Conselhos Amorosos
1 Capítulo I Livro Do amor
Notas iniciais
Espero que gostem
Cansado da solidão? Há uma maneira de encontrar alguém especial para você. Centenas de felizes casais já experimentaram esses bem-sucedidos métodos para encontrarem-se. Esse guia vai revelar onde encontrar em Dallas todas as pessoas solteiras e realmente interessantes... Como você.
Sakura Haruno riu ao ler a contracapa de Encontrando o Parceiro Perfeito, o livro que encontrou sobre sua mesa de trabalho. Os colegas nunca se cansavam de atormentá-la por não ter uma vida amorosa. O livro insípido e aparentemente fútil devia ser o último truque da equipe. Ao examiná-lo, encontrou um bilhete preso na capa. "Venha falar comigo sobre esse assunto. Ino."
Agora sabia quem era a culpada. Ino Yamanaka era sua chefa, a editora dos cadernos de moda, lazer e comportamento do Tóquio Journal, e recentemente autoproclamara-se coordenadora de estilo de vida para a própria Sakura- Chan. Levando o volume, Sakura deixou a mochila sobre a cadeira e dirigiu-se ao escritório de Ino.
— Isso é alguma piada? — perguntou ao entrar.
Ino ergueu os olhos do monitor do computador.
— É claro que não, querida. Nunca faço críticas ou julgamentos a respeito do estilo de vida escolhido pelas pessoas. É seu trabalho.
— Encontrando o Parceiro Perfeito é um trabalho? — Sakura perguntou, colocando-se ao lado da mesa da chefa e cruzando os braços. Isso parecia ser interessante.
— Esse livro é a última moda na cidade. Todos falam sobre ele, e as prateleiras das maiores livrarias estão repletas de exemplares. Para ser franca, gostaria de tê-lo escrito. Poderia me aposentar em alguns meses. Mas o que todos querem saber é... o resultado é o prometido? Também gostaria de saber a resposta.
— Quer dizer que espera encontrar casais que tenham se conhecido por causa do livro?
Ino balançou a cabeça e riu. Sakura já havia visto esse sorriso antes, na ocasião em que ela a mandara a um concerto de rock e sugerira que entrasse nos camarins para viver a experiência de ser uma fã ardorosa. Quase fora presa, mas conseguira sair do teatro com um autógrafo do vocalista da banda. Ino tinha um talento especial para planejar matérias insossas.
— Isso seria muito aborrecido — ela decretou. — Quero que teste os conselhos pessoalmente e tente encontrar sua cara metade.
— Ei, espere um minuto! Quer que eu encontre alguém? Um homem?
— Não disse que deve se casar com ele, caso o encontre. Só quero saber se consegue localizá-lo usando as sugestões do livro e redija suas experiências durante o processo.
— Quer que eu divulgue minha vida afetiva para toda a cidade?
— Não se trata de sua verdadeira vida afetiva. É trabalho. As colunas serão publicadas sem sua assinatura.
— Não sei... — Sakura hesitou. — Posso até ver as manchetes da primeira página do caderno de comportamento. Sakura Haruno Não Consegue Encontrar Namorado Nem Para Salvar a Própria Vida. Repórter Atrai Tipos Estranhos e Canalhas da Pior Espécie.
— Não se menospreze querida. A única razão pela qual ainda não encontrou alguém é que está procurando nos lugares errados. Com alguma ajuda passará a pesquisar nos locais adequados. Além do mais, não estará nisso sozinha. Quero ter uma visão masculina sobre o assunto, também. Designaremos um dos rapazes para a mesma matéria.
— Qual deles?
— A escolha é sua. Como a nomeei para a missão sem perguntar se estava interessada, vou deixá-la ao menos decidir qual será o parceiro ideal para a tarefa. Ainda terão de cumprir as tarefas normais, é claro, mas poderão trazer os relatórios de despesas relativos ao artigo especial. Mal posso esperar para ver nossa primeira coluna! Hoje é quarta-feira. Acha que pode trazer alguma coisa para o jornal da segunda?
O que significava que Ino esperava algo para o final de semana. Havia planejado ler e relaxar em seu apartamento, ouvindo música suave e cuidando da alimentação, mas pelo visto os planos teriam de ficar para outra ocasião.
— Sim, acho que posso produzir algum material até lá, mas não garanto que seja algo interessante ou digno de uma publicação.
— Sei que vai conseguir. Bem, deixei mais algumas tarefas para você na rede. Poderá vê-las assim que ligar o computador. O de sempre, como já deve esperar. Casamentos, novos restaurantes e a estreia de uma banda. Faça sua mágica para nós, sim, querida?
Sakura ainda não havia saído quando Ino voltou a concentrar-se no computador.
Mágica era o que tinha de fazer todos os dias para transformar os artigos em notícias interessantes, Sakura pensou desanimada enquanto voltava à sua mesa num canto da redação. Como um periódico pequeno e recente, o Journal não tinha o orçamento ou a reputação necessário para que publicassem histórias elaboradas ou entrevistas com grandes celebridades. O jornal também não pagava salários muito altos, e por isso precisava estender a magia para o orçamento doméstico. Mesmo assim, não trocaria o emprego por nada, exceto por um posto de correspondente internacional de um veículo de grande porte. Mas isso não aconteceria enquanto trabalhasse para o Tóquio Journal. Aprendera a apreciar sua posição como a única redatora de moda, lazer e comportamento.
Uma vez diante da mesa, ligou o terminal de computador c começou a trabalhar. Escreveu quase uma dúzia de notas de casamento para a edição de domingo, acrescentando seu toque de humor de forma a torná-las mais interessantes que as matérias normalmente utilizadas para preencher espaços vazios na maioria dos jornais. Depois usou o telefone e marcou uma entrevista com o assessor de imprensa da banda que se apresentaria em breve, mas não conseguiu confirmar se a pessoa em questão era mesmo um antigo colega de faculdade, como imaginava. E então era hora do almoço.
Quando levantou a cabeça, notou que a redação estava vazia. Era quarta-feira, dia em que Jiraya cobria a reunião semanal do conselho de cidadãos. Dois outros repórteres pesquisavam a reação dos moradores dos bairros envolvidos nas decisões da semana, e o restante da equipe devia ter saído para fazer um lanche perto dali. Sendo assim, sua única opção era ir almoçar sozinha.
Resignada, colocou o chapéu de veludo negro na cabeça, pendurou a mochila nos ombros e saiu levando o livro. Aproveitaria a solidão para começar a examinar o material que Ino escolhera para o que chamava de coluna especial.
Sah comia a salada enquanto lia. O livro parecia ser uma compilação dos conselhos encontrados nas revistas femininas, ou das sugestões que todas as mães ofereciam quando decidiam que desejavam ter netos. A única coisa que o diferenciava dos outros era o fato de estar vendendo bem. A cidade devia estar repleta de solitários.
— Ora, se não é a Chapeleira Maluca!
A voz interrompeu sua concentração e ela olhou para cima... para cima... e para cima, até encarar o homem que acabara de falar.
— Olá, Naruto — cumprimentou com tom doce ao deparar-se com o redator de esportes do jornal. — O que o faz misturar-se conosco, pobres mortais alheios ao mundo esportivo?
Naruto Uzumaki deixou a bandeja sobre a mesa, sentou-se e ofereceu aquele sorriso que fizera tantas garotas perderem o sono na época em que eram colegas na Universidade de Tóquio.
— Como vão as coisas no leste europeu, senhora correspondente internacional? — ele devolveu, fazendo-a lembrar de porque nunca se sentira derreter com aquele sorriso.
— Oh, ainda estão lutando, e eu cubro a situação de uma distância segura. — Melhor não demonstrar como o comentário a feria. Os únicos momentos em que se sentia insatisfeita com a própria vida era quando ele mencionava seu sonho de estudante. Na época em que ela e Naruto haviam trabalhado juntos para o jornal da faculdade, ela nunca o deixara esquecer que era apenas um esportista que escrevia, enquanto ela seria uma repórter séria, uma correspondente internacional. Agora Naruto retribuía o favor com constantes provocações sobre seus antigos e grandiosos objetivos.
— Encontrando o Parceiro Perfeito — ele leu a capa do livro entre uma mordida e outra do hambúrguer gigante. — Vejo que finalmente decidiu fazer alguma coisa por sua vida social.
— Veja só quem fala! Não conseguiu nem arrumar uma acompanhante para a festa de Natal do ano passado.
— Nem você.
— Bem, isso não é para mim. É trabalho. Ino quer que eu teste os conselhos oferecidos pelo livro.
— Boa ideia. Se surtirem algum efeito para você, todos os considerarão úteis. Tóquio será a cidade dos casamentos.
Sakura tentou pensar numa resposta ácida, mas teve uma ideia melhor. Em silêncio, estudou o homem sentado do outro lado da mesa. Era um exemplar típico do atleta sedutor, uma imagem que parecia ter saído diretamente das fantasias de uma líder de torcida; cabelos loiros e arrepiados, olhos azuis e um corpo perfeito. Mas não jogava futebol desde o primeiro ano da faculdade, quando uma lesão no joelho interrompera sua carreira. Felizmente havia sido alfabetizado, ou não teria como ganhar o próprio sustento. E era basicamente uma boa pessoa... quando não estava falando com a SaKura. Era um milagre que ainda fosse solteiro. Mas não seria um homem livre por muito tempo, se pudesse pôr em prática o plano que acabara de traçar.
Lutando contra o sorriso que ameaçava distender seus lábios, ela perguntou:
— Como vão as coisas em Fukushima? Essa é a época mais tranquila do ano, não?
— Sim, é tudo muito calmo durante os meses que sucedem a última etapa do rodeio. Os peões passam o tempo jogando, conversando e discutindo os rumores da cidade. Por quê?
Ela abaixou a cabeça e deslizou a ponta do dedo pela superfície gelada do copo.
.
— Bem, preciso de uma visão masculina sobre essa questão dos envolvimentos afetivos em Tóquio. Ino me deu liberdade para escolher quem quisesse e... Acho que escolhi você. Gostaria de ver se tem sorte.
Naruto quase sufocou com o pedaço de hambúrguer que acabara de morder, e bebeu quase a metade do copo de refrigerante antes de encontrar algum alívio.
— Eu? — disparou com voz rouca. — Não preciso de ajuda pura encontrar uma parceira.
— Eu não disse que precisava, embora não me lembre de tê-lo visto com alguém ou de ter ouvido comentários a respeito de sua vida amorosa. Só disse que gostaria de ver se esses conselhos surtem algum efeito para você. Além do mais, deve estar menos ocupado que qualquer outro membro da equipe nesse momento.
— Quer que eu me exponha como um pedaço de carne no açougue e depois escreva sobre isso?
— É o que terei de fazer. Por acaso considera-se diferente de mim? Qual é o problema, Naruto? O grande jogador está com medo de um punhado de mulheres frágeis e indefesas?
— Indefesas? Duvido! Especialmente se forem como você. E não estou com medo. Apenas tenho coisas melhores com que ocupar meu tempo.
— Que coisas? —Sakura perguntou, demonstrando uma curiosidade que ia além do debate profissional. Há muito imaginava o que o Adônis de Tóquio fazia em suas horas de folga, e por que nunca via o nome dele nas colunas sociais.
— Coisas — ele repetiu encolhendo os ombros, apesar do rosto ruborizado. — Faço ginástica para manter esse corpo perfeito, o que não é nada fácil lê as publicações especializadas em minha área de trabalho, como a Sports Illustrated e a Tóquio F.C assisto jogos pela televisão e apresento um programa de rádio. Como deve ter percebido, estou sempre muito ocupado.
— Parece precisar mais que eu de uma vida social. Goste ou não, Uzumaki, você está nisso comigo. Apresentarei seu nome a Ino esta tarde.
Desta vez foi Naruto quem sorriu com ar malicioso.
— Se vou ter de fazer essa matéria, podemos ao menos torná-la interessante. Que tal uma aposta?
— Por que todos os homens têm sempre de transformar as menores coisas em competições? O esporte deve confundir seus cérebros.
— Assim tornaríamos tudo mais divertido, e os leitores também se interessariam mais pelo assunto, mesmo que não saibam sobre nossa pequena batalha pessoais. Seja honesta, Sah-chan. Tem alguma intenção de levar essa pesquisa a sério?
— Sempre encaro meu trabalho com seriedade.
— Não foi isso que perguntei. Não tenho dúvidas de que sua coluna será fascinante e bem redigida. Mas vai mesmo tentar encontrar alguém, ou apenas seguirá os passos sugeridos pelo autor?
Sah teve de refletir antes de responder. Para ser franca, não tinha nenhuma esperança de encontrar um verdadeiro relacionamento ao longo da tarefa.
— Está bem, admito que tenha razão — disse.
— Eu já imaginava. E que interesse teria uma coluna bem escrita, sem qualquer conteúdo de provocação? Mas, se tivermos um incentivo que nos leve a tentar de verdade, faremos o tipo de trabalho capaz de vender muitos jornais.
— Muito convincente Uzumaki. Mas que tipo de aposta tem em mente, e como pretende declarar o vencedor? Quem encontrar um parceiro primeiro, por exemplo?
— Estava pensando em algo mais significativo que isso. Que tal... Quem desenvolver um relacionamento duradouro?
— Não. Teríamos de esperar o primeiro rompimento para dar a aposta por encerrada.
— Então, o primeiro que tiver três encontros com a mesma pessoa, e tem de ser alguém por quem haja um interesse genuíno, não só um parceiro através do qual se possa ganhar a aposta.
—Naruto! Isso é o mesmo que encontrar um parceiro primeiro!
— E? Bem, talvez tenha razão.
— Sabia que isso era algo comum ao gênero masculino.
— Do que está falando?
— Dessa expectativa de dormir com alguém depois do terceiro encontro.
Ele ficou vermelho da raiz dos cabelos até o pescoço. Que bonitinho... é tímido!, Sah notou.
— Não... não foi bem isso que eu quis dizer —Naruto gaguejou. — Só estava tentando explicar que, depois de três encontros com a mesma pessoa, já é possível imaginar que haverá um relacionamento de verdade, em vez de um punhado de encontros sem importância. E isso significa que há mais que uma simples atração pela pessoa em questão.
— Está bem, três encontros — ela concordou com um suspiro. — E não pode ser só para vencer a aposta. Vamos estabelecer mais um ponto: o vencedor perde o direito ao prêmio se deixar de ver o parceiro nas duas semanas seguintes à vitória.
— De acordo. E se houver um encontro mais íntimo, a aposta será dada por encerrada. Mas vai ter de ser corajosa o bastante para contar, e terá de apresentar evidências.
— Três encontros comprovados por alguma evidência —Sah estabeleceu com firmeza. — O que vai fazer nessas ocasiões é problema seu.
— Perfeito. E agora, vamos decidir qual será o prêmio. O perdedor lava o carro do vencedor?
— Esqueça! Meu carro é tão velho que pode desintegrar depois de uma lavagem completa.
— Que tal lealdade e servidão por uma semana?
— A que tipo de servidão se refere?
— Deixe de ser maliciosa, Sakura Chan! Estou pensando em algo útil, como lavar os pratos, cuidar da roupa, limpar a casa e encarregar-se de todas as tarefas aborrecidas da vida.
— Concordo. Vou ter de começar a pensar em algum jeito de mantê-lo ocupado.
— Não conte com a vitória antes de tê-la nas mãos. Posso estar enferrujado, mas já fui o terror de Tóquio.
— Se tiver sorte, sua reputação jamais será conhecida por aqui.
— Acho que vou começar a acumular roupas na lavanderia — ele riu.
— Antes de começarmos a fazer planos com relação à aposta, é melhor traçarmos algumas linhas mestras para a nossa tarefa.
— Tem razão. Qual é a primeira coisa que devemos fazer? Sakura abriu o livro no primeiro capítulo e respirou fundo.
Continua
Notas finais
Fazia tempo que não escrevia uam Fic Narusaku meu casal preferido ao lado de Naruhina, sei que parece locura gostar de dois casais opostos, mas fazer o que eu gosto.
Quem vcs acham que ganha apsota? Naruto ou Sakura?
E vcs acham que um livro pode mesmo ajuda encontrar sua cara metade?
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