim Tan eu penso mais...

–Então você deve estar gostando de outro cara...

–Não começa, Choi Young Do — ela preparou-se para dar o primeiro passo, mas acabou parando na metade do percurso. Ele ficou curioso com a reação dela. — A propósito... — o tom dela era bastante sério, mas de repente a entonação mudou e acabou ficando um pouco mais agudo que o comum. — Eu vou fazer a sua lição de casa agora, então eu vou entrar no seu quarto.

–À vontade. Só não mexa nas minhas coisas!

Ela seguiu em frente rumo as escadas. Ele somente fechou os olhos e virou-se para o lado para continuar dormindo. Taila estava ainda incomodada com algo, e isso a impedia de todas as formas de continuar seu percurso e subir as escadas rumo ao quarto dele. Resolveu por fim, voltar em direção ao sofá.

–Você... — começou ela, sem que ele abrisse os olhos. — Choi Young Do! Você ouviu alguma coisa do que eu disse?

–Claro que ouvi, senão eu não teria acordado.

Ela arregalou seus olhos assustada. Ele abriu os olhos, pois sentiu uma energia estranha. Ela nunca ficava calada após uma resposta dele. Ela deu passos curtos para trás, como se tivesse sido pega no flagra. Ele sorriu torto, parecia estar somente se divertindo com a situação, mas a intenção dele era acalmá-la.

–Se você está irritada, vá gritar longe de mim. Esses seus barulhos me incomodam.

–Você não ouviu nada além disso?

–Por quê? Você estava se declarando pra mim? — ele sorriu de repente. Ela nunca havia visto aquele sorriso antes, era um sorriso sincero, de alegria.

–Claro que não! — sua expressão assustada, se transformou em alivio e vontade de sorrir. — A pessoa que eu gosto já sabe que eu gosto dela.

–Você é tão sem graça. Vá embora e me deixa dormir.

Ela sorriu radiantemente. Ele apenas observou de rabo de olho, enquanto fingia voltar a dormir. Ela respirou fundo aliviada e subiu as escadas com uma expressão leve no rosto. Assim que ela desapareceu, ele sentou-se e começou a esfregar os cabelos com as duas mãos, incomodado.

–Testes? Ela sempre fica dizendo isso. Mas o que essa garota faz exatamente? Eu não sei porque, mas eu estou ficando incomodado com esses tais testes. Será que ela está correndo perigo? Talvez eu deva protege... — parou para pensar em um instante, enquanto observava seu reflexo em um espelho pendurado na sua sala. — Não seja idiota Choi Young Do. Ela treinou artes maciais pesadas... e também já tem o Kim Tan pra protegê-la. Eu vou simplesmente esquecer essa história.

No dia seguinte, Choi Young Do estava deitado no sofá do estúdio de Myung Soo, conversando com o amigo, que havia tirado mais centenas de fotos. Mas que ainda insistia em perguntar a Choi Young Do sobre a história de Taila haver dormido na casa dele. Choi Young Do aproveitava para contar a história verdadeira dele com Taila em tom de piada para o amigo, que também estava se divertindo com a situação.

–Ei, vocês dois! — chamou Lee Bo Na, que entrou com vários livros nas mãos. — Vocês vão mesmo ficar aqui? Vocês deviam estar estudando para vestibular?

–Você fez essa entrada de repente para isso? — disse Choi Young Do decepcionado. — Eu não pretendo fazer vestibular. Pelo menos não agora.

–Você é um delinquente mesmo. Levanta desse sofá! — a voz dela havia sido aguda, mas também suave. — Nós estamos fazendo um grupo de estudos e vamos começar em uma hora.

–Eu vou lá! — disse Myung Soo animado. — Por que você também não vem, Choi Young Do?

–Não, eu vou ficar aqui mesmo. Preciso dormir um pouco.

–Lee Bo Na! — chamou Myung Soo. — A Chan Eun Sang também vai estudar?

Ela respirou fundo. Ainda sentia ciúmes de Chan Eun Sang de Yoon Chan Young.

–Vai. Todo mundo da nossa classe vai se reunir hoje, então, apareçam lá.

Ela saiu do estúdio em seguida, enquanto ela saía, todos permaneceram em silêncio. Myung Soo resolveu perguntar novamente a Choi Young Do.

–Você tem certeza que não vai se reunir com o grupo? Acho que vai ser bom... pelo menos você vai poder estudar pra administrar a sua rede de hotéis.

–Eu sei — disse ele pensativo. Seus pensamentos pareciam ir além do que ele podia controlar. Ele ainda não conseguia tirar as palavras de Taila da cabeça. — Eu vou pensar nisso ainda. Pelo menos o vice-presidente ainda está administrando tudo.

–Você não quer assumir a presidência?

–Eu não sei. Eu ainda posso tentar me decidir sobre isso.

–Nossa — começou Myung Soo de repente — você está mesmo sério. A Chan Eun Sang fez você mudar mesmo em...

Choi Young Do abriu seu belo sorriso de repente e disse com uma voz fofa:

–Você acha mesmo?

–Claro que sim! — confirmou Myung Soo, colocado a mão debaixo do queixo e afinando sua voz.

–Com licença! — uma garota bela, dos cabelos longos e negros, e pequena entrava no estúdio com os braços para trás e os dedos entrelaçados entre si.

–Olá! — disse Myung Soo se levantando da poltrona onde estava sentado. Choi Young Do sentou-se no sofá para ver quem estava se aproximando.

–Oi, meu nome é Jang Yang Mi, desculpe ir entrando assim, mas eu vim para conversar com o Choi Young Do.

–Com ele?!

–Comigo?!

–Sim — ela abaixou o olhar. Parecia estar muito constrangida por estar em frente aos dois. — Você poderia conversar rapidinho comigo?

–Está bem.

Myung Soo preferiu sair do estúdio por alguns instantes para que seu amigo pudesse ter uma conversa com a garota. No fundo, ele estava com inveja de Choi Young Do, pois havia achado a garota linda e mesmo não sabendo o que ela ia dizer, ele ainda queria estar no lugar dele. Assim que ele saiu, ela permaneceu em silêncio e Choi Young Do pigarreou para que ela começasse.

–O que você quer falar comigo?

–Sunbae*, eu... — ela ficou vermelha, estava muito envergonhada. Ele estava começando a ficar preocupado com a garota, ela parecia estar passando mal com a situação. — Sunbae! Você está saindo com alguém?

–Hã? — ele sentiu-se estranho por receber uma pergunta daquelas de uma garota que ele nem sequer conhecia. — Eu... — hesitou em responder. Ele já havia percebido quais eram as intenções da menina, sua mente ficou vaga naquele instante. — Não estou saindo com ninguém.

–É sério? — ela sorriu aliviada. — Eu pensei que você estava saindo com a Taila. Está todo mundo falando isso.

–Não. A Taila e eu não estamos saindo, nós somos amigos.

–Amigos?

–Sim!

–Ela sempre me disse que você não passava de um completo estranho para ela.

–Vocês são amigas?

–Eu não sei, ela nunca me diz isso claramente. Às vezes, nós passamos um longo tempo conversando e outras ela finge que não me conhece.

–É assim que ela trata as pessoas próximas.

–Mas...

–O que você quer comigo mesmo?

Ela ficou envergonhada novamente, como se ao falar de Taila, ela pudesse ter tido mais facilidade em conversar com ele.

–É que... eu acho que... eu estou tendo sentimentos por você...

–Quê? — ele ficou surpreso com uma declaração espontânea como aquela.

–Então, eu queria ter certeza de você não está saindo com a Taila, para perguntar se você não quer sair comigo.

–Sair com você? — ele estava extremamente confuso. Pois ainda tinha sentimentos por Chan Eun Sang, sentia uma vontade estranha de proteger Taila, e havia acabado de receber uma declaração de uma garota bonita. — Eu acho que... quando pode ser esse encontro?

–Você está mesmo aceitando sair comigo? Você está aceitando meus sentimentos?

–Calma! Eu estou apenas tentando descobrir se eu posso ou não aceitar.

Ela sorriu. Ainda estava acanhada, mas seu sorriso era radiante. Ela realmente parecia ter sentimentos sinceros por Choi Young Do.

Era quase meia-noite na casa de Choi Young Do. Taila estava em seu quarto em frente a escrivaninha terminando de escrever uma redação. As roupas dela e de Choi Young Do haviam chegado misturadas da lavanderia, ela estava com poucas roupas em sua mala e não gostava de fazer compras. Mesmo não entendo o motivo ela acabou roubando uma das camisas de Choi Young Do para usar como pijama. Ele sentia-se muito mais confortável. Como ele tinha muitas camisas, ela tirou a conclusão de que ele não iria notar.

Assim que terminou a lição, ela resolveu ir à cozinha para comer alguma coisa. Sempre sentia fome após estudar. Estava com bastante sono, então estava quase se arrastando pelo corrimão da escada. Ela carregava consigo um caderno e as folhas com a redação que havia acabado de fazer. Colocou-as sobre a mesa e foi em direção a geladeira. Tirou uma jarra de suco de vidro e virou-se para ir em direção ao armário e buscar um copo.

Choi Young Do estava em seu quarto, ele não conseguia dormir. Não fazia ideia do que aqueles testes poderiam ser e nunca havia perdido o sono assim antes, exceto quando Chan Eun Sang desapareceu. Ele resolveu descer para poder tirar essa história da cabeça. Ele desejou naquele momento que Taila não tivesse o acordado antes de começar a se debater no chão.

Ele percebeu logo que ela estava na cozinha e mesmo ainda mantendo a sua pose, ele queria conversar com ela sobre aqueles tais testes. Ele se aproximou dela, e percebeu que ela estava dormindo em pé diante do seu copo de suco, segurando a jarra.

–Ei! — balançou sua mão em frente ao rosto dela. — Você está dormindo em pé? Ei! — gritou.

Ela abriu olhos assustada e gritou em seguida, soltando a jarra que caiu em cima do pé de Choi Young Do e se partiu completamente quando se chocou com o chão. Ele ficou extremamente irritado, pois até aquele momento, estava pensando em ter uma trégua com ela.

–Você me assustou!

–Você é mesmo uma inútil! — ele levantou o pé para massageá-lo. A pancada havia sido forte.

–Ei! Por que você está acordado?

–Eu não posso ficar acordado na minha própria casa? — ela ficou em silêncio por um instante, não sabia o que dizer.

–E por que você está acordada? — ele abaixou-se automaticamente para recolher os cacos.

–Porque eu estava fazendo a sua redação — ela bocejou novamente — E você?

–Eu... — ele ergueu o olhar para falar com ela, mas só naquele momento percebeu que ela estava usando sua camisa e que também, estava usando somente ela, suas pernas estavam completamente nuas e à mostra. Acabou tendo uma visão privilegiada das pernas dela e nunca havia ficado constrangido como naquele momento. Ele pigarreou e disse com a voz ríspida e o tom alto: — Por que você não está me ajudando. A escrava aqui é você e não eu.

Ela respirou fundo irritada e agachou-se de uma vez, ficando de frente para ele. Que permanecia olhando diretamente para os cacos de vidro e com uma expressão séria no rosto.

–Por que você está acordado?

–Porque eu não consigo dormir. Por que está tão difícil descobrir quem você é de verdade?

–Talvez porque essa é a resposta, você não deve saber nada sobre mim.

–Taila... — disse pela primeira vez o nome dela. — Eu menti para você.

–Quando você mentiu?

–Ontem. Eu ouvi o que você disse sobre os testes. Você tem certeza que eu ainda não posso saber sobre isso?

Ela sentiu como se seu mundo estivesse ficado preto e branco naquele momento. Não sabia como sequer reagir a aquela situação.

Notas finais
Sunbae: veterano Bom, eu gostaria de desejar um feliz aniversário para a leitora Phaella, que está sempre acompanhando a fanfic e esse foi o meu presente de aniversário. Não esqueçam de comentar o que vocês acharam do novo capitulo e o que vocês acham que vai acontecer e o que vocês quiserem. Vejo vocês no capitulo 8.