Conselhos Amorosos
2 CAPÍTULO II Lição nunmero um
Notas iniciais
Espero que gostem
CAPÍTULO II
Pode parecer óbvio, mas um dos melhores lugares para se conhecer membros do sexo oposto é numa casa noturna. Quase todos estarão lá esperando encontrar alguém, e é certo que você conhecerá pessoas interessadas num relacionamento. A probabilidade de essas pessoas serem ativas e abertas também é maior. Escolha um lugar especializado no tipo de música que você aprecia, e será mais fácil conhecer alguém com quem tenha algo em comum. Uma vez lá, vá para a pista de dança. As pessoas sentem-se atraídas por quem parece estar se divertindo. Se não estiver com disposição para dançar, experimente sentar-se e ler um livro ou escrever uma carta. Esse tipo de atividade certamente vai gerar interesse e é uma excelente maneira de iniciar uma conversa.
Naruto verificou o número do apartamento antes de bater na porta. Era difícil acreditar que Sakura Haruno vivia num lugar como esse. Se fosse sua filha, irmã, parente distante ou alguém com quem tivesse qualquer tipo de relação, não a deixaria morar sozinha nessa vizinhança. Por outro lado, o edifício ficava perto do hospital e da faculdade de medicina e, se algo acontecesse, o socorro seria rápido. Pela aparência do lugar, a maioria dos moradores era composta por estudantes e médicos esfomeados.
Sakura — chan estava pendurando um enorme e colorido brinco na orelha quando abriu a porta. Naruto não sabia se olhava para ela ou para o apartamento, cujo interior era quase tão sombrio quanto o restante do bairro. Prateleiras improvisadas a partir de caixotes vazios sustentavam dezenas de livros, cartazes de cinema e teatro cobriam boa parte das paredes, e o velho sofá já tivera dias melhores.
Quanto a Sakura — chan... Estava habituado ao estilo excêntrico da colega, mas nunca a vira como hoje. Ela usava uma espécie de macacão negro e colante que a cobria como uma segunda pele dos ombros aos tornozelos. O decote redondo revelava o início da curva dos seios, e a saia transparente num leve tecido indiano não escondia o formato das pernas esguias e bem torneadas. Uma boina negra escondia os cabelos rosa e curtos. O resultado era sexy e devastador, e embora o objetivo da noite fosse conhecerem outras pessoas, de repente já não sabia se queria vê-la com outro homem.
— Uau! — Naruto exclamou. — Você está ótima! O que me faz pensar que, talvez, minha roupa não seja adequada à ocasião — disse, olhando para a calça jeans e a camisa branca. — Não sabia como me vestir para ir ao Dance Days. — Na verdade, não sabia como ela conseguira convencê-lo a aventurar-se no mais frenético e eclético bairro da cidade, onde a vida noturna era simplesmente explosiva.
— Você está bem — Sakura garantiu. — As pessoas que frequentam Dance Days vêm de todas as partes de Tóquio, e certamente pensarão que é um conservador, ou um turista.
— Obrigado pelo incentivo. Isso me faz ter fortes esperanças quanto a esta noite. Mas lembre-se, amanhã iremos dançar música country.
— Como quiser Romeu. Vou buscar minha bolsa e sairemos em seguida. — Sakura desapareceu por um instante e voltou trazendo uma minúscula bolsa pendurada numa corrente muito longa. Ela parou do lado de fora do apartamento, trancou a porta, aguardou a chave na bolsa e pendurou-a no ombro.
— É melhor usarmos meu carro — disse quando atravessavam a rua.
— Por quê? Não quer ser vista numa caminhonete? — Naruto provocou.
— Bobagem! A questão é que meu carro é velho demais para ser roubado, e estacionar é quase um milagre naquela região. Meu Corolla Toyota 1979 pode ser espremido em espaços nos quais sua caminhonete jamais caberia.
— Se insiste...
Mas Naruto quase mudou de ideia quando viu o carro. O Corolla era mais velho que qualquer um deles! Ficaria melhor num museu do que percorrendo as ruas da cidade, mas não estava em condições de ser exibido entre obras de arte e outras peças antigas.
— Tem certeza de que essa coisa pode nos levar até lá e trazer de volta? — perguntou hesitante, estudando o automóvel.
— É claro que sim. Talvez queira afastar um pouco o banco. O que realmente queria era sentar-se no banco de trás e esticar as pernas até o painel. Talvez assim pudesse encontrar um pouco de conforto. Não sofria de claustrofobia, mas a falta de espaço era quase sufocante. E quando Sakura — chan acomodou-se atrás do volante, Naruto teve a impressão de que sua temperatura subia como um foguete. A roupa colante e reveladora não era apenas sensual, mas estonteante. Temendo asfixiar-se, abriu a janela a fim de respirar um pouco de ar fresco.
Sakura dirigia como uma profissional, e minutos mais tarde chegavam ao bairro mais agitado de Dallas.
— Venha — ela disse ao descer do carro. — Vamos ter de andar alguns quarteirões.
A multidão reunida diante da casa noturna, uma espécie de massa de rostos maquiados e corpos vestidos de negro, era muito maior do que Naruto esperava para uma noite de quinta-feira.
— E ainda nem é final de semana! — comentou surpreso.
— É quase. Algumas pessoas começam há celebrar um pouco mais cedo.
— Pela aparência dos frequentadores desse lugar, a celebração não acaba nunca — ele indicou espantado com a variedade de áreas do corpo que se podia enfeitar com brincos e joias.
— Não seja tão crítico, Naruto. Pense na possibilidade de encontrar sua cara metade lá dentro.
— Duvido! — Tatuagens não o atraíam, e preferia cabelos cujas cores fossem mais naturais. Não que tivesse algo contra o verde e o roxo, mas...
Sakura parou na porta do que parecia ser um velho galpão, e ele aproveitou para segurar seu braço.
— Espere um minuto. Não há nenhuma placa. Como sabe que aqui funciona uma casa noturna?
— O lugar está aberto há pouco tempo, mas não há dúvida quanto ao endereço. Na verdade, estive aqui há algumas semanas para fazer uma matéria, e a placa ainda não foi colocada porque todas as noites uma multidão é deixada do lado de fora, quando a lotação da casa se completa. Com esse sucesso, quem precisa pensar em publicidade?
— E como vamos entrar?
— A matéria que fiz foi bastante favorável. — Como que para confirmar suas palavras, o porteiro sorriu e acenou, convidando-os a entrarem. — Voltei aqui algumas vezes depois disso — ela confessou.
— Só mais um segundo. Se já esteve aqui e nunca encontrou ninguém interessante, por que estamos insistindo?
— Porque temos de começar por algum lugar. Além do mais, naquela época eu não estava procurando ninguém. Apenas me divertia com amigos — e puxou-o pelo braço, conduzindo-o ao que parecia ser um buraco negro cheio de sons ensurdecedores. A cabeça, os ombros e os quadris de Sakura já se moviam ao som da música alucinante.
— Vamos dançar! — ela gritou.
— Não, obrigado. Prefiro observar e examinar o local.
— Como quiser. — Ela encolheu os ombros antes de ser tragada pela massa que se sacudia na pista de dança lotada.
Assim que os olhos habituaram-se à escuridão e às luzes que às vezes piscavam coloridas, Naruto encontrou uma mesa vazia onde pôde sentar-se de costas para a parede e olhando a pista de dança. Havia ido a casas noturnas na Happy Night em Fukushima quando era universitário, mas esse lugar era diferente de tudo que já conhecera. Sentia-se como um caipira visitando a cidade grande pela primeira vez. Bem, sexta-feira à noite seria sua vez.
Uma garçonete aproximou-se e ele pediu cerveja e vinho branco gelado para Sakura. Não sabia o que ela gostava de beber, mas imaginava que essa era uma escolha segura. Quando os drinques foram trazidos, Naruto bebericou a cerveja e continuou apreciando os dançarinos.
Não se sentia atraído por nenhuma daquelas mulheres. Preferia o tipo calmo e natural, capaz de sustentar uma boa conversa por mais de cinco minutos. A maioria das frequentadoras da casa pareciam modelos de um salão de beleza exótico. Seus olhos insistiam em buscar Sakura. Ela não parecia deslocada, mas conservava aquela qualidade serena e fresca que sempre tivera.
Mesmo assim, havia algo de diferente esta noite. Seu corpo movia-se sinuoso, sedutor, acompanhando as batidas da música, e os olhos estavam semicerrados como se vagasse por um mundo próprio. A música mudou e Naruto virou o rosto, temendo ser flagrado observando-a. Desenvolver uma atração pela parceira não fazia parte da tarefa, e sabia que a novidade não seria bem recebida.
Sakura deixou a pista de dança e olhou em volta até encontrá-lo. Então atravessou a multidão em direção à mesa.
— Uau! — exclamou ofegante, limpando o suor da testa com o dorso da mão antes de pegar o copo de vinho e beber mais da metade do líquido dourado. — Obrigada! — A testa não era a única parte suada de seu corpo. A porção de pele exposta acima do decote do macacão brilhava, e as algumas gotas cintilantes desapareciam no vale entre seus seios.
— Encontrou alguém interessante? — ele gritou, forçando-se a manter os olhos fixos em seu rosto.
— Não. Parece que todas as crianças da cidade decidiram vir para cá esta noite, e os adultos não parecem interessados. Estou me esforçando para flertar com alguém na pista de dança, mas até agora não obtive nenhum resultado. Quer vir comigo?
— Não, obrigado. Meu joelho não aguentaria todo esse movimento. Acho que vou experimentar a segunda sugestão do livro e ficar aqui sentado, quieto.
Sakura afirmou com a cabeça, terminou de beber o vinho e voltou para a pista. Naruto esperou que ela se juntasse ao grupo animado, retirou um pequeno bloco de anotações e uma caneta do bolso da camisa, disposto a anotar algumas idéias para a coluna que teria de redigir sobre essa experiência.
Alguém bateu em seu ombro, interrompendo-o. Surpreso, virou-se e viu uma loira curvilínea e sorridente parada a seu lado. Então o conselho sobre sentar-se e escrever alguma coisa tinha algum mérito, afinal! A jovem disse alguma coisa, mas era impossível ouvi-la com aquela música alta e estridente.
— Desculpe, não pude ouvi-la — gritou. — O que disse? Ela abaixou-se e aproximou os lábios de seu ouvido.
— Perguntei o que está escrevendo.
— Ah, são apenas algumas observações. Nada interessante.
— O quê?
— Nada!
Ela afirmou com a cabeça e disse mais alguma coisa, movendo a cabeça na direção da pista de dança. Desta vez Naruto não precisou ouvir as palavras para interpretar seu significado.
— Não, obrigado — gritou, negando com o dedo a fim de não ter de repetir.
A jovem encolheu os ombros, acenou e afastou-se.
Belo conselho! De que adiantava atrair a atenção de alguém lendo ou escrevendo, se não conseguia conversar sem ter de gritar? Impossível conhecer alguém num lugar como este. Naruto anotou a observação.
— Não me diga que já está redigindo sua coluna. Você ainda nem tem o que contar!
A voz que gritava em seu ouvido era familiar, e ele conseguiu entender as palavras. Virando-se, viu Sakura parada a seu lado, suada e ofegante.
— Ah, mas já tenho alguns comentários a fazer. Ela puxou uma cadeira e sentou-se.
— Você também? Estou começando a me sentir uma tia solteirona naquela pista. Perguntei a alguém o que fazia, e ele disse que estava cursando o terceiro ano de administração de empresas. Senti vontade de beijá-lo quando ele me perguntou se também estava na universidade.
— Podemos ir?
— Quando quiser, Romeu.
Os ouvidos de Naruto ainda zumbiam quando chegaram ao estacionamento.
— A experiência foi uma completa perda de tempo, ou não? — ela perguntou depois de ligar o motor.
— A ideia foi sua.
— Tem razão. Bem, vamos ver como nos saímos amanhã à noite na sua espelunca.
— Pelo menos na minha espelunca, como acabou de dizer, as pessoas dançam juntas. Não são apenas partes móveis de um conjunto frenético.
— Não despreze aquilo que não conhece.
O comentário casual provocou imagens que Naruto preferiu ignorar.
— A coleção da Chapeleira Maluca é grande o bastante para incluir um chapéu de vaqueiro?
— É claro que sim. Moro no Velho Oeste, não? Mas talvez decida usar algo bem diferente só para embaraçá-lo. Ficaria tão deslocada nessa sua espelunca que todos os olhos se voltariam para mim.
— Nada que venha da Chapeleira Maluca poderá me surpreender.
Pois o surpreenderia, nem que para isso tivesse de morrer!
Sakura olhou para a coleção de chapéus que lhe valera o estranho apelido e tentou decidir qual deles usar. Não queria parecer muito convencional, mas também não queria ser o centro das atenções. Vestia uma calça preta muito justa e negra, botas de salto alto e uma blusa colante de renda branca com um lenço cor de rosa em torno do pescoço, e não sabia se escolhia o chapéu de caubói em feltro negro ou o boné de beisebol em cetim branco. As batidas na porta a obrigaram a tomar uma decisão que certamente o surpreenderia: não usaria chapéu.
Quando abriu a porta, a reação de Naruto confirmou suas suspeitas. Os olhos dele pareciam querer saltar das órbitas, tal seu espanto.
— Viu? Não sou tão previsível quanto imaginava.
— O quê? Ah, sim, não está usando um chapéu. — Em seguida recompôs-se e ofereceu um sorriso hesitante. — Você está ótima. Tenho a impressão de que será o sucesso da noite.
Sakura sentiu-se dividida entre a frustração e a alegria. Naruto nem notara que ela desistira do chapéu, mas elogiara sua aparência. E ele também não estava nada mal na calça jeans desbotada. As botas de couro e a camisa branca eram perfeitas para a ocasião.
— Não parece ter se vestido para ir a um rodeio.
— Isso é um elogio?
— Sim. Odeio homens que usam camisa xadrez em cores berrantes — ela comentou com uma careta de desgosto.
— Então não vai encontrar ninguém capaz de atraí-la esta noite.
— Eu já imaginava. Bem, vamos acabar com isso de uma vez.
Seguiram na caminhonete de Naruto, mais apropriada ao ambiente rural que haviam escolhido. O Corolla teria sido a piada de todos os frequentadores da casa noturna, e isso arruinaria qualquer chance de conhecerem alguém interessante.
A espelunca, como Sakura insistia em dizer, ficava numa antiga loja de departamentos dentro de um shopping center. O estacionamento estava repleto de caminhonetes, muitas delas equipadas com estranhos acessórios, e homens usando enormes chapéus aglomeravam-se perto da entrada. Todos exibiam camisas tão coloridas que Sakura teve certeza de que levavam pilhas nos bolsos para fazê-las brilhar.
— Estamos perdendo tempo — ela disse. — Homens vestindo vermelho e cor-de-rosa jamais despertarão meu interesse.
— Não estamos aqui só por você, lembra-se. E acho que essa sua atitude é um pouco superficial.
— Desça do cavalo, Naruto, ou vai acabar caindo — ela irritou-se. — A propósito, esse lugar tem um touro mecânico?
— A casa existe há mais de uma década. Eles oferecem apenas uma pista de dança, bebidas, bilhar e fliperama.
— Oh, parece muito divertido. Vamos entrar?
Apesar do comentário sarcástico, Sakura tinha de reconhecer que o parceiro havia sido um excelente esportista na noite anterior, e tinha o dever de tentar imitá-lo.
Naruto estacionou o veículo, desligou o motor e correu a abrir a porta para ela. Com as maneiras perfeitas de um cavalheiro urbano, ofereceu o braço e ajudou-a a descer. Sakura não sabia como reagir. Não conseguia lembrar quando havia sido a última vez que um homem a ajudara a sair de um carro. Sua porção feminista devia interpretar o gesto como um insulto, mas ela decidiu apreciá-lo.
A música country, tão alta quanto a que haviam escutado na boate em Dance Day, foi a primeira coisa que chamou sua atenção. Enquanto Naruto pagava os ingressos, Sakura estudou o interior, surpresa com a vastidão do espaço. Uma enorme pista de dança ocupava o centro do pavimento. Além dela havia um palco, e sobre o tablado uma banda executava as melodias que agrediam seus ouvidos. Um globo espelhado pendurado no teto espalhava fragmentos coloridos de luz pelo chão, e vários casais giravam e executavam movimentos complexos que pareciam ter sido coreografados por um experiente bailarino.
Os outros três lados da pista eram ocupados por mesas e cadeiras, e num deles havia cinco ou seis mesas de bilhar e máquinas de fliperama. Homens e mulheres bebiam e dançavam em todas as partes do estabelecimento, e uma nuvem de fumaça pairava sobre o cenário.
Naruto segurou seu braço e levou-a para uma mesa. Duas garotas usando jeans e camisetas muito finas passaram por eles. E eu pensando que minha calça fosse justa, Sakura disse a si mesma, tentando não olhar para os lados.
Haviam acabado de sentar-se quando a música mudou e a multidão, certamente ensaiada, entregou-se a uma rotina que a fez pensar numa aula de aeróbica em Yokohama.
— Isso é inútil — Sakura declarou. — Sinto-me completamente deslocada. Não sei nem o que fazer.
— É só uma coreografia simples — Naruto tranquilizou-a. Para Sakura, habituada a locais onde os parceiros de dança não precisavam fazer os mesmos movimentos, a pista lembrava uma apresentação de balé.
— Como sabem como e por onde começar?
— Para ser franco, não tenho a menor ideia. Não venho aqui com frequência suficiente para fazer parte do grupo. Normalmente me contento com um ou dois passos, nada muito complexo.
— Não me sinto capaz de dar nem meio passo nesse ritmo.
— Não se preocupe. Vamos esperar uma canção mais lenta, e garanto que vai aprender.
Instantes mais tarde o ritmo mudou e o grupo na pista dissolveu-se. Alguns dançarinos voltaram aos seus pares e Naruto levantou-se.
— Venha, vamos tentar. Podemos praticar um pouco num canto afastado.
Relutante, Sakura o seguiu e deixou-se abraçar, seguindo as instruções sem discuti-las.
— Agora ponha o braço direito em torno do meu pescoço e apoie a outra mão em meu ombro — ele orientou. — Ouça as batidas da música. O ritmo básico é rápido-rápido, lento-lento. — Fez a demonstração. — Só precisa fazer a mesma coisa e mover-se para trás.
— Para trás? Como saberei para onde estou indo?
— Essa é minha parte na coisa. Vou guiá-la.
— Humm. Não sei se gosto dessa ideia. — Deixar um homem guiá-la era o mesmo que voltar à era Paleolítica!
— Não se preocupe, é fácil — ele insistiu. — Até um caubói bêbado é capaz de aprender.
— Nesse caso, acho que deveríamos beber alguma coisa e...
— Sakura chan!
— Está bem, vamos tentar.
Nos braços de Naruto, ela esperou o sinal para começar a mover-se, tentando acompanhá-lo. O resultado a fez sentir-se grata por ter escolhido botas com pontas de metal, ou não restaria um dedo inteiro no final da noite.
— Isso é inútil — finalmente decretou, apoiando-se nele como se temesse cair.
— Está quase conseguindo — Naruto, garantiu, segurando-a pela cintura e puxando-a para mais perto a fim de guiá-la.
Então, essa é a sensação de se ter um corpo atlético colado ao seu, ela pensou distraída, compreendendo subitamente porque todas as amigas preferiam o tipo atlético. Podia acostumar-se com isso.
Mas não com Naruto. Lembrando-se da tarefa, retrocedeu um passo para aumentar a distância entre eles.
— Está quente aqui — disse, limpando o suor da testa com o dorso da mão.
— Tem razão, a ventilação deixa muito a desejar. É possível vir aqui em pleno inverno e não usar um casaco. Quer tentar novamente?
— Oh, por que não?
Dessa vez Sakura esforçou-se mais, e em pouco tempo conseguiram dar alguns passos coordenados.
— Vê? Não é tão difícil. Vamos experimentar na pista de dança. Relutante, ela deixou-se levar para o centro do ambiente, onde muitos casais divertiam-se ao som das melodias executadas pela banda. Respirando fundo, fechou os olhos e entregou-se ao ritmo. Quando abriu os olhos estavam no meio da pista, e um casal passava por eles girando a cada mudança de passo.
— Nem pense em tentar algo parecido — ela o preveniu. Depois de alguns minutos ela conseguiu relaxar o bastante para observar os outros dançarinos. Alguns eram menos experientes que eles, mas outros pareciam ter saído de um espetáculo da Broadway. Alguns homens eram até atraentes, mas todos permaneciam agarrados às cinturas de loiras exuberantes. Não via ninguém que pudesse merecer um segundo olhar.
A música terminou antes que completassem a segunda volta pela pista.
— Quer tentar mais uma, ou prefere sentar-se? — Naruto perguntou.
Ainda estava pensando na resposta quando alguém tocou seu ombro. Virando-se, viu um jovem caubói usando uma camisa xadrez vermelha e azul.
— Com licença — ele pediu. — Quer dançar a próxima? Aí estava uma decisão ainda mais difícil. O jovem parecia era educado, até atraente, mas Sakura notou a mancha amarelada em seus dentes e suspirou desanimada. Podia jurar que o sujeito mascava tabaco com regularidade e, apesar de ter morado um tempo no Texas, esse era um hábito que a repelia.( Texas Estados Unidos la eles tem o costume de mascar tabaco)
— Desculpe, mas meus pés estão me matando. Devem ser as botas. São novas, sabe?
O rapaz afirmou com a cabeça e afastou-se.
— Devo deduzir que quer sentar-se? — Naruto perguntou com um sorriso divertido.
— Pode apostar nisso.
— O que havia de errado no jovem? Parecia ser um bom sujeito.
— Oh, sim! Já tentou beijar alguém que masca tabaco?
— Ninguém disse que teria de beijá-lo.
— Mesmo assim, esse é um hábito que me causa repulsa.
— Entendo. Se tivesse de escolher alguém para conhecer melhor, quem seria?
Sakura estudou todos os homens que a cercavam. A primeira resposta que surgiu em sua mente foi você, mas felizmente conteve-se.
— Não vejo ninguém capaz de despertar meu interesse. E você?
— Acho que seria impossível escolher uma mulher no meio de toda essa confusão. Além do mais, o risco é muito grande. Um olhar para a garota errada, e um desses vaqueiros estaria em cima de mim, tentando arrancar meus olhos com os bicos metálicos de suas botas.
— Ótimo! Isso significa que podemos ir embora?
— Se quiser... Sakura levantou-se.
— Vamos aproveitar para redigir nossas colunas.
Sakura:
As pessoas normalmente imaginam que uma casa noturna é o melhor lugar para se conhecer alguém. Se não acreditassem nisso, esses lugares estariam todos falidos. Mas jamais havia estado numa delas com o único propósito de conhecer um homem.
E dessa vez não tive muita sorte, nem mesmo no meu lugar preferido. Quando comecei a olhar para os homens como algo além de parceiros de dança, nenhum deles alcançou meus padrões. Não sei se aquele grupo era especialmente diferente dos outros, ou se nas outras ocasiões, quando só queria dançar, não me preocupava com o fato do parceiro ser mais novo, feio ou aborrecido, desde que conhecesse alguns passos e soubesse seguir o ritmo.
Tive ainda menos sorte quando tentei um local diferente daqueles que costumo frequentar. Assim, posso afirmar que parte da sugestão oferecida pelo livro é correta: atenha-se aos ambientes de sua preferência.
Meu conselho quanto a ir a uma casa noturna buscando conhecer um homem é... Esqueça! Mas se quer ir para divertir-se, e se conhecer alguém interessante é só uma feliz consequência, mas não seu objetivo, então vá e aproveite!
Naruto:
Conhecer ou não eventuais namorados numa casa noturna é algo que depende de sua personalidade. Se não se sente confortável convidando estranhos para dançar ou dançando com pessoas que não conhece, talvez seja melhor ficar em casa. Esse tipo de ambiente requer pessoas abertas e confiantes.
No entanto, concordo com a sugestão sobre escolher um lugar de acordo com suas preferências. Tentei ir a um estabelecimento que não conhecia, e embora tenha expandido meus horizontes culturais, não suportaria passar muito tempo com as pessoas que poderia ter conhecido lá.
Também experimentei a sugestão sobre sentar e escrever alguma coisa. Realmente atraí a atenção de uma garota, mas é impossível conversar quando o discotecário insiste em ser o centro das atenções. Tente essa mesma tática num clube de jazz, por exemplo, e talvez os resultados sejam melhores.
A visita a um local mais apropriado ao meu gosto musical me fez perceber como somos superficiais ao julgarmos as pessoas nesse tipo de contexto. É possível encontrar alguém atraente, mas você não saberá se há algo além da aparência, ou se está perdendo alguma coisa melhor, alguém que não tenha visto no meio da multidão.
Continua
Notas finais
Obrigado a todos Leitores dessa fanfic espere que continuem acompnhando!
Uma pergunta alguem sabe add co autor em fanfic estou tentando mais não to consegindo boto nome onde esta escrito co autor mais não esta dando se alguem souber por favor me diga ?
Abraços a todos
Naruto
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