Capítulo 21: Não foi sonho



Minha boca ainda estava formigando. Andamos de volta em silêncio. Eu, ele e o barulho dos nossos tênis na calçada. O beijo no parque ainda parece uma ilusão.


Após chegarmos ao seu apartamento, fico momentaneamente sem saber o que fazer ou dizer, então peço um carregador emprestado. Ele aponta para a gaveta e depois vai fechar a porta, enquanto eu me xingo por dentro por me preocupar com o carregar em uma hora dessas.


Ainda assim, pego o carregador, ligo o telefone e aproveito para mandar uma mensagem para Shikamaru, avisando que não vou voltar essa noite.


Depois... Depois, nada. Fico parado no meio do quarto. Olhando para a estante, para os livros e para qualquer coisa que não seja ele. Porque, depois de um beijo daqueles, o que devo fazer? Pedir outro?


Kakashi já havia fechado a porta e estava sentado, me observando. Vendo o meu nervosismo, ele sorri e me pede para relaxar.


— Acredite, estou tentando — digo, fazendo-o rir. Reviro os olhos e apenas me aproximo e me viro, pronto para sentar ao seu lado e tentar me recuperar, quando sinto suas mãos envolverem a minha cintura e me puxarem em sua direção, fazendo com que eu me sentasse em seu colo.


— Se você travar, eu te devolvo para o parque — ele ameaça, mas a voz está suave. Antes que eu possa dizer algo, sua mão vira o meu pescoço e ele me beija mais uma vez.


Dessa vez não é desespero. É lento e fundo. A mão dele na minha nuca, o indicador subindo meu queixo para inclinar meu rosto. Sinto que beijá-lo de costas é muito difícil e quero me virar, mas seu outro braço está preso na minha cintura, como uma contenção. Só não sei se ele está me contendo ou a si mesmo.


Quando ele para, sua testa encosta no meu ombro e nós dois estamos ofegantes mais uma vez.


— Não tenha muitas expectativas. Não faremos nada hoje — ele fala, sua voz um pouco abafada. Eu rio. Na verdade, pensei nisso. Entretanto, já tive muito hoje e não estou decepcionado, apenas...


— Podemos dividir a cama?


— Para dormir? — ele pergunta e ergue seus olhos, olhando para mim com diversão.


— Claro que é para dormir. No que você está pensando? — finjo que meus pensamentos são puritanos e dou a ele mais um motivo para rir.



***



Acordo quando a claridade alcança meus olhos. Quando olho para o lado, vejo-o deitado na cama, me observando.


— Tive um sonho maluco — viro de lado na cama e falo com ele. — Sonhei que a gente finalmente se beijava! Foi realmente um bom sonho.


Kakashi levanta as sobrancelhas, se inclina para frente e toca os seus lábios nos meus, me deixando sem reação.


— Não foi sonho — ele fala quando se afasta.


— Não foi? — pergunto, ainda atordoado.


— Não — ele repete e sorri.


— Não foi sonho? Não foi sonho! — Assim que percebo isso, seguro nos seus ombros e imediatamente subo em cima dele, beijando-o. Quero compensar todo o tempo em que só podia ficar olhando-o!


Minhas intenções eram não parar por um tempo, mas, de repente... A porta abre.


Congelamos no meio do beijo, enquanto eu ainda estou sobre ele e na cama.


— Ei, Kakashi, trouxe café porque você não respondeu minhas mensagens...


Olho para a pessoa que acabou de entrar e percebo que é um conhecido. Eu o havia visto antes enquanto conversava com Kakashi e descobri depois que era professor dos alunos do último ano.


Ele olha para mim, olha Kakashi, olha para a nossa posição e fica em silêncio.


O silêncio na sala é interrompido pela sua incredulidade.


— Sei que os jovens têm muita energia, mas é de manhã! Vocês deveriam estar fazendo isso a essa hora?! Não, espera, desde quando vocês têm esse relacionamento?! — ele aponta para a nossa posição e eu rio secamente...


Isso conta como quebrar a regra de expor o nosso relacionamento?