Conquista do Destino
9 Lavanda e açucar
Notas iniciais

Quando Alice se deu conta, estava andando acompanhada por Emily, a loira que havia conhecido pouco antes de seu primeiro torneio. A coordenadora de olhos caramelos se provou ser bem diferente da menina que esbarrou em Alice na escada e desculpou-se. Nas duas horas que na opinião da Grant demoraram demais para passar, Emily não havia parado de tagarelar desde estratégias de renomados top coordenadores até o quão verde a grama da rota cento e dez era. Apesar de Alice achar companhia numa longa caminhada ótima, a menina estava cogitando a possibilidade de mandar Emily calar a boca. Rude? Com toda certeza, porém necessário. Argh, ela não fica quieta nunca? Pensou entediada ao acenar distraidamente em entendimento para uma pergunta de Emily, que gesticulava incansavelmente, ato que parecia ser algum tipo de mania estranha.
—... Sabe, eu amo o verão! É tão quente e agradável, ainda mais aqui em Hoenn! Snowbelle era tão frio...
— Snowbelle?! — Alice interrompeu — Essa cidade pertence à Kalos, né? — perguntou espantada ao lembrar-se de uma conversa que teve com sua mãe ao reclamar pela milésima vez que queria morar num lugar menos quente. Sra. Grant citou essa cidade quando fazia uma lista de cidades que nevavam.
— Oh, sim. — respondeu Emily calmamente, olhando para o azulado céu com poucas nuvens, interrompendo a linha de pensamento de Alice sobre cidades geladas.
— Então... Você é de Kalos?
— Sou sim. Apesar de às vezes sentir falta do frio de casa, sinto que meu lugar é aqui, com os torneios e o clima tropical de Hoenn... — Um brilho nostálgico se fez presente em seus olhos caramelos ao citar sua casa, mas rapidamente se foi, e a menina continuou com sua importante tarefa de chutar as pedras que se encontravam em seu caminho, distraidamente.
— Eu daria tudo para morar num lugar mais fresco. Esse clima me mata! — Abanou o rosto com sua mão, dando ênfase em sua queixa.
— Ah, eu gosto muito do verão e da primavera. Meus pokémons se sentem muito bem também.
— Posso imaginar... — disse fitando as pedras que haviam sido chutadas por Emily, fazendo uma careta ao lembrar-se de como Tsuki ficava preguiçosa diante de dias calorentos.
Sua resposta vaga pôs um fim na conversa de clima e nacionalidade, e depois de alguns minutos de milagroso silencio na opinião de Alice, sua companheira voltou com seu monólogo anterior, aparentemente fingindo não notar a falta de interesse de Alice ao Emily conscientiza-la do quão importante é para um treinador de Tropius verificar periodicamente a textura de suas “asas folhas”. Alice apenas assentiu, suspirando ao olhar para o céu e perceber que não havia passado da metade da manhã e Emily já havia falado em três horas o dobro do que Edward havia dito em dias que viajaram juntos. De repente Alice sentiu falta das respostas monossilábicas do moreno. Apesar de Emily ser mais animada e consideravelmente mais agradável que o Bloom, Alice achava que a hiperatividade de Emily era o oposto do seu jeito calmo. Mas não havia nada que ela pudesse fazer a não se dar de ombros, continuando a caminhar ao lado da loira afobada, sua mais nova companheira de jornada.
* * *
Quando o sol estava a pino no céu como uma intensa chama de vela resplandecendo seus raios de luz, Alice suspirou pelo o que pareceu ser a milésima vez. Levantando sua mão até o rosto pálido, a menina limpou a fina camada de suor que havia se formado em sua testa devido à longa caminhada que havia percorrido. Grant não conseguia mais sentir seus pés, e em seu interior, perguntou-se dramaticamente se algum dia voltaria a andar. Fechando os olhos, conseguia ouvir ao fundo o som da água do oceano. A rota cento e dez era um pedaço de terra que cortava as águas do mar de Hoenn, ligando Slateport à Mauville. Havia uma pista de ciclismo que interligava as duas cidades, construída sobre o mar, tornando-se um grande atalho para quem precisava viajar. O único problema era que Alice não tinha uma bicicleta, objeto necessário para trafegar na via. Grant desejou um pokémon que aprendesse Fly. Boa parte de seus problemas estariam acabados.
Ao seu lado, Emily continuava firme e forte, não apresentando cansaço ou incomodo perante o clima de alta temperatura. A loira ostentava seu costumeiro sorriso brilhante que parecia nunca deixar seu rosto, não importando a situação. Alice perguntou-se de onde a coordenadora tirava tanta energia. Deve ser muito açúcar... Concluiu, fitando de soslaio a menina ao seu lado que olhava para um ponto não especifico, perdida em seus pensamentos, formando um silêncio aconchegante que Alice acolheu de bom grado.
Olhos violetas voltaram-se para trás a procura de Tsuki para apenas encontrar o caminho vazio. Bateu a palma da mão na testa ao lembrar que a Absol estava em sua pokébola, protegida das altas temperaturas. A menina suspirou novamente, fazendo Emily sair de seu prolongado devaneio e fitá-la, soando curiosa:
— Você não parece muito bem —, Apontou para o rosto mais pálido do que o normal da Grant. — que tal nós pararmos para almoçar?
— O quê? Eu não pareço bem? Saiba que eu estou me sentindo ótima, andar no sol durante horas é a minha ideia de diversão! — Bufou, cruzando os braços e resmungando algo como “açúcar estúpido”.
Emily gargalhou suavemente diante do mau humor da companheira, não intimidada com o estado de Alice. Ao andar um pouco mais e avistar uma pequena clareira, correu para lá sem aviso prévio, deixando Alice para trás. Arremessou sua mochila num canto qualquer e se jogou no gramado, olhando para o céu com um sorriso, saboreando a brisa do verão de encontro com seu rosto.
Alice chegou uns instantes depois e Emily pode ver sua carranca se transformar em confusão ao observar com uma sobrancelha perfeitamente arqueada a loira estirada no chão gramado.
— Ah, vamos lá, Lady Lavanda! Junte-se a mim! — Emily sorria radiante ao apontar para seu lado.
— Lady Lavanda? — Alice repetiu as palavras com uma careta, franzindo ainda mais as sobrancelhas.
—Ah, sim... Bem, seu olhos, roupas e sapatos são todos roxos. Lavanda é roxo, também. Cai perfeitamente para você!
— Meus olhos não são roxos, violeta é o correto! — Suas palavras soaram indignadas. — E eu não uso só roxo... — completou em um tom mais baixo, tentando convencer a si mesma.
— Ah, claro... Bem, isso não importa mais. Senta aqui para a gente ver as nuvens!
Alice olhou-a como se ela fosse uma doente, mas depois de alguns segundos deu de ombros e acabou cedendo ao ver os olhos caramelos de Emily brilhando perigosamente, marejados enquanto seu sorriso diminuía consideravelmente. A Grant revirou seus grandes olhos violetas e deitou-se ao lado da coordenadora, olhando para o céu com nuvens.
Emily Samir arregalou os olhos caramelos levemente e apontou com o fino e longo dedo indicador para uma nuvem em especial. Alice seguiu seu dedo com o olhar e viu apenas uma nuvem qualquer.
— Isso deveria ser algo? — perguntou com o cenho franzido
— Você não vê? É claramente um Shelgon! — respondeu naturalmente, colocando os braços atrás da cabeça, formando um apoio.
Alice estreitou os olhos e observou melhor a nuvem em questão. Ela era levemente arredondada e tinha umas irregularidades que se assemelhavam às patas do pokémon resistência do tipo dragão. Não era exatamente perfeito, mas dependendo da imaginação do observador, aquela nuvem poderia ser até mesmo um Ditto. Bem, um Ditto poderia ser uma nuvem. Alice observou mais atentamente e admitiu que Emily estava certa, a nuvem realmente se parecia com um Shelgon.
— Eu ainda não vejo nada... — E era claro que ela nunca iria admitir estar errada. Nuvens estúpidas, Shelgons estúpidos!
— Ah, Lady Lavanda —, Suspirou — a beleza está presente em todo lugar; de uma pedra a até mesmo uma nuvem qualquer. Basta abrir os olhos e enxergar além da superfície, basta ver através das aparências. A vida é bela de uma maneira inexplicável, então por que não desfrutar disso?
As sobrancelhas de Alice que anteriormente se encontravam franzidas se suavizaram após a menina absorver e ponderar um significado oculto do pequeno discurso de Emily. Ver através da superfície... Alice olhou para Emily pelo canto dos olhos e viu a menina com olhos fechados. Ela nem deve ter pensado quando falou isso... Mesmo tendo esses pensamentos, Grant sorriu verdadeiramente para Samir pela primeira vez no dia. Obrigada... Talvez... Pensou, agradecendo silenciosamente.
— Então... Você ainda quer almoçar? — perguntou Alice após o silêncio ser quebrado por um ronco de seu estomago vazio.
* * *
Depois do almoço leve, as coordenadoras continuaram seu caminho pela longa rota cento e dez durante toda à tarde. Emily estava mais quieta, apesar de vez ou outra balbuciar informações que na humilde opinião de Alice ainda eram inúteis. A Grant havia mudado sua forma de ver Emily após o seu pequeno discurso. Quando a mesma não estava dando informações desnecessárias, ela mostrava-se ser uma pessoa otimista e até sabia de vez em quando. Muito de vez em quando. E além do mais, Emily aparentemente se dava muito bem com os torneios, tendo conquistado duas fitas. Alice não sabia quais eram suas estratégias ou pokémons, e ao lembrar-se desse detalhe, resolveu questionar a Samir mais tarde.
—... O que você acha sobre as caldas dos Ninetales? — perguntou Emily, após discursar os melhores tratamentos para os pelos do pokémon raposa.
— Normais...? — respondeu Alice incerta, franzindo a sobrancelha ao ver que a noite já estava caindo.
Elas haviam andado três quartos da longa rota, mas com a noite batendo em sua porta e nenhuma civilização por perto, Alice começou a ficar preocupada. Dormir no meio de folhagens com pokémons selvagens e principalmente Emily próximos não era exatamente agradável aos olhos da coordenadora.
— Normais?! — repetiu as palavras de Alice incrédula. — Você tem ideia que um Ninetales pode viver mais de mil anos graças ao poder místico de suas caldas normais? Ah, Lady Lavanda, eu pensava que você era mais inteligente! — Emily pisou forte, fazendo uma careta perante a falta de informação da loira um pouco mais alta que ela.
— Aonde você aprende tudo isso? — Antes que Alice pudesse conter sua curiosidade, as palavras fluíram naturalmente de sua boca sem permissão.
— Ah, eu meio que estudo desde pequena sobre as características dos pokémons. Afinal de contas, é o dever de um cuidador pokémon saber essas informações... — A menina recitou essas palavras com orgulho, esquecendo estar zangada com Alice.
Alice arregalou os olhos levemente. Agora tudo faz sentido!
— Então você quer ser um cuidador?
— Sim, futuramente, se tudo der certo eu pretendo me tornar uma muito boa! — Samir sorriu gigante.
— Mas e sobre os torneios? — Alice perguntou instante depois.
— Bem, eles são mais como uma prova para ver se meus conhecimentos estão realmente afiados. Saber cuidar da maneira correta me ajuda muito mesmo na hora da apresentação. E nas batalhas, eu faço uma pequena analise das desvantagens e poder total do meu adversário pela aparência física do seu pokémon. Depois disso as coisas se tornam mais fáceis. — disse, dando de ombros.
— Então os torneios não são importantes para você? — A voz da Grant saiu com uma pitada de irritação. A menina estava brava pela atitude de Emily. Aparentemente ela não levava as coisas a sério e ainda conseguia ganhar os torneios. A Alice interior estava espumando de indignação.
— É claro que eles são importantes! Se eu conseguir me tornar uma coordenadora prestigiada, serei uma cuidadora ainda mais fantástica! Imagine: “Emily Samir, top coordenadora e doutora pokémon”. Você consegue imaginar o quão legal isso é? — A menina mais baixa levantou as mãos, alargando ainda mais seu sorriso, se é que isso era possível.
Alice apenas revirou os olhos, preferindo não responder ao devaneio de sua amiga, e após ver que o céu estava num tom de azul marinho, pensou e mesmo não estando satisfeita com a ideia, perguntou para Emily:
— Huh... Emily, acho que nós teremos que passar a noite por aqui... — Fez uma careta diante da possibilidade de dormir no chão gramado e duro, visto que a coordenadora não carregava sacos de dormir ou algo do tipo.
— Concordo com você. Vamos procurar um lugar limpo para fazermos uma fogueira! — Samir apressou-se, andando mais rápido, não dando opções para Alice a não ser segui-la.
Depois de andarem alguns instantes, Emily atravessou um arbusto com Alice em seu encalço. A visão que ela estava diante era um tanto quanto bonita.
Havia uma espécie de córrego, que provavelmente era um braço do oceano, tornando a água não potável. A única luz vinha das estrelas, e Alice perguntava-se como Emily movimentava-se com tanta facilidade na escuridão ao jogar sua mochila perto de uma árvore com tanta familiaridade. No outro lado da margem do córrego era possível ver o brilho amarelo dourado dos Volbeats e Illumises selvagens, os pokémons vagalumes que por ali dançavam. Suas luzes refletiam nas águas, e junto com a brisa gelada da noite, Alice não estava achando tão ruim acampar. Ao juntarem seus gravetos, um estalo se fez presente na mente de Alice.
— Aonde nós arrumaremos fogo? — perguntou a Emily, pensando na falta que um pokémon do tipo fogo fazia nessas horas.
— Eu tenho a solução, Lady Lavanda. — sorriu convencida ao tirar uma pokébola dos bolsos de sua calça e arremessá-la no ar, projetando um pequeno Fletchling nos ares.
O pokémon era pequeno, pousando facilmente no antebraço de Emily. Seu corpo era semelhante a uma andorinha, tendo suas penas na tonalidade de vermelho e cinza. Sua calda era preta com uma listra branca, tendo um pequeno bico e grandes olhos. Samir acariciava as pequenas asas do robin peito vermelho, fazendo o pokémon soltar um pio de contentamento.
— Ele é de Kalos, né? — Alice perguntou curiosa. Nunca havia visto aquele pokémon, e visto que Emily era estrangeira, achou plausível sua linha de raciocínio.
— Sim. Fletchling é bem comum nas rotas de Kalos. Ele é como um Taillow, para ser mais exata.
Grant assentiu com a cabeça, e Emily murmurou Ember para seu pokémon, que atirou uma pequena brasa nos gravetos devidamente empilhados, acendendo-os imediatamente. Após alguns instantes, as chamas consumiram a madeira, iluminando a clareira por completo.
—Uh, Emily, você não pretende caçar e comer um... — Alice começou hesitante, apenas para ser cortada por Samir.
— Você tá louca? A fogueira é só para nos aquecer e iluminar. Não é como se nós estivéssemos perdidas ou longe de alguma forma de vida — Alice abriu a boca para discordar da amiga, apenas para receber um revirar de olhos da mesma. — Eu tenho umas frutas e sanduíches aqui. E você? — perguntou após agradecer e enviar seu Fletchling de volta à pokébola, guardando-a na mochila.
Alice deu o melhor de seus sorrisos amarelos, ganhando um leve rubor nas bochechas iluminadas pela luz da fogueira.
— Você não tem nada? — Emily perguntou indignada. — O que você carrega nessa mochila, afinal de contas?
— Bem, eu carrego roupas e outras coisas. Eu costumo levar pelo menos um lanche, mas digamos que eu talvez tenha esquecido essa vez... — A menina sentou-se no chão próximo ao fogo, bufando.
— Nós podemos dividir. O problema maior aqui é você. Sinceramente, Lavanda, cê precisa levar as coisas necessárias para uma jornada. Essa não será a ultima vez que irá acampar numa floresta ou coisa pior. E se eu não estivesse aqui? — perguntou, pondo suas mãos no quadril, numa pose um tanto quanto mandona na opinião de Alice.
Ótimo, agora tenho que agüentar sermão dela também. A menina pensou enquanto revirava os olhos para Emily, que eventualmente desistiu de repreender as atitudes da amiga. Samir pegou sua mochila, tirando seu simples jantar, compartilhando com Alice e comendo em silêncio, ao som do crepitar da madeira e do mar na distância.
Ao terminarem de jantar, Emily tirou uma espécie de lençol branco de dentro de sua mochila, estendendo-o no chão.
— Você também não traz saco de dormir! — Alice acusou, apontando para o tecido que Emily estava estirada, usando sua mochila como travesseiro.
— Pelo simples fato que eu não quero, Lavanda. — Deu um sorrido superior. — Você, por outro lado...
— Certo. — Alice cortou-a, deitando-se no chão gramado, do lado oposto de Emily, imitando seu gesto com a mochila. A menina suspirou, preparando-se para dormir.
Depois de alguns minutos de aconchegante silêncio, Alice estava próximo de cair no sono quando foi desperta por um baixo chamado de Emily.
— Lady Lavanda, você tá dormindo? — perguntou num fio de voz.
— Tô sim, você não está vendo? — respondeu depois de alguns instantes de debate interno entre ignorar ou não o chamado da coordenadora.
— Tô sim. Você poderia... Contar uma historia para mim? — Emily pediu hesitante.
— Uma história?! Quantos anos você tem? — Grant estava incrédula. Ela me acorda para isso?
— Eu tenho quinze, um ano mais velha que você. Então... Você não tem muitas escolhas. Não te deixarei dormir até contar minha historia. — disse em voz firme, não deixando brechas.
Alice ia perguntar como a amiga sabia sua idade, mas acabou deixando de lado, preferindo acabar com sua tortura o mais cedo possível.
—... Olha, eu não sei como começar isso... — Admitiu após alguns instantes de silêncio.
— É simples. Qual é o seu pokémon favorito? Tirando Absol, é claro.
Alice demorou uns instantes pensando na resposta, e por fim, disse simplesmente:
— Magikarp... — respondeu pensando no Gyarados de Cat, arrancando uma curta gargalhada de Emily. Apesar de ele não ser seu favorito, o pokémon carpa foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça.
— Pronto, agora faça uma história com ele! — Emily incentivou.
— Uh, certo... — Limpou a garganta e começou. — Bem, havia um Magikarp que vivia numa lagoa, mas ele não gostava de sua casa... Então, num dia de tempestade em que as águas aumentaram, ele saiu de lá, indo até a lagoa vizinha aonde todos os magikarps viviam. Ele chegou lá e viveu feliz para sempre. Fim.
— O quê? Só isso? Ele não fez amigos? — Emily questionou após a desastrosa crônica narrada por Alice.
— Tá, tá. Ele fez amigos. Feliz agora? Posso voltar a dormir?
— Ele não se apaixonou? — Emily voltou com sua voz questionadora e não ouvindo a suplica da amiga.
— Ele é um magikarp! — Alice exclamou indignada encarando Emily que havia se sentado, através da fogueira que ia diminuindo pouco a pouco.
Samir apenas estreitou os olhos, fazendo Alice suspirar e corrigir:
— Ele evoluiu, se apaixonou por uma linda Gyarados e teve três “magikarpizinhos”. Agora eu posso, pelo amor de Arceus, dormir?
Emily nada disse, apenas enrolou-se em seu lençol, escondendo o rosto de Alice, que também desistiu de uma resposta, deitando-se novamente na grama.
— Você é horrível contando histórias, Lavanda. Boa noite. — Emily falou após uns minutos de silêncio, com a voz risonha.
Alice abafou uma risada e ajeitou-se na sua confortável grama, adormecendo rapidamente, não ouvindo um movimento num arbusto próximo, não sabendo estar sendo observada naquele exato momento.
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