Conquistar o Sensei, aceito a aposta!

20 Missão cumprida, e agora?


Capítulo 20: Missão Cumprida, e agora?



(Narração do ponto de vista do Kakashi.)



Naquele galpão abandonado da zona portuária, o vento estava forte, havia cheiro de maresia e ferrugem no ar. O homem na minha frente usava um terno barato. Ele era um dos diretores do Conselho Acadêmico. Um dos nomes da lista.


— Você demorou, Kakashi — ele fala, olhando para os lados, obviamente muito nervoso. — Disseram que você era discreto.


Jogo a pasta de arquivos no chão, na frente dele. O som ecoa no galpão vazio. — Discreto e eficiente.


Ele pega o arquivo, abre e verifica as informações sobre o desvio de verba. Havia também muitas outras irregularidades, como: notas compradas. Alunos expulsos por falta de disciplina que, na verdade, denunciaram assédio. Professores com salário fantasma. Provas, fotos, transferências bancárias. Havia tudo e o rosto dele fica visivelmente pálido enquanto lê.


— Isso me incrimina também! — ele diz, indignado, apertando o arquivo nas mãos com óbvia raiva.


— Você sabia disso quando me contratou para investigar a corrupção da escola — digo, sem emoção, apenas profissionalismo. Aquele lado profissional que enterrei quando virei professor nesses últimos meses. — Você queria tirar os outros do caminho, mas gosto de limpar toda a sujeira.


— E agora? Vai me entregar? — pergunta com olhos fulminantes.


— Agora você vai renunciar — respondo. — Amanhã. Por motivos pessoais. E vai levar seus amigos juntos ou deixo a pasta na mesa da diretora. Ela adora papelada — sorrio levemente e ele engole em seco antes de assentir.


— Serviço feito — me viro para ir embora e o ignoro.


— Espera! — ele chama. — E você? Vai para outro trabalho ou vai sumir outra vez?


Paro de caminhar por um momento, mas não respondo. Depois saio do galpão e volto para a faculdade e para o dormitório dos professores. Sentado no sofá, fico em silêncio, pensativo. Até que esse silêncio é quebrado por uma mensagem anônima.



[Serviço concluído.

Missão cumprida.

Você está livre até receber novas ordens.

Pode desaparecer quando quiser.

Bom trabalho.]



— Desaparecer...


Era isso o que eu deveria fazer, mas dessa vez não é a mesma situação de antes. Pego o celular. Abro a conversa com ele e vejo a hora; são dez da noite e nesse horário ele ainda está acordado.


Mando uma mensagem, mas ele não responde. Não há sequer uma visualização. Espero um pouco. Tento novamente. Nada. Resolvo fazer uma chamada diretamente. Nada.


Lembro que ele tem o hábito de passear à noite e não fico esperando muito tempo. Pego as chaves que havia acabado de largar quando entrei e saio de casa.


Não precisei procurar muito e o encontrei sentado no banco, no mesmo daquela vez, que agora parece ser há muito tempo. Ele está sentado, abraçando os joelhos e olhando para o lago, parecendo pensativo. O garoto não me escuta chegar. Não até eu parar na frente dele.


Ele levanta a cabeça e toma um susto. — Kakashi? O que você está fazendo aqui?


— Por que você não atende o celular? — pergunto, franzindo as sobrancelhas. Não conseguia evitar e estava um pouco preocupado quando não consegui encontrá-lo.


— Ah... — ele pega o aparelho do bolso e a tela está completamente preta. — Acabou a bateria. Saí andando e esqueci o carregador... Por que você está aqui?


Abro a boca e a fecho imediatamente, sem saber o que dizer. Como eu falo que estava trabalhando em uma investigação na escola, que essa investigação acabou e que preciso ir embora?


— Você quer caminhar um pouco comigo? — pergunto, em uma tentativa de ganhar um pouco de tempo para pensar. Naruto está confuso, mas ainda me acompanha.


Caminhamos e chegamos até o meio do parque, onde as árvores estão mais densas e as luzes dos postes não chegam direito até nós. Paro de andar e ele faz o mesmo.


— Kakashi? — ele chama. Talvez ele soubesse de algo ou estivesse pressentindo algo, mas sua voz parecia um pouco preocupada.


Eu estava ali, pensando em como dizer que tinha que ir embora, mas, quando me viro e olho para ele, vejo aqueles olhos azuis que estão me olhando... Olhando para mim como se eu fosse tudo no mundo.


Eu conhecia aquele olhar, mas nunca esperei vê-lo sendo direcionado a mim.


"Ah, dane-se", falo para mim mesmo em pensamentos, me aproximo dele e em um movimento, seguro seu rosto, me aproximo e toco os meus lábios nos seus.


O beijo não é suave. Não é planejado. É urgente e talvez traga um pouco do meu desespero.


Ele congela por um segundo. Só um. Suas mãos logo seguram no meu moletom e ele retribuiu com uma emoção ainda mais intensa que a minha. Quando me afasto, nós dois estamos ofegantes. A testa dele encosta na minha.


— Eu... — começo. E não sei como terminar.


— Calado — ele sussurra e sorri, obviamente muito feliz. — Só fica quieto mais um pouco e use sua boca para outra coisa — pediu e, mesmo com o coração em turbulência, ainda tive que rir, mas esse riso não durou muito, apenas até seus lábios tomarem os meus novamente.