Notas iniciais
Sem internet, mas dei uma fugidinha e fui postar na casa da minha tia. Ah, ela é um anjo *.* kk'
Espero que gostem, é uma fic sobre a amizade de Sara e Catherine, que eu amoo! :)
Diferente de tudo que fiz.
Boa leitura!

Sara andava á passos largos naquele corredor, que mais estava parecendo um beco sem saída.

Acabara de ser decepcionada. Mais uma vez. Aquele paramédico com cara de bonzinho a fez cair feito uma tola no seu jogo.

“Vamos ao cinema?” Cinema? Ah, devia saber que essa história de ir ao cinema é para adolescentes. Mas não. Estava tão disposta a ter uma vida, como diz seu supervisor, que não se importou em pensar antes de agir.

Estava se sentindo uma idiota. Ele tinha namorada, e só descobriu isso porque houve um acidente e ele estava com ela na hora do acontecimento. Mas por quê? Porque seu coração tinha que ser tão maltratado? Tão humilhado? Sempre era isso. Tudo o que queria, em relação ao coração, dava errado.

Não queria Hank.

Não queria mais ninguém sem ser Grissom.

Era ele sim o homem a quem se dispôs a viver sua vida junto. Só que Grissom não entende e nem retribui todo esse sentimento. E é isso que mais dói, que mais martiriza seu coração. Mesmo tentando se envolver com outra pessoa, como tentou com Hank dessa vez, não consegue, não tem emoção, e só se sai traída, só trás mais desgosto tentar um relacionamento. Sim, estava à beira do precipício. Em tempo de fazer uma besteira.

Mas quando estamos a beira do precipício, a ponto de cair, ás vezes, por mais difícil que seja de aparecer, vem um amigo, aquele que você jamais esperou que te ajudaria, e te ergue adiante. Te faz levantar e não te deixa cair. Dá conselhos, te anima, te faz ter mais força de vontade e principalmente... Não te deixa desistir.

Catherine a esperava no carro, tendo pelo menos uma idéia do que havia acontecido com Sara. Viu que ela saiu de lá de dentro, com uma expressão desgostosa. Algo a magoou.

Cath tinha consciência do amor de Sara por Grissom. Não era de hoje que sabia disso. Mas, vê-la assim, é quase que uma faca perfurando seu peito. Saber que foi traída, saber que as coisas não estavam dando certo pra ela, a deixava triste também. Precisava saber mais, precisava tentar ajudar. Pelo menos tentar.

Sara entrou no carro, e simplesmente ficou encarando a rua, olhando pra frente, sem nada a dizer. Catherine, por um momento, teve receio no que dizer, então, como uma amiga que quer a ajudar a outra, ela lhe perguntou calmamente.

- Você quer tomar uma cerveja?

Sara a encarou com um sorriso forçado, depois voltou a encarar a rua, mas não deixou de responder, mesmo sem olhá-la.

- Dirija.

Catherine sorriu. Tinha que ter uma conversa com ela. Dizer tudo o que estava travado em sua garganta. Talvez isso amenize e fortifique aquele tão grande e doce coração.

~♥~

Entraram no estabelecimento e sentaram-se numa mesa afastada. Sara não tinha vontade de estar ali, mas não podia ficar em casa. Seria pior. E Catherine era uma boa companhia. A loira chamou o garçom.

- Duas cervejas bem geladas, por favor.

- Em instantes, senhora.

Catherine encostou-se na mesa, entrelaçando os dedos, e olhou para Sara. A mesma olhava para o nada, e ela viu quando Sara suspirou profundamente. Estava preocupada com ela. Odiava ter que presenciar a amiga dessa maneira. Do mesmo jeito que aconteceu antes, sendo que o inverso. Vieram as lembranças do dia em que Sara que a ajudou.

- Cath... Você não pode ficar assim.

- Sempre fico quando sou decepcionada. Você não fica?

Sara suspirou e a olhou nos olhos. Dava-se pra ler ali, naquela imensidão castanha, que existia sofrimento.

- Fico até demais.

- Então... Não adianta! – Exclamou Cath. Um pouco alterada.

- Muitas pessoas vão nos decepcionar na vida toda. E quando você mudar pra elas, não vão saber o “por que”. E você sabe por que elas não vão saber? – Catherine acenou que não. – Porque somente nós sabemos o que sofremos por causa delas, e só nós entendemos o que se passa aqui dentro...

Sara apontou para seu coração e sorriu em busca de ser retribuída. Catherine retribuiu o sorriso e se levantou.

- Obrigada Sara... Você é a melhor amiga que alguém pode ter.

Sara corou.

- Que tal uma cerveja?

Ela fez sinal para que Catherine apertasse sua mão, concordando. A loira sorriu e apertou.

- Vamos lá.

E assim, quando seus pensamentos vagaram para a boa ação que Sara havia feito por ela, mostrando-a o quanto se importa, o quanto é amiga, fez Cath perceber que aquilo que era amizade de verdade. E que quando Sara precisasse dela, tentaria de todas as maneiras ajudar, assim como ela fez.

O garçom trouxe-lhes as cervejas e saiu. Sara olhou para o copo e pegou de leve, levando até a boca, sem muita vontade.

- Hey...

Catherine a chamou.

- Diga, Cath.

- Você... Não está bem, não é?

Sara sorriu sarcástica e colocou o copo de volta na mesa. Ficou fazendo giros com os dedos na boca do copo e respondeu.

- Não.

- Foi o Hank. Eu imagino.

Ela simplesmente concordou com a cabeça. Pois é... Mais uma vez decepcionada.

Mágoa...

Decepção...

Ferida...

Lágrimas...

Tudo isso já estava a sufocando. Sentia uma vontade de sumir, de evaporar. Mas do jeito que as coisas estão pra ela, nem no lugar mais longe do mundo ela conseguiria ser feliz – a não ser que fosse com um certo supervisor maçante e irresistível.

- Não precisa me contar, certo? Eu só quero te dizer uma coisa...

- Não sei se estou pronta pra ouvir nada, Cath.

- Qual o problema em me ouvir?

- Sabe...

Seus olhos já estavam ardendo pela força que fazia para não chorar, e sim, foi inevitável. A lágrima desceu devagar enquanto ela encarava os olhos azuis da amiga, que fazia lembrar outros olhos azuis, aqueles que ela precisava para viver. E sem conseguir falar muito, pois o choro já havia tomado de conta de si, ela tentou algumas palavras.

- É que... Eu não... Agüento mais Cath...

Desabou em prantos e Catherine pela primeira vez viu uma cena como essa vindo de Sara. Ela apoiava a mão no rosto tentando abafar sem sucesso os soluços junto com as lágrimas.

- Eu posso te falar? Vai te ajudar, acredite.

Sara viu que não tinha jeito, e que talvez as palavras de sua amiga a confortasse. Não queria expor-se tão avidamente assim, mas não tinha como escapar. Tudo aconteceu no momento de trabalho. E outra... Ela era sua amiga. Não precisava se preocupar em se expor. Confiava em Catherine.

- Okay...

- Sabe, um dia minha melhor amiga me disse que várias pessoas irão nos decepcionar em toda a nossa a vida... – Sara sorriu de lado se lembrando. – E quando mudarmos pra eles, não saberão o “porque”. E você sabe por que Sara... Você que me ensinou!

- É... Porque somente nós sabemos o que sofremos por causa delas.

Mais uma lágrima desceu. Ela foi traída. Lembrar disso a fazia sentir náuseas e se entristecer... Muita tristeza! Baixou a cabeça e continuou a mexer no seu copo de cerveja, o encarando.

- Ainda não acabou.

Olhou rapidamente quando ouviu a voz de Catherine.

- Como?

- Não foi só isso que me disse. Falta algo! Você me disse... Só nós entendemos o que se passa aqui dentro...

Catherine apontou pro seu coração.

- Você não deve ficar triste assim. Você não ama o Hank, você não ama homem algum a não ser o Grissom.

Sara abriu a boca pra falar algo, mas foi interrompida.

- Não adianta você negar. Eu sei o que você sente por ele. É amor Sara... Amor! – Catherine não mudava seu jeito. Sempre falava gesticulando os braços e com um sorriso no rosto. – Não fique parada, vá atrás daquele idiota e o faça tirar os olhos do microscópio!

- Eu já tentei, mas...

- Tente novamente!

- Cath, o Grissom vai me rejeitar novamente.

- Você não sabe.

- Mas da última vez...

- Não pense no que houve á dois ou três meses ou anos atrás. Não viva de passado, você não é um museu. – Sara riu. – Pense no agora, sua boba. Viva o hoje. Tente, lute, faça de tudo... E sei que ele também não resiste a você. Ele fica desnorteado quando conversamos e aparece seu nome na conversa.

Sara pareceu ficar incrédula. Um sorriso brotou.

- Sério?

- Sim. – Catherine estava conseguindo animá-la. – Ele te chama quando você está de folga, te faz ficar em um caso com ele... Ele te ama, eu sei disso! Não consegue ficar sem você.

- Cath, ainda tenho minhas dúvidas...

- Agora é com você!

Disse e tomou até a metade de sua cerveja. Olhou-a com um sorriso travesso, aqueles sorrisos maliciosos que só Catherine sabia dar. Sara entendeu tudo e olhou para o teto segurando as gargalhadas. Com olhares Catherine era capaz de ter uma conversa com ela, era incrível. Mesmo com lágrimas nos olhos, o nariz vermelho, conseguia dar um sorriso e até uma gargalhada porque Catherine tinha esse poder.

- Ok.

- O quê?

- Vou tentar mais uma vez.

- Dessa vez ele aceita.

- Veremos.

- Siga meu conselho Sara... Não desista! Se não for dessa vez, vai ser em outra. Mas não deixe de tentar. Você conhece o Grissom, sabe a maneira que ele age em relação aos seus relacionamentos. Ele é totalmente discreto. E se algo acontecer, e vocês manterem em segredo, não se preocupe em contar. Vou entender.

Ela olhou com uma cara de cachorro sem dono.

- Vai entender? Certeza, Willows? Duvido você não ficar querendo saber se vai dar certo ou não. – Sara riu.

- Óbvio que vou querer saber. Mas se não quiser contar eu...

- Pra você eu conto.

- Sério?

- É isso que as melhores amigas fazem.

Se Catherine a considerava como melhor amiga antes de saber disso, agora que confiaria mais nela. Sara também a considerava a melhor e não tinha pra que explicação. Bastava sorrir. Seus sorrisos se encontraram e Cath levantou o copo para brindar.

- A você e Grissom.

Sara também levantou o copo.

- A nossa amizade.

E então brindaram. Selando então aquela promessa. Ou melhor... Aquelas promessas! Uma amizade eterna e um amor verdadeiro.

~♥~

Um pouco de maquiagem ajudou a apagar um pouco das olheiras da noite anterior. Sua roupa simples, mas bem produzida, realçava seu corpo magro e definido, tirando a atenção de alguns homens pelos corredores no laboratório de criminalística.

Com o coração pulsado a mil, ela caminhava até a sala do seu supervisor para mais uma tentativa. Passou pela milésima vez a mão sobre os cabelos bem escovados e suspirou ao chegar perto da sala.

Olhou para a sala em frente da de Grissom e lá estava Cath. Ao perceber que Sara estava ali, Catherine a olhou, e sabia que ela iria fazer aquilo que pressentia. Piscou como sinal para que seguisse em frente, e foi assim que ela fez. Suspirou profundamente e bateu na porta entreaberta.

- Grissom?

- Sara? Pode entrar.

Ele conhecia aquela voz a quilômetros de distância. Sem perceber seu coração logo aumentou as batidas e seu cheiro invadiu toda a sala, incensando e trazendo harmonia. Gostava quando Sara entrava ali, porque o cheiro dela demorava a sair.

- Relatórios?

Suas mãos nos bolsos da jaqueta denunciavam o quanto nervosa estava. Não sabia por onde começar, optou então por ir devagar.

- Como sempre.

Ele respondeu suspirando.

- Bom... Você deveria descansar, Grissom. Está muito cansado.

Meu Deus! Como falava quando estava perto dele! Mas tinha que mudar, tinha que tentar mais uma vez. Iria conseguir fazer aquela pergunta. Esperou a resposta dele... Sorrindo pra ele.

- Tem razão, vou ver se tiro uma folga essa semana. – Sorriu lindamente. – Obrigado Sara. Pela preocupação.

“Me preocupo com você todos os dias, baby...”

- Quando você tirar essa folga... Essa semana... – As palavras embolaram, mas ela não vai desistir. – Nós podemos jantar, ou quem sabe um passeio... Não acha?

Grissom arqueou a sobrancelha, incrédulo.

- Eu também preciso de um descanso e sua companhia seria perfeita, mas... – Seus olhos se encontraram e ela pôde perceber a resposta. – Mas se você não quiser, não tem problema... Eu...

- Vamos.

Ele se levantou e Sara parecia não acreditar na resposta.

- Yeah?

- Yeah... Nós podemos... – Ele também parecia tímido, confuso, não sabia definir ao certo. – Tentar... Nós podemos tentar.

- Sim... Ótimo!

Seu sorriso foi tão intenso que Grissom se sentiu orgulhoso por ter tomado aquela coragem de dizer um “sim” para ela. Sara deu dois passos pra trás, acenando com a mão direita.

- Até lá então.

- Sexta?

- Claro.

- Posso passar na sua casa ás oito?

- Estarei te esperando, Griss.

Ela deu um último aceno com a mão direita e saiu muito, mas muito feliz daquela sala. A primeira coisa que pensou em fazer foi avisar a Catherine. Olhou pra sua sala, mas parecia que ela já tinha ido, o turno estava no fim mesmo. Então resolveu mandar um torpedo. Afinal, não podia deixar de contar pra ela.

A loira dirigia em direção á sua casa quando o celular vibrou na bolsa. Sem desviar a atenção da pista, ela pegou o celular e abriu a mensagem.

Preciso está linda na sexta, vou jantar com meu chefe, sabe? O que acha de me ajudar com meu vestido?

Sara.

Catherine deu um grito no carro, que foi (por sorte) abafado pelos vidros fumês. Aquela mensagem dizia tudo e ficou imensamente feliz. Respondeu na hora, fazendo Sara quase morrer de rir.

Não só com o vestido, mas vou te ajudar com a lingerie também, querida. Essa é a parte principal. O vestido é essencial, mas ele vai ficar fora do seu corpo no fim da noite. Te encontro no shopping amanhã.

Cath.

The end.

Notas finais
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!