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23 Ele foi embora?
Capítulo 23: Ele foi embora?
Uma semana se passou e não tive coragem de voltar para o apartamento dele. Passei pelo dormitório dos professores de cabeça baixa. No refeitório, sentei de costas para a mesa que ele costumava usar.
Eu não sabia o que falar.
Deveria dizer: "Oi, decide aí se eu largo minha vida inteira por você ou não?" Ou então: "Suas palavras me quebraram, porque eu percebi que não quero que você suma".
Kakashi não me procurou também, e isso dói mais. Até o Shikamaru percebeu que algo estava errado e perguntou se estou doente. Falei que sim, doente de amor.
***
O sábado chegou e não aguentei mais. Ali estava eu, parado em frente à sua porta. Virei a maçaneta, mas a porta não abriu. Meu coração travou por um momento. Respirei fundo e peguei a chave que ele havia me dado, a que deveria ser usada para emergências.
— Salvar meu coração deve ser considerado uma emergência — sussurrei enquanto inseria a chave no buraco e a girava. Nada. Giro de novo e forço um pouco, a chave nem entra direito. Entro em desespero.
Ele trocou a fechadura.
Ele foi embora.
Ele sumiu e não me falou nada.
As piores alternativas se passaram pela minha mente. Saí correndo da área dos dormitórios e procurei por ele na biblioteca, na sala dos professores, no estacionamento, no parque. Nada. Ele não estava em lugar nenhum.
Depois de correr por tanto tempo, parei e percebi que estava com medo. Medo de verdade. Medo de ter sido abandonado. Medo que o hipoteticamente virou real e que eu não tive nem chance de responder direito.
Andei pelo parque atordoado, tentando pensar no que deveria fazer, quando eu o vejo. Ele está de costas para mim, sentado no mesmo banco em que costumo sentar quando estou perdido em pensamentos. Ele está conversando com um velho de macacão azul, com uma maleta de ferramentas ao lado. Eu sabia que deveria haver um motivo, mas não conseguia. Naquele momento, não pensei em nada.
— Kakashi!
Ele me vê, se levanta e me observa com surpresa enquanto corro para os seus braços. Não me importo com nada e apenas o abraço, percebendo o quão grande era o pânico em meu coração.
— Naruto? — Suas mãos tocam minhas costas e sua voz parece preocupada.
— Você foi embora — minha voz sai abafada contra o peito dele, um tom de acusação. — Você trocou a fechadura e foi embora...
— Ei. Ei! — ele me afasta um pouco para me olhar. A mão ainda na minha nuca. — Respira e se acalma.
— Desculpa, senhor Tanaka. A gente já termina aqui — ele fala com o homem que vi brevemente antes.
— Sem pressa, moço. Chave é coisa que quebra mesmo. Volto daqui a pouco, resolve as coisas com seu garoto primeiro — ele ajeita o boné e pega a maleta, saindo com um sorriso.
— Esse é um chaveiro — ele fala, já olhando para mim. Sua mão, na minha nuca, fazia um carinho enquanto ele explicava: — A fechadura quebrou ontem e ele veio olhar o problema hoje pela manhã. Fiquei em um hotel próximo essa noite e estava sem o celular, então não avisei. Não troquei nada. Não ia embora.
— Verdade? Você não... ia embora? — pergunto, ainda não completamente recuperado do susto.
— Eu não sou tão irresponsável ao ponto de ir embora sem me despedir, Naruto — ele diz seriamente. — Se eu for embora, você será o primeiro a saber. Eu prometo.
Meu coração finalmente se acalma e o pânico desaparece, mas a rachadura que surgiu no meu coração não pode ser apagada.
— Eu... — engulo em seco. Solto-o devagar, mas não saio de perto. — Eu achei que você tinha sumido... E não gostei nada — confesso.
— Eu sei — ele fala. Só isso.
Não sei exatamente o que ele sabe, já que eu mesmo pareço não saber de nada. Só sei que posso gostar mais do Kakashi do que eu esperava.
— Não faça isso novamente — pedi, olhando para o chão.
Nesse momento, não foi apenas a fechadura dele que quebrou. Alguma coisa dentro de mim também se partiu e revelou o que estava por trás daquele pânico...
Era o medo de perdê-lo.
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