Conquistar o Sensei, aceito a aposta!

19 Encontro e pergunta hipotética


Capítulo 19: Encontro e pergunta hipotética



Sábado a noite, na Praça Central de Suna.


Luz amarela dos postes. Cheiro de yakisoba da barraquinha. Gente passando que não conhece a gente e que não liga para a nossa relação.


— Isso é ilegal de tão bom — falo, de boca cheia, com um espetinho de frango na mão. — Andar na rua com você sem ter que fingir que estou olhando para o céu é quase a realização de um sonho — comentei.


Kakashi anda do meu lado. Ele está vestindo moletom preto, calça jeans e tênis. Para quem não conhece, é só mais um adolescente bonito.


Depois de comer, limpar a mão e passear por mais de uma hora, estava muito feliz, mas queria um pouco mais. Andando ao seu lado, esbarrei levemente na sua mão, esperando para ver a sua reação. Ele não se afastou. De repente, seus dedos alcançaram os meus e se entrelaçaram enquanto ele segurava a minha mão.


— Isso foi muito mais tranquilo do que eu esperava. Já estava pensando em cinquenta maneiras diferentes de segurar sua mão — confessei, ouvindo seu riso, aquele sorriso baixo. Sorri também e continuei a andar, percebendo que poucas pessoas nos observavam, o que me deixou ainda mais feliz.


Depois de caminhar na praça lotada por muito tempo, nos afastamos das pessoas e nos aproximamos do lago. Havia um banco ali. A gente achou esse banco escondido atrás de umas árvores, com vista para o lago todo iluminado, que era muito bonito.


Sentamos juntos, ainda de mãos dadas e meu sorriso não saía dos lábios.


— Você está quieto — ele fala depois de um tempo. Kakashi está olhando para a água, mas o polegar dele faz círculo na minha mão, como um carinho contido ou talvez um movimento distraído.


— Estou feliz — dou de ombros. — Isso é contra as regras? — brinquei.


— Você se arrepende? — ele pergunta, do nada, olhando para mim. A voz sai baixa e séria. — Você se arrepende desse namoro, de ter que seguir minhas regras e de ter que esconder o nosso namoro?


— O quê? — Virei o corpo inteiro para ele, para que olhasse em seus olhos: — Por que eu ia me arrepender?


— Essa é a verdade? — ele pergunta, calmo.


— É claro que é verdade, é só que...


— Que o quê? — insiste.


— A verdade completa é que quero mais. Quero te beijar. Quero postar foto nossa. Quero poder abraçá-lo abertamente na frente de todos... Quero tudo que um casal normal tem.


— Mas! — continuo rápido, antes que ele entenda errado. — Mas eu aceito esperar. Se for com você, eu espero. Um mês, um ano, até você se aposentar da faculdade. Eu espero. Porque acho que você vale esse tempo — garanti.


Ele fica quieto. Muito quieto. Olhando para mim como se estivesse tentando decorar meu rosto. Aí ele solta minha mão e meu peito gela.


— E se... — ele começa. A voz está diferente e parece mais... vulnerável. — Hipoteticamente. Se eu tivesse que ir embora um dia. Da faculdade. Da cidade. Talvez até do país. Se eu tivesse que sumir... — Ele vira para mim. — Você iria comigo, Naruto?


Fico atordoado por um momento, mas vendo a sua seriedade, paro e penso no assunto.


— Se a nossa relação for mais que um namoro — falo, após considerar as opções. — Se for de verdade... Sabe? Um relacionamento duradouro. Se for assim, então vou para aonde você for. Para o inferno, se precisar. Contanto que você segure a minha mão assim como acabou de fazer.


Ele fica em silêncio por um momento, depois sorri. Não sei exatamente o motivo, mas esse sorriso é muito bonito, melhor do que aqueles pequenos e contidos que vi durante esse último mês.


— Você é um idiota, Uzumaki — ele diz, mas não é uma ofensa, porque há claramente carinho em sua voz.


— Sou seu idiota — retruco, sorrindo. Esse sorriso aumenta quando ele segura a minha mão novamente e eu percebo que seja lá qual foi a "crise" que acabamos de enfrentar, ela foi superada com sucesso.