Conquistar o Sensei, aceito a aposta!
24 Essa é a verdade
Capítulo 24: Essa é a verdade
(Narração do ponto de vista do Kakashi.)
Não levei Naruto para o apartamento, já que não podia entrar; levei-o para o hotel em que fiquei naquela longe. Longe da escola. Longe do Gai. Precisava de um lugar neutro. Um lugar onde eu pudesse falar sem olhar para a porta e lembrar que um dia teria que passar por ela e não voltar.
Lá dentro, Naruto estava sentado em um sofá, de cabeça baixa, enquanto eu estava perto da janela, olhando para a movimentação alguns andares abaixo. Depois olho para ele.
— Eu não fui sincero com você — começo. A voz sai mais áspera do que eu queria. — Sobre mim e sobre o meu trabalho na escola.
Ele levanta a cabeça e me olha, esperando.
— Meu trabalho lá acabou... Eu não sou professor, embora tenha estudado para isso. Estava ali para fazer um trabalho de investigação, e esse trabalho terminou.
Não conto sobre tudo, afinal, meu trabalho é considerado secreto por um bom motivo. Não posso dizer tudo sobre mim, nem mesmo para ele.
— Então... Seu trabalho terminou e você vai embora.
Não é uma pergunta. É uma constatação. Olho para ele, para o garoto de moletom laranja que correu até o parque achando que eu tinha sumido. Para o garoto que me abraçou como se eu fosse tudo. Hesito.
A mentira seria fácil. "Não, fico mais um pouco" ou "a gente dá um jeito." Mas ele merece a verdade. Mesmo que doa.
— Sim — digo. — Vou embora.
O rosto dele não muda, mas o brilho nos seus olhos se apaga um pouco.
— Para sempre? — ele pergunta, um sussurro.
— Posso ter outros trabalhos — escolho as palavras com cuidado. Cada uma pesa uma tonelada. — Tenho outros lugares para ir, mesmo que não queira... — olho para ele de novo — eu não posso ficar. Não é escolha minha.
Silêncio. Depois ele assente lentamente, como se ainda estivesse absorvendo o que escutou.
— Entendi — ele levanta e me dá as costas. — É melhor eu ir agora — fala e começa a andar em direção à porta. Meu instinto me faz dar um passo em sua direção, para segurá-lo, mas paro. Não posso pedir para ele ficar, porque não seria justo.
Respiro fundo e volto a andar, não para pará-lo, mas para acompanhá-lo até a porta.
— Até mais, Hatake Sensei — ele se despede, sai e fecha a porta. Fico ali, parado, olhando para a porta fechada e sorrindo, um sorriso triste que surgiu no momento em que ouvi aquele nome familiar e quase esquecido.
— Voltou para Sensei — lamento, percebendo que a dor em meu coração é mais forte do que eu esperava.
Fiquei ali, parado, pensando que foi bom que ele saiu amigavelmente. Terminamos bem. Isso é bom.
Pensei isso e disse a mim mesmo que era "bom", mas meu corpo era muito mais honesto. Em um segundo, abri a porta e saí correndo atrás dele.
O elevador estava lá embaixo. Ele deve estar descendo. Corro para as escadas e assim que passo pela porta, paro... Porque ele está vindo.
Naruto está subindo as escadas, de dois em dois degraus. Ele está ofegante, cabelo bagunçado e rosto vermelho. De repente ele para, como se sentisse algo, e olha para cima, nos vemos no mesmo segundo.
Ninguém fala.
Ninguém explica por que está ali.
Desço aqueles poucos degraus que nos separam e meu braço passa pela cintura dele, apertando seu corpo ao meu enquanto seus lábios tomam os meus e seus braços me abraçam pelo pescoço.
Não é urgente.
É um pedido mudo.
Um pedido que diz: "Por favor, não me deixe".
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