Conquista do Destino
2 Dois novos amigos
Notas iniciais

Quando se despediu de sua mãe, sentia uma inquietação no estômago; se sentia mais viva, era uma sensação totalmente desconhecia por Alice. Liberdade. Sentir o vento de encontro com seus cabelos soltos nunca foi tão mágico quanto naquela hora. Olhou de soslaio para ver uma Tsuki correndo, e percebeu que ela também estava feliz.
Logo quando saiu de Rustboro, voltou a andar numa velocidade normal, que logo foi acompanhada pela Absol. A rota que ligava a sua cidade natal com Petalburg era a cento e quatro, uma estrada plana, que era dividida em duas pela Floresta de Petalburg, com flora densa, aonde é possível encontrar vários pokémons do tipo inseto e grama. Alice não tinha interesse em nenhum dos dois, visto que tinha um trauma com pokémons do tipo inseto e já estava enjoada do tipo grama, culpa de sua mãe, vale ressaltar. No ritmo em que ela seguia, era possível chegar à Petalburg antes do anoitecer, e era justamente isso que pretendia.
Depois de andar pouco mais de duas horas por caminhos planos, com o clima ao seu favor — ventava levemente e o sol estava encoberto por nuvens —, Alice adentrou na floresta, com Tsuki em estado de alerta, ciente do medo da amiga por insetos. O cenário era totalmente verde, com arvores de copa alta com folhagens verde escuro, no tom de musgo e densas, tanto que o sol mal conseguia penetrar no chão coberto de grama alta.
Andou aproximadamente por três horas, até que finalmente chegou ao final da mata, sem acontecer nenhum acidente ou encontro indesejado com pokémons ou treinadores que desafiam tudo e a todos a qualquer hora do dia, o que na opinião de Alice, foi um milagre, uma prova que o destino estava ao seu favor neste dia.
Logo quando saiu da floresta, pode ver a luz do sol novamente, e se deu conta de que estava faminta, visto que sua última refeição foi o café da manhã em sua casa, há mais de seis horas atrás. Se sua mãe soubesse disso, ficaria muito irritada, e com toda a certeza Alice levaria sermão de como é importante se alimentar de três em três horas. Ela nunca saberá, pensou. Achou um gramado verde vivo, perto de umas flores, uma paisagem realmente adorável. Decidiu que almoçaria ali. Tirou um sanduíche e suco natural — cortesia de sua mãe urso — da mochila, pegou a tigela de refeições de Tsuki e colocou a quantidade normal de um tipo de pokébloc que não preocupou de ver qual sabor era. A Absol estava tão faminta quanto ela, provavelmente comeria até uma pedra se lhe servissem na sua costumeira tigela vermelho vivo. Após os preparativos, começou a comer com calma, pensando no conteúdo da carta que sua mãe lhe dera para entregar. Obviamente não abriria, Sra. Grant havia lhe passado muitos ensinamentos de boas maneiras, e além do mais, aquela carta não lhe pertencia. Mas que havia algo mais do que uma simples conversa no conteúdo da carta, isso era mais que verídico aos olhos de Alice, que percebeu um brilho estranho nos olhos da mãe ao pedir o favor. Sentia que não deveria se importar muito com aquilo nesse momento, apenas aproveitar o momento de descanso.
Após terminar de almoçar e arrumar todos os seus pertences, retomou sua caminhada, com Tsuki ao seu lado. Estava andando calmamente, até que ouviu um barulho de grama sendo pisada, e automaticamente ela e a Absol se viraram para o arbusto que aparentemente estava se mexendo.
— Quem está ai? — Dirigiu-se até o arbusto, adentrando-o, ao perceber que nada ou ninguém respondeu seu chamado, fazendo um sinal com a cabeça para que Tsuki lhe seguisse.
Ao adentrar no que parecia ser uma clareira não muito ampla, viu um Pokémon pequeno e branco, que reconheceu sendo um Ralts, graças às revistas de sua mãe, que tanto criticava antigamente pelo fato de estarem por todos os lados da casa. Aproximou-se calmamente, ao reparar que o pequenino não havia percebido sua chegada. Viu que ele estava tentando colher uma fruta, mas era muito pequeno para alcançá-la. Alice decidiu que iria capturá-lo, sabia que dependendo do gênero, um Ralts poderia evoluir numa Gardevoir, tipo psíquico e fada, se fosse fêmea. E se fosse macho, com a intervenção de uma dawn stone, poderia se tornar um Gallade, do tipo psíquico e lutador. Ambas as formas finais eram muito bonitas, na opinião de Alice, e a melhor parte era que os dois poderiam mega evoluir.
Sem pensar duas vezes, jogou uma pokébola no Ralts, que pego de surpresa, entrou na bola, que caiu no chão num baque mudo. Um balanço. Dois... e a pokébola abriu, projetando um Ralts raivoso que usou confusion em Tsuki, que já estava em posição de batalha, pronta para proteger Alice.
— Tsuki, não! Nós não precisamos machucá-lo! Eu consigo capturá-lo sem ataca... — Não conseguiu completar sua fala, pois uma voz a havia cortado.
— Você realmente não sabe o que está fazendo, huh? — disse uma voz masculina, debochando, pertencente ao individuo que apareceu na clareira aonde Alice se encontrava. — Áquila, Wing Attack! — Deu o comando ao grande Staraptor que sobrevoava a área, logo batendo suas grandes asas, formando um uma corrente de ar que atingiu em cheio Ralts, que havia acabado de usar Double Team, um movimento que cria cópias do Pokémon, aumentando sua evasiva. O Pokémon atingido caiu no chão, já muito fraco, pelo fato de ser nível baixo.
— Atire logo a pokébola! — Ordenou o estranho à Alice, que pelo fato de haver várias coisas acontecendo no mesmo momento, demorou alguns segundos para responder, arremessando uma pokébola no Ralts, que havia acabado de se levantar. O Pokémon entrou na pokébola. Um balanço. Dois. Três. A confirmação do sucesso da captura veio com uma espécie de brilho que saiu da bola após a terceira balançada. Alice deu um grande sorriso e correu até a bola, pegando-a do chão e abrindo-a, jogando-a no gramado e vendo seu mais novo companheiro de time se projetar em sua frente: Um Ralts bem mais calmo, com uma expressão de confusão na pequena face, meio coberta pela “cabeleira verde’’.
— Você é tão fofo! Ou será que devo dizer “fofa’’? — Riu-se, ao constatar que o Ralts era na verdade “a” Ralts.
— Você é terrível, sinto-lhe dizer. — zombou o garoto que havia lhe ajudado poucos minutos atrás.
— Oh! Tinha até me esquecido de você! Me desculpe, e obrigada por me ajudar, estou iniciando hoje a minha jornada! — Explicou, sorrindo docilmente, sem aparentar ter ouvido a critica de seu salvador.
Alice observou mais detalhadamente o menino que havia lhe salvado. Ficou espantada ao ver o quanto ele era bonito: Pele pálida, cabelos curtos, lisos e pretos, num penteado meio espetado, como se tivesse acabado de acordar. Mas que na opinião de Alice, dava um charme especial ao garoto. Aparentava ser um ano mais velho que ela e um pouco maior, aparentemente menos de dez centímetros. Usava uma calça jeans comum e uma camiseta azul marinho, que realçava ainda mais seu lindo rosto. Mas o que mais era notável em sua beleza eram seus olhos: Negros como a noite, indecifráveis. Alice de bom grado desvendaria o mistério por trás daqueles olhos, afinal, adorava coisas do tipo.
Percebeu que o estava fitando há muito tempo, quando o mesmo limpou a garganta, numa tentativa de chamar a atenção uma Alice encarando-o com uma expressão de espanto.
— Não tem problema. Só fique ciente de que as chances de capturar um Pokémon enfraquecido são muito maiores do que um com a saúde boa. — explicou, com uma face transbordando tédio.
—A-ah... C-claro! — Respondeu, se amaldiçoando por estar gaguejando e provavelmente corando. — Hum... Sou Alice Grant, prazer! Qual é o seu nome? — Perguntou se recompondo do seu estado de vergonha e logo após sorrindo.
— Isso não vem ao acaso agora. Eu tenho que ir, se cuide. — E saiu da clareira, sendo seguido pelo seu Pokémon, não dando nem chance de Alice formular uma resposta.
— Hãn? Mas o quê...? — perguntou ao nada. Que sem educação! Debocha de mim e ainda não tem nem a coragem de me dizer seu nome! Desagradável! Quantos segundos ele perderia se me contasse seu nome? Uma pena ser tão chato e ao mesmo tempo ser lindo... Suspirou, e logo se virou para a Ralts e Tsuki que assistiam seu ataque de confusão.
— Ah, querida! Desculpe-me, ainda não pensei em um apelido decente para você! Por favor, me dê mais tempo, até nós chegarmos à cidade de Petalburg! — Depois de ter dito isso, pegou a pokébola da recém-capturada Ralts e a chamou de volta, ficando com apenas Tsuki ao seu lado. — Vamos logo, Tsuki, precisamos chegar logo na cidade! —Informou à Absol e logo voltaram ao seu trajeto normal, sem interrupções ao longo do caminho.
* * *
Quando o sol já estava quase se pondo, deixando o céu num lindo crepúsculo alaranjado, Alice finalmente chegou ao seu destino: A cidade de Petalburg, que logo ia se esvaziando, com a chegada da noite. A menina decidiu que entregaria a carta na manhã seguinte, e que antes de procurar o endereço da entrega, iria explorar a cidade.
As ruas limpas já estavam se esvaziando, os comércios já estavam fechando e tudo estava na maior paz. Tão diferente de Rustboro, pensou distraidamente, ao observar tudo ao seu redor.
Ao andar mais um pouco, logo avistou um Centro Pokémon, onde passaria a noite, numa distância de aproximadamente vinte metros. Correu, com Tsuki a seguindo de perto, até parar na frente das portas automáticas, que se abriram, deixando Alice adentrar no grande prédio vermelho e branco.
Dirigiu-se até o balcão de atendimento, aonde uma enfermeira morena simpática a atendeu, dando-lhe chaves e o número do quarto aonde iria passar a noite. Tsuki e Ralts ficaram na enfermaria, para se recuperar do dia cansativo que tiveram. Alice jantou a comida do Centro, subiu para as escadas e foi para o cômodo que lhe pertenceria naquela noite, tomou um banho e vestiu seu pijama, e ao deitar na cama do quarto que lhe foi cedido, caiu no sono quase que instantaneamente, não se dando conta do quão cansada estava.
Na manhã seguinte, acordou renovada, se sentindo faminta. Tomou um banho rápido para despertar verdadeiramente, se vestiu com as suas roupas normais — agora lavadas e passadas pelo serviço de quarto —, penteou os cabelos loiros, apanhou sua mochila branca e desceu as escadas, pronta para encontrar seus pokémons e tomar café da manhã.
Após fazer tudo isso, se despediu da enfermeira e saiu às ruas, pronta para explorar a cidade.
Depois de andar no centro da cidade e de almoçar, decidiu que estava na hora de entregar a carta, pois já havia encontrado a residência de Catelyn Bloom, a destinatária. Alice aproveitou muito o tour por Petalburg; comprou pokéblocs para Tsuki e Ralts, recém-nomeada Athena, após a menina ler esse nome numa capa de revista. Achou a cidade muito acolhedora e seus habitantes hospitaleiros, esperava que as outras cidades que estavam envolvidas na sua jornada fossem dessa maneira.
Ao chegar à casa de Catelyn, apertou a campainha, e não precisou esperar mais do que alguns segundos, até a porta ser aberta por uma mulher alta, de cabelos negros e olhos bem escuros, praticamente pretos, extremamente familiares a Alice, que não sabia aonde havia visto aquela aparência. Ela vestia um vestido florido rosa de algodão e usava um avental bege neutro. A menina deduziu que aquela deveria ser Catelyn.
— Olá querida, posso te ajudar? — perguntou amavelmente a morena.
— Oi. Sou filha de Aurora Grant, me chamo Alice. Vim entregar uma carta de minha mãe à Sra. Bloom. — Estendeu a carta, sorrindo abertamente para a morena. Achou ela muito simpática, lembrava até um pouco sua mãe.
— Filha de Aurora? Oh deus! Como você está grande! Lembro-me de você quando não passava de uma criança de colo! — Sorriu a abraçando, como se conhecessem há tempos. — Vamos menina, entre logo e venha tomar um chá comigo e com o meu filho! — disse, abrindo a porta para Alice entrar, mas quando a mesma pôs um pé para dentro da residência, uma voz familiar resoou pelo ambiente, fazendo a menina congelar onde estava.
— Mãe, você sabe onde está minha caix... — Se interrompeu ao ver a garota parada no arco da porta, olhando-o de olhos arregalados.
— Você...! — disseram Alice e o menino bonito que havia lhe ajudado mais cedo, em uníssono.
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