Conselho valioso
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Estou feliz de estar aqui com mais uma parceria com o @ProjetoSaintSeiya . Esse é o desafio do crackshipp e confesso que depois de escrever eu shipei e foi muito!
Meus agradecimentos a @mayainluv pela betagem e para a @_NUNUNANA_ pela belíssima capa ♥
Boa leitura!
O santo Cavaleiro da sexta casa zodiacal estava a meditar no jardim interno de sua morada. Era uma tarde de domingo, alguns Cavaleiros descansavam, outros passeavam e poucos da elite dourada estavam ali para a proteção. As guerras haviam passado, os santos de Athena revividos há alguns meses graças ao acordo feito entre os deuses após três anos de discussão. Alguns Cavaleiros agarraram aquela nova oportunidade e estão construindo suas vidas, enquanto outros ainda não decidiram qual rumo tomar e continuaram a seguir a mesma rotina de antes da guerra. Shaka fazia parte do segundo grupo.
O indiano que pensava já ter cumprido com sua missão, estava ali novamente sem saber ao certo o que fazer. Ele não gostava de sair do Santuário, e para que ficasse por lá para a proteção da deusa precisou atender a condição a qual havia sido estabelecida por ela: treinar pelo menos um aprendiz para que algum dia pudesse ser seu sucessor.
Ele achava cedo demais para algo do tipo, mas resolveu aceitar. Vários aspirantes apareceram após a notícia, doidos para serem treinados pelo “Cavaleiro Mais Próximo de um Deus”. A maioria foi rejeitada na seleção e os outros desistiram no primeiro mês. Sua última esperança de permanecer no Santuário sem precisar viajar para missões foi fazer um convite e esperar que ele fosse respondido. Convidou a única pessoa a qual considerava digna de ser seu sucessor algum dia: Shun de Andrômeda.
O virginiano mais jovem atualmente era um ano mais novo que seu mestre ressuscitado. Ele era um aluno aplicado e conciliava sua vida de Cavaleiro com a de universitário. Para atender ao pedido de Shaka, o santo de bronze precisou pedir transferência da faculdade que cursava no Japão para a Grécia. O relacionamento entre mestre e pupilo era harmonioso. Shun não era tão quieto como Shaka, mas respeitava o espaço dele. Os dois tiveram muitas conversas produtivas sobre diversos assuntos. O guardião da sexta casa ficava admirado pelo rapaz de alma mais pura e sua visão de mundo.
Hoje era o dia que ele ficaria sozinho e o pupilo iria reencontrar o irmão na cidade. Após realizar uma boa leitura do livro que pegou emprestado na biblioteca de Camus para distrair sua mente, naquele meio de tarde resolveu meditar para encontrar a razão da inquietação que não o deixava em paz.
Enquanto isso, no Templo de Athena, Saori estava feliz pela paz alcançada entre os deuses e pelo Santuário estar em sua nova fase, a qual estavam focados nas pessoas e em como ajudar a humanidade e o planeta a se tornarem um lugar mais justo.
Algumas liberdades foram concedidas aos seus fiéis servos e servas. Ela desejava que o amor, sentimento do qual havia discursado em sua última batalha contra Hades, pudesse ser vivido por todos, o que inclui seus guerreiros. Não poderia forçar que um sentimento tão espontâneo surgisse no coração das pessoas. Internamente torcia para que nas missões dadas ou até mesmo nos passeios, todos tivessem a chance de encontrar sua cara metade. Alguns de seus santos não perderam tempo, já outros pareciam estar perdidos.
Da elite dourada, quatro casas continham os guardiões mais resistentes: Gêmeos, Câncer, Virgem e Capricórnio. No momento apenas uma estava ocupada, pois Shaka havia conseguido um aprendiz e parecia gostar dessa reclusão em sua morada.
Ao sentir uma oscilação no cosmo do Cavaleiro de Virgem, algo incomum para uma pessoa que sempre foi tão controlada, a deusa decidiu descer até lá para saber o que houve. Poderia ter percebido algum tipo de ameaça da qual não estava ciente ou será que estava a se conectar com algo diferente em suas meditações? Assim que a permissão para entrar foi concedida pelo anfitrião, Saori decidiu iniciar a conversa naquele jardim:
— Boa tarde, Shaka!
— Boa tarde, minha deusa. — Respondeu cortez. — A que devo a honra de sua visita a Virgem?
— Eu senti uma oscilação em seu Cosmo e fiquei preocupada. Vim ver como estava.
— Agradeço por sua preocupação, mas não há nada errado. Não detectei nenhum inimigo em tempos de paz como o qual vivemos atualmente.
— É bom saber que o mal não ronda o Santuário. Tu cumpres com primor a tua missão como um cavaleiro, porém acho que deverias se permitir relaxar um pouco.
— Eu estou bem e estou tentando adaptar-me a esse período sem guerras.
— Imagino como deve ser para você e alguns colegas seus, a adaptação está sendo mais… — Procurava a melhor palavra para utilizar sem soar ofensiva ao Cavaleiro, entretanto, desistiu e abanou suas mãos no ar — Enfim, como estão as coisas? Está tendo mais sorte tendo Shun como seu aprendiz?
— A adaptação está sendo mais complicada do que eu imaginava, mas não quero preocupá-la com isso. Apenas desejo continuar a cumprir bem com o meu dever como Cavaleiro nesse panorama diferente de quando eu parti deste mundo durante a Guerra Santa. — Ele não queria confessar seus anseios à deusa, mas sabia que ela podia perceber a tal coisa que o deixava inquieto. — Andrômeda é um rapaz dedicado e é uma ótima companhia.
— Sempre sinto os Cosmos de vocês bem próximos ultimamente. Agora, eu sinto o cosmo dele junto ao de Ikki.
— Realmente, ele tem passado bastante tempo por aqui, difícil não notar a ausência dele. — Esboçou um sorriso mínimo, um pouco triste, o que não passou despercebido por Saori.
— Shun é uma boa pessoa e deixa sua marca por onde passa, mesmo sem perceber.
— Ele é especial. — O Cosmo do dourado estava mais radiante.
— Shaka, perdoe-me pela pergunta indiscreta. Por acaso você sentiu algo diferente quando retornou à vida?
— Diferente, como? — perguntou confuso.
— Tive conversas com alguns dos Cavaleiros revividos, eles disseram que começaram a sentir algumas coisas diferentes, principalmente na questão de seus sentimentos. — Abriu o jogo e esperava que o indiano pegasse a deixa. — Afrodite, por exemplo, contou-me que estava com uma necessidade de se conectar às pessoas mais vulneráveis. Agora faz um trabalho lindo com as crianças em Rodório.
— Agora que mencionou isso, eu estou a me recordar de algumas vezes que senti algo diferente e que me incomoda por não saber o que é. Tento não dar atenção a isso, pois provavelmente é inútil.
— Começou como se fosse a ausência de algo e atualmente é algo bom, mas às vezes incômodo?
— Bom… Isso foi bastante específico, mas sim. Quando retornei senti que faltava alguma coisa, só que tudo estava em seu perfeito lugar fisicamente falando. — Refletia sobre os últimos meses — Há pouco tempo tenho tido algumas sensações e meu corpo acaba reagindo contra os meus comandos.
— Isso é perfeitamente comum, o que está tentando suprimir são os seus desejos mais profundos e eu desconfio sobre quem tem os causado. — Abriu um sorriso sapeca, afinal, Saori é uma jovem vivendo toda a sua vibe romântica. — Além de um Cavaleiro, você também é um ser humano como qualquer outro, não deveria lutar contra o que sente.
— Os ensinamentos que tive serviram para guiar-me onde cheguei hoje. Precisei ignorar muitas coisas que a maioria das crianças e adolescentes faziam para seguir com meu propósito.
— Soube por Milo que vocês tinham permissão para viverem alguns dias como pessoas comuns. Entendo que tenha se privado disso antes, mas não será mais preciso. Todos estão recomeçando — Recordou-se do exemplo de Camus. — Até o famoso “Mago do gelo” está mais aberto aos próprios sentimentos e isso influenciou a relação dele com as pessoas ao seu redor. Hyoga é como um irmão caçula muito querido e com Milo algo já está avançando ali. — Ela precisava segurar sua língua fofoqueira. — Se permita amar, Shaka. Eu percebi que o que sentes é o amor romântico em sua forma mais pura.
— Estás a dizer que eu estou apaixonado? — O virginiano estava desconcertado — Como? Por quem?
— Sim, estás apaixonado por aquele que constantemente ronda os teus pensamentos e que sentes a ausência nesse momento.
— Shun? — Sua voz saiu como um sussurro — Não pode ser!
— Eu acredito que ele corresponderá aos seus sentimentos. Nunca vi Shun tomar uma atitude tão impulsiva de largar com sua rotina para vir às pressas ao Santuário sem ocorrer alguma emergência. — A virginiana deixou no ar o que Shaka precisava para sentir seu coração galopar como um corcel indomável. — Ele sempre foi aberto para falar o que sentia, mas tratando-se de romance, Andrômeda é tão tímido quanto você. Eu o aconselho a abrir um pouco a sua guarda e tomar o primeiro passo.
— E se ele não sentir o mesmo? — Estava preocupado, os sentimentos pareciam vir em torrente.
— Shun nunca iria lhe tratar mal ou perder a admiração que tem por ti. — Tentava passar a confiança da qual o loiro precisava. — Bem, agora eu preciso ir. Conte-me depois o que aconteceu. — Despediu-se ao sentir o Cosmo do Cavaleiro de Bronze próximo à entrada das doze casas.
— Obrigado por fazer-me entender, Athena.
— Sei que não é bem a minha especialidade, mas pode contar sempre comigo para conversar. — Sorriu e começou a cruzar o caminho até o próprio templo.
Quando Saori chegou até seu templo, Shun estava a poucos passos da Casa de Virgem. Seu mestre estava divagando sobre a conversa com a deusa e a descoberta de seus sentimentos. O amor era algo novo para si, por mais que conhecesse o seu conceito no dicionário, a descrição dada por seu próprio corpo dava luz ao significado.
Ao se aproximar da entrada dos aposentos privados da sexta casa, o Cavaleiro de Bronze sentia o Cosmo de Shaka o chamar mais receptivo e até um tanto carinhoso do que o de costume. Já o indiano sentia o Cosmo de seu amado pupilo inquieto, tanto que abriu os olhos para ver o seu estado, deveras ansioso. O virginiano mais jovem era dotado de olhos cristalinos que transbordavam sentimentos mesmo tentando manter sua expressão serena e aquele leve apertar de lábios denotava ainda mais a ansiedade presente.
— Pensei que fosses ficar mais tempo com Ikki. — Rompeu com o silêncio.
— Foi bom revê-lo apesar da pequena discussão que tivemos no final. — Antes que o mestre perguntasse algo ele continuou. — Meu irmão às vezes não é muito bom na escolha de palavras, mesmo assim com seu jeito rude, ele me fez perceber algumas coisas.
— Compreendo, precisamos de uma perspectiva diferente dos fatos por vezes a fim de entender melhor as coisas que se passam por nós.
— Eu senti a presença de Saori próxima a ti quando cheguei ao Santuário. Está tudo bem?
— Está sim. — Esboçou um leve sorriso e fez um sinal convidando-o para sentar-se ao seu lado. — Nós conversamos um pouco. Não era o tipo de conversa que eu desejava ter, mas sim a que eu precisava.
— Agora eu fiquei curioso. Se importaria de contar? Não quero ser invasivo, caso não se sinta confortável nós podemos mudar de assunto. — Seu tom gentil e atencioso, a melodia que saía a cada sílaba pronunciada pelo pupilo fazia o coração do Homem Mais Próximo de um Deus acelerar e ter a certeza do que sentia. A única voz que nunca se cansaria de ouvir.
— Nós conversamos sobre o meu retorno à vida e de uma sensação que tem me acompanhado há um bom tempo.
— Que sensação? Nunca contou sobre seus anseios, mas eu compreendo, pois não contei a ti sobre os meus. — Desviou o olhar para baixo e respirou fundo. — Eu preciso te contar uma coisa, talvez isso mude com a forma que você me veja.
— Acho que compartilho desse mesmo anseio. Também tenho algo para contar, mas pode falar primeiro. Eu sinto uma aflição muito grande em seu Cosmo.
— Está bem… Eu… Eu o amo, meu mestre. Não do jeito que nossa relação deveria ser, mas não consigo evitar esse sentimento. Sei que estou colocando tudo a perder agora, mas… — Não conseguiu terminar a frase, pois havia recebido um beijo tímido de Shaka nos lábios que jogava os medos do jovem Andrômeda por terra.
— Era justamente o que eu estava para te falar. Sobre essa nova descoberta, um sentimento o qual não havia experienciado antes. — Acariciava o rosto do garoto surpreso. — O amor é algo novo para mim e espero conseguir corresponder aos seus sentimentos. Então eu peço-te, por favor, seja paciente comigo.
— Não precisa nem me pedir isso! Eu estou feliz demais e espero que esse não seja mais um sonho! — Abraçou o indiano e sentiu o contato da pele. — É real… — Começou a chorar de felicidade.
— Não precisa chorar… — Nem o mais velho sabia o que dizer e apenas correspondeu ao abraço também tocado pela conversa. — Também estou feliz pelo meu sentimento novo ser correspondido.
E assim um novo ciclo se iniciava para os dois virginianos. Os dois teriam muitas coisas para aprender sobre o amor e caminhavam a passos tímidos. Shaka não se esqueceria do conselho valioso de sua deusa que caíra em boa hora, sem essa conversa não estaria ciente do que sentia e provavelmente não recepcionaria bem o amor de seu amado pupilo. As coisas acontecem no momento que devem acontecer, é o que dizem por aí e estavam certos.
— Obrigado, minha deusa. — sussurrou o loiro antes de dormir aquela noite. Seu Cosmo estava pacífico e caloroso como nunca estivera. Assim Saori soube de seu templo que tudo havia dado certo.
— Não há pelo que agradecer. Parabéns pelo novo sentimento e desejo que sejam muito felizes juntos. Cuide bem de meu amigo! — Comunicava-se pelo cosmo.
O virginiano dourado apenas sorriu e respondeu positivamente. Ele havia levado o mais novo para o quarto de hóspedes quando esse pegou no sono. Velou por alguns instantes o sono de Shun e retornou para seu quarto. Não havia mais o tal incômodo que o deixava inquieto, entendia o porquê de querer ficar. Se não permanecesse ali, a oportunidade de conhecer melhor e se apaixonar pelo doce rapaz de cabelos castanhos não aconteceria tão cedo e permaneceria com essa triste ausência em seu coração. Seria eternamente grato a Deusa Athena pela nova chance e por ela ter lido o que já estava escrito nas estrelas.
Notas finais
Escrever essa história foi um docinho! Imaginar o que poderia vir depois disso... aiai! Não posso me empolgar kkkkk
Obrigada a você que leu até aqui, espero que nos encontremos na próxima fanfic. Até lá ;)
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