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33 Comemoração de casamento
Capítulo 33: Comemoração de casamento
O plano para comemorar um ano de "casados" era um jantar romântico, mas o que consegui pode ser resumido em uma palavra: caos.
O bolo desabou. Era para ser bolo vermelho e virou mingau vermelho.
As velas que comprei, sem perceber, eram com cheiro de lavanda e eucalipto. Agora o apartamento inteiro estava com cheiro de banheiro.
Fiquei procurando uma lista de músicas para escutar, mas todas pareciam inapropriadas.
A camisa que eu havia separado para vestir estava manchada de molho sem que eu percebesse.
O celular vibrou no bolso e recebi uma mensagem dele.
[Chegando em 10 minutos.]
Olhei em volta. Mesa torta, pétalas murchas que a Ino jurou que duravam três dias, bolo morto, cheiro ruim e a roupa manchada.
Desisti.
Sentei no chão da cozinha, cabelo de qualquer jeito e moletom furado por cima da camisa manchada. Abaixei a cabeça e a encostei nos joelhos.
A chave girou. Ele entrou e pelos passos que ouvi, parou na porta.
— Feliz aniversário de um ano — falei, sem levantar. — Surpresa — disse sem emoção. Ouvi ele fechar a porta, largar a mochila e vir até mim.
— Você está bem? — a mão dele foi para o meu queixo e me obrigou a olhar para ele, que agora estava agachado na minha frente.
— Eu queria fazer algo legal, mas não sirvo para ser romântico... Desculpe — pedi, chateado comigo mesmo por não conseguir fazer algo tão simples.
— Não precisa de nada além de você mesmo. Da próxima vez me espera com uma roupa sexy e eu vou adorar... Sem roupa também está bom — provocou.
— Se eu soubesse disso, não tinha me esforçado tanto — ri da sua provocação e deixei que ele me ajudasse a levantar. Embora ainda estivesse frustrado, não estava mais tão triste.
— Feliz aniversário de um ano — disse assim que estava de pé, abraçando-o por cima dos ombros e beijando-o.
— Feliz aniversário de um ano — desejou, me abraçando mais forte e sussurrando que tinha um presente para mim, mas que o traria no dia seguinte. Eu estava curioso, mas essa curiosidade ficou de lado enquanto ele me levava para o quarto.
***
Quando acordei, sem surpresa, ele não estava na cama. Em metade das vezes ele não estava na cama; na outra metade, já estava acordado e me observava. Nunca consigo vê-lo dormir. Pergunto-me se no futuro ainda terei essa chance.
Levantei, sentindo meu corpo um pouco dolorido por causa da "comemoração" daquela noite, e fui pegar uma roupa limpa. A que estava usando antes definitivamente não podia mais ser usada. Me vesti enquanto ainda estava na frente do guarda-roupa e ouvi barulho atrás de mim.
— Kakashi, vamos comer algo leve no café...
Meu corpo paralisou quando ouvi um miado e me virei imediatamente, vendo um homem e um gato. Kakashi estava segurando um pequeno gatinho nas mãos, de pelo alaranjado e que me olhava com curiosidade.
— Feliz aniversário de um ano — ele repetiu as palavras da noite anterior, aproximando-se e colocando o gato em meus braços enquanto eu estava atordoado.
Depois olhei para baixo, encarei aqueles olhos que pareciam tão confusos quanto eu e inconscientemente fiz um carinho. O gatinho parecia muito dócil e ronronava ao se esfregar nos meus dedos. De repente ele levantou o queixo e eu vi que usava uma coleira. Nessa coleira havia uma plaquinha e um nome.
"Laranja".
Meus movimentos congelaram imediatamente e surpreso, lembrei daquele dia, alguns anos atrás.
Kakashi também se aproximou de mim nesse momento, me abraçou por trás e sussurrou no meu ouvido.
— Se ele fugir, não procure nas árvores para evitar acidentes.
Sorri com a piada e depois ri de mim mesmo pelas idiotices que havia feito naquela época.
— Obrigado. Gostei muito dele — disse para a pessoa atrás de mim, mas sem me virar para ele.
— Espero que se sinta menos sozinho quando eu não estiver aqui — ele falou, explicando o motivo dessa escolha.
— Hum — concordei e fiz carinho no Laranja.
Não sei se vai ajudar com a saudade e a solidão, mas estava feliz de ter uma companhia.
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